CONTEÚDO


Apresentação da Análise Fundamentalista

A análise fundamentalista está embasada no conceito de que os investidores têm a capacidade de utilizar as informações financeiras históricas de maneira a elaborarem estratégias de investimentos lucrativos para o futuro. Segundo Joseph Piotroski, a análise está focada na avaliação qualitativa da empresa, do panorama setorial em que está inserida e da conjuntura macroeconômica.

Tem como alicerce a análise de três fatores: análise da empresa (Microeconômica), análise do Setor em que a empresa está inserida e a análise geral da economia (Macroeconômica), passando pela análise retrospectiva de suas demonstrações financeiras e estabelecendo previsões para o seu desempenho. É essencial que estes três fatores sejam analisados para fundamentar as decisões sobre quais papéis devem ser comprados ou vendidos e estimar a tendência geral do mercado e da economia.

Assim, ela avalia o respaldo financeiro da empresa, a evolução dos lucros, do valor patrimonial, do seu endividamento, dentre outros aspectos que informam a saúde financeira da empresa, a eficiência na utilização dos recursos, seus pontos fortes e fracos, além de possibilitar a projeção de possíveis resultados futuros, tendências e perspectivas, e avaliar o preço atual dos ativos. Para isso faz-se necessário uma interpretação dos fundamentos, ou seja, dos dados de seus resultados financeiros e de seu histórico de balanços e dos fatores macro e microeconômicos que influenciam no seu desempenho e no seu setor de atuação, dando suporte à tomada de decisão do investidor.

As informações mais relevantes nos campos setorial e macroeconômico são aquelas que se referem à concorrência, às políticas de crédito, fiscal e cambial que envolvem a empresa. Quanto melhor for o conhecimento acerca desses aspectos, e das possíveis implicações que eles venham a ter sobre a atividade da empresa sob análise, melhor ela poderá ser avaliada.  

Já os Balanços Patrimoniais apresentam a situação patrimonial da empresa em dado momento e as Demonstrações do Resultado do Exercício mostram os resultados que a empresa alcançou em cada exercício. A análise dos balanços visa relatar com base nas informações contábeis fornecidas pela empresa a sua posição econômico-financeira atual, as causas que determinaram a evolução e o desempenho apresentados, bem como a sua tendência futura. Em suma, a análise fundamentalista permite ao investidor visualizar a performance da empresa no passado, a situação presente, além de extrair informações que subsidiam projeções futuras dos seus indicadores.

Estudando os fundamentos podemos identificar as empresas que apresentam as maiores taxas de crescimento de seus lucros e de seus patrimônios, as maiores pagadoras de dividendos, sem contar as empresas cujas ações estão subavaliadas pelo mercado e que possuem grandes perspectivas no longo prazo, bem como aquelas que estão sobreavaliadas, indicando possivelmente um bom momento sua venda. Entende-se que uma determinada ação apresenta um bom desempenho no mercado até determinado ponto. Em algum momento ela deixará de ser atraente e seu valor de mercado depreciará.


"O investimento em conhecimento é aquele que traz os maiores retornos".
Benjamin Franklin

É perfeitamente possível associar a escola fundamentalista à escola grafista ou do preço usando uma análise baseada nos múltiplos para escolher as melhores empresas e identificar momentos de entrada e de saída através da análise gráfica. No momento de montar a sua estratégia de investimento experimente combinar as duas análises.

O primeiro passo é, através da análise fundamentalista, selecionar as empresas mais atrativas, que vêm crescendo ao longo do tempo e que, a princípio, não apresentam grandes riscos financeiros. Posteriormente, através da análise técnica você obterá um histórico da tendência do preço desses ativos, determinará seu preço alvo (objetivo de rentabilidade) e seu preço stop (limite de perda) de acordo com seu perfil.

Para isso é essencial estar de posse da informação necessária, correta e séria no tempo hábil e, além disso, possuir o conhecimento e a capacidade de analisar esses dados. Embora as informações usadas como base sejam todas públicas, saber analisar esses dados leva não só à identificação de bons negócios para o investidor como também à descoberta do que o mercado não está precificando.

A análise fundamentalista faz uma avaliação da empresa orientando-se pelo conjunto de dados econômicos e financeiros, divulgados através de balanços trimestrais e por outras informações relevantes, complementada por uma análise gerencial e mercadológica da empresa. Normalmente isso é feito a partir de séries históricas desses dados complementadas com hipóteses formuladas para o futuro, ou seja, projeções de resultados esperados que determinarão a decisão de compra ou de venda da ação.

É um trabalho individualizado e especializado que, de uma maneira geral, tende a ser muito mais trabalhoso e complexo do que a análise gráfica. É difícil encontrar uma maneira simples de analisar os fundamentos e aplicá-los à tomada de decisão, a menos que você tenha experiência em finanças e contabilidade. Ao ler os relatórios trimestrais elaborados por contadores e analistas facilmente se perde o foco ou se confunde, dado a vasta quantidade de informações e forma complicada como são apresentados, o que dificulta a sua aplicação.

Muitas pessoas investem no mercado de ações em empresas que pouco ou nada conhecem, às vezes nem sabem exatamente o que a empresa faz. Seguem estratégias de investimentos baseadas quase que exclusivamente em gráficos de preço, dicas e expectativas muitas das quais absurdas. A maioria das pessoas com um mínimo de bom senso ao fazer uma sociedade num negócio procuraria primeiro entender bem o funcionamento desse negócio antes de investir.

É preciso estudar as características dos produtos/serviços que esta empresa está vendendo e qual a perspectiva da demanda por eles, como é o seu setor de atuação e a sua concorrência, além comparar este negócio com outros negócios semelhantes. Como disse Peter Lynch, “ações não são como bilhetes de loteria. Existe uma empresa por trás de todas elas. Descubra o que esta empresa faz.”

Nossa proposta é aprimorar a sua habilidade de análise de mercado através de um conteúdo objetivo e uma abordagem prática para a análise dos fundamentos. Buscamos quebrar a resistência que muitos têm em relação à análise fundamentalista dada sua complexidade e, em muitos casos, em razão da sua "impraticidade", contribuindo para a formação de investidores mais conscientes e com foco em estratégias sustentáveis de longo prazo.

“A informação mais necessária é sempre a menos disponível”.
Murphy

Portanto, assim como na análise gráfica, objetividade e simplicidade são elementos fundamentais. Saber o que buscar, onde encontrar e como interpretar as informações dos resultados. Nada no estudo da análise fundamentalista é tão complexo ao ponto de não ser possível a assimilação por qualquer investidor, o que possibilitará ao mesmo através da análise da performance passada da empresa, avaliar sua posição financeira atual, e tirar conclusões sobre o seu futuro, embasando suas decisões de investimento.

A análise fundamentalista busca, basicamente, avaliar a saúde financeira das empresas, projetar os seus resultados futuros e determinar uma faixa de preço “justo” para as suas ações, além de fornecer alguns indicadores que permitem ao investidor avaliar o quanto suas ações podem gerar em dividendos, o quanto de risco suas dívidas oferecem, em quanto tempo ele pode recuperar o que investiu, dentre outros. Assim, a análise fundamentalista pode fornecer aos investidores uma poderosa ferramenta de comparação entre empresas concorrentes, podendo ajudá-los a definir em qual vale mais a pena investir. 

Em suma, propomos a análise retrospectiva dos demonstrativos de resultado da empresa considerando os últimos 3 anos, realizando uma análise vertical e horizontal do seu desempenho histórico e dos índices econômico-financeiros. A partir daí, a análise prospectiva, projetando os resultados e as suas tendências futuras com base no contexto macroeconômico e nas perspectivas setoriais, comparando-a às demais do seu segmento e avaliando o preço de mercado de suas ações e a sua tendência.

Uma característica interessante sobre a análise fundamentalista é o fato de indicar mudanças nos resultados da empresa antes da análise técnica, pois elas são identificadas nos fundamentos antes de serem refletidas nos gráficos das cotações, os quais normalmente nos dizem o que já aconteceu. Além disso, não há nenhuma empresa que possa dissociar a estratégia do negócio face à envolvente macroeconômica.

A evolução da inflação, do índice do desemprego, das taxas de juro, do mercado cambial são indicadores que influenciam diretamente na atividade da empresa. E note-se que não são apenas os indicadores do país onde a empresa se insere. Com a globalização, as empresas podem ser afetadas por indicadores de países que se encontram a milhares de quilômetros de distância, ainda que não tenham qualquer relação direta com a empresa.

Os dados para calcular esses indicadores provêm do conjunto de dados econômicos e financeiros da empresa, divulgados através de balanços trimestrais ITR, onde estão detalhados ativos e passivos da empresa e seu valor contábil, dos demonstrativos de resultados por exercício DRE (12 meses), que oferecem as despesas e receitas da empresa, além dos resultados obtidos no período, e por outras informações relevantes como o relatório anual da empresa, que também fornecem alguns conceitos que os investidores devem conhecer como lucro operacional, dividend yield, margem líquida, patrimônio líquido, receita líquida e assim por diante. Isso é feito a partir de séries históricas desses dados.

"Por algum motivo as pessoas se baseiam nos preços e não nos valores. Preço é o que você paga, valor é o que você leva”.
Warren Buffett

Há, contudo, uma série de críticas à análise fundamentalista de uma maneira geral. A obtenção de estimativas precisas e confiáveis pode ser difícil em razão das projeções futuras dos indicadores e dos resultados muitas vezes acabarem tornando a análise fundamentalista em algo essencialmente subjetivo. Além disso, haverá sempre a possibilidade de se estar trabalhando com dados “maquiados” divulgados nos relatórios anuais, ou até mesmo nos ITR’s e DRE’s das empresas analisadas.

Tais interpretações são controvérsias e muitas vezes errôneas. Deve-se levar em consideração que esses demonstrativos são elaborados sob a ótica contábil, regulamentada por leis e convenções inerentes ao país onde está situada a empresa analisada, o que pode ocasionar uma avaliação equivocada dos valores reais da empresa e de seu desempenho.

É preciso levar em consideração também o tempo hábil para o uso da informação. Muitas vezes os próprios dados e os indicadores utilizados na análise já estão defasados, principalmente aqueles que dependem do preço de mercado da ação para o seu cálculo. Indicadores como o Dividend Yield, P/L Preço / Lucro, dentre outros, rapidamente se tornam inúteis devido às variações que ocorrem no preço da ação posteriormente à divulgação desses dados. Daí a importância de se utilizar a cotação atualizada para o cálculo desses indicadores, bem como fontes confiáveis e de credibilidade.

Assim, a principal fragilidade não só da análise fundamentalista mas de qualquer tipo de análise é o fato de que não existe a segurança de se ter em mãos todas as informações que importam sobre um ativo para poder analisá-lo, nem de que as informações disponíveis são precisas. Recentemente, diversas empresas como Sadia e Aracruz tiveram perdas bilionárias em seus balanços advindas da irresponsabilidade de seus administradores ao realizarem operações extremamente alavancadas no mercado de câmbio. Em nenhum momento os acionistas foram informados sobre tais operações nem sobre o risco que representavam.

E ainda que se tenha investido numa excelente empresa as condições do mercado podem fazer com que suas ações se desvalorizem, e de forma acelerada, dependendo da tendência do mercado ou à reação generalizada a determinados acontecimentos. O mercado fixa o preço de cada ação não necessariamente com base em seu desempenho estatístico passado, mas em função do desempenho futuro esperado, o qual pode diferir significativamente do seu comportamento passado.

Assim, as tendências de curto prazo muitas vezes podem não estar relacionadas aos fundamentos da empresa, mas a movimentos especulativos no mercado. Por isso, é obrigação dos investidores estudar tanto os fundamentos quanto os demais investidores – não apenas sobre a forma que as ações se comportam, mas como os seres humanos que as possuem se comportam. No geral, é durante as fases de pânico generalizado que temos oportunidades de adquirir bons ativos a preços realmente descontados. Já durante as fases de euforia no mercado é mais comum que os ativos estejam caros se comparados aos seus valores intrínsecos ou patrimoniais.

"Quando o barco começar a afundar não reze, abandone-o".
Max Gunther

Contudo, uma decisão de investimento baseada na análise isolada do gráfico de preços não é uma decisão consciente. Não se compra um gráfico, se compra uma ação, uma empresa. O risco de se pagar muito por uma ação ou vendê-la por pouco pode ser reduzido através da análise das informações sobre as empresas, alcançando conclusões acerca do impacto no valor intrínseco das ações. E uma avaliação de qualidade de uma empresa só pode ser feita se compararmos o seu último resultado trimestral com os seus fundamentos históricos.

A escolha da empresa na qual investir dentre a vasta gama de empresas de capital aberto dependerá da comparação entre os resultados dessas empresas. É preciso lembrar que a escolha do “que” comprar não é a mais importante, mas sim decidir se irá manter o investimento e, principalmente, se irá vendê-lo.

Neste sentido, reconhece-se a importância do papel da análise fundamentalista como instrumento de quebra de assimetria de informação entre o administrador e os investidores, ou seja, suprir a dificuldade por parte dos investidores de distinguir entre boas e más oportunidades de investimento, o que muitas vezes pode levar a queda da eficiência no funcionamento do mercado de capitais devido à perda de confiança no mercado por parte dos investidores, fruto de escolhas adversas. Como disse Benjamin Graham "o investimento é muito mais inteligente quando é feito como se fosse um negócio."

Assim, a conjunção da análise técnica com a fundamentalista é a melhor maneira para se obter uma visão geral mais legítima da saúde dos ativos e da tendência da economia e do mercado em geral. O que permite limitar dentro de uma grande variedade de empresas as melhores opções de investimento. Isso possibilita ao investidor desenvolver uma estratégia que filtre as ações de empresas que apresentam resultados ruins, grande endividamento e, acima de tudo, empresas concordatárias.

Talvez a forma mais inteligente para utilizar ambas seja determinar com a análise fundamentalista quais são os ativos que vêm apresentando os melhores desempenhos, dos quais se espera o melhor potencial de alta, e, com a análise técnica, buscar os melhores momentos para entrar e para sair do mercado.

A partir de critérios fundamentalistas e técnicos o investidor buscará adquirir ações de empresas saudáveis e com bons indicadores fundamentalistas a preços descontados, montando uma carteira com poucos ativos de diferentes setores. É possível ainda utilizar um modelo que realize uma filtragem setorial dada a conjuntura econômica, abordando parâmetros quantitativos e qualitativos. O mercado sempre determinará o preço. Cabe ao investidor determinar o valor.

“Quando o assunto é ganhar dinheiro todas as pessoas têm a mesma religião”.
Voltaire

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Noções de Macroeconomia e Indicadores Econômicos

O desempenho das empresas e dos ativos financeiros está intimamente ligado ao desempenho da economia. Como investidor de renda variável é preciso estar ciente de que as chances de retorno para tal aplicação serão determinadas por dois fatores básicos, o bom desempenho futuro da companhia em foco e o bom andamento do mercado acionário no período para o qual se espera o retorno.

Alterações nos rumos da economia interna ou externa causam oscilações por vezes bruscas nos mercados de capitais e podem afetar a performance dos títulos de determinada empresa, ainda que seus negócios em nada estejam sendo afetados pelos fatos ocorridos. Torna-se então fundamental aprofundar o estudo das correlações entre as variáveis econômicas e o desempenho do mercado.

A macroeconomia oferece uma visão geral do patamar econômico do país, tanto para o cenário interno quanto para outros países ou em nível mundial. Essa ampla abrangência possibilita antecipar os movimentos do mercado, tanto nacional quanto internacional. Dessa forma, o investidor pode agir e reagir de forma mais rápida, especialmente no sentido de evitar crises e de aproveitar oportunidades.

Portanto, o ambiente macroeconômico deve ser constantemente monitorado e analisado. A definição das premissas macroeconômicas permite o prosseguimento da análise setorial e dos fundamentos das empresas e fornece informações importantes para a adequada definição das taxas de crescimento da economia e das ameaças de riscos sistêmicos.

Basicamente, a economia de um país segue um ciclo de expansão econômica (recuperação e crescimento), seguido por um período de prosperidade, seguido por um período de declínio e recessão econômica (contração), seguido por um período de depressão econômica e, posteriormente, um novo período de retomada econômica (recuperação e expansão econômica). Um ambiente econômico mais instável, menos previsível, sujeito a intervenções e a uma estrutura regulatória incerta cria um ambiente mais avesso ao risco, que pode impactar as decisões gerenciais e, consequentemente, o desempenho das companhias.

Período de Expansão -  Após uma profunda crise (depressão econômica), a economia começa a indicar sinais de melhora, o dinheiro passa a circular novamente entre os cidadãos, as empresas gerenciam suas operações de forma mais coerente e há expansão do crédito e do investimento das empresas. A economia experimenta uma fase de crescimento consistente da produção de mercadorias e serviços. Normalmente as taxas de juros estão num patamar baixo e a moeda local mais forte, o que posteriormente pode estimular pressões inflacionárias.

Normalmente, aqui se percebe uma mudança no mercado, com empresas e trabalhadores ineficientes de fora, o que coloca a economia novamente em ritmo capaz de inovar e criar novos produtos a preços interessantes. Entra em cena a esperança, força capaz de fazer as pessoas consumirem mais e confiarem mais no sistema financeiro. Nestes períodos grandes volumes de capital retornam para o mercado de ações, provenientes principalmente de investidores institucionais e estrangeiros, impulsionando a valorização das ações, visto que as notícias, os resultados das empresas e os indicadores econômicos de modo geral são positivos, ou pelo menos não estão mais tão ruins como estavam anteriormente durante a depressão econômica.

Período de Prosperidade - Trata-se do ápice econômico de uma nação, fase a qual a produção de bens e serviços alcança o seu ponto máximo. Os níveis de desemprego são muito baixos, há ofertas de melhores salários, maior demanda generalizada, lucros crescentes e mercados imobiliário e de capitais atingindo incríveis patamares. Nesses picos normalmente acontecem desequilíbrios econômicos tais como aumento da inflação e necessidade de elevação da taxa de juros, o que leva à desvalorização monetária e aumento do risco país.

Nestes períodos os preços das ações inicialmente apresentam altas moderadas em relação ao período anterior de expansão, mas logo os investidores institucionais e estrangeiros começam a liquidar suas posições e os preços dos ativos se desvalorizam, apesar das notícias, dos resultados das empresas e dos indicadores econômicos de modo geral ainda serem positivos.

Período de Recessão - Trata-se do início de um declínio da econômica após o seu pico, é percebida uma diminuição da atividade econômica e as taxas de desemprego se encontram em tendência de elevação constante. É portanto um momento de correção, normalmente decorrente de um forte momento de prosperidade. Juros e salários ainda altos contrastam com a queda da demanda por produtos e escassez de crédito. As empresas auferem menos ganhos, perdem dinheiro com contratos futuros e tendem a vender seus produtos a preços mais baixos – o que nem sempre funciona, já que a população sente a falta de dinheiro e crédito para comprá-los. 

Nestes períodos os preços das ações são severamente desvalorizados, havendo fuga de capital estrangeiro e de investidores institucionais em massa do mercado, impulsionados por notícias pessimistas e resultados das empresas e indicadores econômicos ruins.

Período de Depressão - Trate-se do período mais baixo do ciclo econômico, ponto mais forte da crise macroeconômica, alto desemprego, sobras relevantes de capacidade instalada nas fábricas e empresas, taxas de juros em declínio mas ainda elevadas, salários reduzidos, prejuízos frequentes, dificuldade e baixos níveis de empréstimos e financiamentos são alguns indícios de que uma depressão pode estar em curso.

Neste período os preços das ações, assim como a moeda local, continuam sendo desvalorizados, mas é ao longo desse período que os investidores institucionais e estrangeiros voltam a injetar grandes somas de capitais no mercado, apesar das notícias ainda serem pessimistas e os resultados das empresas e indicadores econômicos de um modo geral ainda serem ruins, aproveitando a moeda desvalorizada e os preços baixos das ações, antecipando uma provável recuperação econômica (novo período de expansão).

“Não entre no mercado com ideias preconcebidas a respeito dele. Mude seus planos conforme o mercado muda”.
Alexander Elder

É fundamental que o investidor identifique quando cada uma dessas fases estiver ocorrendo e compreenda bem como elas se desenvolvem, quais são os seus impactos e o que as influenciam. Momentos de inflexão econômica são períodos que podem proporcionar enormes ganhos caso o investidor consiga tomar vantagem das mudanças no cenário econômico, ao mesmo tempo em que também podem causar enormes prejuízos caso o investidor não adapte ou mude de estratégia diante deste novo cenário. 

O cenário macroeconômico consiste na definição de determinadas premissas que permitam projetar o comportamento futuro das principais variáveis econômicas (Demanda e Oferta, também referidas como Consumo e Produção). A sua elaboração visa orientar o processo de planejamento, análise e decisão dos investimentos e fornecê-lo um quadro prospectivo das condições que influenciam essas 2 variáveis, bem como o mercado, as empresas e os ativos, tornando o seu processo de decisão mais eficiente.

A premissa básica desta metodologia de análise afirma que são os dados econômicos que fundamentam as perspectivas futuras do mercado em relação a uma determinada empresa. Estas informações podem ser processadas a partir de uma visão geral da economia, do setor econômico até as informações específicas sobre a empresa (Top-Down) ou, caso já se tenha escolhido a empresa, pode-se iniciar a análise dos dados da empresa e em seguida partir para o contexto setorial e macroeconômico (Bottom-Up). Quanto melhor forem conhecidos estes aspectos e as possíveis implicações sobre a atividade da empresa melhor ela poderá ser analisada e avaliada.

A macroeconomia concentra-se no estudo do comportamento agregado de uma economia, ou seja, das principais tendências da economia no que concerne principalmente à produção, à geração de renda, aos níveis de preços, ao consumo, ao emprego e ao desemprego, ao estoque de moeda, à taxa de juros, à balança de comercial, à taxa de câmbio, ao uso de recursos, ao comportamento dos preços e ao comércio exterior. Os principais objetivos da macroeconomia são: o crescimento da economia, o pleno emprego, a estabilidade de preços, o controle inflacionário e o superavit da balança comercial.

Um conceito fundamental à macroeconomia é o sistema econômico, ou seja, uma complexa organização que envolve todos os recursos produtivos. Esse sistema é divido em 5 mercados:

- Mercado de Trabalho: Avalia a existência de um tipo de mão-de-obra, determinando a taxa de salários e o nível de emprego. A oferta de mão-de-obra dá-se pelo salário e pela evolução da população economicamente ativa. E a procura de mão-de-obra ocorre pelo seu custo à empresa e do nível de produção desejada pela mesma. O Brasil apresenta historicamente um quadro de baixa produtividade do trabalhador em relação às demais grandes economias do mundo. Os principais fatores são a baixa qualificação profissional e educacional e a baixa utilização de bens de capitais pelos trabalhadores, tais como maquinário, equipamento, instalações industriais, meios de transportes eficientes etc.

- Mercado de Títulos: Analisa o papel dos agentes econômicos superavitários – que gastam menos e ganham mais, podendo efetuar empréstimos – e dos agentes econômicos deficitários – que gastam mais que ganham, que geralmente recorrem à empréstimos dos superavitários, definindo assim as ofertas e as taxas e preços dos títulos.

- Mercado de Divisas: Avalia a entrada e a saída de capital financeiro por meio das exportações e das importações, deduzindo a quantidade de produto exportado pela de produto importado, ou seja, da moeda — estrangeira ou nacional — que entra ou sai do país. A taxa de câmbio é a variável determinada neste mercado que possui interferência do Banco Central, que fixa ou deixa a taxa de câmbio flutuar, bem como interfere através da compra e da venda de moeda estrangeira buscando evitar grande volatilidade através de três tipos de instrumentos: pode atuar com os contratos de "swaps cambiais", com os leilões de linha e com a venda direta de dólares do mercado.

- Mercado de Bens e Serviços: Responsável pela determinação do nível de produção agregada, bem como o nível de preços. O nível geral dos preços e do agregado da produção depende da demanda agregada – consumidores, empresas, governo, setor externo – e da oferta agregada de bens e serviços. O mercado de bens e serviços define as variáveis de: nível de renda, produto nacional e de preços, consumo, poupança e investimentos agregados e exportações e importações globais.

- Mercado Monetário: Em toda economia existem os agentes superavitários e os deficitários. Agentes superavitários são aqueles que possuem um nível de renda superior aos seus gastos e os deficitários aqueles que possuem um nível de gastos superior ao da renda. Para tal, idealiza-se um mercado no qual os agentes superavitários emprestam para os deficitários, que é o mercado de títulos. Ex.: títulos do governo, ações, debêntures, duplicatas, etc. Utiliza como base de estudo as reservas monetárias, a poupança e a disponibilidade de moeda para regular a demanda e a oferta de moeda, bem como a taxa de juros.

"O que lhe causa problemas não é aquilo que você não sabe, mas sim aquilo que você jura saber, mas que está errado".
Mark Twain

Para expandir o crédito o Banco Central injeta moeda nos bancos, aumentando a base monetária, e os bancos é que decidem se irão oferecer esta moeda por meio da criação de linhas de crédito. Quase toda empresa depende dos bancos para seu capital de giro e financiamento geral. Por sua vez, os bancos se ancoram nos bancos centrais, de cuja solidez depende todo o sistema. Para compensar os baixos níveis de poupança o crédito tem crescido continuamente ao longo dos anos como forma de estimular a economia gerando uma crescente alavancagem dos bancos e assim passou a se equilibrar, como uma pirâmide invertida, sobre uma quantidade muito pequena de reservas de caixa e de capital.

Existem duas modalidades de crédito no país, o crédito livre e o crédito direcionado. O crédito livre representa os empréstimos que os bancos podem fazer segundo seus próprios critérios de exigências, de tarifas e de taxa, obviamente sempre acima da taxa de juros. Já o crédito direcionado representa os empréstimos que os bancos são obrigados a fazer a juros abaixo da SELIC, principalmente os estatais (BNDES por exemplo), logo, são empréstimos subsidiados pelo governo.

Para isso, o Tesouro vende títulos da dívida pública para arrecadar dinheiro do mercado e injetar nos bancos para expandir o crédito, o que consequentemente além de aumentar o endividamento público gera inflação e desvalorização cambial. Apesar de estimular o PIB, o emprego, a renda e o consumo no curto prazo, a manutenção dessa política de expansão monetária no longo prazo provocará o aumento generalizado nos preços e o enfraquecimento da moeda, consequentemente levando o governo a aumentar os juros para restringir o crédito, resultando numa contração econômica que reduz a renda, o consumo, o investimento e a produção e, consequentemente, a arrecadação fiscal e o emprego.

A crítica à política de expansão artificial do crédito como forma de incentivar o consumo é exatamente a geração de ciclos de crescimento seguidos por ciclos de recessão econômica em razão desse aumento de moeda na economia não ser decorrente do aumento da produtividade e da atividade comercial interna e externa, bem como de uma maior abertura econômica e de um menor protecionismo (menos tarifas, subsídios e burocracia), o que por sua vez evita que a expansão do crédito rapidamente se transforme em inflação de preços e desvalorização cambial.

Portanto, o crescimento econômico saudável deve ser proveniente de políticas econômicas que estimulem a oferta, ou seja, a produção de bens e serviços, de forma que através do investimento, do livre comércio, do aumento do emprego e da renda, haja geração de poupança, o que irá possibilitar que o consumo seja mantido no longo prazo, ao invés de ser estimulado através do crédito e do endividamento da população, das empresas e do governo. A melhor forma de estimular a produção é através da redução da carga tributária, das barreiras comerciais, dos subsídios e dos gastos do governo, o que no longo prazo como decorrência do aumento da atividade econômica aumenta a renda, a poupança e a arredação de impostos. Existe um limite para o endividamento, a partir do qual novas medidas de estímulo ao consumo através do crédito deixam de gerar resultados, normalmente coincidindo com períodos de recessão econômica.

"Riqueza é quando pequenos esforços produzem grandes resultados. Pobreza é quando grandes esforços produzem pequenos resultados."

As decisões de consumo e de poupança da população são influenciadas por diversos fatores, como renda, níveis de poupança, taxa de câmbio, disponibilidade de crédito, entre outros. Ou seja, há uma relação diretamente proporcional entre a renda disponível e o consumo. Portanto, a propensão de consumo e de poupança da população varia conforme a oscilação de sua renda.

Ao se poupar a consequência imediata, e muitas vezes vista de forma negativa, é a redução do consumo no presente no intuito de preparar-se para o consumo no futuro. Contudo, ao se avaliar o contexto maior percebe-se que essa poupança na verdade irá alavancar os investimentos produtivos, pois os bancos captam essa poupança sobre a forma de depósitos, os quais lhes servirão como margem e lhes permitirão fornecer uma quantidade ainda maior de empréstimos para os empreendedores nos mais diversos setores econômicos, de forma que possibilitará o investimento em mão de obra, bens de capital, construção civil, expansão fabril, estoques e capital e giro para negócios. Portanto, a poupança é direcionada para o financiamento de atividades produtivas, transformando assim poupança em bens de capital, produtos e serviços.

Além disso, a poupança também possibilitará o aumento da eficiência produtiva, o que por sua vez possibilitará uma maior geração de renda e, consequentemente, uma maior geração de poupança, que por sua vez possibilitará maiores de investimentos para aumentar a eficiência e a produção, seguindo um ciclo ascendente de desenvolvimento econômico e, consequentemente, social. Outro fator muito importante é que um nível adequado de poupança e de consumo, além de possibilitar o investimento, mantém o endividamento em níveis aceitáveis e controláveis. Por outro lado, baixos níveis de poupança obrigam o aumento do endividamento não apenas para o investimento, mas para o próprio consumo. E ao tentar compensar os baixos níveis de poupança através da expansão do crédito por meio da expansão monetária o governo acaba gerando inflação de preços, desvalorização cambial e ciclos recorrentes de recessão e expansão econômica.

Para a geração de renda é necessário que haja produção de bens e serviços, a qual por sua vez necessita de fácil acesso a bens de capital e insumos, ainda que importados, visto que quanto maior a quantidade de bens de capital utilizados por um trabalhador, maior será sua produtividade e consequentemente o seu salário. E o que possibilita esse investimento em capital físico é a capacidade financeira poupada e a ausência de subsídios, burocracias e tributação excessivas e barreiras às importações impostas pelo governo como forma de beneficiar um determinado setor e seus sindicatos em detrimento da economia de todo o país.

Da mesma forma, a propensão de poupar também varia de acordo com a oscilação da renda da população. Em países mais pobres a propensão de poupar é menor do que a propensão marginal a consumir, pois a população tende a gastar quase toda sua renda em bens de consumo. Em último caso, em razão do baixo nível de renda e de produção e do consequente baixo nível de poupança, para consumir a maior parte da população é obrigada a recorrer ao crédito, aumentando ainda mais o seu endividamento e prejudicando a formação de poupança.

Essas variáveis também irão afetar os investimentos, tanto das pessoas como das empresas e do governo. O investimento é o acréscimo ao estoque de capital, ou seja, a compra de novas máquinas, computadores ou o aumento da capacidade instalada das fábricas, bem como investimentos em infraestrutura por parte do governo, como por exemplo, construção de estradas e hidrelétricas. Leva ao aumento da demanda e da oferta de produtos e pode ser visto de duas formas: a curto prazo ou a longo prazo.

A curto prazo, os investimentos fazem parte da demanda agregada, pois o empresário necessita fazer gastos necessários para a ampliação de sua empresa. Ele interfere na demanda ao comprar novas máquinas, por exemplo. A longo prazo, os investimentos podem ser vistos como elemento da oferta agregada, pois ao concluir as obras ou compras de novas máquinas, a empresa estará apta para aumentar a produção.

O investimento é determinado por duas variáveis: a taxa de rentabilidade do investimento e a taxa de juros. A taxa de rentabilidade é importante, pois um empresário não irá fazer investimentos que não sejam rentáveis. Já a taxa de juros determina o custo do dinheiro e, portanto, se o custo de contrair empréstimos for maior do que a rentabilidade esperada, então o investimento trará prejuízo a empresa. Logo, período de juros baixos tendem a incentivar os investimentos e, períodos de juros altos tendem a desincentivá-los.

Contudo, uma moeda que continuamente perde poder de compra prejudica os investimentos de longo prazo, pois é impossível fazer investimentos produtivos se você não tem a mínima ideia do poder de compra futuro da moeda, além de reduzir o poder de compra e a renda. Isso por sua vez prejudica a poupança, a qual passa ser direcionada para o consumo imediato e para os gastos ao invés de ser utilizada em investimentos produtivos. Logo, o crescimento econômico advém da poupança e do investimento na produção, o que depende de uma moeda forte e uma economia não restringida por barreiras governamentais, que permita que empresas adquiram do exterior bens de capitais a preços acessíveis que aumentarão a sua produtividade e, consequentemente a renda de todos.

Além disso, quando o país exporta mercadorias ele vende mercadorias para o exterior e recebe com divisas, que posteriormente são trocadas por Reais. Já quando importa mercadorias ele compra de fora e, normalmente, paga com dólares. Assim, o nível do comércio exterior também interfere na demanda e oferta da economia, bem como na taxa de câmbio. A busca de um superavit comercial, exportar mais do que importar, através da desvalorização cambial e de protecionismos tais como elevadas alíquotas de importação, subsídios, burocracias dentre outros, não gera crescimento econômico, pelo contrário, principalmente quando a maior parte dos produtos exportados possuem pouco valor agregado como no caso do Brasil.

A desvalorização da moeda, significa, por definição, uma moeda que perdeu poder de compra. Significa preços mais altos e renda menor para a população, o que como resultado reduzirá a demanda tanto por bens importados como por aqueles fabricados no país, afetando toda a cadeia produtiva ao invés de estimular o consumo interno e impulsionar as indústrias nacionais. A restrição às importações reduz o número dos produtos disponíveis e gera inflação, pois aumenta os seus preços, o que juntamente com a desvalorização cambial prejudica a poupança e o consumo em troca de uma reserva de mercado para determinados grupos empresariais como forma de atenuar a baixa competitividade de suas empresas e indústrias e gerar superavit na balança comercial.

A incerteza quanto aos custos e receitas futuras causadas pela desvalorização cambial e pela inflação desestimulam as empresas a fazerem investimentos produtivos. A história nos mostra que nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que são altamente demandados pelo comércio mundial e apresenta um bom padrão de vida da população, a qual tem sua renda reduzida e é obrigada a pagar mais caro tanto pelos produtos nacionais quanto pelos importados. Por isso, o desemprego é mais baixo e a qualidade de vida é melhor nos países que praticam o livre comércio.

“A alavancagem financeira é a vantagem que os ricos têm sobre os pobres e a classe média”.

Para uma análise econômica de qualidade é necessário se aprofundar em todas as consequências de uma política econômica, ao invés de avaliar apenas os aspectos que são diretamente e imediatamente visíveis. Portanto, as principais variáveis que influenciam positivamente a oferta de bens e serviços na economia são: o fácil acesso a insumos e bens de capitais (nacionais e importados), um alto nível de poupança e de capacidade de produção, facilidade de crédito, uma moeda forte e uma inflação sob controle. Do lado da demanda por bens e produtos, as principais variáveis que a influenciam são o consumo interno, os gastos públicos, os investimentos e o comércio exterior.

A política econômica avalia a situação econômica de cada um dos grandes agregados nesses mercados e implementa políticas, investimentos e medidas que contribuam no aumento do emprego, na distribuição de renda, no crescimento da economia, na estabilização de valores e na solução de crises emergenciais.

O alto nível de emprego é importante, pois dessa forma as pessoas recebem um salário e têm condições de adquirir mercadorias. Ao contrário, o desemprego gera pouca demanda, fazendo com que os produtos permaneçam nas prateleiras. Logo, se não há procura de produtos, a produção diminui e, consequentemente, o lucro das empresas, o que reduz suas capacidades de investimentos e de contratação de novos empregados, sendo muitas vezes obrigadas a realizar demissões para se manter funcionando, consequentemente piorando ainda mais o desemprego no país. Assim existe uma preocupação quanto ao nível de emprego para que haja um equilíbrio entre a demanda e a oferta.

O nível geral dos preços e do agregado da produção depende da demanda agregada – consumidores, empresas, governo, setor externo – e da oferta agregada de bens e serviços. Um fator que influi na estabilidade dos preços é a inflação monetária e a desvalorização cambial. A consequência da inflação monetária é o aumento contínuo e generalizado no nível de preços. Contudo, aceita-se que um pouco de inflação seja integrante dos ajustes de uma sociedade em crescimento, porque esse avanço econômico dificilmente se realiza sem que ocorram elevações dos preços.

A desvalorização cambial enfraquece a moeda e isso afeta muito mais do que os preços dos produtos importados, afeta também todos os preços internos, inclusive dos bens produzidos nacionalmente. Se a moeda está enfraquecendo, isso significa, por definição, que passa a ser necessário ter uma maior quantidade de moeda para adquirir o mesmo bem, gerando aumento de preços em todas as áreas da economia. Bens produzidos nacionalmente também encarecem, pois as indústrias produtoras certamente utilizam insumos importados ou, no mínimo, peças, equipamentos e maquinário importados.

Uma moeda com menos poder de compra significa renda menor para a população e preços em contínua ascensão. Consequentemente, as vendas do comércio diminuem e os estoques se acumulam, pois a demanda por bens de consumo diminui e os custos de produção aumentam. Logo, os fornecedores — o setor atacadista — reduzirão suas encomendas para as indústrias. E as indústrias, por sua vez, reduzirão sua produção. Já o exportador perderá vantagem competitiva no mercado internacional, pois os bens produzidos nacionalmente certamente utilizam insumos importados, assim como os seus investimentos em máquinas e demais bens para a produção que também são importados ficarão mais caros. Logo, o câmbio desvalorizado não estimula necessariamente as exportações no longo prazo.

Os níveis de investimentos internos e estrangeiros também são afetados pela desvalorização cambial. Em todo investimento — principalmente os estrangeiros — compra-se um fluxo de renda futura. Para que investidores (nacionais ou estrangeiros) invistam capital em atividades produtivas, eles têm de ter um mínimo de certeza e segurança de que terão um retorno que apresente poder de compra. Se um investidor não faz a menor ideia de qual será a definição da unidade de conta no futuro (sabendo apenas que seu poder de compra certamente será bem menor), o mínimo que ele irá exigir serão retornos altos em um curto espaço de tempo, o que dificulta os investimentos mais vultuosos e de longo prazo, além de aumentar os seus custos.

Por fim, o sucesso dessa política não seria uma economia que não tem problemas ou volatilidade, mas o crescimento do PIB e da renda no longo prazo sem a necessidade de se apelar a medidas de austeridade ou que colapsem a qualidade de vida das pessoas, ou seja, está na forma com que as equipes econômicas, os governos e os agentes se preparam para cada um desses problemas. É entender o momento correto de aumentar os juros, de frear o consumo, de segurar a moeda e, principalmente, de reduzir o crescimento da dívida pública e de conter a desvalorização cambial, por exemplo.

“Existem dois conjuntos de regras ao se tratar de dinheiro: Um conjunto de regras para as pessoas que trabalham por dinheiro e outro para os ricos que imprimem o dinheiro”.
Robert Kiyosaki

A política econômica tem três grandes pilares, estabelecidos como uma forma de reger a macroeconomia no Brasil, o controle da inflação do país, uma taxa de câmbio flutuante, e uma meta fiscal de arrecadação e de gastos. À princípio, a meta de inflação, por exemplo, define um limite máximo e mínimo para a taxa. É um número com o qual o governo deve se comprometer. A partir dele, o Banco Central vai tomar as decisões necessárias para se manter dentro dos limites. Dessa forma, é esperado que a estabilidade da inflação possa garantir mais investimentos no país, maior geração de atividades produtivas, entre outros fatores.

Já o câmbio flutuante permite que a força da moeda nacional seja regulada em relação às demais moedas pelas leis da oferta e demanda. E, por fim, a meta fiscal é um objetivo que o governo assume para cumprir com suas receitas e gastos. Baseando-se nela, são calculados os impostos cobrados e também é definido o quanto de investimento será feito em cada setor. Sempre que esse objetivo é cumprido o país ganha mais credibilidade junto aos credores. As principais políticas econômicas podem ser divididas em:

Política Monetária - São instrumentos que atuam sobre a quantidade de moeda e de títulos públicos, sendo os recursos disponíveis a sua emissão, a compra e a venda de títulos, a regulamentação sobre crédito e taxas de juros, entre outros. Assim, se o objetivo é controlar a inflação, por exemplo, o BC aumenta a venda de títulos públicos aos bancos, diminuindo assim o estoque monetário da economia e a oferta de moeda, o que faz com que os juros aumentem e o crédito fique mais caro, fazendo com que a população reduza o consumo e isto faz com que a inflação diminua, pois há uma menor pressão sobre os preços. Quando se anseia o estímulo ao consumo e o aumento do emprego o BC aumenta a compra de títulos públicos dos bancos, aumentando assim o estoque de moeda, o que reduz os juros e facilita novas linhas de crédito e o acesso a este, pois desta forma o consumo, os investimentos e os gastos se tornam mais baratos, fazendo com que aumentem de volume. 

A política monetária pode ser implantada de forma mais rápida do que a fiscal, pois só depende de aprovação de um Comitê do Banco Central ou do Ministério da Economia. Já a política fiscal precisa passar por aprovação no Congresso e por isto é mais demorada. Entretanto, a política fiscal é mais profunda do que a política monetária, pois uma alteração em uma alíquota de impostos interfere mais diretamente no setor privado.

No passado, a moeda era lastreada em ouro, ou seja, cada emissão de papel-moeda deveria ter como contrapartida a compra de ouro para estoque, por parte do Banco Central. Atualmente, com o desenvolvimento do comércio internacional, não foi mais possível a conversão em ouro e hoje temos a moeda fiduciária, ou seja, um papel moeda que não possui lastro, mas sua aceitação é garantida por lei.

A falta de lastro incentiva a expansão monetária sem que necessariamente esteja havendo um crescimento econômico na mesma proporção da emissão de mais moeda, o que leva não só ao aumento da inflação como à desvalorização monetária e ao aumento da dívida pública no longo prazo. Apesar de incentivar o crescimento da economia no curto prazo, o reflexo dessa prática por todos os bancos centrais foi a depreciação das respectivas moedas nacionais ao longo dos anos. Tal resultado se mostrou contrário às garantias emitidas pelos governos sobre os valores de suas moedas, ou seja, a confiança de que governos não inflacionarão a moeda apoiados em leis de curso forçado que obrigam os cidadãos a aceitar a moeda como pagamento.

O mesmo ocorre no mercado de crédito. Quando os governos estimulam artificialmente a liberação de financiamentos e de empréstimos para si, para as empresas e para a população sem que estes tenham condições para garanti-los, forma-se uma bolha que afeta o nível geral de preços e causa distorções no mercado. Em último caso tem-se uma situação insolvência que pode comprometer toda a cadeia produtiva e acabar com a economia de um país, vide Argentina e Grécia. Como disse, Friedrich von Hayek: "Entregar o controle da oferta monetária aos políticos é o mesmo que pedir a um gato para tomar conta de um pires de leite". Portanto, a expansão monetária, necessariamente, provoca uma descoordenação entre os planos de consumo, de poupança e de investimento da população, dos governos e do setor privado.


Contudo, em razão de grande parte das reservas dos países serem em dólar, de grande parte do comércio internacional, em especial do petróleo, ser realizada em dólar, em razão do dólar servir como reserva de valor para muitas pessoas e empresas e, principalmente, em razão da grande maioria dos países emitirem títulos das suas dívidas em dólar, ou seja, se endividam também em dólar, percebe-se que os Estados Unidos aproveitam a demanda por dólares para financiar o seu déficit com a emissão de moeda e títulos do tesouro. Um privilégio de quem pode emitir a moeda que é o padrão mundial e cujos títulos de dívida são avaliados com as maiores notas pelas agências de classificação, apesar de serem impagáveis dado o volume absurdo da dívida americana.

Portanto, sendo a moeda um monopólio do governo, a qualidade da moeda será diretamente proporcional à qualidade do governo que a gerencia. Se o governo tem uma política fiscal ruim, se ele não gera confiança nos investidores e nos consumidores, se ele trava os investimentos, se sua política creditícia é ruim, e se ele é visto como relutante em atacar seu déficit e estancar o crescimento da dívida, então sua moeda será fraca (será pouco demandada mundialmente) e, consequentemente, o poder de compra dela será declinante. Logicamente, uma sucessão de governos ruins será fatal para a qualidade de uma moeda e, consequentemente para a economia e para o povo.


“No Brasil, o futuro é duvidoso e o passado é incerto.”
Pedro Malan

Política Cambial e Comercial - Ambas atuam sobre o setor externo da economia. A política Cambial diz respeito a ação do governo sobre a taxa de câmbio. O governo fixa ou permite que a taxa de câmbio seja flexível, através do Banco Central. Por exemplo, se o governo aumentar a oferta de dólares na economia, o preço do dólar cairá e o Real se valorizará frente ao dólar e vice versa. A política Comercial refere-se aos instrumentos que estimulam as exportações – estímulos fiscais e taxas de juros subsidiadas – e ao controle das importações – tarifas e barreiras maiores.

Em uma empresa privada deficitária, caso esse déficit não seja logo eliminado e a empresa não voltar a ser lucrativa, irá à falência e a empresa acaba. Já o governo goza de condições diferentes. Pode ir em frente com um déficit, porque tem o poder de impor tributos à população e de emitir títulos de dívida para se financiar, sendo esta uma medida menos impopular e mais escusa do que o aumento de impostos, sendo em razão disso a favorita e a mais utilizada pelos governos, apesar de gerar um efeito muito pior, a inflação e a desvalorização monetária no longo prazo. Além disso, o governo tem e exerce o poder de interferir na economia com a finalidade de obrigar as empresas e cidadãos a conduzirem suas atividades de maneira diversa da que escolheriam caso tivessem de obedecer apenas às demandas dos mercados consumidores. Muitas vezes o intervencionismo é tanto que inviabiliza o próprio negócio, visto que empresas privadas não tem a capacidade de permanecer em déficit por longos períodos, invariavelmente indo à falência em algum momento. 

A intervenção econômica tem como efeito a redução da produção, gerando além do aumento dos preços dos produtos, escassez, racionamento, formação de cartéis, redução da renda, da poupança, do consumo e dos investimentos, prejudicando a economia como um todo, além de isolar economicamente o país, pois a tendência nesse cenário é a redução das importações, bem como das exportações, exceto, obviamente, para esses poucos setores específicos protegidos pelo governo através dessas medidas protecionistas, as quais apenas favorecem esses determinados setores em detrimento de toda a economia do país. Os poucos que ainda lembram da realidade brasileira nos anos 70 e 80 conhecem muito bem o quão nefasto para uma sociedade é o excesso de intervencionismo, a desvalorização cambial e a hiperinflação monetária.

As intervenções estatais visando restrições às importações e reservas de mercado (quotas de importação) fazem com que a capacidade de consumo e de investimento seja artificialmente reduzida. Isso afeta as empresas que precisam importar bens de capital para incrementar sua produtividade e as obrigam a pagar mais caro por seus insumos. Os investimentos estrangeiros produtivos também são desestimulados por essas políticas, o que explica porque grande parte dos investimentos estrangeiros vão para os títulos do tesouro, buscando os juros altos, e acabam servindo para financiar os déficits orçamentários do governo. Caso não houvessem déficits, todo o investimento estrangeiro e as importações ampliariam a produção e a geração de renda. E quando o governo estimula a desvalorização cambial com o argumento de beneficiar os setores exportadores, o resultado para a economia como um todo é pior ainda, pois gera inflação. Sendo menos produtivas e operando com custos maiores essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente, pois as exportações tendem a ser menores do que seriam sem as barreiras.

Consequentemente, lucros e empregos diminuem por toda a economia. Proteger empregos em um setor por meio de tarifas de importação, subsídios e barreiras comerciais gera redução da renda e desemprego em vários outros setores da economia, pois impedem a concorrência e inibem o potencial de formação de riqueza oriundo do comércio internacional, resultando em estagnação econômica e redução do padrão de vida das pessoas. Como disse Roberto Campos, "o respeito ao criador de riqueza é o começo da solução para a pobreza".

Exportar muito e importar pouco não gera crescimento econômico e não é sustentável no longo prazo. Intervenções do Estado contra a concorrência estrangeira criam monopólios e asseguram aos empresários de determinados setores o domínio do mercado interno, sendo assim um subsídio à ineficiência e às más práticas empresariais, resultando em produtos mais caros e de baixa qualidade para os consumidores. E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia, pois sobra menos dinheiro para a população investir ou gastar em outros setores da economia, como lazer, alimentação, educação, vestuário, o que acaba reduzindo o emprego e a renda nestas áreas. Logo, quanto mais o governo concede privilégios mais o país se torna vítima do corporativismo, do clientelismo, da corrupção e da má alocação de recursos.

“Um dos privilégios do homem rico é poder se dar ao luxo de ser insensato por muito mais tempo que o pobre”. 
Ludwig Von Mises

Política de Rendas - São instrumentos de interferência do governo na formação de renda, através do controle e congelamento dos preços. Estabelece controles sobre a remuneração dos fatores diretos de produção envolvidos na economia, tais como salários, depreciações, lucros, dividendos e preços dos produtos intermediários e finais. Esse controle é obtido através do combate ao aumento persistente e generalizado nos preços, que é gerado pela inflação monetária e pela desvalorização cambial. 

As principais políticas de renda para redução da pobreza concentram-se em programas de crédito e medidas assistencialistas que visam possibilitar o consumo das famílias (demanda). Contudo, tais políticas não apresentam a mesma eficiência na expansão da capacidade de produção de bens e serviços (oferta), visto que o incentivo ao consumo não foi acompanhado por aumento dos investimentos visando o aumento da produtividade em proporções similares. Para isso, é necessário desburocratizar, desregulamentar e reduzir impostos, o que implica a necessidade de reduzir gastos do governo, estimulando dessa forma o investimento, o emprego, a produção, a geração de renda e a formação de poupança para novos investimentos. Estando a oferta (produção) restringida, não há como manter o aumento da demanda (consumo) no longo prazo, ainda que através do crédito.

Logo, a expansão do crédito e do consumo neste cenário recessivo consolida um contexto de alto endividamento e, consequentemente de maior risco, e de inflação, ao invés de facilitar o crescimento econômico e a formação de poupança, que consiste em diminuir o endividamento, reduzir impostos e favorecer o livre comércio, possibilitando a geração de renda e o direcionamento desta para investimentos na produção, retomando assim o crescimento.

Política Fiscal - São instrumentos disponíveis pelo governo para a arrecadação de impostos e contribuições, e o controle de suas despesas, sendo também utilizada para estimular ou inibir os gastos do setor privado. Assim, se o objetivo é reduzir a taxa de inflação, as medidas fiscais empregadas são a redução dos gastos da coletividade ou o aumento da carga tributária, o que inibe o consumo. Porém, se a meta é o crescimento do emprego, aumentam-se os gastos públicos e diminuem-se os tributos, elevando assim a demanda. Contudo, aumentando assim a dívida pública, o que por sua vez pressionará o governo no futuro a aumentar os impostos de forma que consiga arcar com o crescimento da sua dívida. Nos últimos 25 anos dívida pública foi majoritariamente transformada de uma dívida externa para uma dívida interna, sendo remunerada com uma das taxas de juros mais altas do mundo ao longo deste período. A despesa do governo com os juros da dívida gira em torno de 18% do orçamento.

Portanto, a capacidade do governo de se endividar depende, em última instância, da sua capacidade de tributar. E é praticamente impossível uma economia prosperar e enriquecer se suas empresas são tributadas em níveis confiscatórios. A elevada carga tributária brasileira impede uma maior produção e a formação de capital ao desperdiçar na ineficiência da máquina pública os recursos produtivos que seriam usados pela iniciativa privada, obstrui o comércio internacional e prejudica a competitividade das empresas, gerando desemprego, redução da renda e do desenvolvimento econômico. Impede também o livre mercado e a livre concorrência ao estimular fusões, monopólios e cartéis que expurgam as pequenas empresas para fora do mercado ou as absorvem, visto que as grande empresas têm acesso a maiores facilidades tributárias, tal como deduções através do regime do Lucro Real e, portanto, menores custos tributários, pois margens de lucro estreitas geram menos imposto e o prejuízo normalmente não gera imposto a pagar, uma grande vantagem sobre as empresas pequenas e médias. O Brasil é o quarto país do mundo que mais tributa empresas, e supera todos os países da OCDE com uma carga tributária em torno de 34%, sendo a média dos países pertencentes 23%, além de que nenhum deles ultrapassa a alíquota cobrada no Brasil.


Além da extrema complexidade do regime tributário fazer com que as empresas brasileiras apresentem os maiores custos com conformidade fiscal e regulatória, os governos fornecem inúmeras isenções/reduções ficais e regimes diferenciados que juntamente com as elevadas alíquotas, para aqueles não beneficiados por essas isenções, torna o sistema tributário brasileiro extremamente injusto e ineficaz, tando na arrecadação como na distribuição.

À medida em que o déficit da dívida pública de aproxima de 100% do Pib, a capacidade de investimento do governo fica restrita, e até mesmo impossibilitada, em razão das despesas obrigatórias consumirem quase todo o orçamento do governo. Além disso, quando os gastos do governo são direcionados para investimentos e atividades improdutivas, que pouco ou nada agregam ao crescimento econômico, uma menor parte da poupança e da renda da população é investida em atividades produtivas privadas capazes de gerar renda. Portanto, cortar o gasto orçamentário é a melhor maneira para reduzir a dívida pública ao invés de aumentar a carga tributária, o que prejudica a economia e muitas vezes a própria arrecadação, visto que a atividade econômica diminui e, portanto, também a arrecadação, prejudicando ainda mais as contas públicas.

Por outro lado, reduções tributárias muitas vezes aumentam a arrecadação, visto que a atividade econômica tende a aumentar e, portanto, também a arrecadação. Os impostos também não devem recair sobre a produção e nem sobre a renda, pois isso prejudica a geração de empregos, a formação de poupança e os investimentos em bens de capital, as duas bases para o crescimento da produção e da economia, sendo mais democráticos e eficientes tanto para o governo como para a economia do país os impostos sobre o consumo, visto que aqueles que consomem mais (os mais ricos) contribuirão mais em valores nominais do que aqueles menos favorecidos.

"Se você deve US$ 100 ao banco, o problema é seu. Se você deve ao banco US$ 100 milhões, o problema é do banco."
J. Paul Getty

Dívida Pública Federal - Abrange empréstimos contraídos pelo Governo Federal junto a instituições financeiras públicas ou privadas, no mercado financeiro interno ou externo, bem como junto a empresas, organismos nacionais e internacionais, pessoas ou outros governos. A dívida pública pode ser formalizada por meio de contratos celebrados entre as partes ou por meio da oferta de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. Os títulos públicos federais são ativos financeiros emitidos pelo Governo Federal via oferta pública (leilão) ou diretamente ao detentor cujas rentabilidades são préfixadas ou pósfixadas. Já os contratos são usualmente firmados com organismos multilaterais, tais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, com agências governamentais e com bancos privados. Em relação à moeda na qual ocorrem seus fluxos de recebimento e pagamento, a Dívida Pública Federal pode ser classificada como interna ou externa.


É importante ressaltar o impacto do déficit fiscal. Também chamado de déficit primário, são os gastos da administração direta, menos o total da arrecadação tributária do período corrente, não incluindo-se as despesas com juros da dívida pública. Normalmente o valor do déficit público é expresso em percentagem sobre o PIB do país, permitindo a comparação entre países e a avaliação do excesso de despesa de cada país em relação ao valor da produção. Quando o governo arrecada mais do que gasta há um superavit primário, indicando uma política fiscal contracionista, e quando gasta mais do que arrecada há um déficit primário, indicando uma política fiscal expansionista.

Quando isto ocorre o governo pode recorrer ao mercado em busca de financiamento, normalmente através da emissão e título da dívida, podendo ser também através de financiamentos, o que consequentemente aumenta a dívida pública. Com o crescimento do déficit público o país pode começar a ser visto como um mau pagador e ter seus ratings rebaixados, sem contar que o acesso ao crédito oferecido a ele diminui e as taxas de juros cobradas pelos credores aumentam. Além disso, aumenta as incertezas, reduz a confiança dos empreendedores e reduziu o investimento privado.  Afinal, um aumento nos déficits significa mais inflação monetária, mais desvalorização cambial e futuros aumentos de impostos.


"A burrice no Brasil tem um passado brilhante e um futuro promissor."
Roberto Campos

A dívida pública nada mais é do que um acumulado de déficits. E com o progressivo aumento do endividamento o governo passa a reduzir os investimentos em áreas importantes, como saúde, educação e segurança para reduzir seus gastos. Além disso, o déficit público gera o aumento da tributação e a emissão de moeda e, portanto, inflação e o consequente desarranjo do sistema produtivo, do volume do emprego e o nível de preços.

Os efeitos do déficit fiscal no longo prazo são a redução o investimento privado e, consequentemente da produção e da renda, visto que grande parte dos gastos do governo passa a ser financiada pela emissão de dívida e pela venda de títulos ao sistema bancário, o que gera inflação e reduz o crédito disponível que poderia ser utilizado em investimentos produtivos. Além disso, aumentar impostos com o argumento de conter déficits, apesar de aumentar a receita no curto prazo, no longo prazo terá pouco efeito em razão dos gastos do governo sempre aumentarem junto com o aumento das receitas.

Portanto, além de prejudicar a renda, a poupança, o investimento e a produção do país, tal medida terá pouco efeito no longo prazo e resultará numa menor produção, menor oferta de bens e serviços no futuro, menor contratação de mão-de-obra e, numa menor arrecadação devido à queda da atividade econômica gerada pelo aumento da tributação. Em outras palavras, recessão econômica. E desvalorizar a moeda para impulsionar exportações ou reduzir juros para estimular mais consumo não podem resolver este problema.

Para reduzir o déficit é preciso realizar cortes orçamentários, reduções de despesas, privatizações de estatais, concessões públicas de exploração de serviços e eliminação de subsídios e barreiras à entrada de novos concorrentes. Basicamente, uma menor intervenção estatal e uma maior liberdade econômica. Tais medidas aliadas a desburocratização do empreendedorismo, redução da carga tributária, redução do protecionismo de determinados setores através da eliminação de subsídios, regulações abusivas, monopólios e restrições de importações através de alíquotas e cotas abusivas, geram o aumento da produção, da renda, do investimento e, consequentemente da arrecadação do governo, visto que o aumento do nível de atividade econômica aumenta a arrecadação de uma forma muito mais consistente e duradoura ao contrário de intervenções e aumentos de impostos que prejudicam a economia do país.


A história nos mostra que o excesso de tributação e de endividamento público geram consequências negativas sobre a economia. Ao tributar, o governo toma aquele dinheiro que poderia ser usado para investimentos das empresas ou para o consumo das famílias, e desperdiça grande parte desse dinheiro na manutenção da sua burocracia, fazendo uma destruição direta dessas riquezas. Grande parte daquilo que o setor privado produz é confiscado pelo governo e desperdiçado em burocracias improdutivas (ministérios, agências reguladoras, secretarias e estatais), corrupção e desvios, salários de políticos, subsídios para grandes empresários amigos do regime, propagandas e, por fim, em péssimos serviços públicos.

A facilidade em tributar e a sua capacidade de se endividar subsidia expansões no tamanho do governo. E a facilidade em rolar a sua dívida através do pagamento dos títulos da dívida que estão vencendo a partir de recursos recebidos através da emissão de mais títulos de dívida para o futuro, projetando para as gerações futuras o ônus do pagamento dessa dívida futura, contribui ainda mais para o inchaço estatal e para a necessidade de aumentar impostos no futuro para arcar com os custos dessa dívida crescente.

Além disso, a tributação excessiva faz com que a capacidade futura de investimento das empresas seja seriamente afetada, o que significa menor produção, menor oferta de bens, de serviços e menos contratação de mão-de-obra e de serviços no futuro. Outros fatores fundamentais que afetam as contas públicas são a taxa de juros, uma vez que também aumenta o custo de financiamento da dívida, e a desvalorização da moeda, que causa o crescimento da dívida, pois grande parte do endividamento do setor público e do setor privado é financiado com dinheiro vindo do exterior ou através da venda de títulos em moeda estrangeira, o que faz com que as dívidas em dólar tanto dos governos quanto das empresas sejam mais difíceis de serem quitadas.

“O investimento e o empreendedorismo são em sua essência as melhores maneiras para se libertar. É por isso que eu sou totalmente favorável a empreendedorismo e investimentos. Acho a maneira mais segura de se tornar livre. Sem virar escravo do infindável processo de vender horas em troca de dinheiro, tudo para construir os planos de outra pessoa.”
Jim Rohn

Além disso, a economia de um país pode ser dividida em setores (primário, secundário e terciário) de acordo com os produtos produzidos, modos de produção e recursos utilizados. Estes setores econômicos podem mostrar o grau de desenvolvimento econômico de um país ou região.

Setor Primário – Está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza. Podemos citar como exemplos de atividades econômicas do setor primário: agricultura, mineração, pesca, pecuária, extrativismo vegetal e caça. É o setor primário que fornece a matéria-prima para a indústria de transformação. Este setor da economia é muito vulnerável, pois depende muito dos fenômenos da natureza como, por exemplo, do clima. A produção e exportação de matérias-primas não geram muita riqueza para os países com economias baseadas neste setor econômico, pois estes produtos não possuem valor agregado como ocorre, por exemplo, com os produtos industrializados.

Setor Secundário – É o setor da economia que transforma as matérias-primas (produzidas pelo setor primário) em produtos industrializados (roupas, máquinas, automóveis, alimentos industrializados, eletrônicos, casas, etc). Como há conhecimentos tecnológicos e valores agregados aos produtos do setor secundário, o lucro obtido na comercialização é significativo. Países com bom grau de desenvolvimento possuem uma significativa base econômica concentrada no setor secundário. A exportação destes produtos também gera riquezas para as indústrias destes países.

Setor Terciário – É o setor econômico relacionado aos serviços. Os serviços são produtos não materiais em que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades. Como atividades econômicas deste setor podemos citar: comércio, educação, saúde, telecomunicações, serviços de informática, seguros, transporte, serviços de limpeza, serviços de alimentação, turismo, serviços bancários e administrativos, transportes, etc. Este setor é marcante nos países de alto grau de desenvolvimento econômico. Quanto mais rica é uma região, maior é a presença de atividades do setor terciário. Com o processo de globalização, iniciado no século XX, o terciário foi o setor da economia que mais se desenvolveu no mundo.

A política comercial se estabelece na perspectiva, controversa, de que os governos podem e devem interferir no comércio internacional para salvaguardar os interesses nacionais, ao contrário da tese do chamado livre comércio. Assim, os instrumentos de política comercial são utilizados, normalmente, como forma de proteger os setores nacionais da concorrência internacional. Entre os mecanismos mais usados estão:
- Determinação de tarifas diferenciadas de importação: quando o governo as impõe a certos produtos, cujo setor nacional ele quer proteger, diminuindo a competitividade do importado;
- Fornecimento de Subsídios  ao produtor nacional: ocorre quando o Governo protege um determinado setor interno fornecendo subsídios a ele, tais como crédito com taxa abaixo do mercado, isenções tributárias, dentre outros.
-Determinação de Cotas de Importação: quando o governo estabelece uma quantidade máxima que pode ser importada de um determinado bem para proteger setores nacionais da concorrência de importados;
- Imposição de barreiras não tarifárias: 
muito usadas no agronegócio e ocorrem quando o governo estabelece impeditivos à entrada de certos produtos, alegando a proteção dos produtos nacionais contra pragas e doenças.


"O segredo da liberdade está em educar as pessoas, enquanto o segredo da tirania está em mantê-las ignorantes."
Maximilien robespierre

O Brasil aparece no 27º lugar entre os maiores exportadores do mundo. Apesar de apresentar um elevado volume financeiro de exportações, concentra suas exportações em produtos com pouco valor agregado (commodities agrícolas e minerais, principalmente). Além disso, o país apresenta uma alta concentração de sua pauta exportadora. Em 2019 sete setores respondiam por mais de 65% das exportações, sendo o agronegócio responsável por oito entre os dez produtos líderes de exportações, representando 43% do total exportado pelo país. Apesar de todo o esforço em diversificar a pauta das exportações, ainda apresenta um alto grau de concentração, tanto com relação aos produtos, quanto aos países de destino e às regiões exportadoras. A média de participação do comércio exterior no PIB do Brasil oscila em 25% enquanto que a média global oscila em 50%. Segundo a OMC, a participação do Brasil no comércio internacional de bens manufaturados, de bens de capitais, bem como de serviços é irrelevante. A maior parte do comércio exterior brasileiro é concentrada em produtos primários tais como produtos agrícolas, minérios e petróleo.

O Brasil apresenta ao longo de sua história um forte e prejudicial protecionismo econômico. Segundo a Câmara Internacional de Comércio, o Brasil é a economia mais fechada do G-20 e uma das mais protecionistas do mundo. Essa política resulta em maus serviços, produtos de baixa qualidade ou ultrapassados, desestimula ideias inovadoras e o empreendedorismo, os quais requerem mercados livres e concorrenciais, ou seja, liberdade de entrada em todos os setores. As barreiras regulatórias exigidas, as altas tarifas de importação e os subsídios concedidos pelo governo, os quais equivalem a 4,3% do PIB, servem preferencialmente para proteger as empresas e setores regulados e garantir-lhes um mercado cativo e monopolista, tradicional deste país.

Os subsídios distorcem toda a economia e geram inúmeras ineficiências, pois as empresas eficientes são tributadas para bancar as ineficientes, as quais se expandem graças ao apoio do governo, adquirem maiores fatias de mercado, visto que seus custos operacionais efetivos são menores graças aos recursos e protecionismos que recebem do governo e com isso expulsam do mercado as mais eficientes, as quais tinham um real potencial mas foram prejudicadas pelo fato de o governo apoiar aquelas que possuem conexões políticas, que fazem lobby e que muitas vezes oferecem aos políticos, além de contribuições partidárias, propinas e subornos. Ou seja, o protecionismo acaba por estimular a corrupção no país.


A tarifa média de importação de produtos manufaturados é de 14%, quase 3 vezes a média mundial, sendo a tarifa média do total de importações 8% e a maior chegando a 35%, tornando o Brasil um dos países mais fechados do mundo e nos últimos lugares no ranking global de competitividade. Os altos custos de produção decorrentes dessa política tarifária encarecem os insumos e bens de capitais importados necessários para aumentar a qualidade e a eficiência produtiva, prejudicando a competitividade e o desenvolvimento econômico em prol do favorecimento dos monopólios das empresas locais já estabelecidas, às quais é garantido uma reserva de mercado e são protegidas da concorrência estrangeira e local, visto que tais medidas dificultam, ou mesmo, impossibilitam o empreendedorismo por parte de novas empresas.

A OCDE estima que um aumento de 4% na produtividade do trabalhador poderia ser obtido através da redução de tarifas e barreiras de importações para o médio do bloco. O aumento da competitividade no mercado interno impulsionaria as exportações em 14%, facilitando o aumento na criação de renda para os trabalhadores. Os preços dos produtos nos mercados internos seria reduzidos em média em 6%. Além disso, esses valores tendem a se tornarem maiores à medida que o desemprego vai sendo reduzido e uma parcela maior da população passa a ter uma maior capacidade de consumo, estimando-se um aumento inicial de 4% no comércio de bens de consumo.


Sendo menos produtivas e operando com custos maiores essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente e, como resultado, as exportações tendem a serem menores do que seriam sem o protecionismo tarifário. Por fim, os consumidores ficam obrigados a consumir produtos mais caros e de menor qualidade e ficam incapacitados para investir em bens de capitais e aumentar a produção e a renda. Assim, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção fica aquém do potencial e os preços médios são maiores do que seriam caso houvesse maior liberdade econômica e empreendedorial, prejudicando a renda e a formação de poupança. Essa política econômica histórica do Brasil acaba funcionando como um autoembargo econômico que atrasa o desenvolvimento do país e prejudica o bem-estar das pessoas.

Além disso, a desvalorização do câmbio não aumenta as exportações no longo prazo, muito menos eleva a competitividade da economia de um país. Para isso são necessários os investimentos, os quais por sua vez dependem do nível de renda e de poupança, bem como de um livre mercado e uma moeda forte. Estimular a demanda econômica através de políticas expansionistas, aumentando os gastos do governo e a expansão do crédito, seja através da redução dos juros ou do aumento do crédito, gera endividamento e inflação, o que reduz a poupança e a renda e, consequentemente, reduz os investimentos necessários para aumentar oferta de bens e serviços no longo prazo.

A depreciação cambial representa mais um subsídio ao setor exportador. A riqueza é retirada dos setores da economia que não estão ligados à exportação e direcionada para os setores ligados à exportação. Com o passar do tempo, a desvalorização da moeda começará a exercer efeitos inflacionários sobre toda a economia, gerando aumento de preços. Neste ponto, o setor exportador será forçado a elevar seus preços e, ao mesmo tempo, demandará do governo novas medidas de desvalorização cambial para reiniciar o ciclo e favorecê-los novamente.


Para que haja um aumento da produção e, consequentemente das exportações, é necessário um ambiente que seja propício à produção, o que se traduz na redução da burocracia, redução das regulamentações, redução das incertezas geradas pelo governo, redução dos impostos, redução dos gastos públicos e, principalmente, maior poupança e investimento.

A resistência ao livre comércio é essencialmente política. Grandes empresas e indústrias, em conjunto com os grandes sindicatos, fazem lobby junto ao governo exigindo protecionismo com o argumento de que tal política mantém empregos. A verdade, obviamente, é que eles não querem enfrentar a concorrência. O fim do protecionismo e a desregulamentação da economia trariam um dinamismo e um crescimento tão grande à economia, que até mesmo os problemas fiscais do governo seriam resolvidos.

É preciso compreender que as intervenções do Governo na economia, seja através de alterações na taxa de juros, do aumento do endividamento público e do descontrole nos gastos públicos e do déficit fiscal, da concessão de subsídios fiscais, da criação de estatais e monopólios, da imposição de barreiras tarifárias, da concessão de empréstimos subsidiados, ou mesmo, através da imposição de burocracias regulamentares com o intuito de impedir a concorrência e garantir os oligopólios, dentre outras medidas que estimulam a formação de cartéis e a produção de produtos e serviços caros e de baixa qualidade, prejudicam não só as decisões de consumo e de investimento e a geração de renda e de poupança das empresas e da população, mas principalmente todo o cálculo econômico, o planejamento e o sistema de preços da economia, os quais são fundamentais para a produção, tais como os valores, não só dos bens de consumo, como de todos os fatores de produção, tais como as matérias-primas, os artigos semi-acabados, as máquinas, e todos os tipos de trabalho e de serviço humanos, impossibilitando um verdadeiro livre mercado e a ascensão econômica e, consequentemente, social do país.

"O pessimismo é a maior causa dos preços baixos na bolsa, algumas vezes generalizado, outras vezes específico a determinadas companhias ou setores. Nós adoramos fazer negócios nesses ambientes, não por causa do pessimismo, mas porquê gostamos dos preços baixos que eles acarretam. O verdadeiro inimigo do comprador racional é o otimismo."
Warren Buffett

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Como Analisar os Indicadores Econômicos?


Na análise fundamentalista os impactos da economia para com a empresa são essenciais. Qualquer interpretação estará baseada nas projeções econômicas tanto para setor em que ela está inserida, como para o mercado como um todo. As perspectivas econômicas nacionais e, principalmente, as mundiais e de seus principais participantes devem ser consideradas. Para isso, o investidor deve acompanhar periodicamente os relatórios dos indicadores econômicos.

As quatro principais variáveis macroeconômicas que se relacionam de forma que uma afeta a outra são: o nível de preços (inflação), o nível de emprego, a taxa de câmbio e a taxa de juros. Essas variáveis são avaliadas segundo indicadores econômicos, medidas de desempenho utilizadas para avaliar o desenvolvimento de uma economia. Os indicadores mais utilizados são aqueles que medem: crescimento da produção; desvalorização da moeda e aumento de preços; taxas de conversão de moedas; taxas básicas de juros; desemprego; produção industrial; confiança dos empresários; vendas do varejo.

Os indicadores econômicos são dados que acompanham a economia de um país sobre determinado aspecto e são usados como referência por investidores, empresários e pelo governo para avaliar a situação financeira do país. Acompanhar os principais indicadores é de extrema importância, pois permite a identificação de tendências, riscos e oportunidades nos investimentos e nos diferentes ativos, facilitando na tomada de decisão e a compreensão do cenário macroeconômico. Estes índices ou indicadores são calculados periodicamente (via de regra semanalmente ou mensalmente).

Relatórios públicos e privados ajudam os investidores a entenderem como o cenário econômico está se desenvolvendo. Às datas de divulgação destes dados dá-se o nome de agenda econômica. Esses indicadores são fundamentais tanto para propiciar uma melhor compreensão da situação presente e o delineamento das tendências de curto prazo da economia, quanto para subsidiar o processo de tomada de decisões estratégicas de agentes públicos e privados, além do papel que desempenham na interferência das curvas de oferta e demanda de determinado ativo.

O Bacem divulga semanalmente o relatório Focus, um resumo das previsões das principais instituições financeiras para os indicadores e resultados da economia do país. Embora sejam apenas estimativas periodicamente ajustadas de acordo com o comportamento do mercado e do contexto econômico, indicam a expectativa do mercado com relação a estes indicadores. Inevitavelmente, a expectativa de longo prazo de um determinado ativo deriva dos seus fundamentos. Nos Estados Unidos um relatório similar é o beige book. O Fed utiliza esse relatório para determinar a taxa de juros do país de acordo com a pressão inflacionária.

“Sempre questione suas suposições, no futuro tudo tende a mudar, inclusive os seus próprios argumentos e suposições”.
Capital e Valor

Principais Indicadores Econômicos

PIB (produto interno bruto) – O PIB de uma economia estima o valor monetário dos bens e serviços produzidos num país no período de um trimestre ou de um ano. Mede o desempenho econômico de um país como um todo, representando o crescimento ou a retração econômica. Uma taxa positiva do PIB indica que a economia está em crescimento, embora nem sempre o suficiente para gerar emprego e elevar a renda média da população, quando próxima de zero, como ocorreu no Brasil em 2003 (0,5%), revela uma situação de estagnação econômica e, quando abaixo de zero é um indicador de recessão. Entretanto, é natural que as grandes economias do mundo cresçam mais lentamente, pois esse crescimento é calculado sobre valores extremamente elevados, logo, um crescimento de 1% mostra-se muito expressivo em termos nominais. Nos Estados Unidos esse indicador se chama GDP (gross domestic product).  


A elevação na renda tende a levar a um aumento do consumo e, consequentemente, do PIB. Outro fator que tem forte influência sobre a variação do PIB são os investimentos privados, pois uma empresa tende a investir mais se forem positivas as projeções para a economia do país. Além disso, o crescimento do comércio exterior favorece o aumento do PIB, visto que mais dinheiro entrará na economia do país, mas para isso é essencial um ambiente econômico que seja propício à produção e ao livre mercado. 


Desta forma, pode-se dizer que a expansão da demanda de uma dada economia é produto de, basicamente, quatro variáveis: consumo, investimento, gastos públicos e balança comercial. Além disso, existe uma correlação inversa entre taxa de crescimento do PIB e taxa de desemprego, de forma que quando a tendência do PIB é de alta consequentemente a tendência do desemprego é de baixa e vice versa. Apesar de muitos não acreditarem que o PIB possa ser considerado como um índice de desenvolvimento, uma vez que seu cálculo não inclui dados como distribuição de renda, expectativa de vida e nível educacional da população, entre outros aspectos socioeconômicos, sendo o IDH e o índice GINI normalmente mais indicados para avaliar esses fatores, há uma relação inversa entre PIB per capita e percentual de pessoas vivendo na pobreza. Ou seja, quanto maior a economia, menor a pobreza.


A prosperidade de um país depende da produção de riqueza, sendo a obrigação de todo governo promover políticas que incentivem e permitam a produção de bens e de serviços. Já o desejo de se consumir existirá desde que hajam condições que o possibilite. Basicamente, existem 2 formas que possibilitam os investimentos na produção e os gastos com o consumo, renda e poupança ou crédito e endividamento. Obviamente, a expansão da produção através de investimentos realizados a partir da renda e da poupança além de mais segura e mais barata em relação ao crédito, visto que já se possui ou se produz o capital para isso, gera uma maior renda que serve como base para sustentar a expansão do consumo. Logo, a expansão do consumo é na verdade o resultado da expansão da produção. E, portanto, expandir o consumo através do aumento do crédito e dos gastos do governo e da redução de juros sem que haja uma expansão da produção que sustente esse consumo resultará em inflação, desvalorização cambial, desemprego e recessão econômica no longo prazo.

É importante deixar claro que não é a expansão do crédito real que gera as recessões econômicas, mas a expansão do crédito artificial, que é criado "do nada", o que leva a poupança real a ser desviada das atividades produtivas para as não produtivas, bem como ao consumo excessivo, gerando um acumulo de dívidas que prejudica todo o processo de produção e de geração de renda. A intervenção dos bancos centrais provoca a expansão creditícia e a inflação, e, quando essa inflação é interrompida através do aumento dos juros, o subsequente ajuste recessivo entra em cena e a economia de mercado liquida os investimentos insolventes realizados durante a expansão inflacionária e restabelece a proporção coerente entre o consumo e a renda e poupança das pessoas, as quais se encontram com um menor poder aquisitivo decorrente do aumento da inflação e menor possibilidade de consumo decorrente do aumento do endividamento. Neste ponto, a pior política econômica seria tentar inflacionar novamente o crédito e aumentar os gastos públicos para sair da depressão, pois, mesmo ainda que se essa reflação seja bem sucedida no curto prazo, irá apenas causar problemas maiores futuramente. E é exatamente isso o que normalmente é feito pelos governos.

Assim, a poupança é essencial para a prosperidade, e é ela que deve ser estimulada, e não o consumismo, o endividamento, o protecionismo, o crédito subsidiado ou o controle de preços e demais intervencionismos governamentais. E para que haja poupança é necessário que haja produção para gerar renda, a qual requer um ambiente favorável à livre concorrência, uma moeda estável e a redução de impostos, de subsídios, de déficits fiscais, de barreiras comerciais e de burocracias protecionistas que desestimulam o empreendedorismo e os investimentos produtivos, o quais geram mais emprego, maior renda e menores preços, fortalecendo assim a poupança e a moeda. Esse ambiente permitirá um crescimento econômico constante e sustentável no longo prazo, evitando alternâncias contínuas de ciclos de crescimento e de recessões econômicas.

O crescimento econômico é de crucial importância para que uma população prospere. Se a economia cresce mais, isso significa que mais bens e serviços estão sendo produzidos. Consequentemente, maior será a qualidade de vida e maior será a renda da população, o que por sua vez permite mais investimentos que resultarão numa maior produção e maiores importações e exportações de produtos e serviços. Por isso, o PIB per capta e a taxa cambial acabam sendo importantes indicadores do padrão de vida dos habitantes de um país, determinando o valor dos bens e serviços produzidos por habitante e o poder de compra da renda que produzem. Logo, quanto maior o crescimento de uma economia, maior tende a ser a demanda por sua moeda, sendo fundamental para um câmbio forte manter uma baixa expansão do crédito e da dívida pública que acompanhe um contínuo crescimento econômico. 

O que impede um país subdesenvolvido como o Brasil de adotar os métodos de produção industrial modernos é a escassez e a dificuldade de obtenção de bens de capital, devido principalmente ao desestímulo ao investimento estrangeiro e à formação de poupança decorrentes da alta carga tributária, protecionismos regulatórios, barreiras às importações e ao livre comércio e a insegurança jurídica e política, bem como financeira dado a volatilidade do câmbio e seu quadro de desvalorização ao longo do tempo em razão de todos esses aspectos e da política de expansão monetária e do endividamento público. Para gerar o crescimento da renda é fundamental o investimento em bens de capital para aumentar a produtividade, ainda que através do crédito, desde que este seja lastreado nos depósitos realizados através da poupança e da geração de renda, ou seja, desde que a expansão monetária seja lastreada na quantidade de riqueza produzida e não na contínua impressão monetária do BC para financiar gastos públicos e subsidiar determinados setores.

"Ninguém sabe tudo. Um investidor que tem todas as respostas nem entendeu as perguntas."
Sir John Templeton

Índices de Inflação (IPCA, IGP-M, INPC, IPC) – A visão predominante é de que a inflação é o aumento consistente e indiscriminado de preços, consequentemente diminuindo o poder aquisitivo da moeda. Portanto a taxa de inflação mede o acréscimo percentual médio nos preços dos bens e serviços produzidos pela economia. Vários índices são utilizados para medir a inflação, pois na economia existem vários setores e agentes econômicos distintos. Nos Estados Unidos esse indicador se chama CPI (Consumer Price Index).
Podemos citar as seguintes causas da inflação:
– Emissão exagerada e descontrolada de dinheiro por parte do governo.
– Demanda por produtos (aumento no consumo) maior do que a capacidade de produção do país.
– Aumento nos custos de produção (máquinas, matéria-prima, mão-de-obra) dos produtos.
- Desvalorização cambial acentuada por longos períodos.

Além disso, as fontes de inflação costumam diferir em função das condições de cada país. Assim sendo, leva-se em conta, por exemplo, o tipo de estrutura de mercado – oligopolistas, concorrencial, etc. – , que condiciona a capacidade dos vários setores repassarem aumentos de custos aos preços dos produtos. Outro exemplo é o do grau de abertura da economia ao comércio externo, pois quanto mais aberta a economia à competição externa, maior a concorrência interna entre fabricantes, e menores os preços dos produtos. A economia de mercado numa sociedade de livre comércio é inerentemente deflacionária. Quanto mais se produz, maior a oferta, maior a necessidade de vender (para se obter renda), maior a disputa por consumidores, maiores os descontos e menores são os custos de produção e de insumos diante do avanço tecnológico nos meios de produção e de comércio. Em outras palavras, economia de escala e produção em massa.

Entretanto, a verdade é que a inflação significa simplesmente expansão monetária artificial, ou seja, sem que o aumento da quantidade de moeda em circulação e do crédito sejam decorrentes ou acompanhados do aumento da produção e, consequentemente, do aumento da renda e da capacidade de poupança. Logo, a partir do momento em que os agentes econômicos passam a dispor de mais dinheiro para consumir bens e serviços, ainda que através do endividamento, mas a oferta destes não aumentou na mesma proporção, então os preços aumentam, diluindo o poder de compra da moeda. E continuarão aumentando enquanto a expansão monetária artificial continuar ocorrendo, podendo inclusive formar bolhas, como no mercado imobiliário e de ações.

Os ciclos econômicos — uma sequência de expansão econômica seguida de recessão - advêm das tentativas de se reduzir artificialmente os juros cobrados sobre os empréstimos para os agentes econômicos. Essa redução artificial dos juros se dá por meio da expansão do crédito via sistema bancário por meio de suas reservas fracionárias, ou seja, quando os bancos criam moeda sem lastro na geração de poupança. Os ciclos ocorrem como causa do consumo excessivo e dos investimentos errôneos e insustentáveis, e suas subsequentes liquidações, que essa falsa renda, isto é, crédito mais barato, cria. 

Essa expansão monetária artificial altera as taxas de juros, os lucros, os preços e o câmbio, provocando uma má alocação de recursos e o endividamento. Quanto mais crédito for criado, maior será a distorção da estrutura de produção da economia e maior será o processo de correção necessário tão logo o fluxo de crédito barato for reduzido ou interrompido. E quanto maior for essa distorção econômica, maior será a quantidade de capital real que terá sido destruído em decorrência dos investimentos errôneos e insustentáveis, da perda do poder de compra e do endividamento. A existência de crises econômicas recorrentes e periódicas é a consequência necessária de tentativas repetidamente renovadas de reduzir as taxas de juros vigentes no mercado por meio de políticas de crédito fácil para estimular a economia.

Os ciclos econômicos apresentam de um modo geral uma sequência padrão clara: Expansão creditícia artificial e redução dos juros, boom no mercado financeiro e imobiliário, redução no desemprego, aumento dos investimentos, elevação de riscos no setor bancário devido, justamente, à elevada alavancagem praticada pelas instituições financeiras devido às reservas fracionárias, crise financeira e quebras bancárias, seguidas de crise econômica com a quebra de empresas, sobretudo de bens de capital por tornarem inviáveis seus investimentos sustentados por crédito até então artificialmente barato, demissões em massa, já que as etapas produtivas intermediárias são as maiores empregadoras na economia, recessão. E um novo ciclo se inicia com uma nova expansão creditícia, justamente para tentar sair da recessão que até então atingia a economia.

Historicamente, todas as crises surgiram de algum desequilíbrio no sistema, mas, invariavelmente, elas funcionam como um esfriamento depois de um aquecimento geral na economia associado a um elevado nível de endividamento. Nas grandes crises passadas a euforia do setor privado criou momentos de crescimento elevado. Infelizmente, esses períodos foram seguidos por outros de retrações profundas. As economias passam por movimentos irregulares no nível de emprego e renda, o que se chama de ciclos de negócios. Estas ondas são bem parecidas com aquelas altas e baixas que notamos nos índices de preço das ações.

O endividamento exagerado é o principal empecilho para a recuperação de uma economia ou de uma empresa. Entretanto, a inflação foi sempre a solução para as crises capitalistas. Geralmente, quando a economia cresce muito rápido os preços sobem formando bolhas inflacionárias. Os negociadores observam de perto o desenvolvimento da inflação porque o método de escolha para combater a inflação é o aumento da taxa de juros, sendo que taxas de juros mais altas incentivam investimentos em títulos públicos e tornam o investimento em ações, fundos imobiliários e debêntures menos vantajosos.

No Mercado de Capitais a deterioração da moeda em um processo inflacionário, normalmente, leva a menores investimentos no mercado de capitais, dadas às fortes incertezas com o futuro e um consequente estímulo aos investimento de bens de raiz, como imóveis e terras, por conta de serem uma segurança para os valores futuros. Este desestímulo ao mercado de capitais pode reduzir a dinâmica de intermediação entre poupadores e demandadores de recursos financeiros.

Assim, muitas vezes quando uma política macroeconômica é aplicada ela não alcança os objetivos definidos, pois todas as variáveis econômicas são interligadas. Quando o governo aumenta a taxa de juros para reduzir inflação, por exemplo, pode prejudicar os investimentos dos empresários e gerar o desemprego. Nesta situação, os investidores ficariam contentes, entretanto, o governo enfrentaria críticas dos empresários e dos trabalhadores. Portanto, há uma correlação negativa entre desemprego e inflação. Isto quer dizer que se o governo aplicar políticas de redução da inflação, certamente haverá aumento do desemprego, pois desempregada a população não terá renda para consumir mais, o que por sua vez levará à queda da inflação, pois aumentando os estoques, os produtores baixarão os preços de venda.

Inflação de preços em alta inibe investimentos produtivos e, com isso, afeta o crescimento econômico e, consequentemente, gera o desemprego e prejudica o consumo. O aumento da inflação tende a incentivar as importações, consequentemente diminuindo as exportações, criando déficit na balança comercial, além de prejudicar e desestimular a poupança de longo prazo das pessoas. O aumento na procura pelos produtos pressiona os produtores a aumentarem a oferta, mas como já estão trabalhando em plena capacidade de produção não conseguem aumentar a produção e respondem a essa procura aumentando os preços, gerando inflação. Nesse caso, o governo pode agir: pode restringir o crédito para empréstimos e financiamentos ou aumentar os impostos e diminuir a renda pessoal e reduzir os gastos públicos.

Os governos trabalham basicamente com dois instrumentos para intervir na economia, a política fiscal e a monetária. Com a política fiscal o governo pode aumentar ou diminuir os impostos para alterar o consumo privado e as despesas públicas. Com a política monetária ele pode incentivar o setor privado a investir e a consumir mais através da redução dos juros e a expansão do crédito mais barato, ou restringir o consumo e o investimento através do aumento dos juros e a restrição do crédito para controlar a inflação. A política monetária afeta indiretamente o comportamento econômico do estado e diretamente o setor privado porque alterações nas taxas de juros e mudanças no crédito mudam o custo do dinheiro. Mas no lado do governo ele tem a vantagem de poder elevar a oferta de moeda para pagar suas contas (imprimir mais moeda), contudo, gerando mais inflação e déficit público

Infelizmente, quando os governos e os consumidores já estão muito endividados, essas políticas perdem força e tornam-se menos eficazes. Com uma dívida exagerada os governos não podem gastar mais por causa da pressão política e das dificuldades para levantar recursos adicionais via impostos ou empréstimos. Os consumidores também temem o futuro e rejeitam o crédito mesmo que este seja fácil. As empresas também não investem só porque os juros são baixos. Elas apenas tomam emprestado para novos negócios quando estes prometem retornos compatíveis com os juros e com os riscos. Os consumidores que já estão endividados também freiam o consumo e procuram poupar mais para se proteger dos dias piores. Levam-se anos até que a economia de um país supere esses períodos de retração econômica, e embora algumas empresas sejam mais bem administradas do que outras, todas elas tendem a serem menos lucrativas durantes esses períodos.


Segundo as estatísticas do próprio governo — o IBGE e seu Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) —, aquilo que custava R$ 100 em 1º julho de 1994 passou a custar R$ 613,55 em 30 de novembro de 2019. Um aumento de 513,55% em 25 anos numa taxa média de 7,5% a cada 12 meses. Em 25 anos o Real perdeu 83% do seu poder de compra. O ritmo da desvalorização do real é muito mais rápido do que da desvalorização do dólar. No mesmo período de tempo acima, o índice de preços americano subiu 73%. Aquilo que custava US$ 100 em julho de 1994 custa hoje US$ 173. É importante deixar claro que existe uma correlação direta entre aumento da inflação e aumento da pobreza e da desigualdade.

Por outro lado, com o aumento da liberdade econômica, da produtividade e da eficiência dos métodos de produção, os custos podem cair proporcionalmente mais que os preços dos produtos, o que consequentemente irá aumentar também a renda, a poupança e o poder de consumo. A deflação de preços muitas vezes é sinal de um crescimento econômico sadio e dinâmico, bem como do fortalecimento da moeda. A queda de preços é particularmente benéfica quando resulta de uma combinação entre oferta monetária estável e aumento da produtividade, sem contar que a redução dos preços estimula o consumo. Portanto, o crescimento econômico saudável tende a reduzir a inflação de preços e a fortalecer a moeda.

"No mundo dos negócios o espelho retrovisor é sempre mais claro do que o pára-brisa".
Warren Buffett

Risco País – É um índice denominado Emerging Markets Bond Index Plus (EMBI+) e mede o grau de “perigo” que um país representa para o investidor estrangeiro. É um conceito econômico-financeiro que diz respeito à possibilidade de que mudanças no ambiente de negócios de um determinado país impacte negativamente o valor dos ativos de indivíduos ou empresas estrangeiras naquele país, bem como os lucros, dividendos ou royalties que esperam obter dos investimentos que lá fizeram.


Por meio da análise das finanças de governos e empresas, as agências produzem classificações ou ratings que indicam a segurança oferecida pelo governo e pelas empresas de cada país aos investidores estrangeiros que aplicam seu dinheiro em títulos da dívida daqueles governos e empresas. Essas agências se dedicam à análise do risco-país associado a investimentos em ativos financeiros, tais como títulos e ações.

"Onde se falta estrutura se sobra oportunidade."
Percival Farquhar

Rating - Um rating é uma nota que as agências internacionais de classificação de risco de crédito atribuem a um emissor (país, empresa, banco) de acordo com sua capacidade de pagar uma dívida. Serve para que investidores saibam o grau de risco dos títulos de dívida que estão adquirindo. Assim, a visão do mercado financeiro sobre um determinado país pode ser expressa através da nota da sua dívida externa. Quando um país tem um bom desempenho sua nota melhora. Mas quando aumenta o risco desse país não pagar as suas dívidas sua nota piora.

Em geral, são três grandes níveis: grau de investimento (país seguro de investir), grau especulativo (risco de inadimplência) e default (quando o país declara moratória). As principais agências no mundo são a Standard & Poor’s (S&P), a Fitch e a Moody’s, as quais levam em conta indicadores como gastos do governo, dívida externa e política monetária.

Resumo Geral das Opiniões Refletidas pelos Ratings da Standard & Poor’s.
AAA’— Capacidade extremamente forte para honrar compromissos financeiros. Rating mais alto.
AA’— Capacidade muito forte para honrar compromissos financeiros.
A’— Forte capacidade para honrar compromissos financeiros, porém é de alguma forma suscetível a condições econômicas adversas e a mudanças circunstanciais.
BBB’— Capacidade adequada para honrar compromissos financeiros, porém mais sujeito a condições econômicas adversas.
BBB-‘— Considerado o nível mais baixo da categoria de grau de investimento pelos participantes do mercado.
BB+’— Considerado o nível mais alto da categoria de grau especulativo pelos participantes do mercado.
BB’— Menos vulnerável no curto prazo, porém enfrenta atualmente grande suscetibilidade a condições adversas de negócios, financeiras e econômicas.
B’— Mais vulnerável a condições adversas de negócios, financeiras e econômicas, porém atualmente apresenta capacidade para honrar compromissos financeiros.
CCC’— Atualmente vulnerável e dependente de condições favoráveis de negócios, financeiras e econômicas para honrar seus compromissos financeiros.
CC’— Atualmente fortemente vulnerável.
C’— Um pedido de falência foi registrado ou ação similar impetrada, porém os pagamentos das obrigações financeiras continuam sendo realizados.
D’— Inadimplente em seus compromissos financeiros.

"O melhor programa econômico do governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem."
Barão de Mauá

Essas notas influenciam decisões de investimentos no mercado internacional e a tendência é que ao receber uma boa classificação o país atraia mais recursos estrangeiros. Além disso, cai o custo do governo e até mesmo das empresas privadas para captar recursos no exterior, custo do capital. Este por sua vez é usado para descontar a riqueza que será gerada por cada empresa. Quanto menor o custo do capital maior o valor da empresa. 


Contudo, observa-se, no entanto, que as notas atribuídas aos países possuem uma grande correlação com o Índice de Percepção da Corrupção, além do risco regulatório. Isto significa dizer que países mais corruptos geralmente são aqueles que recebem as piores notas.

De uma maneira geral, o Brasil não é bem visto pelas agências de rating em razão de ter passado por diversas crises econômicas, políticas e fiscais e por ser o país mais endividado dentre os países de igual porte no mundo, especialmente em relação à perspectiva dos gastos públicos, quando as medidas do governo sinalizam para o seu aumento ao longo dos anos. Ter o governo como sócio acaba por aumentar o risco e as incertezas futuras, o que geralmente não traz bons resultados para os acionistas.


Além disso, as interferências governamentais nas gerências das empresas, a corrupção e a ampla participação do Estado em seus capitais sociais geram receios para os investidores estrangeiros, o que por sua vez acaba depreciando o valor de mercado e as avaliações destas empresas. 

Já no campo jurídico os contratos muitas vezes não são respeitados pelas partes e, além da morosidade e do congestionamento dos processos nos tribunais, as decisões judiciais são difíceis de se prever devido à falta de segurança jurídica, sem contar o grande número de recursos em instâncias superiores que prejudicam ainda mais a execução das leis e o cumprimento das sentenças, contribuindo ainda mais para a insegurança jurídica e para os custos de cobrança e execução jurídica dos contratos.

Esse cenário acaba impactando negativamente a avaliação das empresas brasileiras, principalmente sobre o risco percebido nos negócios. Num modelo como o fluxo de caixa descontado isto significa uma maior taxa de desconto. Maior taxa de desconto, por sua vez, implica em menores valores de empresas.

"Quando alguém vê o vizinho ficando mais rico começa a evolução natural da bolha. Bastam três coisas para a sua formação: os investidores, os imitadores e os idiotas".
Warren Buffett

Base Monetária - A base monetária restrita é o valor total dos ativos monetários disponíveis em uma economia em um dado momento. É o resultado da soma da moeda em circulação com as reservas bancárias (depósitos compulsórios em espécie, não remunerados, incidentes sobre os depósitos à vista, mais as reservas livres), ou seja, é o volume de recursos prontamente disponíveis para o pagamento de bens e serviços. As mudanças na oferta de moeda afetam o nível de preços, a inflação, a taxa de câmbio e o ciclo de negócios.

A principal maneira pela qual o Banco Central intervem na economia para estimular ou desestimular setores que atendam aos seus interesses é provocando mudanças na base monetária através de suas operações de “Open Market”, que permitem aumentar ou diminuir a oferta monetária e a taxa de juros através de leilões de recompra ou de venda de títulos públicos. Há fortes evidências empíricas de uma relação direta entre o crescimento da oferta monetária e a inflação de preços a longo prazo.

Basicamente, o Banco Central utiliza duas políticas para regular a quantidade de dinheiro disponível. Através de uma política retracionista, o BC aumenta a venda de títulos públicos, predominantemente para os bancos, debitando os valores dos títulos vendidos das reservas compulsórias dos bancos junto ao BC. Ou seja, as reservas dos bancos diminuem ao serem convertidas em títulos da dívida recém criados pelo BC e a quantidade de dinheiro disponível para crédito em circulação diminui. Como resultado do aumento da venda de títulos o BC faz com que seus preços de mercado diminuam e suas taxas de retorno aumentem, aumentando artificialmente assim a taxa de juros no mercado, o que por sua vez torna mais caro o crédito e desestimula o endividamento, consequentemente desestimulando também o consumo e o investimento.

Já através de uma política expansionista, o BC aumenta a recompra de títulos públicos, predominantemente dos bancos, creditando os valores dos títulos comprados nas reservas compulsórias dos bancos junto ao BC. Ou seja, as reservas dos bancos aumentam a partir da impressão monetária feita pelo BC e, portanto a quantidade de dinheiro disponível para crédito em circulação aumenta. Como resultado do aumento da recompra de títulos o BC faz com que seus preços de mercado aumentem e suas taxas de retorno diminuam, reduzindo artificialmente assim a taxa de juros no mercado, o que por sua vez torna mais barato o crédito e estimula endividamento, consequentemente estimulando também o consumo e o investimento. Uma vez atingida a nova taxa de juros, o BC se limita a manter a nova curva de rendimento dos títulos efetuando compras e vendas quando necessário.


Os bancos por sua vez operam alavancados através de reservas fracionárias. Isso significa que os bancos podem emprestar uma quantidade muito maior do que o valor que possuem em depósitos de seus clientes e como reservas compulsórias no BC. Não são meros intermediadores financeiros entre poupadores e investidores, os bancos são criadores de crédito artificial, ampliando ainda mais expansão monetária do BC. Portanto, é essa capacidade de criar crédito bancário o que gera o contínuo aumento da quantidade de dinheiro na economia, bem como suas inevitáveis consequências: inflação de preços e ciclos econômicos de expansão e de recessão. Considerando que esses aumentos de dinheiro nos bancos não são decorrentes da poupança e da geração de renda das empresas e das pessoas, ao realizarem empréstimos a partir deles os bancos também estão imprimindo dinheiro e injetando na economia.

A crítica à concessão de empréstimos diversas vezes maiores do que as reservas fracionárias é que há todo e qualquer momento os bancos na verdade encontram-se insolventes, pois seus passivos monetários são sempre maiores do que a quantidade de dinheiro depositado e as suas reservas. Portanto, numa situação de resgates em massa de depósitos por parte de seus clientes o banco estará quebrado. Ademais, a quebra desse banco pode desencadear a quebra de vários outros bancos que também praticam reservas fracionárias, como um efeito dominó, culminando no colapso de todo o sistema bancário ou em enormes pacotes de socorro financeiro do governo aos bancos como ocorreu em 1929 e em 2008.

Portanto, existe uma relação inversa entre taxa de juros e expansão monetária. Quando a Selic é aumentada a expansão da oferta monetária sofre uma desaceleração. Quando a Selic é reduzida a expansão da oferta monetária acelera. E o efeito direto desse aumento da oferta monetária pelo BC é a forte elevação dos preços no atacado e desvalorização cambial no longo prazo, em outras palavras, inflação. Ou seja, aumentando-se a quantidade de dinheiro, provoca-se o rebaixamento do poder de compra da unidade monetária. 


A quantidade de dinheiro na economia é uma variável decorrente das políticas monetárias do governo, sendo um dos principais motivos para a expansão monetária a existência de um orçamento deficitário por parte do governo. Logo, é extremamente vantajoso para os bancos comprar títulos da dívida pública, pois estes servirão para alavancar suas as operações de crédito. Ao mesmo tempo, os bancos fornecem liquidez para financiar a dívida pública e, consequentemente, o déficit orçamentário do governo, possibilitando perpetuar o crescimento da dívida pública. Ou seja, o governo consegue parte dos fundos necessários para seu próprio financiamento através da geração de inflação.

O resultado no longo prazo de uma política monetária expansionista são expansões creditícias artificiais (impressão excessiva de dinheiro), ou seja, sem lastro na demanda por moeda dos agentes econômicos produtores ou nas suas poupanças, quando o poupador fica sem poder consumir a quantia aplicada e, portanto, não altera a oferta monetária. Em outras palavras, se o BC realmente quiser controlar a inflação de preços, tudo o que tem de fazer é parar de inflar a oferta monetária.

A expansão monetária e creditícia não sustentada por uma poupança real causa graves distorções na estrutura produtiva da economia, pois resultará em todo um processo de reajuste de preços para acomodar essa maior quantidade de dinheiro na economia. Após os preços já terem se ajustado a essa nova quantidade de dinheiro criada, o total de crédito disponível na economia voltará a ser exatamente a quantidade de dinheiro que havia sido genuinamente poupada até então, antes dessa expansão, poupança essa que agora possui um poder de compra menor. Uma prolongada inflação desequilibra e desorganiza a estrutura produtiva da economia, direcionando a produção e o emprego para investimentos que mais tarde revelar-se-ão insustentáveis, gerando prejuízos, desperdício de recursos escassos e maior desemprego. E esse processo de expansão monetária e consequente perda de poder de compra da moeda vai se perpetuando e a tendência é que acelere com o passar do tempo destruindo a riqueza acumulada e prejudicando o crescimento econômico, resultando em recessões, assim como as crises de 1929, 1970, 2008, dentre outras.


Sem as interferências de tais políticas monetárias inflacionistas as taxas de juros refletiriam a real disponibilidade de meios (poupança e renda) que podem ser emprestados para que as empresas ponham em prática e terminem todos os projetos iniciados e para que as pessoas possam consumir sem se endividar excessivamente. Se essas taxas de juros não fossem manipuladas, o desenvolvimento econômico ocorreria sem interrupção — exceto caso houvesse a influência de calamidades naturais ou atos políticos como guerras, revoluções, etc. O que gera riqueza e crescimento econômico sustentável é a poupança, que possibilita investimento em capital e a consequente produção de bens e serviços e a geração de renda, que possibilita um consumo sustentável no longo prazo. Por outro lado, o consumo predominantemente através do crédito gera o endividamento e a consequente redução do consumo e do crescimento econômico no longo prazo.

Uma recessão nada mais é do que uma fase de correção dos investimentos insustentáveis cometidos no período expansionista. Recessões ocorrem porque parte do capital da economia foi desperdiçada tanto em investimentos insustentáveis quanto no consumo excessivo, ambos fenômenos provocados pela expansão do crédito. Toda expansão artificial do crédito necessariamente termina em uma recessão ou em uma longa estagnação. Não há como prolongar indefinidamente uma situação insustentável e não há como evitar que o necessário processo de correção venha a ocorrer. Portanto, a reincidência de recessões é causada pelas repetidas tentativas de se "estimular" a economia através da expansão do crédito.

O que gera crescimento econômico sustentável no longo prazo é o aumento da produção e a acumulação de capital. Tal aumento de produção pode ser estimulado até certo ponto pelo crédito, contudo, sem que haja uma excessiva e crescente expansão monetária, ou seja, desde que a expansão do crédito esteja de acordo com o crescimento da poupança gerado pelo aumento da produção e da renda. As políticas de expansão monetária com o propósito de estimular a demanda (consumo), apesar de gerarem resultados no curto prazo para alguns setores, são prejudiciais para a economia como um todo no longo prazo por gerarem um maior endividamento, inflação, desvalorização cambial e, consequentemente, retração econômica e crises financeiras.

Contudo, as políticas econômicas dominantes são centradas no intervencionismo do governo para estimular o consumo através da expansão artificial do crédito como forma de gerar o crescimento econômico. Tais políticas geram ciclos de expansão econômica seguidos, inevitavelmente, de ciclos de recessão econômica quando os estímulos são retirados ou tornam-se mais caros em razão do aumento dos juros como forma de conter a expansão do crédito e, consequentemente, a inflação dos preços. E ao manipular a taxa de juros através de uma política monetária inflacionária o governo desajusta tanto os planos de produção das empresas quanto os planos de consumo das pessoas. Como resultado, as pessoas, as empresas e o governo ficam mais endividados e com um menor poder de compra em razão da inflação e da desvalorização cambial decorrente da expansão monetária artificial, ou seja, não decorrente de um aumento da produção e da consequente geração de renda e de poupança. Portanto, a criação de crédito, ainda que barato, jamais será um substituto da poupança real, tampouco terá o mesmo efeito.

Ciclos econômicos de expansões seguidas por recessões são gerados essencialmente pela política monetária expansionistas dos bancos centrais. A alta é inteiramente condicionada pela expansão do crédito, e não pode subsistir sem que o crédito continue sendo expandido, até que se transforme em depressão tão logo cesse a expansão do crédito. Obviamente, nenhuma economia é capaz de expandir o crédito bancário indefinidamente. Toda expansão sempre termina em recessão. Mas é sim possível postergar recessões com novas rodadas de expansão de crédito, as quais têm de ocorrer em doses cada vez maiores para manter a economia artificialmente aquecida como saída da crise, devido aos benefícios aparentes que ela proporciona na fase de expansão econômica no curto prazo, principalmente através de investimentos errôneos e insustentáveis e do consumo excessivo de bens dada a facilidade e o menor custo do crédito.

Em países como os EUA, que possuem uma economia relativamente aberta e alta produtividade, é possível manter uma expansão creditícia por um longo período de tempo porque, como sua economia é aberta, as importações ajudam a arrefecer as pressões inflacionistas geradas pela expansão do crédito. Sendo assim, aquele aumento dos juros que põe fim à expansão de crédito (e que dá início à recessão) só irá ocorrer um bom tempo após o ciclo expansionista ter começado. Mas como no Brasil a economia é bastante fechada e menos produtiva, qualquer expansão do crédito bancário rapidamente se transforma em inflação de preços, o que faz com que o Banco Central rapidamente volte a aumentar os juros.

É de crucial importância entender que se um país não destruir continuamente sua poupança real e seu capital real (recursos físicos) por meio da criação de crédito e da inflação monetária, seus cidadãos não terão de se sacrificar poupando continuamente para acumular novos fundos para serem investidos. Quando o crédito real (lastreado na poupança) não é dilapidado desta forma, seu poder de compra é mantido e seu valor aumenta ao longo do tempo à medida que os preços na economia vão diminuindo e a atividade econômica vai aumentando. Desta forma, a mesma quantidade de capital pode financiar cada vez mais investimentos ao longo do tempo, e novas e adicionais quantias de capital não serão constantemente necessárias para substituir o capital anterior.

"A melhor política para as finanças públicas é gastar o mínimo possível, e o melhor imposto será sempre o que for o menor."
Jean-Baptiste Say

Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) - É a taxa básica de juros da economia brasileira, índice pelo qual as taxas de juros cobradas pelos bancos no Brasil se balizam. O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (COPOM) fixa periodicamente a meta para a Taxa SELIC para fins de Política Monetária. Também chamada simplesmente de “taxa básica”, reflete o custo do dinheiro para empréstimos bancários com base na remuneração dos títulos públicos.

Mudanças nas taxas de juros têm efeito direto sobre a atividade de crédito de um país. O que pode tornar os empréstimos para as famílias e empresas mais ou menos caros e contribuir positiva ou negativamente para a economia. De uma forma geral, quando as taxas de juros se encontram em um patamar baixo a atividade de crédito se encontra bastante aquecida, o que naturalmente acrescenta muito mais dinheiro em uma economia, fazendo com que a inflação suba. O contrário acontece quando os juros estão altos. O crédito se encontra escasso, o que faz com que as empresas deixem de investir em mais bens de capital, além das famílias também preferirem adiar o seu consumo de mercadorias e serviços.


A taxa de juros exerce um papel importantíssimo nos ciclos dos negócios e no mercado financeiro. Quando ocorre uma mudança na taxa, ou na expectativa a seu respeito, os efeitos têm um grande alcance no cenário econômico. Quando a taxa de juros sobe os consumidores gastam menos, o que diminui as vendas do varejo, levando a uma redução nos lucros dessas empresas e, consequentemente, um aumento do desemprego e desvalorização dessas ações no mercado.

A alta na taxa de juros atrai capital de curto prazo que gera superavit no saldo da balança comercial, reduzindo a inflação, em teoria. Contudo, qualquer ameaça especulativa pode fazer com que esse capital seja retirado do país, provocando novos déficits. Por isso, em países cuja moeda apresentam históricos de alta desvalorização e inflação são raros os investimentos vultosos de longo prazo e, em razão disso, apresentam altas taxas de juros como forma de atrair capital externo e evitar a fuga deste e do próprio capital interno.

No mercado de capitais o aumento na taxa de juros gera uma fuga de capital para investimentos de títulos públicos e de renda fixa, os quais se tornam mais atraentes dado o aumento na sua rentabilidade. Assim, historicamente o aumento nos juros tende a ser ruim para o mercado de capitais, enquanto que a redução nos juros tende a ser positivo para o mercado, pois o investimento em renda fixa se torna menos atrativo, e parte desse capital tende a ser direcionado para a renda variável.

O termo crowding out identifica na literatura econômica o processo em que a dívida pública (mercado de títulos públicos) toma o espaço do mercado de debêntures (títulos privados) e de ações. O Governo, para colocar sua dívida no mercado, é obrigado a elevar os juros e os investidores passam a preferir esses papéis em detrimento do mercado de capitais. Um excesso de gastos e um orçamento desequilibrado impulsiona os juros de uma economia, pois o governo está continuamente pegando empréstimos para fechar seu orçamento. Portanto, juros altos são consequência de uma moeda que continuamente perde poder de compra e do crescente endividamento do governo.

Conforme fora dito, a taxa de juro se move inversamente à oferta de crédito (e diretamente em relação à demanda). Quando o BC realiza um leilão para comprar títulos públicos em poder dos bancos, isso aumenta as reservas bancárias no mesmo grau e reduz a taxa de juro. Os bancos de posse de uma maior quantidade de reservas irão aumentar de forma alavancada a oferta de crédito, o qual por sua vez se torna mais barato, sendo dessa forma estimulado. Ou seja, os bancos irão expandir a base monetária numa proporção maior do que as suas reservas, inflando o crédito artificialmente, visto que isso não reflete a real capacidade de poupança e de consumo do público e das empresas. Logo, os bancos e os governos desfrutam, portanto, do poder de multiplicação monetária através do crédito sem lastro.

Esse crédito mais barato estimula as pessoas a aumentarem o consumo e se endividarem ainda mais, pressionando os preços para cima, visto que não houve um aumento na produção (oferta de bens e serviços), formando bolhas imobiliárias e no mercado de ações. As empresas por sua vez, se aproveitam do crédito mais barato para investir e expandir os seus negócios, principalmente no setor da construção civil, no mercado imobiliário e no comércio, para aproveitar o aumento na demanda decorrente do aumento do consumo, muitas vezes em projetos os quais se mostravam inviáveis ou pouco produtivos antes da redução do juro. Ou seja, os empreendedores gastam mais e se endividam para aumentar a oferta agindo como se a capacidade de renda e de poupança dos consumidores houvesse aumentado, quando na verdade além disso não ter ocorrido, em razão do aumento do endividamento na  realidade essa capacidade foi reduzida. A falsa impressão de aumento da renda criada pela expansão do crédito levou a investimentos injustificados e a um endividamento excessivo que não é correspondido no longo prazo pelo aumento do consumo.

Portanto, além de inflação, o resultado da manipulação do crédito é uma descoordenação no sistema econômico que exerce um efeito danoso sobre a economia real. A tendência é que em certo momento o consumo colapse, em razão da capacidade de renda e de poupança haver diminuído e do endividamento haver aumentando, gerando além de uma queda na produção e na renda e o aumento do desemprego e dos prejuízos a necessidade de restringir a expansão do crédito na tentativa conter a inflação. Neste ponto a estratégia do BC é invertida. Ele realiza leilões para vender títulos públicos para os bancos, o que reduz as reservas bancárias no mesmo grau e aumenta a taxa de juro. Os bancos de posse de uma menor quantidade de reservas irão reduzir a oferta de crédito numa proporção ainda maior, o qual por sua vez se torna mais caro, sendo desta forma desestimulado. Ou seja, os bancos irão contrair a base monetária revertendo todo esse processo de expansão em uma recessão econômica, o que marca o início da fase de reajustamento de toda a estrutura produtiva real que a inflação monetária distorceu.

Finalmente, é importante compreender que subsequentes expansões de crédito e reduções do juro para combater a crise gerada pelas expansões anteriores somente produzirão resultados temporários de curto prazo, seguidos por um declínio ainda mais profundo que se manifestará como uma completa estagnação da atividade comercial e industrial, senão numa depressão econômica generalizada, quando a economia para responder a qualquer estímulo ou intervenção que envolva mais expansão do crédito. Tais políticas monetárias não oferecem qualquer atalho para um desenvolvimento econômico estável e sustentável no longo prazo, baseado no aumento da produção e da renda e, consequentemente, da capacidade de poupança, que permitirá futuros investimentos para aumentar a produção.

"As ações sobem no boato e caem no fato."

Taxa DI – Os bancos operam entre si (tomando ou doando recursos monetários) no mercado interbancário, ou interfinanceiro, através de operações lastreadas em Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), permitindo que se estabeleça certo equilíbrio entre eles. A taxa DI acompanha diariamente a taxa básica de juros (Selic), de modo que serve como referencia para a rentabilidade de investimentos em renda fixa e alguns fundos de investimento. Essa taxa é um dos grandes benchmarks dos investimentos no Brasil, servindo como uma taxa livre de risco para a comparação e avaliação da performance de investimentos, pois advêm da média das taxas dos certificados de depósitos interbancários. 

Na última década o volume de crédito subsidiado proveniente de bancos públicos, bndes e caixa principalmente, chegou a ultrapassar o volume de crédito privado, gerando além de distorções no mercado uma ineficiente alocação do crédito no pais que trouxe efeitos negativos para a produtividade do país, visto que a maior parte desse crédito fora direcionado para grandes empresas e setores específicos que já eram consolidados no mercado, prejudicando a obtenção de crédito de longo prazo (acima de 3 anos) e barato pelas pequenas e médias empresas, prejudicando assim o crescimento do investimento e da eficiência destas em relação às grandes empresas beneficiadas. Tudo isso favoreceu para que as taxas e o spread dos empréstimos privados permanecessem altos e limitado, mesmo após as consecutivas quedas na taxa de juros. Além disso, existe uma correlação direta entre baixo spread de empréstimos e aumento de empregos e de produtividade na economia.


Portanto, além de consumir o dinheiro de impostos que poderiam ser utilizados em áreas mais prioritárias (saúde, educação, infraestrutura), este mecanismo utilizado pelo Governo para financiar o crédito público subsidiado também aumenta o endividamento do governo e a quantidade de dinheiro na economia, gerando inflação e desvalorização cambial no longo prazo.

Taxa de Câmbio – É uma relação entre moedas de dois países que resulta no preço de uma delas medido em relação à outra. Exprime a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira. Além de expressar quantitativamente a condição de troca entre duas moedas, a taxa de câmbio expressa as relações de troca entre dois países. O câmbio é uma das variáveis macroeconômicas mais importantes, sobretudo para as relações comerciais e financeiras de um país com o conjunto dos demais países.

A taxa de câmbio é afetada pela política monetária, de forma que uma política de expansão monetária, através da redução da taxa de juros, gera a saída de capital do país, uma vez que os investidores estrangeiros, e até mesmo os locais, preferirão investir em países que oferecem menores riscos e/ou maior remuneração. Como resultado gera-se a desvalorização da moeda local frente as demais, além do aumento da inflação de preços em decorrência tanto da redução dos juros quanto da desvalorização cambial. Já uma política de contração monetária, através do aumento da taxa de juros, atrai investimentos estrangeiros para o país, os quais geram a valorização da moeda local frente as demais, além da redução da inflação de preços em decorrência tanto do aumento dos juros quanto da valorização cambial.

Com a desvalorização da moeda nacional a taxa de câmbio aumenta. O país gastará mais moeda nas importações desestimulando-as. Assim, verifica-se que com a desvalorização do câmbio as importações tendem a diminuir. Existe um corrente que argumenta que, por outro lado, os outros países preferirão comprar produtos deste país, pois ficaram mais baratos em relação às suas moedas, o que teoricamente estimula as exportações, aumentando-as. Contudo na prática não é o que se observa.

A desvalorização cambial tende a desestimular tanto as importações quanto as exportações, pois a perda do poder de compra gera retração da atividade econômica. E um cenário de contínua desvalorização cambial afeta toda a estrutura de preços da economia, desestimula os investimentos produtivos internos, pois os custos de produção aumentam, e gera fuga de capital estrangeiro. Portanto, se a moeda do país se torna instável, sua economia também se torna instável. O oposto ocorre com a valorização da moeda nacional. As importações tendem a aumentar em razão do aumento de poder aquisitivo da moeda local assim como a atividade econômica, gerando um consequente aumento das exportações também, mesmo apesar do câmbio mais barato.

A explicação para isso é o fato da taxa de câmbio afetar praticamente todos os preços da economia, sendo uma valorização cambial muito mais efetiva em controlar a inflação de preços do que aumentos da taxas de juros. Uma taxa de câmbio estável pode gerar um prolongado período de crescimento econômico, ao passo que uma taxa de câmbio instável é capaz de reverter qualquer processo de crescimento. Num cenário de desvalorização cambial, a única maneira do governo manter a inflação de preços num nível relativamente tolerável é gerando uma brutal recessão (por meio de juros e impostos crescentes) que eleve acentuadamente o desemprego, reduza salários e prejudique a renda,  o que consequentemente acaba com a demanda (consumo).

Obviamente, nesse cenário os consumidores, as empresas e os empreendedores ficam asfixiados. São obrigados a pagar cada vez mais caro pelas importações, insumos e bens de capital, mas não podem repassar esses custos para os preços. Consequentemente, vão se tornando cada vez mais descapitalizados, o que afeta sua capacidade de investimento e de contratação de mão-de-obra. Já os consumidores perdem o poder de compra e/ou se endividam para poder comprar, logo, consomem menos, o que piora ainda mais a crise. Mesmo através de políticas de expansão do crédito, de redução de juros e de estímulo ao consumo, cujos resultados são de curto prazo, o consequente aumento do endividamento juntamente com o cenário recessivo e a desvalorização cambial prejudica a geração da renda, prejudicando consequentemente a formação de poupança e o investimento na produção, a qual poderia gerar maior renda e, consequentemente o crescimento econômico. 

"O dinheiro não é tudo, mas sem ele você não terá nada!"
Capital e Valor

Investimento Estrangeiro Direto (IED) - É a movimentação de capitais internacionais para propósitos específicos de investimento, quando empresas ou indivíduos no exterior criam ou adquirem operações em outro país. O IED engloba "fusões e aquisições, construção de novas instalações, reinvestimento de lucros auferidos em operações no exterior e empréstimos intercompany (entre empresas do mesmo grupo econômico)".

O mercado financeiro brasileiro é diretamente influenciado pelo fluxo de investimento estrangeiro. Havendo o aumento do investimento estrangeiro a tendência é que o mercado de ações se valorize juntamente com a moeda local. Por outro lado, havendo a fuga do capital estrangeiro o efeito é contrário, desvalorização do mercado de ações e da moeda local. Além disso, um fluxo positivo e crescente de investimento estrangeiro gera uma melhora econômica, que ocasiona um crescimento na geração de empregos, na arrecadação, na renda, no consumo, nas exportações e no desenvolvimento de projetos produtivos e de infraestrutura não atrelados a maiores dívidas, pois em geral o investimento estrangeiro não é vinculados a compromissos de pagamentos e de juros assim como empréstimos.

Para viabilizar a entrada e o crescimento do investimento estrangeiro além da segurança jurídica e política é preciso haver a confiança de que o capital estrangeiro investido no país não será confiscado, os bens e patrimônio pertencente às empresas estrangeiras não serão expropriados e as dívidas com os investidores estrangeiros não serão calotadas. Torna-se necessário também uma estabilidade econômica, fiscal e cambial, de forma que essa expropriação não venha a ocorrer indiretamente como decorrência da desvalorização cambial, da inflação descontrolada, do aumento de impostos ou por meio da imposição de barreiras tarifárias e/ou burocráticas que inviabilizam as importações. Ou seja, basicamente um governo que não ceda ou se venda para determinados grupos (fazendeiros, industriais, sindicatos, etc) cujos desejos são obter privilégios e benefícios às custas do restante do país e que as políticas comerciais e econômicas internas e externas, bem como os gastos do governo, girem a seu favor.

Balança comercial - É um termo econômico que representa a diferença entre as importações e as exportações de bens entre os países. Quando as exportações são maiores que as importações registra-se um superavit na balança, e quando as importações são maiores que as exportações registra-se um déficit. Este é um dos indicadores econômicos mais importantes. Seu valor pode desencadear mudanças duradouras na política externa e monetária. Nos Estados Unidos esse indicador se chama International Trade.


Teoricamente, se diz que a balança comercial de um determinado país está favorável quando este exporta (vende para outros países) mais do que importa (compra de outros países). Quando o total de exportações de bens e serviços for superior ao total de importações registra-se um superavit no saldo da balança comercial. Isso é um fator positivo na economia de um país, pois o resultado positivo da balança comercial gera um lucro que pode ser utilizado para investir no próprio sistema econômico do país. Do contrário, se diz que a balança comercial é negativa ou desfavorável. O déficit da balança comercial mostra que o mesmo está exportando (vendendo) menos bens e serviços do que está importando (comprando). 

Há contudo uma importante ressalva. Investimentos na produção feitos a partir da importação de bens de capital, bem como a importação de insumos para a produção de bens de maior valor agregado, podem gerar déficts na balança comercial que, contudo, serão favoráveis à economia no longo prazo, especialmente no caso de países em que produtos de baixo valor agregado são predominantes em sua pauta de exportações. Portanto, o comércio exterior não pode ser visto como uma negociação em que o lado vendedor ganha e o lado comprador perde, principalmente quando o livre comércio, o investimento e a produção são restringidos por barreiras governamentais que visam estimular exportações e restringir importações para proteger determinados setores em detrimento do aumento da produção e da renda em toda a economia do país, prejudicando o crescimento do próprio comércio exterior.

Além disso, a desvalorização cambial não estimula as exportações no longo prazo e também é prejudicial para a economia interna, pois afeta a demanda interna pelos bens industriais e afeta também os custos de produção da indústria, pois os bens de capital e insumos importados ficam mais caros. Como resultado, frequentemente resultará em uma redução das exportações, em uma estagnação, ou mesmo, em uma contração do setor industrial e, pior ainda, na deterioração do poder de compra da população como um todo, reduzindo seu padrão de vida. Esse efeito pode ser observado no gráfico acima entre 2011 e 2016, período de forte desvalorização do Real e consequente retração das exportações e das importações.

Exportar mais e importar menos não necessariamente gera crescimento econômico, principalmente quando os produtos exportados apresentam baixo valor agregado e a política econômica aposta na desvalorização cambial para estimular as exportações, o que é simplesmente um subsídio para exportadores e consumidores externos em detrimento do crescimento econômico do país. O que gera crescimento econômico é uma maior produtividade e um maior volume de comércio exterior, os quais necessitam do aumento das importações de insumos e bens de capital e de um livre mercado, ou seja, um ambiente de negócio sem barreiras de importações, subsídios e tributação excessiva. Portanto, no longo prazo a facilidade de importar contribui positivamente para a economia em geral e para as exportações.

Desvalorização cambial, inflação, alta tributação, déficit fiscal, dívida pública crescente e barreiras governamentais impedem a concorrência, prejudicam a produção e a oferta de bens e serviços, reduzindo a renda e, por sua vez, a poupança e os investimentos necessários para aumentar a produção, criando assim um quadro econômico recessivo. Ainda que o governo estimule o crédito para o consumo, ou seja, a demanda através do endividamento, apesar de gerar efeitos no curto prazo, no longo prazo prejudicará ainda mais a poupança e o investimento caso não hajam efetivos ganhos de produção e de renda. Portanto, o consumo só é sustentável no longo prazo quando é possibilitado pelo aumento da renda através da produção.


"Diversificação é algo que os corretores criaram para se proteger, para evitar que fossem processados por fazerem más escolhas de investimento para seus clientes. A maneira de ficar rico é colocando seus ovos numa única cesta, mas vigiando sempre essa cesta muito cuidadosamente. E tenha certeza de que você escolheu a cesta correta. "
Jim Rogers

Produção Industrial – O indicador varia de zero a cem pontos, sendo que valores abaixo de 50 representam queda na produção em relação ao mês anterior. É quase impossível imaginar o desenvolvimento de um país sem uma indústria forte, ampla e diversificada. Dentre todos os setores produtivos, a indústria é o que exerce maior impacto no crescimento do produto agregado. Nos Estados Unidos esse indicador se chama ISM (Manufacturing Index).

A produção industrial brasileira se caracteriza hoje por ainda ser relativamente diversificada, porém imatura no sentido de estar se especializando em setores intensivos em recursos naturais e com pouco avanço em direção ao fortalecimento de cadeias produtivas com produtos de maior conteúdo tecnológico e valor agregado. Isto sugere que se esta tendência não for revertida a contribuição da indústria para o crescimento da economia deve, inevitavelmente, se reduzir no futuro próximo, reduzindo o potencial de crescimento da economia como um todo.

O crescimento da produção industrial é particularmente importante porque, em geral, sinaliza tendência positiva dos demais setores da economia (comércio e serviços). Já o crescimento das vendas do comércio nem sempre reflete em aumento das vendas da indústria, pois os comerciantes podem estar aproveitando para desovar antigos produtos ou que foram importados. O aumento da sua produção é o ponto de partida para uma cadeia de eventos que, geralmente, tem impacto positivo sobre o crescimento da economia.

O real empecilho à indústria nacional, longe de ser o câmbio, sempre foi a carga tributária, a inflação monetária, a burocracia, as regulamentações restritivas, as restrições às importações, a infraestrutura precária, os sindicatos e os encargos sociais e trabalhistas. Aqueles que defendem a desvalorização cambial como sendo benéfica para a indústria estão defendendo a redução do poder de compra da população, sendo o mesmo que defender redução salarial.  

Uso da capacidade produtiva - Este dado é a proporção da capacidade produtiva total que está sendo utilizada no período considerado. Os índices de utilização de capacidade instalada ajudam a explicar mudanças nos investimentos, na produtividade ou na inflação. Este indicador é também um indicador importante para se analisar a atividade econômica no curto prazo, sendo relevante para o governo acompanhar devido as suas ações para estimular a atividade econômica usando políticas públicas como melhoria das condições de crédito para incentivar o investimento (usando os bancos públicos, as taxas de juros, etc).

Índice de Preços ao Produtor IPP - Seu âmbito inicial são as indústrias de transformação. Tem como principal objetivo mensurar a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, bem como sua evolução ao longo do tempo, sinalizando as tendências inflacionárias de curto prazo no País. Constitui, assim, um indicador essencial para o acompanhamento macroeconômico e, por conseguinte, um valioso instrumento analítico para tomadores de decisão, públicos ou privados. Nos Estados Unidos esse indicador se chama PPI (Producer Price Index).

O IPP investiga, em 1 400 empresas, os preços recebidos pelo produtor, isentos de impostos, tarifas e fretes e definidos segundo as práticas comerciais mais usuais. Os produtos coletados são especificados em detalhe (aspectos físicos e de transação), garantindo assim que sejam comparados produtos homogêneos ao longo do tempo. Com isso, coletam-se cerca de 5 000 preços mensalmente.

Índice de Preços ao Produtor Amplo - Registra variações de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais, isto é, nos estágios de comercialização anteriores ao consumo final. O IPA tornou-se cada vez mais um índice de preços de venda de produtos em nível de produtor nos setores agropecuário e industrial.

Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil - Efetua a produção de custos e índices da construção civil, a partir do levantamento mensal de preços de materiais e salários pagos na construção civil. Tem como unidade de coleta os fornecedores de materiais de construção e empresas construtoras do setor.

INCC - O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) é o principal indicador de custo da construção civil no Brasil. O índice mede a evolução dos custos de construções habitacionais nas dezoito principais capitais de estados do país.

“Numa empresa em dificuldades tão logo um problema é resolvido outro vem à tona – nunca existe só uma barata na cozinha.”
Warren Buffett

Sondagens de confiança – As sondagens de tendência são levantamentos estatísticos que geram informações usadas no monitoramento da situação corrente e na antecipação de eventos futuros da economia. Por produzirem sinalizações de tendência econômica com muita rapidez, geralmente no próprio mês da coleta de dados, são amplamente utilizadas mundialmente como indicadores antecedentes de atividade econômica, ferramentas indispensáveis a empresários, governos e entidades de classe na análise de conjuntura e tomada de decisões.

As informações obtidas por meio das sondagens permitem análises empresariais e concorrenciais, contribuem para o aperfeiçoamento do planejamento de nível de produção, ao acompanhamento dos movimentos de absorção e liberação de mão-de-obra nos diferentes segmentos da economia, ao conhecimento dos planos de investimento do setor produtivo nacional ou de setores específicos e à projeção da evolução de preços setoriais.

Índice de Confiança da Indústria - É um indicador antecedente utilizado para identificar mudança de tendência na produção industrial, ou seja, para auxiliar na previsão do produto industrial e, por conseguinte, do PIB. Empresários confiantes tendem a aumentar o investimento e a produção para atender o esperado crescimento na demanda. A Sondagem da Indústria oferece avaliações e expectativas deste setor para variáveis relevantes da atividade econômica como:

• nível de demanda interna e externa;
• nível de estoques;
• nível de utilização da capacidade instalada;
• expectativas em relação à produção, ao emprego e à situação dos negócios no futuro próximo;

Permite comparar as expectativas da empresa com a média do setor; avaliar a situação do segmento; fornece indicações sobre o momento atual e tendências de curto prazo do setor industrial brasileiro, constituindo-se em subsídio para a tomada de decisões empresariais, análises econômicas nos meios acadêmicos e de consultoria e formulação de políticas econômicas pelo Governo. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Purchasing Managers Index (PMI).

O PMI é um índice composto e baseado nos cinco maiores indicadores que incluem: novos pedidos, níveis de inventários, produção, entregas de suprimento, e desenvolvimento do Emprego. Cada indicador tem um peso diferente e os dados são ajustados por fatores sazonais. Um índice PMI acima de 50 indica que a indústria de transformação está expandindo enquanto que abaixo de 50 significa que está contraindo. O relatório PMI é um indicador extremamente importante para os mercados financeiros assim como também é o melhor indicador de como está a produção nas fábricas. O índice é popular por detectar pressão inflacionária bem como anda a atividade econômica industrial.

Philadelphia Fed Index (Business Outlook Survey) - A Pesquisa de Perspectiva de Negócios é uma pesquisa mensal de fábricas localizadas ao redor dos estados de Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware. As companhias pesquisadas indicam a direção das mudanças em todas as suas atividades de negócios e nas várias medidas de atividade em seus parques fabris.

É considerado um bom indicador de mudanças em tudo relacionado a emprego, preços gerais e condições dentro das indústrias de transformação. Aliás, este setor da indústria é considerado como o precursor das condições econômicas futuras e ele prepara o terreno em direção a uma recuperação econômica. Por exemplo, numa econômica fraca se a indústria de transformação começa a contratar há uma expectativa de que a economia comece a melhorar mais adiante.

"Trabalhar duro por algo em que não se acredita chama-se estresse. Trabalhar duro por algo em que se acredita chama-se propósito".

Gastos de Consumo / Confiança do Consumidor - É uma pesquisa mensal que procura captar o sentimento do consumidor em relação ao estado geral da economia e de suas finanças pessoais. Quando o consumidor está satisfeito e otimista em relação ao futuro tende a gastar mais; quando está insatisfeito e pessimista gasta menos. A confiança do consumidor, portanto, atua como fator redutor ou indutor do crescimento econômico. O monitoramento do sentimento do consumidor tem o objetivo de produzir sinalizações de suas decisões de gastos e poupança futuras, constituindo indicadores úteis na antecipação dos rumos da economia no curto prazo. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Consumer Confidence Index – CCI.

O consumo torna-se possível pela renda pessoal e pela renda sem restrições. A decisão do consumidor de gastar ou poupar é psicológico por natureza. A confiança do consumidor também é medida como um indicador da propensão dos consumidores que possuem uma renda sem restrições para mudar da poupança para os gastos. A Sondagem das Expectativas do Consumidor produz indicadores sobre o monitoramento do sentimento do consumidor, tais como:
• decisões de poupanças e gastos futuros;
• sinalizadores dos rumos de curto prazo da economia;
• avaliações e expectativas sobre a situação econômica local;
• situação financeira da família, mercado de trabalho e intenção de compras de bens duráveis;

O aumento das vendas do comércio é importante, não só porque pode permitir um aumento da produção de bens, mas também porque sinaliza que as pessoas estão com mais dinheiro no bolso para gastar. Em geral, quando isso acontece o setor de serviços também é beneficiado, o que impulsiona ainda mais o crescimento da economia. A ideia por trás do índice de confiança do consumidor é que quando a economia garante mais empregos, salários mais altos e taxas de juros mais baixas, aumenta a confiança e poder de consumo. Sendo o oposto também verdadeiro durante períodos de contração econômica, quando a confiança diminui.

Índice de Confiança do Comércio - Tem como objetivo medir a percepção que os empresários do comércio têm sobre o nível atual e futuro de propensão a investir em curto e médio prazo. É um indicador antecedente de vendas do comércio, a partir do ponto de vista dos empresários comerciais, tornando-o uma ferramenta poderosa para o varejo, fabricantes, consultorias e instituições financeiras. O objetivo é detectar as tendências das ações empresárias do setor. A Sondagem do Comércio produz avaliações e expectativas deste setor para variáveis relevantes da atividade econômica, tais como:

• observações nos últimos três meses em relação: vendas e emprego;
• volume de demanda atual;
• volume de compras atual;
• crédito;
• fatores limitativos;
• expectativas em relação: vendas, emprego, compras, e tendência dos negócios no futuro próximo.

Índice de Confiança da Construção - Mede a percepção dos empresários do setor sobre sua situação atual e as expectativas para os próximos meses. A pesquisa gera, mensalmente, um conjunto de informações usadas no monitoramento e antecipação de tendências econômicas da construção civil. Um incremento na atividade futura do setor de construção civil produz um efeito multiplicador, impulsionando outros setores da economia. A Sondagem da Construção produz avaliações e expectativas deste setor para variáveis relevantes da atividade econômica, tais como:

• situação atual dos negócios;
• evolução recente da atividade;
• capacidade produtiva;
• crédito;
• fatores limitativos;
• expectativas em relação: demanda, emprego, e tendência dos negócios no futuro próximo.

“Trinta anos atrás, ninguém poderia ter previsto o imenso impacto da Guerra do Vietnã, de duas crises do petróleo, da renúncia de um presidente, da dissolução da União Soviética (…). Diferentes choques ocorrerão nos próximos 30 anos. Não tentaremos prevê-los, mas sim lucrar com eles. O medo é inimigo dos imediatistas e aliado dos fundamentalistas.”
Warren Buffett

Dados da Construção Civil - O indicador de construção constitui em um grupo significativo incluído no cálculo do PIB dos Estados Unidos. Ainda, o mercado imobiliário tem sido o motor que avança a economia dos EUA para fora das recessões após a Segunda Guerra Mundial. Esses indicadores são classificados em três categorias principais: 1. Construções e alvarás de habitações, 2. Vendas de casas novas e existentes de uma só família, 3. Gastos com construção. Os indicadores de construção são cíclicos, muito sensíveis ao nível das taxas de juros (e, consequentemente, às taxas de hipoteca) e ao nível de renda disponível. No entanto, baixas taxas de juros por si só podem não ser capazes de gerar uma alta demanda por habitação.

Housing Starts – Este indicador econômico rastreia quantas novas moradias ou edifícios são construídos durante todo o mês. É considerado como um indicador líder, isso significa que ele detecta tendências futuras na economia. Um declínio no índice mostra que a economia está lenta, enquanto que uma alta no índice de atividade de novas moradias pode empurrar a economia fora de uma situação de economia fraca.

Levantamento Sistemático da Produção Agrícola IBGE – Obtém informações mensais sobre previsão e acompanhamento de safras agrícolas, com estimativas de produção, rendimento médio e áreas plantadas e colhidas, tendo como unidade de coleta os municípios. Compreende a estatística da Produção Agrícola mensal do país.

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Índices Especiais de Bens de Capital – O objetivo geral desse índice especial é, a partir de recortes específicos sobre a amostra de produtos da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física – PIM-PF, ampliar a capacidade de entendimento da evolução da atividade industrial no curto prazo. Neste caso, o objetivo é gerar índices mensais que informem sobre o movimento da produção de máquinas, equipamentos e peças, segundo o destino predominante desses bens. Com isso, busca-se identificar o comportamento do investimento segundo os setores demandantes.

Os produtos foram agrupados sob a seguinte tipologia: Bens de Capital Para Fins Industriais (Seriados e Não-Seriados); Bens de Capital Agrícolas; Peças Agrícolas; Bens de Capital para Construção; Bens de Capital para o Setor de Energia Elétrica; Bens de Capital para Equipamentos de Transporte; e Bens de Capital de Uso Misto.

Número de Pedidos à Indústria - Reflete as novas ordens de pedido às indústrias de bens duráveis, mostrando o uso da capacidade total do setor e o nível de aquecimento econômico. Os bens não duráveis incluem alimentos, vestuário, produtos industriais leves, e produtos desenvolvidos para a manutenção dos bens duráveis. Os Bens Duráveis consistem em produtos com vida útil maior do que três anos. Alguns exemplos são automóveis, eletro-eletrônicos, móveis, joalheiros e brinquedos. Eles são divididos em quatro categorias principais: metais primários, maquinário, maquinário elétrico, e transporte. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Durable Goods Orders.

Volume de Vendas do Varejo / Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) Mede o volume das vendas das lojas de varejo que comercializam tanto bens duráveis como não duráveis. Esse indicador mostra a tendência de consumo da população, influenciando nas estimativas futuras para a força da demanda do consumidor e a confiança na economia. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Retail Sales. A partir da receita bruta de revenda investigada são construídos indicadores para duas variáveis: Receita Nominal de Vendas e Volume de Vendas. Para a análise do consumo, este dado pode ser acrescentado ao das vendas de veículos, que geralmente é divulgado primeiro e é, em alguns países, uma boa forma de se estimar o consumo.

“Desde a aurora da civilização as pessoas não se dão por satisfeitas com a noção de que os eventos são desconectados e inexplicáveis. Sempre ansiamos por compreender a ordem subjacente do mundo”.
Stephen Hawking

Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) - Produz indicadores que permitem acompanhar o comportamento conjuntural do setor de serviços no Brasil, investigando a receita bruta de serviços nas empresas formalmente constituídas, com vinte ou mais pessoas ocupadas, que desempenham como principal atividade um serviço não financeiro, excluídas as áreas de saúde e educação. O setor de serviços é responsável por mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O setor também é o principal destino dos investimentos estrangeiros diretos no país e o maior gerador de empregos diretos para a população brasileira.

Indicadores Líderes - Os indicadores líderes são compostos por indicadores que antecipam mudanças futuras na economia, por serem mais sensíveis, reagem mais rápido às mudanças em relação aos demais indicadores. São compostos pelos seguintes indicadores econômicos:
• Semana de trabalho média de trabalhadores da manufatura.
• Média semanal de entradas no seguro desemprego.
• Novos pedidos por materiais e bens ao consumidor (ajustados para a inflação).
• Desempenho de fornecedor.
• Contratos e pedidos para fábricas e equipamentos (ajustados para a inflação).
• Emissão de alvarás para novas construções.
• Mudança nos pedidos não supridos de fabricantes, bens duráveis.
• Mudança nos preços de materiais sensíveis.

Indicadores de emprego – A taxa de emprego é um indicador econômico com importância em diversas áreas. Naturalmente, mede a solidez de uma economia e também é o indicador de uma economia desacelerada. Refere-se à mão de obra como fator de produção. Períodos de alto desempenho econômico obviamente reduzem o nível de desemprego e aumentam a confiança dos empresários. Essas variáveis, que representam a demanda do mercado de trabalho, são consideradas antecedentes ao nível da atividade econômica porque refletem as expectativas quanto à produção futura.

É um aspecto importante a se lembrar, especialmente em tempos de recessão econômica, quando a política econômica foca-se na saúde e recuperação do setor de empregos. Neste contexto, o emprego é o último indicador econômico a se recuperar. Quando a contração econômica causa cortes de emprego, leva-se muito tempo para gerar confiança psicológica na recuperação da economia no nível gerencial até que novos empregos sejam gerados. Com a renda e a geração de empregos estagnados, os gastos do governo com a seguridade social aumentam muito mais do que arrecadação tributária, o que faz crescer os déficits orçamentários, que exigem aumento dos impostos e endividamento público. 


Os relatórios de emprego são importantes para os mercados financeiros em geral, bem como para o mercado de câmbio em particular. No mercado de câmbio, os dados são realmente afetados em períodos de transação econômica — recuperação e contração. A razão para a importância dos indicadores em situações econômicas extremas se dá na imagem que projetam sobre a saúde da economia e no grau de maturação de um ciclo comercial. Um valor decrescente de desemprego sinaliza um ciclo de expansão econômica, enquanto que um valor crescente indica recessão.

O aumento da produtividade é o principal impulsionador do crescimento econômico e provedor de melhores condições de vida para a população, pois reduz a pobreza a desigualdade. Assim, uma maior integração e participação do país na economia global, juntamente com o aumento da competitividade interna, estimularia o investimento e a produtividade, reduzindo o desemprego e tornando o país mais competitivo no mercado externo. Contudo, desde 1990 a produtividade média no Brasil vem diminuindo gradualmente ao longo dos anos. O crescimento econômico neste período foi proveniente predominantemente do fator demográfico, visto que um maior número de pessoas ingressou no mercado de trabalho, e em menor grau pelo investimento em bens de capitais, o qual tem diminuído desde 2011. É importante ressaltar que o fator demográfico já não contribui da mesma forma como fez no passado como suporte para o crescimento do país, visto que a cada ano uma menor quantidade de jovens ingressam no mercado de trabalho ao mesmo tempo em que o percentual de idosos e aposentados aumenta, gerando na verdade uma restrição no potencial de crescimento futuro da economia.


A competição externa fica impedida no país por altas tarifas de importação e barreiras administrativas e regulatórias que acabam privando o Brasil do acesso à bens de capitais, serviços e oportunidades de comércio no exterior para privilegiar grupos empresariais locais. As tarifas de importação são ainda maiores para os bens de capitais e insumos, o que impede o aumento da produtividade e eleva os preços dos produtos, inclusive aqueles fabricados no país.

A pressão da competição externa acaba por reduzir a ineficiência da indústria local, obrigando-a a investir em tecnologias e meios de produção mais eficientes e mais produtivos, bem como a produzir produtos de melhor qualidade e a menores preços, em razão de não mais dispor da reserva de mercado interno. À medida que os trabalhadores e os investimentos são direcionados para as empresas mais produtivas e eficientes a economia como um todo cresce e se torna mais produtiva, sem contudo que esse processo gere a substituição em massa dos produtos nacionais pelos importados.

A OCDE estima que um aumento de 4% na produtividade do trabalhador poderia ser obtido através da redução de tarifas e barreiras de importações. O aumento da competitividade no mercado interno impulsionaria as exportações em 14%, facilitando o aumento na criação de renda para os trabalhadores. Os preços dos produtos nos mercados internos seria reduzidos em média em 6%. Além disso, esses valores tendem a se tornarem maiores à medida que o desemprego vai sendo reduzido e uma parcela maior da população passa a ter uma maior capacidade de consumo, estimando-se um aumento inicial de 4% no comércio de bens de consumo.

É fundamental que o aumento da produtividade provenha uma base não apenas para futuros aumentos salariais, mas também para sustentar os salários atuais. O patamar da média salarial no país atualmente se encontra acima da média de países similares ao Brasil. Além disso, foram concedidos sucessivos aumentos no salário mínimo pelo governo ao longo dos últimos 20 anos. Apesar de terem reduzido as desigualdades, caso essa política seja mantida a tendência é que como resultado gere um grande aumento no desemprego e na informalidade, principalmente dentre aqueles menos qualificados (a maioria), visto que o alto custo com impostos, encargos e salários obrigara os empresários a reduzirem o número de funcionários de forma a tornar possível manterem seus negócios funcionando, gerando um efeito cascata que prejudica ainda mais a economia. De fato, cerca de 55% dos trabalhadores brasileiros tem renda igual ou abaixo do salário mínimo e um terço dos empregos são informais.

É incoerente que o aumento do acesso à educação nos últimos 20 anos não tenha vindo acompanhado do aumento do nível intelectual, educacional e qualificatório dos alunos, tampouco na qualidade da educação. Mesmo o Brasil apresentando um elevado gasto com educação, cerca de 6.2% do PIB, acima da média da OCDE, o país ocupa as últimas posições nos rankings internacionais, muito abaixo dos demais países latino americanos (exceto por Cuba e Venezuela), e piora a cada ano. As altas taxas de desistência no ensino médio e também no superior refletem os baixos níveis cognitivos e de habilidades sociais dos alunos decorrentes da falta de investimento em creches, na educação básica e no ensino técnico, o que além disso impede que um grande percentual das mulheres de baixa renda ingressem no mercado de trabalho.


Nos Estados Unidos, o Employment Situation Report é um indicador mensal que se refere ao desemprego e aos novos empregos criados. O relatório diz a taxa de desemprego e a mudança na taxa de desemprego. A segunda parte do relatório contém informações como a média semanal de horas trabalhadas e a média de recebimentos por hora trabalhada. Esta média é importante para determinar a tensão no mercado de trabalho, a qual é a maior determinante de inflação.

E, assim como os índices de inflação, este indicador é acompanhado de perto pelo mercado juntamente com o initial claims (Pedidos de Seguro-Desemprego, que refletem o número de pessoas que pela primeira vez apelaram aos órgãos públicos para obter seguros de desemprego, na semana passada. Em outras palavras, o indicador reflete quantas pessoas perderam seus empregos durante o período do relatório.

“Eu seria um mendigo pedindo esmolas nas ruas com uma caneca na mão se os mercados fossem eficientes”.
Warren Buffett

A macroeconomia e a microeconomia estão intimamente ligadas, e como as mudanças na economia resultam das decisões de milhares de pessoas, é impossível entender os desdobramentos macroeconômicos sem considerar as decisões microeconômicas a eles associadas. O objetivo da análise econômica, além de fornecer subsídios para a análise dos ativos, é antecipar possíveis movimentos da economia do país antes que essa informação se torne um consenso para o mercado, ou seja, a análise deve possibilitar ao investidor se antecipar em relação ao restante do mercado, além de embasar a sua tomada de decisão.

Em geral, quanto melhor for o desempenho da empresa e as suas características individuais (pontos fortes) e de seu ambiente (oportunidades), melhor ela irá superar condições macroeconômicas adversas (ameaças) e manejar as suas fraquezas. Atualmente, o maior desafio da macroeconomia no Brasil é encontrar uma maneira de reagir à desaceleração do nosso crescimento. A grande dificuldade é conseguir criar e implementar um plano de desenvolvimento de curto prazo para reagir à recessão econômica.

Estudos apresentados recentemente no The Wall Street Journal comprovam que em quase todos os 11 declínios econômicos dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, o Dow Jones atingiu seu ponto mais baixo da recessão e começou a subida seis meses antes do início da recuperação da economia. Geralmente, os investidores ficam ansiosos para comprar papéis antes da recuperação econômica porque quando eles sobem depois de uma recessão os ganhos são consideráveis, conforme fora percebido no período de 2009 a 2010, após a crise de 2008.

Os mercados de capitais são mais do que simplesmente uma medida da expectativa do investidor. Eles são uma medida de confiança. Existem evidências de que a movimentação no mercado de capitais possui desempenho antecedente em relação à atividade econômica. Numa época em que a maior parte dos males da economia reside na crise de confiança, em que tanto os consumidores quanto os empresários estão tão inseguros quanto ao futuro que cortam ao máximo as despesas, uma alta no mercado de capitais é um importante sinal de que a maré pode estar começando a virar, sendo um importante estímulo de confiança na economia.

O investidor pode buscar antecipar a tendência de crise monitorando os sinais identificados na conjuntura dos indicadores econômicos como oferta monetária (e crédito) com taxas de crescimento estagnadas ou em queda, curva de juros invertida, aceleração nos índices de preços ao consumidor, aumento generalizado dos custos, principalmente nas empresas mais afastadas do consumo final. Dessa maneira ele tentará direcionar os seus investimentos para setores que, em tese, serão menos afetados, ou mesmo, que se beneficiarão neste cenário.

Os mercados acionários, em tese, seguem os indicadores econômicos e as notícias das empresas que compõem os principais benchmarks; na teoria. Contudo, a prática mostra que as bolsas têm seus meios de contrariar a lógica, se movendo em sentido contrário ao dos fundamentos econômicos e corporativos. A maior parte das informações financeiras disponíveis dá ênfase nas opiniões e na tendência de curto prazo, na reação do mercado às notícias e à popularidade de determinada empresa. Investidores veteranos estão mais focados para o longo prazo, exatamente onde a análise fundamentalista tem maior valor. Investem embasados por resultados e fundamentos com consciência e razão ao invés de seguirem impulsos e o imediatismo. Investir no longo prazo é em muitos aspectos uma atitude mais madura e responsável.

"Se você quiser especular faça com os olhos abertos, sabendo que provavelmente você irá perder dinheiro no final; lembre-se de limitar a quantidade de dinheiro em risco e separe-a completamente da sua estratégia de investimento de longo prazo".
Benjamim Graham

Corretoras, bancos e a mídia em geral dão muita ênfase no day trade e na ilusão do enriquecimento rápido. Estimulam diversas estratégias de operação, algumas sem a menor coerência e que acabam tendo baixa rentabilidade. Estratégias mais conservadoras de buy and hold e reinvestimento de dividendos parecem desinteressantes diante desse enfoque. O investidor Warren Buffett sempre defendeu que mais importante do que fazer previsões econômicas, as quais muitas vezes sequer se realizam, é investir em ações de empresas que vem apresentando resultados positivos consecutivos ao longo dos anos, seja durante períodos de bonança econômica ou de crise.

Portanto, é preciso avaliar o mérito das informações e opiniões em relação aos fundamentos, confirmando-as ou não. Caso contrário, estará investindo a partir de ideias preconcebidas, seguindo a mentalidade da massa ou dicas que não possuem fundamento algum, e que no longo prazo geram mais perdas do que ganhos. Investidores que buscam retorno rápido operando no curto prazo ficam mais focados no jogo de compra e de venda do que na formação de uma carteira de investimento composta por ações de empresas que vêm apresentando bons fundamentos ao longo dos anos.

Muitos dos que estudam os fundamentos e indicadores econômicos acreditam de certa forma que o mercado possa ser previsível. As pessoas querem acreditar que através de um extenso estudo dos fundamentos poderão prever os valores futuros das ações de uma empresa com tal precisão que sempre ganharão dinheiro. Esse tipo de crença, apesar do correto desejo de minimizar o risco, retira a capacidade de julgamento. O grande propósito da análise fundamentalista não é lhe fornecer informações privilegiadas ou algo do tipo, mas lhe ajudar a direcionar seus esforços na direção certa, a desenvolver a sua perspicácia e confirmar as suas crenças e, dessa maneira, dar suporte para a sua tomada de decisão.

É importante frisar que os fundamentos, apesar de estarem sólidos, podem ser deixados de lado pelo mercado, que de uma hora para outra pode mudar a direção dos preços. Mesmo que uma empresa apresente uma excelente performance histórica e possua ótimos fundamentos o mercado pode entrar numa tendência de baixa em razão de algum acontecimento, ou mesmo, porque os preços estão supervalorizados e é conveniente para os investidores institucionais realizarem o lucro. A análise fundamentalista feita na empresa pode estar correta e coerente à realidade, mas ainda assim o preço de suas ações pode cair. Esse é o risco do mercado e, conforme dito anteriormente, o sucesso está em controlar o risco e gerenciar o seu capital.

“O tempo é utilizado de maneira mais sábia quando se busca comprar ações de empresas cujos negócios geram lucro em qualquer conjuntura econômica do que fazendo trades no curto prazo em ações de empresas que se beneficiarão apenas caso as suas suposições econômicas se concretizarem”.
Warren Buffett

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Análise Setorial e Conjuntura de Mercado

Um setor é caracterizado por agrupar empresas que possuem uma estrutura produtiva semelhante ou que oferecem bens e serviços similares. Quanto melhor for conhecido o ambiente de atuação da empresa melhor ela poderá ser avaliada. Portanto, é imprescindível que o investidor realize um estudo macroeconômico, onde devem ser levados em conta os elementos conjunturais que servem como pano de fundo para a performance da empresa analisada, considerando que ela é parte de um contexto maior de atividades integradas e que interagem com cadeias produtivas, arranjos concorrenciais, dentre outros condicionamentos setoriais.

O segundo passo é a avaliação do setor no qual a companhia se insere, as suas potencialidades, estatísticas de evolução dos últimos anos, comparações com outros países, condições de concorrência, barreiras protecionistas internas ou externas, facilidade de obtenção dos insumos de produção, formação de preços e tudo mais que possa interferir nas condições normais de atividade do setor, fornecendo informações e identificando tendências que possam impactar os resultados do seu negócio.

A análise setorial consiste em correlacionar o desempenho da indústria com o desempenho da economia, isto é, identificar a tendência macroeconômica e sua relação com o setor econômico. Avalia-se o tamanho e representatividade do setor, as barreiras de entrada e de saída, a concorrência e o nível de competição, o efeito da regulação do governo, os impactos tecnológicos e estruturais, o seu faturamento e os fatores que influenciam na demanda por seus produtos e/ou serviços, a sua tendência de crescimento e os principais fatores que a influenciam, bem como o seu histórico e a sua variabilidade ao longo dos anos e, principalmente, a expectativa do mercado em relação ao seu futuro.

E por fim, correlacionar o desempenho da empresa com o desempenho do setor. Este tipo de análise comparativa tem resultados bastante fidedignos, pois as empresas atuam num mesmo setor e, provavelmente, atendem ao mesmo público e estão submetidas da mesma forma às mesmas variáveis e influências internas e externas. Em termos práticos implica em avaliar o número de empresas que compõe o Setor, seus percentuais de participação e a concentração no mesmo, o que pode ser indicado verificando o percentual que a receita líquida de cada empresa representa frente a receita líquida do setor, as tendências de seus lucros, patrimônios líquidos, bem como a eficiência operacional, de forma a identificar aquelas que estão ganhando e perdendo espaço no setor.

Assim, pode-se para determinar o posicionamento e o potencial de desenvolvimento de uma empresa em relação ao seu setor de atuação. Para isso, são analisados fatores conhecidos como forças competitivas, tais como o nível de concorrência, a ameaça de novos entrantes ou de produtos substitutos e o poder de barganha dos consumidores e fornecedores. Essas forças permitem identificar se existem mais oportunidades ou ameaças para a empresa, procurando quantificá-las sob a forma de premissas para a realização de projeções quanto à: preços praticados, estrutura de demanda, estrutura de oferta, estrutura mercadológica, concorrência, fornecimento, tecnologia empregada e qualidade da mão de obra.

Isso permite ao investidor conhecer o contexto econômico em que a empresa está atuando e, principalmente, as suas concorrentes, possibilitando-o avaliar as oportunidades e as fraquezas e identificar tendências que possam impactar nos negócios do setor, bem como os indicadores macroeconômicos que o influenciam diretamente. Fornece informações que permitirão identificar fatores de risco e oportunidades de investimentos, além da avaliação do desempenho dessas empresas, servindo de base para a análise microeconômica e para estimativa de projeções e de cenários futuros. A mensuração da estratégia competitiva da empresa e dos principais direcionadores do seu setor também facilita avaliar se seus resultados atuais são sustentáveis.

“Grandes oportunidades de investimentos surgem quando empresas excelentes estão cercadas de circunstâncias incomuns que fazem com que suas ações sejam subvalorizadas.”
Warren Buffett

Suponha que as perspectivas de um determinado setor de atividade econômica sejam bastante promissoras, neste caso a análise comparativa entre as empresas deste setor poderia determinar a decisão sobre em qual das empresas investir. A análise setorial ajuda o investidor a entender melhor a dinâmica da economia e o impacto dos indicadores macroeconômicos, das commodities e das influências econômicas de outros países nas atividades das empresas, mostrando-se uma importante análise para auxiliar o processo de tomada de decisão. O ciclo econômico é formado por um padrão recorrente de recessões e de recuperações da economia em que os diferentes setores são afetados de maneiras diferentes.

É importante identificar e saber separar o risco que afeta temporariamente o preço de uma ação, dos riscos inerentes ao gerenciamento e à operação do negócio. Os riscos que afetam os negócios podem ser permanentes. E neste caso, mesmo com prejuízos, a venda das ações pode ser a única alternativa. Assim, reconhecer a sensibilidade do setor é crucial para a realização da análise, uma vez que cada um pode reagir de maneiras diferentes, o que irá interferir na definição de uma previsão adequada para o setor analisado. Para se determinar isso, são analisados fatores como os impactos sobre o lucro nos diferentes ciclos econômicos, os impactos sobre as vendas, a alavancagem operacional e alavancagem financeira.

Cada setor da economia tem a sua própria dinâmica e responde de maneira diferente às variações no cenário macroeconômico e político. Assim, torna-se imprescindível que o investidor conheça as tendências para a oferta e para a demanda no segmento de atuação da empresa em que pretende investir, para os mercados consumidores de seus produtos e serviços e para os setores aos quais pertencem seus principais fornecedores e a tendência dos preços dos principais insumos que afetam a sua margem de lucro.


Em 2019 o Brasil apresentou um PIB de 4,13 trilhões de Reais em valores reais, descontado o efeito da inflação (R$ 7,25 trilhões em valores correntes). Sendo o PIB um produto, o mesmo pode ser interpretado sob o ponto de vista da oferta e da demanda, identificando dessa forma os setores que mais contribuíram para a produção de valor e os setores que mais contribuíram no consumo do valor produzido. Assim, pela ótica da oferta, temos um panorama geral sobre tudo o que é produzido dentro de um país. Do lado da oferta, entram os Setores:

- Serviços: É o setor que tem a maior participação no PIB. Em 2019 o setor respondeu por 63,25% do PIB. É composto pelos subsetores:
Comércio - Respondeu 18,56% da produção do setor de serviços 
Transporte, armazenagem e correio, 5,84%
Informação e comunicação, 4,63%
Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, 9,28%
Atividades imobiliárias, 13,44%
Outras atividades de serviços, 23,88%
Administração, saúde e educação públicas e seguridade social, 24,37%

- Indústria: Soma toda a produção de bens manufaturados no Brasil. Em 2019 o setor respondeu por 17,92% do PIB. É composto pelos subsetores:
Indústrias de transformação, respondendo por 52,67% da produção da indústria
Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, 15,22%
Indústrias extrativas, 14,39%
Construção, 17,72%

- Agropecuária: Mede as atividades de cultivo agrícola e criação de animais. Em 2019 o setor respondeu por 4,44% do PIB.

- Impostos líquidos sobre produtos: Representa o valor total dos impostos indiretos (impostos sobre consumo) descontados os subsídios. Em 2019 representou 14,39 % do PIB.


"Um fator chave nos investimentos é lembrar que ações não são bilhetes de loteria!"
Peter Lynch

O principal setor da economia são os serviços, respondendo por 63% da geração de valor, com peso relevante das atividades imobiliárias, comércio, setor público e das 12 atividades que compõem o grupo outros serviços, como alojamento, alimentação, educação e saúde privados, cultura e esporte. Entre os serviços, um dos principais componentes são os aluguéis, com participação de 8% no PIB (mais que a agropecuária).

O segundo maior setor é a indústria, respondendo por 18% do PIB de 2019. A indústria de transformação (fabricação de alimentos, têxteis, máquinas, automóveis etc.) representa mais da metade do setor. A outra metade se divide em três partes praticamente iguais: construção 3%, segmento extrativo (como petróleo e mineração) e produção e distribuição de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana.

O valor adicionado pela agropecuária corresponde a 4,4% do PIB de 2019. O dado é apurado a partir de pesquisas do próprio IBGE para agricultura, pecuária, produção florestal e pesca e aquicultura, não incluindo todos os setores industriais do agronegócio, o qual na totalidade representa 21,4%. Ao valor adicionado pelos três setores é somado o imposto líquido sobre a produção, que é parte do preço do produto.


Já pela ótica da despesa é possível conhecer a soma de todos os gastos que levam à expansão da economia, ou seja, o destino do que foi produzido, indicando a demanda ou o poder de compra no país. Nesse caso, trata-se da soma da despesa de consumo de bens e serviços das famílias e do governo, da parcela destinada ao investimento e das exportações, descontadas as importações. Do lado da demanda entram os Setores:

- Despesa de consumo das famílias: Soma todas as despesas de consumo da população no mercado interno (supermercado, transporte, aluguel, crédito etc). Em 2019 representou 64,94 % da demanda do PIB.

- Gastos do governo: A despesa de consumo do governo não corresponde ao gasto público total, mas ao custo dos serviços oferecidos por União, estados e municípios, como insumos, salários de servidores, programas sociais e a Previdência Social. Não inclui investimento, nem transferência de renda. Em 2019 respondeu por 20,28% da demanda do PIB.
Seguridade social e os serviços da administração pública 11% da demanda do setor
Educação pública 5%
Saúde pública 3%
Saúde privada e produtos farmacêuticos 1%

- Investimento Privado: Soma das despesas em investimentos das empresas como a ampliação de fábricas (construção não residencial) ou a compra de equipamentos para expandir a produção (bens de capital), bem como a variação de estoques e matérias-primas. Em 2019 respondeu por 15,11% da demanda. 
A construção responde por metade do investimento, 8% da demanda do PIB. 
Máquinas e equipamentos também têm participação relevante 6%. 
O restante são produtos de propriedade intelectual e outros ativos, como equipamentos bélicos e recursos biológicos 2%.
O setor privado responde por 84% dos investimentos; o governo (nas três esferas), por 11%; e as estatais, por 5%.

- Exportação de bens e serviço: Em 2019 respondeu por 14,32% da demanda do PIB. A diferença entre importações e exportações representam a balança comercial. Caso as exportações sejam maiores que as importações, tem-se superávit comercial, em caso contrário, déficit comercial. As exportações são afetadas por 5 variáveis: preços internos, preços externos, taxa de câmbio, PIB externo e PIB interno. Como parte do investimento e do consumo de famílias e governo são produtos e serviços importados, que não foram produzidos no Brasil e, portanto, fazem parte do PIB de outro país, é necessário subtrair o valor das importações (14,65%) para que o PIB da ótica da demanda seja igual ao PIB da ótica da oferta.

“No momento em que todas as pessoas acreditarem em algo a oportunidade já haverá passado”.
Michael C. Thomsett

Existem vários exemplos de produtos e serviços maravilhosos feitos por empresas que têm um péssimo negócio, em que todo ou quase todo o valor é revertido para os impostos e para os seus fornecedores, colaboradores e consumidores, e pouco ou nada é auferido pelo produtor. A análise setorial ajudar a compreender como as variações nos indicadores macroeconômicos irão influenciar um determinado setor da economia e, principalmente, uma determinada empresa. A desvalorização cambial, por exemplo, tende a ser favorável para os setores e as empresas cuja maior parte de suas receitas provenham das exportações. A forma como a macroeconomia afeta uma determinada empresa ou um setor tende a influenciar diretamente nas cotações, havendo grande correlação entre as variações nos indicadores econômicos que beneficiam o resultado da empresa e as variações no preço de suas ações.

A análise por múltiplos também deve ser aplicada à análise setorial. Apesar de ser mais trabalhosa, visto que é necessário calcular os índices de todas as empresas que compõe o setor para então calcular as médias setoriais, estas servirão como importantes benchmarks para avaliar e comparar a performance, o risco e o valor tanto do próprio setor como das empresas que o compõem. Servirão também como parâmetro de comparação com os demais setores. Assim, o investidor buscará dentre os diferentes setores aqueles que vêm apresentando as melhores performances e os menores riscos de acordo com os valores e as tendências dos seus indicadores de rentabilidade, liquidez e endividamento.

Tendo selecionado os melhores setores de acordo com a sua avaliação, o investidor irá selecionar dentre as empresas que compõe o setor aquelas que vêm apresentando performances acima da média e riscos abaixo da média. A partir daí, através dos Índices de preço (P/L, PSR, VPA, P/VPA, EV/EBITDA) e da análise dos preços de mercado através da análise técnica o investidor irá avaliar o melhor momento para investir nessas empresas, de forma a evitar a compra em momentos em que essas empresas estiverem sobreavaliadas pelo mercado e ao mesmo tempo acompanhar a evolução desses indicadores de forma a identificar oportunidades que venham a surgir.

Seguindo essa mesma lógica, as médias dos indicadores do mercado, ou seja, as médias da bolsa de valores como um todo, servem como benchmark para avaliar e comparar as rentabilidades, os riscos e os valores tanto das empresas quanto dos setores em relação ao mercado como um todo. Logo, as médias dos indicadores de rentabilidade, de liquidez, de endividamento e de preço setoriais e do mercado irão complementar a análise dos indicadores macroeconômicos e setoriais, o que além de agregar valor à análise do investidor possibilita a avaliação e a comparação.

“Se você acha que a instrução é cara, experimente a ignorância.”
Derek Bok

Os setores econômicos apresentam diferentes características, dependendo dos objetivos das empresas que os integram e do estágio de desenvolvimento em que elas se encontram. É preciso estar atento para as variáveis setoriais, eventos que afetam especificamente o setor de atividades em que a empresa atua. Por exemplo, um aumento no preço internacional da celulose afeta positivamente as ações do setor (aumento de receitas e lucro potencial). Outras variáveis são possíveis inovações tecnológicas, um processo produtivo mais eficiente, por exemplo, mudanças nos preços de matérias primas, mudança no perfil dos concorrentes internacionais, mudanças na legislação que afetem a venda para outros países. Assim, podemos classificar os setores econômicos em diversas categorias:

• Exportadoras - As empresas exportadoras se caracterizam por ter uma forte receita em moeda estrangeira. Por isso, o investimento em ações de empresas exportadoras é particularmente interessante em cenários de desvalorização cambial ou de recessão no mercado interno. Por terem sua receita relacionada com a cotação de uma moeda estrangeira, essas ações são consideradas um hedge (proteção) contra a alta dessa moeda. Mas cuidado, pois as receitas de empresas exportadoras também dependem da demanda externa para os seus produtos, bem como dos preços de seus produtos no mercado internacional, não apenas da cotação da moeda estrangeira. Podemos citar como exemplo o setor de mineração, que se beneficia com a desvalorização cambial em razão da maior parte da receita provir das exportações, e também com o aumento da demanda de países como a China.


• Importadoras – Assim como as empresas exportadoras, as empresas importadoras apresentam grande exposição ao câmbio, porém, de maneira inversa. Essas empresas se beneficiam durante momentos de valorização cambial, pois se torna mais barato importar. A desvalorização cambial, por outro lado, desfavorece as importações e favorece as exportações. Neste caso, a indústria nacional ganha competitividade e a tendência é que as ações das empresas exportadoras se valorizem, desde que não tenham dívidas elevadas em divisa estrangeira. Além disso, mesmo os bens produzidos no Brasil contam, na maioria das vezes, com insumos advindos do exterior. Se o preço dos insumos aumenta é de se esperar que o preço do produto final também aumente.


“O sucesso é ter o que você deseja, e a felicidade é desejar o que você já tem”.
Warren Buffett

Agropecuária (Setor Primário)

O setor envolve as atividades humanas destinadas ao cultivo da terra (agricultura) e à criação de animais (pecuária). Abrange não só a produção de alimentos destinados ao consumo humano, mas também à alimentação de animais e à produção de matérias-primas industriais, como as voltadas à produção de energia, de celulose, têxtil e de borracha. A agropecuária destaca-se por ser um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira. Além de atender à demanda doméstica por alimentos e matérias-primas industriais, o setor é o grande responsável por equilibrar as contas externas do país: em 2013, o agronegócio exportou quase US$ 100 bilhões, gerando um superavit comercial de quase US$ 82 bilhões. Dadas as perspectivas de aumento das demandas interna e externa, o setor deve continuar investindo tanto em aumento da capacidade produtiva e de armazenagem quanto em ganho de produtividade.

O Brasil tem a maior produção mundial de soja (95 milhões de toneladas por ano), e a produção chega a superar a soma de todos os países da OCDE. O Brasil tem uma área plantada bastante grande, superando a soma de todos os países da OCDE e com uma área próxima a área plantada dos EUA. Em 2o lugar vem a produção de milho (93 milhões de toneladas). A produção brasileira, por outro lado, é bem menor que a produção americana, que chegou a mais de 386 milhões de toneladas em 2019. O Brasil também aparece como um dos maiores compradores de pesticidas do mundo.

A principal força das empresas agropecuárias brasileiras é o custo de produção mais baixo em relação aos concorrentes estrangeiros, em razão do clima favorável, da ampla disponibilidade de terras cultiváveis e da existência de instituições de pesquisa agropecuárias renomadas. A principal fraqueza é a infraestrutura logística deficiente, que impede, em muitos casos, o aumento da produção, por falta de capacidade de escoamento e armazenagem. Contudo, a importância do setor como mobilizador de outras atividades é muito grande, tanto para frente como para trás.

O principal gargalo/obstáculo à ampliação dos investimentos do setor é a infraestrutura logística deficiente. A falta de armazéns para estocar as crescentes safras agrícolas, bem como de rodovias, ferrovias e portos adequados ao escoamento dessas safras, encarece demasiadamente o custo dos fretes e inviabiliza economicamente a produção em determinadas regiões do país. O principal investimento do setor é a aquisição de terras, ao lado da abertura e do preparo de áreas para exploração econômica. Além da terra, os principais investimentos diretos são em infraestrutura nas propriedades (estradas internas, pontes, armazéns, galpões etc.) e maquinário. Dessa forma, a capacidade de produção está diretamente vinculada à área disponível de exploração.

O principal desafio ao maior adensamento da cadeia produtiva agropecuária está ligado à estrutura tributária brasileira. Enquanto o produto primário pode ser exportado praticamente sem impostos desde a Lei Kandir, os exportadores de industrializados não conseguem recuperar todos os impostos incluídos em seus produtos, gerando favorecimento à exportação dos produtos primários em detrimento dos industrializados. Esse fato, combinado com a “preferência” que os países desenvolvidos dão à industrialização de matérias-primas em seus territórios, reforça a posição do Brasil como exportador de produtos primários.

No que se refere à área cultivada, o Brasil tem uma das maiores do mundo (236 mil hectares), ainda que perdendo para China e Estados Unidos. O crescimento da produtividade em toda região foi impulsionado por investimentos em P&D (pesquisa e desenvolvimento) e automação dos processos. Dentre os riscos estão o fato de que o setor apresenta grande parte de duas dívidas em dólar, efeitos climáticos sobre a produção, a imagem desgastada do país no que diz respeito a responsabilidade ambiental podem fechar portas, as disputas comerciais e conflitos geopolíticos envolvendo as grandes economias globais que podem prejudicar o comércio do Brasil com a Ásia, Europa e EUA.

O setor é profundamente afetado pela conjuntura internacional, por envolver a produção de commodities que são comercializadas internacionalmente. Os preços praticados no mercado interno seguem, em maior ou menor grau, os internacionais, com algumas diferenças provocadas pelo custo do frete (no caso de produtos exportados) e de tarifas de importação (no caso de produtos como leite, trigo e arroz). Os custos de produção também são cotados em dólar e o setor é dependente da matéria-prima petroquímica importada (fertilizantes e defensivos agrícolas). Por fim, o crescimento maior da economia mundial tende a afetar positivamente a agropecuária, aumentando não só a demanda pelas commodities, mas também seus preços.

• Produção de Carnes e Derivados - Apesar de ser um setor exportador diretamente afetado por mudanças nas legislações sanitárias e de importação dos países compradores, 75% da produção é destinada ao mercado interno. Apresenta um volume maior de vendas entre março e outubro, apresentando redução de novembro até fevereiro. O preço do Boi Gordo no mercado interno vem crescendo, os preços de exportação estão estáveis, mas as exportações têm aumentado nos últimos 5 anos, juntamente com a produção brasileira. As exportações de carne de frango e de suínos encontram-se estáveis nos últimos 5 anos, juntamente com a produção.

O Brasil tem o menor custo de produção de carne bovina do mundo. O sistema de criação de bovinos no Brasil é predominantemente a pecuária extensiva, ou seja, o boi criado solto no pasto, alimentado à base de capim. A pecuária bovina tem período de safra e entressafra. A safra bovina ocorre no 1º semestre do ano, no período de chuvas, quando há pastagens abundantes. Com maior oferta de boi para abate, os preços do boi gordo nesse período são menores. A entressafra bovina ocorre no 2º semestre, período da seca, quando o frio e as geadas secam as pastagens. O boi perde peso e há menor oferta de boi para abate e o preço do boi se eleva nesse período. Além disso, a demanda é maior nos últimos meses do ano, influenciando a alta de preços.

Dentre os principais riscos do setor estão: clima, a estiagem prolongada afeta as pastagens naturais reduzindo o alimento dos rebanhos. O risco de contaminação de doenças, como a febre aftosa. Dependente da desvalorização cambial e do preço da soja e do milho. O fato de que quase 1/3 das exportações são concentradas num único mercado de destino, a Rússia.

• Leite e derivados – 98% da produção de leite no país se destina ao consumo interno. Os gastos com ração são responsáveis por 50% dos custos de produção de leite, sendo a mão-de-obra responsável por 25%. As importações giram em torno de 10% da produção interna. Os principais riscos para o setor são climáticos e a incidência de pragas e doenças.

A sazonalidade da produção de leite ocorre no período de chuva, ou seja, a produção é levemente maior no período de chuvas, que vai de outubro a fevereiro, e pouco menor no período de seca que se estende de abril a setembro. As exportações do setor estão estáveis. As importações vêm aumentando, juntamente com a produção interna e o consumo.

• Etanol e Açucar - O Brasil conta com quase 400 usinas de açúcar e etanol. O setor sucroenergético notabilizou-se recentemente por sua capacidade de produzir energia limpa em larga escala. Seu ativo mais estratégico é a própria cana-de-açúcar, planta com elevado potencial de geração de biomassa em ciclos curtos de produção. O etanol de cana-de-açúcar e a bioeletricidade gerada com base no bagaço de cana foram os grandes determinantes das decisões de investimento do setor na última década.

O crescimento da frota de veículos flex, que hoje já representam mais de 60% da frota total de veículos leves do Brasil e aproximadamente 90% das vendas totais desses veículos impulsiona a demanda potencial por etanol combustível. Em termos de empregos gerados, os números da cadeia sucroenergética são expressivos. Na safra 2013-2014 estima-se que a cadeia empregou diretamente 613 mil pessoas, ou 1,3% dos empregos formais do Brasil. Quando são contabilizados os empregos sazonais durante a safra, esse número chega a 988 mil pessoas. Somando ainda os empregos informais e indiretos, o número de trabalhadores empregados pela cadeia sucroenergética chega a 3,56 milhões. A massa salarial correspondente atingiu US$ 4,13 bilhões.

Nos últimos anos, as vendas de açúcar brasileiro para o mercado externo corresponderam a mais de 60% de nossas vendas totais. Por sua vez, o etanol é majoritariamente comercializado no mercado doméstico. Os preços do etanol tendem a seguir os preços da gasolina, refletindo o conteúdo energético em ambos os produtos. Portanto, o preço da gasolina determina o preço-teto para o etanol, ou seja, quando o preço do etanol é superior a 70% do preço da gasolina, não há incentivo à compra do produto pelos consumidores.

Nesse arranjo de mercado, quando os preços internacionais do açúcar caem altera-se a remuneração relativa entre os dois produtos. À medida que os preços do etanol tornam-se mais remuneradores, as empresas do setor desviam gradativamente sua produção para o etanol, alterando o mix de produção da usina. Movimento contrário ocorre quando os preços do açúcar se elevam, tornando-se mais remuneradores que os preços do etanol.

A forte pressão altista sobre os custos de produção é a principal fragilidade do setor. Diversos fatores conjunturais podem explicar essa tendência, como a baixa renovação de canaviais e as adversidades climáticas verificadas nos últimos anos, bem como o endividamento ainda elevado em boa parte dos grupos econômicos do setor. Já os grupos capitalizados não investem em aumento de capacidade por não vislumbrarem suficientes retornos ajustados ao risco do negócio. Alguns grupos em dificuldades financeiras, por sua vez, estão até mesmo encerrando suas atividades produtivas, o que, no futuro, pode induzir a uma nova rodada de fusões e aquisições.

Diante de um contexto de instabilidade e incerteza, estão represados os investimentos em ampliação de capacidade produtiva do setor. Contudo, a cogeração de energia a partir da biomassa da cana ressurge no horizonte como importante fonte de receita. Com a estiagem verificada na safra atual e, consequentemente, com a redução da capacidade de geração das hidrelétricas pelo Brasil, a cogeração de biomassa voltou a ganhar força.

“Limite suas avaliações a empresas qualificadas para investimento, excluindo dessa categoria aquelas que não atenderem a critérios específicos de solidez financeira”.
Benjamin Graham
Indústria (Setor Secundário)

A indústria é o setor com maior capacidade de gerar riqueza para toda a economia, não apenas na produção, mas especialmente na geração de empregos, demonstrando uma capacidade de encadeamento das mais diversas indústrias que os demais setores não possuem. A produção industrial também é o maior determinante da renda real e o padrão da população de um país. Maior produção industrial significa maior oferta de produtos, o que pressiona os preços para baixo ou pelo menos contribui para que se mantenham. Logo, uma maior oferta de produtos a preços contidos significa aumento da renda real da população consumidora ao longo do tempo. Adicionalmente, maior produtividade necessariamente implica maiores salários para os trabalhadores dessa indústria. É exatamente a produtividade o que permite aumentos salariais. Portanto, maior produtividade beneficia tanto os trabalhadores da indústria quanto toda a população consumidora.

Um estudo da Brasscom indicava um hiato de 115 mil profissionais em 2012, e outro da Softex previa uma demanda de 280 mil profissionais superior à oferta disponível em 2012. Muita burocracia legal e carga fiscal elevada tornam o Brasil pouco competitivo como plataforma de exportação. Há um fraco ambiente de financiamento à inovação, o que pode ser explicado em parte pelas taxas básicas de juros elevadas no Brasil. E, por fim, há comparativamente um baixo grau de empreendedorismo; a cultura de abrir o seu próprio negócio ainda não é tão forte no Brasil como a de prosperar como funcionário dentro de uma grande empresa. Mas também, para parte da indústria, as exportações representam parcela significativa de sua receita, como no caso de carnes, suco de laranja, açúcar e das esmagadoras de soja. A participação das importações no mercado interno é pequena e restrita a alguns segmentos.

Historicamente a competitividade da indústria brasileira baseou-se nos setores produtores de commodities, que operam com grandes escalas de produção, são intensivos em mão de obra e energia e recursos naturais com baixa transformação industrial. A análise do comportamento da indústria no período recente revela um aprofundamento da estrutura industrial e do padrão de especialização vigente desde a década de 1970. Em todos os complexos industriais mais sofisticados, com grau mais elevado de agregação de valor e maior dinamismo tecnológico, verificou-se um eventual retrocesso, caracterizando o período como uma etapa de especialização regressiva da indústria brasileira. O país se mantém, ao longo dos anos, deficitário em produtos com elevado grau tecnológico, o que corrobora o argumento da especialização de nossa indústria. A indústria de bens de capital se concentrou na produção de bens de menor conteúdo tecnológico, ao passo que os produtos mais sofisticados eram importados e, para tal, contavam com diversos estímulos fiscais e cambiais.

• Bens de capital – São bens usados na produção de outros bens, especialmente bens de consumo, embora não sejam diretamente incorporados ao produto final. São as máquinas, equipamentos e instalações de uma indústria, veículos e material de transporte. Alguns autores consideram bem de capital como sinônimo de bem de produção. A indústria de bens de capital é dividida em 2 segmentos:

– Bens seriados – São produzidos em larga escala, de forma padronizada. Representam 80% do mercado de bens de capital. Sua produção é feita a partir de projetos padronizados, em lotes médios ou grandes. A fabricação desses equipamentos se dá no curto prazo. Vale destacar que este segmento é um dos primeiros a ser afetado por crises econômicas e também um dos últimos a reagir com a retomada da atividade da economia.

– Bens sob encomenda – A produção é realizada a partir de projetos específicos para determinadas unidades produtivas ou também a partir de projetos padronizados de produtos cuja fabricação é sob encomenda. Este segmento opera com carteira de pedidos de médio e longo prazo, o que lhe confere alguma margem de manobra para enfrentar mudanças no ritmo de crescimento da economia. Possuem características próprias, por isso dependem de tecnologia.

– Sazonalidade: A indústria de bens de capital apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e novembro, apresentando redução de dezembro até fevereiro.

Os principais custos de produção do segmento de máquinas e equipamentos são matérias-primas (50% do total) e mão-de-obra (30%). Em sua maioria, os insumos de produção são produtos transformados do aço, alumínio e outros minerais metálicos, além de componentes eletrônicos, plásticos e borracha.

Os principais fornecedores encontram-se no mercado interno, entre eles: siderurgia e metalurgia, indústria de plásticos, energia elétrica e combustíveis. O principal fornecedor externo é do segmento de componentes eletrônicos e de informática (hardware e software), cuja intensidade de utilização pode ser tomada como indicador da evolução tecnológica do setor e da indústria em geral.

O Setor dependente do nível de investimentos da economia. Assim, quanto maior o patamar das taxas de juros reais, menor é a atração para a realização de novos investimentos. A desvalorização no câmbio afeta a competitividade dos bens de capital importados, acirrando a concorrência no mercado brasileiro e reduz as exportações dos fabricantes nacionais – parcela significativa da produção nacional é destinada ao mercado externo. O faturamento médio do setor nos últimos 5 anos encontra-se estável, assim como as exportações e as importações. Assim, o setor é favorecido pelo aumento dos investimentos, refletindo a melhora da confiança, pela queda dos juros e pela expansão do mercado de crédito.

As barreiras à entrada de novas empresas no setor são elevadas, seja por custo, diferenciação de produto ou grau de desenvolvimento tecnológico. As principais deficiências identificadas no setor de bens de capital no País são a baixa escala produtiva, o pouco conteúdo tecnológico e a falta de certificação para colocação dos produtos nos mercados dos países desenvolvidos. Nos últimos anos houve um aumento da participação das importações de máquinas e equipamentos na formação bruta de capital fixo e na pauta de importações em um contexto de baixo crescimento. Tal fato revela, portanto, a substituição entre produção doméstica e bens importados.

“Não ache um culpado, ache uma solução”.
Henry Ford

• Autopeças - A indústria fabrica uma grande diversidade de produtos utilizados pela cadeia automotiva (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), pela indústria de tratores e máquinas agrícolas e pela indústria de motocicletas. 90% da produção são destinados ao mercado interno, sendo 70% vendido para montadoras de veículos. Os custos de produção do setor variam conforme o tipo de produto fabricado, normalmente são compostos por 60% de matéria-prima, 22% de mão-de-obra e 10% de energia elétrica. Há componentes cujos preços são influenciados pelo câmbio como: alumínio, cobre, aço, plásticos, borracha, vidro, componentes eletrônicos e tintas. Apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e novembro, havendo redução de dezembro até fevereiro. Os setores fornecedores para a indústria de autopeças são: siderurgia, metalurgia, plásticos, alumínio, tintas, componentes eletrônicos, vidros e borracha.

Risco China – todas as grandes montadoras multinacionais já estão instaladas na China. Esse mesmo caminho está sendo trilhado pelas indústrias de autopeças. Com o elevado nível de competitividade chinesa, as matrizes das montadoras poderão passar a comprar autopeças das unidades fabris da China, levando o Brasil a perder mercado. Além disso, é um setor exportador, dependente do comportamento da taxa cambial. O faturamento do setor tem diminuído nos últimos 5 anos, bem como o índice de produção.

• Tratores e máquinas agrícolas – Cerca de 16% da produção são destinados ao mercado externo, sendo 20% destes destinados à Argentina. As importações de tratores representam 2% das vendas internas. O índice médio de nacionalização de peças é de 80%. O setor é dependente de juros e financiamentos. Também é dependente do nível de atividade na construção civil, embora em menor nível do que da agricultura.

Os fatores determinantes de demanda por parte do agrobusiness são as expectativas geradas pelo governo para a política agrícola, o volume de financiamentos liberados pelo BNDES, incentivos para a exportação e a cotação das commodities no mercado externo, que influem no nível de capitalização do produtor e, assim, na relação de troca trator/produto agrícola.

- Sazonalidade: Em torno de 64% das vendas se concentram entre os meses de março e setembro, período de maior capitalização dos produtores de grãos, de cana de açúcar, de laranja e de café. As vendas internas e a produção do setor têm aumentado. As exportações têm diminuído.

• Caminhões e Ônibus – 85% da produção de caminhões e 76% da produção de ônibus são destinados ao mercado interno. 46% das exportações são destinadas à argentina, 10% para o Peru e 13% para o Chile. 67% dos custos de produção são gastos com matérias-primas – aço, tinta, plástico, borracha, autopeças e 6% com mão-de-obra.

Setor exportador, dependente do comportamento do câmbio. Grande parte das matérias-primas são commodities com formação externa de preços como o aço e ligadas à cadeia petroquímica como borracha e plástico. O setor dependente de financiamento de longo prazo, da atividade industrial e da safra agrícola. As montadoras costumam conceder férias coletivas entre os meses de dez e jan em razão da baixa demanda e dos altos custos de produção. A demanda interna e as importações nos últimos 5 anos estão estáveis.

• Automóveis – 85% da produção de automóveis são destinados ao consumo interno, sendo 17% importados. As vendas de automóveis são maiores no segundo semestre, ocorrendo o pico em dezembro. Durante os meses de janeiro e fevereiro ocorre uma significativa queda na demanda. A Argentina responde por 55% das exportações de carros para o Brasil, seguida do México 24%. A Argentina também é destino de 76% das exportações de automóveis fabricados no Brasil. O setor é exportador, dependente do comportamento do câmbio, do financiamento de longo prazo, emprego, renda e confiança do consumidor. As vendas de automóveis novos tanto nacionais quanto importados vêm diminuindo no último ano, juntamente com a importação e a exportação. Contudo, a produção ainda tem aumentado.

A indústria automotiva tem alta relevância para a economia brasileira, possuindo uma cadeia produtiva bastante densa a montante. Em 2012, respondeu por 21% do PIB industrial e por 5% do PIB. O faturamento líquido no segmento de veículos ultrapassou US$ 83,6 bilhões em 2012. No mesmo ano, as montadoras empregaram diretamente 129.907 pessoas e estima-se que os empregos diretos e indiretos em toda a cadeia do setor automotivo sejam de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. A estrutura produtiva do país é composta por 21 fabricantes de veículos (associados à Anfavea), incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Há cerca de 500 autopeças e de 5 mil concessionárias.

A conjuntura internacional exerce impacto considerável no setor. Tanto no segmento de autopeças como no de veículos, a corrente de comércio é bastante expressiva, e o dinamismo da economia mundial, assim como o câmbio, interfere nas compras e vendas ao exterior.

• Aeroespacial - A indústria aeronáutica tem natureza e mercados globais, sua alta concentração decorre do processo de globalização ocorrido nas últimas décadas. O impacto da conjuntura internacional sobre o desempenho do setor é bastante significativo. Assim, os fabricantes Airbus (fábricas na Alemanha, Espanha, França e Inglaterra) e Boeing (Estados Unidos) dividem ao meio o mercado de aeronaves comerciais com mais de 150 assentos. Na faixa da Embraer (70 a 120 assentos), a Embraer tem de 50% a 60% do mercado e a canadense Bombardier, de 20% a 40% (dependendo do ano considerado).

A capacidade do setor de mobilizar outras atividades (efeitos de encadeamento) é bastante limitada no caso do Brasil. Isso porque, como visto, trata-se de um setor com elevada dependência de investimentos em P&D e os fornecedores de bens de capital para o setor estão localizados, em sua maioria, no exterior. Assim, o nível de nacionalização ainda é relativamente reduzido e no caso brasileiro o obstáculo básico é a dificuldade de se atraírem investimentos de risco para prazos de retorno superiores a uma década.

Os investimentos do setor têm dois condicionantes básicos: (i) as demandas do mercado (como em qualquer outro setor); e (ii) os elevados montantes envolvidos para a amortização gradual ao longo dos longos ciclos dos produtos – em geral, de 15 a 25 anos.

“Não existe esse negócio de investimento sólido independentemente do preço pago.”
Benjamin Graham

• Bens de Consumo - O setor comporta as empresas que se beneficiam diretamente com o aumento de renda, ou seja, o desempenho dessas ações está ligado ao ciclo salário, emprego e renda, principalmente da diminuição da inflação e redução dos juros. Assim, esses papéis tendem a exibir uma valorização toda vez que houver um reaquecimento da economia, que vai provocar uma retomada dos empregos e recuperação na renda do trabalhador. São setores como o comércio varejista, de alimentos, de vestuário, e bens de consumo etc.

Consumo Não Cíclico – As empresas que fazem parte deste setor são empresas voltadas à agropecuária, alimentos processados, bebidas, cosméticos e saúde. O setor de consumo não cíclico possui empresas que tem um faturamento mais homogêneo dentro do ano, diferentemente das empresas de consumo cíclico que possuem faturamentos diferenciados de acordo com a época do ano.

Consumo Cíclico – Determinadas empresas possuem desempenho caracterizado como cíclico, porque o preço dos seus produtos apresenta variações expressivas em função de forte aumento da demanda ou produção. Atualmente, por exemplo, o crescimento econômico da China tem gerado uma alta no preço das commodities. Esse movimento tem um reflexo direto na cotação das ações dessas empresas, que experimentam um período de altas consecutivas. A compra de ações dessas empresas no início do ciclo de alta do preço de seus produtos e a venda desses papéis no início do ciclo de baixa do preço é determinante na rentabilidade da operação. Mas pode ser difícil antecipar-se a estes ciclos. São empresas ramo de vestuários, tecidos, utilidades domésticas, lazer e hotéis e restaurantes.

O setor de varejo responde por 12,7% do PIB e é um dos setores que mais emprega, participando com 20% da mão-de-obra. Também é um dos primeiros a sentir os impactos causados por mudanças na conjuntura econômica. As vendas do setor são dependentes de variáveis como: nível de renda do consumidor, nível de emprego, juros, condições e prazos de financiamento ao consumidor. Geralmente, durante o 1º trimestre do ano, o nível de atividade no comércio é baixo, pois nesse período há concentração de pagamentos como IPTU e IPVA, o que comprime a renda da população. Nesse período, as lojas costumam fazer a reposição dos estoques.

Com a lançamento do Bolsa Família e a melhora de renda nas regiões Norte e Nordeste do país houve aumento das redes varejistas no consumo. – Sazonalidade: A maior demanda no comércio ocorre nas datas comemorativas, maio – dia das mães, junho – dia dos namorados, agosto – dia dos pais, outubro – dia das crianças, sendo mais expressiva em dezembro – natal e ano novo. Contudo o volume de vendas do varejo vem apresentando uma tendência de queda nos últimos 5 anos.

• Eletrodomésticos e eletroeletrônicos – Os custos com Matéria-prima correspondem a 47,3% e com mão-de-obra 17%. Setor altamente dependente da valorização cambial, mais de 70% das matérias-primas adquiridas pelas fabricantes de eletroeletrônicos são importadas. O preço do aço responde por 15% do preço final da média dos produtos. O Brasil importa quase 20% dos eletroeletrônicos consumidos no mercado interno, sendo que 68% são provenientes da china. Os produtos portáteis respondem por 38% das importações (notadamente panelas e ferramentas elétricas). O Brasil exporta 4% dos eletroeletrônicos produzidos no país. A cadeia desses produtos também é global, logo, variações no câmbio impactam fortemente os custos finais de todos os produtos.

Sazonalidade: Há maior concentração de vendas no 2º trimestre do ano (dia das mães e maior incidência de casamentos) e no 4º trimestre (natal e recebimento do 13º salário), por isso, a indústria antecipa a produção. A indústria apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e novembro, apresentando redução entre dezembro e fevereiro. O faturamento da indústria vem aumentando nos últimos 5 anos.

A indústria tem aumentos de custos em caso de desvalorização do câmbio ou então com a alta dos preços de produtos como o aço, alumínio e plástico. A demanda do setor é influenciada pelo nível de renda, emprego e condições de financiamento (disponibilidade de crédito e prazo para o pagamento).

• Produtos de Informática – Das vendas de computadores no país 50% são de notebooks, 25% tablets e 25% desktops. As principais matérias-primas das empresas produtoras de hardware são plástico, borracha, metal e, principalmente, componentes eletrônicos, cuja maior parte é importada da China 50% e do sudeste da Ásia 25%. A mão-de-obra qualificada é um custo relevante nos segmentos de software e serviços.

O setor tem grande dependência do câmbio, já que grande parte dos componentes utilizados no setor de informática é importada e/ou cotados em dólar, da renda da população, das condições de crédito (uso residencial) e do nível de atividade econômica (uso empresarial). Há Forte concorrência com o mercado informal, com a pirataria e o contrabando. Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de produção entre março e dezembro, apresentando redução entre janeiro e fevereiro. O faturamento dos fabricantes tem aumentado nos últimos 5 anos. As exportações do setor estão estáveis.

“As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, quando não as encontram, as criam”.
Bernard Shaw

• Indústria de alimentos – A indústria de alimentos se destaca por ser um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira. Além de atender à demanda doméstica por alimentos, o setor tem papel de destaque no comércio exterior do país: em 2013, o agronegócio exportou cerca de US$ 100 bilhões, gerando um superavit comercial de aproximadamente US$ 82 bilhões. Dado o aumento da demanda interna e externa, o setor deve investir na ampliação da capacidade produtiva e no fortalecimento de suas marcas, principal fator de diferenciação e agregação de valor nessa indústria. Atualmente, há uma tendência internacional de consolidação no setor, com as maiores empresas adquirindo as menores, no país de origem ou em outros.

Cerca de 75% da produção de alimentos industrializados no país são destinados ao mercado interno, sendo os segmentos atacadistas e supermercadistas os grandes clientes da indústria alimentícia, respondendo por 70% da demanda. O setor tem o seu desempenho vinculado ao do setor agropecuário e apresenta um volume maior de produção e de vendas ao longo do segundo semestre. O principal gargalo/obstáculo à ampliação dos investimentos do setor é a infraestrutura logística deficiente.

O setor é bastante afetado pela conjuntura internacional, pois não só seus insumos (produtos agropecuários) são influenciados pelas cotações internacionais. O comportamento dos preços das commodities agrícolas determina grande parte dos custos de produção. Outros custos importantes são: mão-de-obra, embalagens, energia elétrica, transporte e logística e distribuição. As importações de alimentos são pouco expressivas representando 2% do consumo aparente do setor. As exportações da indústria de alimentos representam cerca de 25% do faturamento do setor, com destaque para o segmento de carnes, responsável por 36% das exportações de alimentos.

O setor sofre dependência da renda da população, está sujeito às pressões de custos das commodities agrícolas (soja, milho, trigo, etc.), sofre impacto da taxa de câmbio nos custos de produção (insumos dolarizados) e nas receitas de exportações. A importação de alimentos vem aumentando nos últimos 5 anos. As exportações encontram-se estáveis. O faturamento do setor é crescente, sendo um mobilizador de outras atividades econômicas, tanto para frente como para trás.

• Indústria de bebidas – O Brasil é o terceiro maior produtor e consumidor de cervejas e refrigerantes do mundo, sendo esses dois produtos os principais itens da indústria brasileira de bebidas.As embalagens participam com 44% dos custos na produção de cervejas e refrigerantes e as matérias-primas com 29% (Malte 70% importado e Lúpulo importado). A indústria de refrigerantes importa o concentrado à base de cola. A produção nacional se destina predominantemente para o mercado interno. Por não ser um item de primeira necessidade, o consumo de bebidas é dependente da renda da população, sendo que elevações de preços ou queda na renda levam os consumidores à substituição de bebidas de marca por outras mais populares.

A produção da indústria brasileira de bebidas é destinada ao consumo interno, que apresenta baixíssima penetração de importações, assim como coeficientes de exportação irrelevantes. Dessa forma, a conjuntura internacional não tem reflexo direto na demanda do setor. Por outro lado, fatores como câmbio e cotações internacionais dos insumos commodities impactam diretamente nos custos de fabricação dos produtos.

O câmbio afeta parte dos custos do setor tais como: embalagens, combustíveis, malte para cerveja, xarope de cola para refrigerantes. Os preços de commodities como o açúcar também afetam os custos de produção. Sazonalidade: O consumo de cerveja e de refrigerantes é mais elevado no período de verão, nas festas natalinas e no Carnaval. Cerca de 40% das vendas de cerveja são realizadas entre dezembro e fevereiro.

Outro ponto sensível ao desempenho da indústria se refere à tributação da cerveja. O Brasil é o país que aplica as maiores alíquotas na América Latina, acima de países congêneres, como México, Argentina e Chile. Com a elevação real do nível de tributos federais prevista para os próximos anos, o Brasil se aproximará do grupo de países que tributam as bebidas alcoólicas de forma relativamente elevada, como Noruega, Finlândia, Suécia e Coréia do Sul. O elo da cadeia responsável pela distribuição e a comercialização também apresenta números consideráveis de geração de emprego.

• Tecidos, vestuário e calçados – O Brasil é o 5º maior produtor de têxtil e de confecções, mas a maior parte de sua produção é destinada ao mercado interno. O país exporta 8% da produção nacional do segmento têxtil, principalmente para a Argentina e os EUA. O nível de demanda desse segmento também é sensível ao nível de preços e nível de renda da população. Suas principais matérias-primas, ligadas à cadeia petroquímica, têm os preços dolarizados (borracha e plástico) e dependem das cotações do mercado internacional.

O setor sofre forte concorrência com a China em produtos de baixo valor agregado. 65% dos custos de produção do setor são compostos por matéria-prima e 30% por mão-de-obra. As importações brasileiras do segmento têxtil respondem por 26% do consumo interno, vindas notadamente da China 43%, Indonésia 8% e Índia 12%. No segmento de confeccionados, as importações respondem por apenas 6,4% do mercado interno, sendo originadas notadamente da China. As importações provenientes da China vêm aumentando. A produção e o consumo interno estão estáveis.

Os custos do setor de calçados ligados à cadeia petroquímica – plásticos e borracha sintética – são dolarizados. É um setor intensivo em mão-de-obra – principalmente na produção de calçados de couro. A maior concentração das vendas ocorre no 2º semestre do ano. 85% da produção de calçados no país são destinados ao consumo interno, perceber-se uma diminuição na exportação e um crescente aumento da demanda interna. No setor têxtil a maior concentração de vendas ocorre no período de março a novembro.

• Artigos farmacêuticos e cosméticos – Entre os principais custos de produção de medicamentos estão os farmacoquímicos (matéria-prima), embalagens, logística de distribuição, propaganda e mão-de-obra. As exportações de fármacos representam 61% da produção interna, com destino mais pulverizado (destaque para Estados Unidos e Argentina). O volume de vendas do setor tem crescido nos últimos 5 anos, apresentando uma tendência de alta, juntamente com o valor médio dos medicamentos.

Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e dezembro, apresentando redução em janeiro e fevereiro. O setor é altamente dependente da renda e do emprego e do risco cambial em função da forte dependência de importações de fármacos. A exportação de medicamentos se encontra estável.

Atualmente, a cadeia produtiva da indústria farmacêutica apresenta baixo grau de adensamento produtivo, importando entre 80% e 90% dos insumos, notadamente os de síntese química. Apesar do crescimento da participação das empresas de capital nacional no mercado brasileiro, na última década, a base industrial brasileira não tem sido capaz de atender plenamente à demanda doméstica por medicamentos, o que se expressa em saldos negativos crescentes na balança comercial, que atingiram US$ 8 bilhões em 2013.

“Várias das grandes fortunas do mundo foram feitas por pessoas que eram donas de um único e maravilhoso negócio. Quando você entende do negócio você não precisa ser dono de muitos.”
Warren Buffett

Materiais básicos - São empresas que trabalham normalmente com exploração de matérias-primas, normalmente estão ligadas a extração de minérios, vegetais ou a primeira manufatura dos mesmos. Englobam-se neste setor as empresas de mineração, siderurgia e metalurgia, químicos, madeira e papel e embalagens. São empresas normalmente focadas em produtos para outras empresas, normalmente são materiais com base em madeira, produtos químicos, ligas e metais.

• Petróleo e derivados – O setor é considerado estratégico para o crescimento econômico por ser a principal fonte de energia no mundo e no Brasil (39% da matriz energética). O petróleo responde por 33% do consumo global de energia, seguido do carvão 30% e do gás natural 24%. O setor de petróleo e derivados é o 2º maior exportador do Brasil, respondendo por 12,8% das exportações brasileiras.

O Brasil exporta cerca de 27% da produção de petróleo. Os principais compradores são EUA 28,5% (quase ¼ do consumo mundial), China 23% e Índia 17,3%. Cerca de 72% do óleo processado nas refinarias brasileiras é nacional (petróleo pesado). 21% dos derivados de petróleo consumidos no país são importados. A América do norte é o principal fornecedor de derivados, com destaque para os EUA.

O petróleo pesado, mais utilizado para o refino de óleo combustível e asfalto – petróleo brasileiro, tem uma defasagem de preço em relação ao preço do petróleo leve, de melhor qualidade, utilizado para o refino de nafta, GLP, óleo diesel, gasolina A e gasolina de aviação. Não há sazonalidade na produção de petróleo e na produção de derivados. A demanda é influenciada diretamente pelos níveis de estoques dos EUA e da China.

Os maiores custos para a extração de petróleo estão ligados tanto à contratação de prestadores de serviços como a pessoal empregado. No caso do refino, os maiores custos estão ligados á matéria-prima (preço do petróleo) e à contratação de prestadores de serviços. É um setor exposto ao risco geopolítico, principalmente no Oriente Médio, e à valorização cambial. Além de ser um setor intensivo em capital, no país há um “Controle” do Governo sobre os de preços de derivados através da Petrobras.

O Oriente Médio detém 48,5% das reservas provadas mundiais e 33% da produção mundial de petróleo. O atual sistema de exploração de petróleo no Brasil é o de concessão. Contudo, devido a fatores de infra-estrutura (antes da privatização), a Petrobras continua sendo a principal empresa na extração de petróleo no Brasil. No refino, a Petrobras também é líder absoluta, com 98% da capacidade de processamento nacional de petróleo. A produção brasileira de petróleo está estável nos últimos 5 anos, o consumo ainda aumenta. A produção e o consumo de derivados continuam aumentando. A exportação de petróleo e derivados tem diminuído e as importações se encontram estáveis.

Estimativas da Petrobras indicam uma reserva entre 40 e 70 bilhões de barris de petróleo na camada pré-sal, localizadas nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Confirmada reservas de 40 bilhões de barris, o Brasil passaria a deter aproximadamente 3,5% das reservas mundiais (hoje possui 0,9%). Por isso, o Brasil passou a ser visto como uma das mais promissoras fontes de óleo cru nos próximos anos. Caso se mantenha estável a produção dos outros países, o Brasil poderá responder por 4,8% da produção mundial, alcançando a 6ª colocação no ranking de produção mundial –atualmente ocupa a 13ª colocação.

O principal motivo para a concentração no processamento de óleo é o fato das refinarias da Petrobras não praticarem necessariamente os preços de mercado, uma vez que a empresa tenta não repassar a volatilidade das cotações internacionais do petróleo para os preços de alguns derivados, como gasolina, havendo assim uma falta de competitividade no setor. O foco da Petrobrás está na exploração, e sem adição de capacidade de refino, o país contará cada vez mais com derivados importados.

• Distribuição de combustíveis - As despesas financeiras representam a maior parcela dos custos das distribuidoras. Outros custos relevantes são: impostos, aluguel e royalties. Cerca de 17% dos derivados de petróleo consumidos no mercado interno são importados. Quase 50% das vendas de combustíveis são realizadas no Sudeste. O estado de São Paulo sozinho detém 27% das vendas internas de combustíveis. Aproximadamente 15% dos derivados de petróleo produzidos no Brasil são exportados, notadamente para a América Latina. Os EUA importam cerca de 60% do etanol produzido no Brasil.

Como os preços de petróleo são cotados em dólar no mercado internacional, os combustíveis derivados de petróleo têm seus preços atrelados tanto ao câmbio como à volatilidade desses preços. Porém, nem todos os preços de combustíveis seguem variação de mercado dada pelos custos e pelo grau de concorrência do setor. Assim, é observado algum tipo de “controle” de preços pela Petrobras.

Sazonalidade: As vendas de combustíveis e gás GLP são concentradas no segundo semestre do ano, quando a atividade econômica é mais intensa. A indústria apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e dezembro, apresentando redução em janeiro e fevereiro. As vendas de diesel, gasolina e GLP são crescentes, a de GNV estável e a de etanol vem caindo nos últimos 5 anos, estando atualmente estável. As exportações de açúcar também se encontram estáveis, juntamente com o consumo interno. A produção interna de açúcar e de etanol se encontra estável.

A produção de álcool é sazonal, com colheita e moagem da cana entre os meses de abril e novembro. Isso faz com que o consumo de álcool também esteja atrelado à sazonalidade dos preços do álcool anidro (usinas).

“Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como se lidará com o pior. Jamais faça um investimento por otimismo apenas”.
Max Gunther

• Química e petroquímica – A matéria-prima predominante no setor é o Nafta 92%, sendo 33% importada, e o gás natural 8%. É um setor eletro-intensivo e intensivo em capital, que demanda elevados investimentos em tecnologia. É um setor cíclico em função do longo período de maturação dos investimentos realizados no setor, o crescimento da produção ocorre periodicamente e em grandes volumes, ao passo que a demanda não cresce na mesma proporção, levando o setor a desequilíbrios, alternando-se dessa forma, períodos de preços elevados no mercado internacional e fases de margens comprimidas. Este é um fator de elevado risco, pois no período de baixa do ciclo as empresas continuam arcando com elevados custos fixos inerentes da indústria petroquímica. As empresas do setor têm endividamento atrelado ao dólar.

As empresas químicas têm diversos clientes, dos quais o maior é a própria indústria química. A indústria tem fortes encadeamentos na economia, principalmente à frente. Entre seus principais clientes, estão empresas de virtualmente todos os setores da economia, como: as indústrias têxteis, eletrônica, elétrica, de transportes, automobilística, construção civil, aço, papel e o agronegócio, entre outras.

O Brasil importa 22% do seu faturamento e exporta 10%. O faturamento do setor vem aumentando nos últimos 5 anos, bem como a produção interna de produtos químicos. Contudo, a produção nacional de nafta vem diminuindo neste período, apesar do seu consumo estar aumentando. As importações de nafta vêm aumentando. O nafta representa 70% dos custos das centrais petroquímicas. O preço da nafta fornecida pela Petrobras está atrelado às cotações ara (amsterdã, roterdã e antuérpia) e à taxa de câmbio. A indústria petroquímica brasileira tem reduzida competitividade no mercado Internacional. Por outro lado, a indústria petroquímica tem elevada capacidade de repasse de preços, porque o produto petroquímico é essencial para diversos outros produtos industriais e a base de setores compradores é larga, ao passo que os fornecedores são apenas 4 centrais. A Braskem detém as quatro centrais petroquímicas no Brasil.

No Brasil, as vendas da indústria totalizaram US$ 162 bilhões em 2013, o que a torna o 6º maior mercado do mundo.Apesar de sua importância, a indústria química brasileira necessita aumentar sua competitividade a fim de enfrentar a concorrência acirrada com os produtos importados, que tem resultado em déficits crescentes na balança comercial do setor.

• Minério de ferro - 87% produção nacional de minério de ferro é destinada à exportação. Dado que o minério de ferro é uma commodity internacional, os preços do minério praticados no mercado doméstico são balizados no mercado externo, descontadas as despesas portuárias. A Vale negocia o valor trimestralmente, tomando como referência para o reajuste o Iodex (Iron Ore Index), tendo a China como seu maior cliente, responsável pela demanda de 65% do minério de ferro extraído mundialmente.

Os principais insumos do setor são: Insumos – níquel, alumínio, minério e pelotas, serviços de manutenção e transportes, peças para manutenção de equipamentos, insumos como explosivos e calcário, pneus, correias transportadoras. Em razão do baixo valor agregado do minério de ferro, a eficiência da logística de escoamento da produção é fundamental para a competitividade da mineradora. Por essa razão o minério destinado à exportação é, em sua maioria, transportado por ferrovia. O setor tem dependência do comportamento do setor siderúrgico no Brasil e no mundo, bem como uma dependência do câmbio alto. Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de exportações entre julho e dezembro, apresentando redução em janeiro e junho. A produção mundial e nacional de minério de ferro vem crescendo nos últimos 5 anos, apesar da produção chinesa se encontrar estável. A tendência também é de alta para o preço do minério.

“O que a história do mercado diz é que os melhores investimentos são feitos quando as coisas parecem muito ruins.”
William Bernstein

• Siderurgia – O aço brasileiro é competitivo no mercado internacional em razão da logística, pois as principais siderúrgicas estão localizadas próximas dos portos de embarque e próximas das minas de minério de ferro. Esse complexo é todo interligado por ferrovias especializadas em transporte de minério e aço. Há um reduzido custo da mão-de-obra em relação aos outros países produtores, sem contar que o minério de ferro brasileiro é altamente competitivo internacionalmente por ter alto teor de ferro e custo reduzido. As exportações normalmente são concentradas em produtos semi-acabados de aço, como as placas, que são laminadas nos países mais próximos dos grandes centros consumidores, como Europa, EUA e Ásia. 38% dos produtos siderúrgicos importados pelo Brasil vem da China. Os EUA importam 44% dos produtos siderúrgicos produzidos no Brasil.

Contudo, o mercado de aço é caracterizado, atualmente, por uma situação de sobreoferta e de margens reduzidas, tanto no Brasil quanto no mundo. Assim, vários investimentos siderúrgicos foram postergados ou definitivamente abandonados. É uma indústria altamente intensiva em capital, que necessita de investimentos em ativos destinados a projetos de longo prazo de maturação, precisando de grandes barreiras à entrada e à saída. Cabe destacar que a capacidade produtiva brasileira atual é praticamente o dobro do consumo aparente interno, o que não estimula novos investimentos em aumento de capacidade direcionados para o mercado interno.

Há uma tendência de melhora nas margens, nos próximos anos, mais pela diminuição dos custos de produção do que pelo aumento dos preços dos produtos siderúrgicos. Os custos de produção variam de acordo com a especialidade de cada empresa, o carvão mineral (100% importado) responde em média por 25%. Os contratos de compra de minério de ferro são de longo prazo (de 5 a 10 anos), são fixadas as quantidades dentro de bandas podendo ser ajustadas de acordo com a maior ou menor necessidade de fornecimento. Dado que o minério de ferro é uma commodity internacional, os preços do minério praticados no mercado doméstico são balizados no mercado externo, descontadas as despesas portuárias. A negociação de preços entre siderúrgicas e empresas consumidoras ocorre a cada trimestre. Não há sazonalidade na produção de siderúrgicos, pois os alto-fornos operam ininterruptamente.

O processo de transformação do alumínio é intensivo em energia elétrica e, por isso, as indústrias são consumidoras diretas das usinas produtoras de energia elétrica (muitas produzem energia). Os gastos com energia elétrica podem chegar a mais de 40% dos custos da indústria do alumínio. As importações de alumínio respondem por 25% do consumo aparente, sendo a Argentina, China e Venezuela os principais países de origem. O Brasil exporta 36% da produção de alumínio primário. A demanda por alumínio é crescente.

O setor é intensivo em capital e em recursos naturais, como o minério de ferro, com grande disponibilidade no país e de boa qualidade e o carvão mineral, que é escasso no país e tem baixa qualidade, razão pela qual a maior parte do carvão utilizado é importada. O segmento de aços longos é mais sensível à redução dos investimentos e à contenção do crédito, pois os produtos são destinados basicamente a setores sensíveis a estas variáveis como construção civil e bens de capital. Já o segmento de aços planos é mais sensível à variação da oferta de crédito e renda, pois está mais ligado à produção e vendas do complexo automotivo e linha branca.

Assim, o setor produtor de bens intermediários é bastante sensível ao desempenho da indústria geral, sendo diretamente afetado pelo nível de atividade econômica e ao nível de investimento. É um setor exportador – dependente do câmbio e do nível de atividade econômica mundial. O câmbio afeta alguns custos básicos de produção como o coque e o carvão mineral. Tanto a produção quanto as vendas internas do setor estão estáveis. As exportações vêm diminuindo e as importações estão estáveis.

• Cimento e Materiais de Construção - Praticamente não há concorrência com produtos importados, pois 98% do cimento produzido no País se destina ao consumo interno. Cabe ressaltar ainda que 96% do cimento produzido são despachados por transporte rodoviário, havendo um elevado custo de transporte. O setor apresenta pouca sazonalidade, mas o primeiro trimestre é o mais fraco, em razão das chuvas de verão, e o segundo semestre é historicamente mais forte devido ao aumento do nível de atividade econômica.

A indústria de cimento é eletro-intensiva, pois mais da metade de seus custos são gastos com energia, sendo 80% desde com combustíveis e 20 com energia elétrica. O setor dependente do nível de atividade da construção civil e de indicadores como renda e emprego que exercem grande influência nas vendas de cimento, uma vez que há grande participação do consumidor pessoa física. O consumo interno de cimento é crescente, juntamente com a produção.

“A diversificação é uma proteção contra a ignorância, faz pouquíssimo sentido para quem sabe o que está fazendo”.
Warren Buffett

• Papel e celulose - O Brasil é o maior produtor mundial de celulose de fibra curta, pois o clima brasileiro favorece o plantio de eucalipto. O Brasil é auto-suficiente na fabricação de papel, porém ainda é dependente da importação de papel imprensa. O Setor é voltado à exportação, fazendo com que o preço da celulose e o câmbio expliquem 80% da margem EBITDA do setor, sendo os maiores consumidores mundiais de papel EUA e China. 61% da produção de celulose 20% da produção de papel são destinados à exportação.

Por se tratar de um segmento que atua basicamente em commodities, a competição ocorre por custos, sendo a madeira o principal fator de competição. O Brasil é um país altamente eficiente na produção de celulose, e a razão do alto crescimento da produção nacional advém dessa alta competitividade, que por sua vez é oriunda de condições climáticas altamente favoráveis e um longo histórico de investimento em pesquisa e desenvolvimento florestal. Adicionalmente, o contínuo aumento da demanda por celulose solúvel no mundo traz oportunidades para os produtores brasileiros. O segmento de celulose é bastante concentrado, pois a escala de produção é elevada, sendo intensiva em capital. O segmento de papel é mais pulverizado, pois existem pequenos fabricantes de papel. O custo de produção de celulose no Brasil é o mais baixo do mundo.

Apesar de as plantas produtivas serem voltadas para a fabricação de um único produto, a celulose, observa-se uma nova tendência no setor, que é a utilização de subprodutos e resíduos obtidos ao longo do processo produtivo, passando a tratar a planta como uma biorefinaria voltada para a produção de bioprodutos e energia.Mais de 65% de toda a energia consumida pelo setor é auto gerada no processo de produção de celulose, por meio da queima do licor negro, produzindo vapor. Quase a metade do papel consumido no Brasil é reciclada. Os principais custos de produção de celulose são: madeira 44% e produtos químicos 23%. O setor de papel e celulose é bastante competitivo no Brasil, por possuir o menor custo de produção do mundo. A maior parte da madeira comprada pela indústria é de produção própria, em torno de 90%. O segmento de celulose é bastante concentrado, pois a escala de produção é elevada, sendo intensiva em capital.

Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de produção e de exportações entre julho e dezembro, apresentando redução em janeiro e junho. As exportações de papel vêm diminuindo nos últimos 5 anos. Contudo, o consumo interno vem crescendo bastante, juntamente com a produção. Tanto o consumo interno quanto as exportações de celulose vem crescendo. Estima-se que entre 2007 e 2013, o segmento de celulose tenha contribuído para cerca de 17% do saldo da balança comercial brasileira e em 2013, o setor gerava 128 mil empregos diretos, sendo 79 mil na indústria e 51 mil em atividades florestais, e 640 mil empregos indiretos.

É um setor cíclico em função do longo período de maturação dos investimentos realizados no setor. O crescimento da produção ocorre periodicamente e em grandes volumes, ao passo que a demanda não cresce na mesma proporção, levando o setor a desequilíbrios. Dessa forma, alternam-se períodos de preços elevados no mercado internacional e fases de margens comprimidas, havendo um alto endividamento em moeda estrangeira das empresas do setor. Vale dizer que o setor de celulose é diretamente dependente da demanda por papéis, que costuma se relacionar de forma próxima com o PIB, à exceção dos papéis gráficos, que, em anos recentes, passaram a crescer menos do que o PIB em função da concorrência mais intensa com a mídia digital. Portanto, pode-se dizer que um bom desempenho econômico global costuma se refletir em boa demanda por celulose de mercado.

• Pneus e borracha – Cerca de 2/3 da borracha natural consumida no país é importada do sudoeste da Ásia. A borracha sintética (ou elastômeros) é produzida na 2ª geração petroquímica. O Brasil importa e exporta borracha sintética. As importações respondem por 40% do consumo doméstico e as exportações respondem por 40% da produção nacional. O consumo interno de pneus se encontra estável. As exportações de borracha natural têm aumentado.

Cerca de 56% dos custos de produção de pneus correspondem à matéria-prima (borracha natural e sintética), o restante é composto por Nylon, poliéster, produtos químicos – produzidos pela indústria química e petroquímica, os preços desses insumos são dolarizados, assim como o aço – fornecido pela siderurgia. A demanda por pneus é dependente de renda, juros e financiamentos, visto que os maiores demandantes são a cadeia automobilística e o mercado de reposição. É setor exportador – dependente do comportamento do câmbio e de matéria-prima importada (borracha natural), que tem custos dolarizados.

• Fertilizantes – 70% do consumo interno de fertilizantes é importado. A Petrobras e a Vale são algumas das principais empresas fornecedoras de matéria-prima para o setor. 76% do consumo de fertilizantes está concentrado em 4 culturas: soja, milho, cana e café. Em média, 70% das matérias-primas são importadas, e há produtos, como o enxofre e o potássio, que são 100% importados. Os principais custos são ligados à cadeia petroquímica e sofrem os efeitos dos preços do petróleo e da desvalorização cambial. O Setor é dependente da renda agrícola e do pacote agrícola do governo.

Sazonalidade: 60% das vendas de fertilizantes se concentram entre os meses de julho e novembro, que é o período de plantio de grãos na safra de verão. A importação de fertilizantes é crescente, assim como a demanda interna, contudo, a produção tem diminuído.

“Eu não quero um monte de bons negócios; Eu quero poucos excepcionais”.
Philip A. Fisher

• Saneamento - O setor responde por um conjunto de serviços que compreende abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos urbanos. O consumo de energia costuma ser um dos componentes de maior custo para as companhias de água e esgoto.

O Brasil ainda se encontra distante da universalização dos serviços de saneamento e atrasado quando comparado com o cenário internacional. Dados levantados pelo Sistema Nacional de Informações do Saneamento (SNIS), em 2012, indicam que 82,7% da população brasileira possui acesso a redes de abastecimento de água e 48,3% possuem acesso a redes de coleta de esgoto. Por sua vez, somente 38,7% do esgoto gerado no Brasil recebe algum tipo de tratamento.

Os serviços de saneamento estão estruturados na forma de monopólio natural, distinguindo-se dos demais modelos concorrenciais pela exclusividade da prestação de serviço, que se caracteriza como condição de viabilidade econômica. A pressão concorrencial é mais notória no momento de determinação da concessionária dos serviços, tendo em vista a natureza do mercado, caracterizado como monopólio natural, e os prazos previstos nos contratos de concessão, o que acaba por criar barreiras de entrada para outras empresas.

Apesar de a disponibilidade de recursos pelo governo federal ter aumentado significativamente nos últimos sete anos, existe uma série de gargalos nos investimentos que atrasam o alcance da universalização dos serviços. Grande parte dos investimentos destina-se a grandes projetos de infraestrutura com retorno financeiro de longo prazo, a participação do mercado financeiro privado como agente financiador ainda é pequena. Além disso, a definição da política tarifária praticada pelas empresas sofre forte influência política, principalmente nas companhias estaduais, desconsiderando muitas vezes o equilíbrio econômico-financeiro.

• Elétrico - A hidroeletricidade ainda é a principal fonte na expansão do setor, com 23,3 GW em projetos em execução. Porém, começa a dar lugar às demais fontes renováveis e à energia termelétrica. Em segundo lugar, cabe destacar a energia eólica, que se tornou competitiva. Atualmente, existem 4,1 GW em operação comercial e mais de 10 GW em construção. Atualmente, o Brasil possui cerca de 40 GW em termelétricas, sendo 12,5 GW movidos a gás natural, que é a principal fonte fóssil de eletricidade do país.

O setor conta com uma indústria local de bens de capital que provê máquinas e equipamentos para seus três principais segmentos (geração, transmissão e distribuição). Contudo, nos últimos anos o setor observou a elevação da participação das importações na composição dos bens de capital adquiridos. O setor é menos afetado pelo risco de crédito, visto que os contratos são de longo prazo e existe uma maior estabilidade regulatória em relação aos demais.

Os custos de energia elétrica variam conforme a fonte adotada. Fontes não renováveis tendem a ter um custo mais elevado devido aos combustíveis que utilizam (derivados de petróleo e carvão mineral). a concentração da geração hidráulica torna o setor dependente do ciclo de chuvas, dada a necessidade de armazenagem de água para a geração. As demais fontes alternativas, necessárias durante o período de escassez de chuvas, apresentam um custo maior, além de possuírem um fornecimento incerto e variável ao longo do ano, como no caso da energia solar e eólica. Ainda no campo de fontes alternativas, a biomassa (bagaço de cana) depende do desempenho da safra de cana-de-açúcar, sendo também influenciada por fatores climáticos. A dificuldade na obtenção de licenças ambientais retarda os investimentos e aumenta as incertezas sobre a geração futura.

Os principais condicionantes para esses investimentos são: as políticas de revisão e reajuste tarifário, executadas pelo regulador (Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel), ou seja, os riscos regulatórios além do tributário, e as condições de financiamento aos investimentos e aos custos operacionais do segmento. Atualmente, o segmento de distribuição passa por uma necessidade de gastos expressivos, por conta do acionamento das termelétricas flexíveis para complementar a operação das hidrelétricas.

Os investimentos no setor elétrico contam com prazos de maturação longos e, em geral, pouco sensíveis a mudanças macroeconômicas de curto prazo. A perspectiva de investimentos para o setor no horizonte de 2015-2018 é de R$ 192,2 bilhões. Essa estimativa tem por base os leilões de geração e transmissão de energia já realizados. O destaque é a geração de energia elétrica, cujos investimentos foram estimados em R$ 118,8 bilhões, entre os quais R$ 56,3 bilhões referentes a empreendimentos hidrelétricos, sendo mais da metade já contratada por leilões públicos.

• Construção Civil - Todos os setores da economia são ligados à construção civil, que responde por 6% do PIB. As obras na construção pesada (grande porte) são geralmente realizadas por empreiteiras, as obras de infra-estrutura correspondem a 44% do valor da produção do setor, as obras industriais e comerciais 15%, os serviços especializados 17% e obras residenciais 22%, e 2% incorporação. As incorporadoras, donas do empreendimento, contratam uma consultoria de engenharia para realização do projeto, uma empreiteira para a execução da obra e uma imobiliária para venda das unidades.

O setor é bastante intensivo em mão-de-obra, principalmente de mão-de-obra não qualificada. A mão-de-obra participa com 52% dos custos da construção, sendo 40% restante despesas com o material. O setor emprega cerca de 8% da mão-de-obra no País, mas a geração de empregos vem caindo nos últimos 5 anos. As obras encomendadas/realizadas pelo setor público respondem por 44% da construção civil, enquanto o setor privado responde por 56% das obras. O déficit habitacional brasileiro soma 5,244 milhões de domicílios. A região Sudeste é que possui a maior necessidade de moradias (2 milhões), seguida pela Nordeste (1,7 milhões). As estimativas do IPEA apontam que 70% do déficit habitacional está concentrado nas classes mais baixas, que tem renda de até três salários mínimos (faixa de renda do programa minha casa minha vida). A região sudeste responde por 51% do pib da construção civil e por 49% da mão-de-obra empregada no setor.

Sazonalidade: O primeiro trimestre do ano é mais ameno em razão das chuvas, por isso historicamente 60% dos lançamentos de imóveis são realizados no 2º semestre do ano. O período de férias (janeiro e julho) são os mais fracos para a venda de imóveis. O setor dependente de financiamento de longo prazo e de política habitacional do governo. É sensível a taxa de juros, renda e emprego. As despesas do Governo com obras de infra-estrutura vêm aumentando. Por outro lado, o crédito habitacional vem diminuindo nos últimos 5 anos. As vendas da indústria de materiais de construção estão estáveis.

“Não será a economia que derrubará os investidores, serão os próprios investidores”.
Warren Buffett

Serviços (Setor Terciário)

O setor de serviços é o de maior participação no produto e no emprego no Brasil, responsável por cerca de 66%  do pib e dos empregos brasileiros. A diversidade deste setor dificulta e limita a sua análise. A redução da renda e o aumento de desemprego impactam o setor serviços de forma mais forte que os outros setores em razão de ser o primeiro a sentir a queda no consumo. Os gastos do governo, assim como das famílias, também afeta diretamente o setor.

Quanto mais se produz, maior será a atividade do comércio e dos serviços. Quando a economia está crescendo mais agentes tendem a tomar emprestado para investir, antecipar consumo etc. Quanto maior a renda, maior tende a ser o turismo, a compra de seguros, a ida a cinemas, médicos etc. Percebe-se, portanto, que o setor serviços não determina o ciclo econômico, mas é por este determinado.

A terceirização da economia é uma tendência observada mundialmente. Há uma mudança na estrutura produtiva (agropecuária, indústria e serviços) que torna o setor serviços cada vez maior, tanto no que se refere à sua participação no PIB quanto no emprego das economias. Entretanto, o setor aparenta estar sobrecarregado de atividades tradicionais e pouco produtivas, além de apresentarem menor capacidade de incorporação de progresso técnico e aproveitamento das economias de escala em relação à agricultura e à indústria.

O crescimento da economia brasileira nos últimos 20 anos elevou o consumo das famílias – através da renda – e o consumo da administração pública, proporcionado pela ocupação de uma porcentagem maior de residentes; pelas políticas públicas de redistribuição de renda e pela ampliação dos setores de saúde, educação e administração públicas. O crescimento do consumo está diretamente relacionado com o crescimento dos serviços.

O modelo de crescimento baseado no consumo e na inclusão de trabalhadores foi muito importante para o crescimento do PIB durante a década passada, contudo, findada as características que o possibilitam, a adoção de um modelo de crescimento baseado nas atividades produtivas (produção) e na produtividade pode ser crucial para a continuidade do crescimento. Apesar disso, assim como bens de capitais, os serviços também apresentam uma participação muito baixa nas exportações brasileiras, e a importação de serviços e bens de capitais contribui para o déficit na balança comercial.

Se comparado ao setor agropecuário, o qual nos últimos anos reduziu o número de empregados diante de avanços na produtividade do trabalho, a maior parte dos novos empregos, 80% deles, foram criados em atividades produtivas de serviços, sendo muito superior à geração de empregos da indústria. Entretanto, os empregos gerados pelo setor de serviços apresentam em sua maioria baixa remuneração.

 Comércio e Varejo - Um dos segmentos mais importantes do setor terciário é o comércio devido ao seu tamanho na economia, a sua capacidade de geração de emprego e renda e por sua capilaridade. O comércio tem sido um dos setores com maior expansão no atual cenário econômico, fortemente apoiado na demanda interna. A forte expansão da oferta de crédito teve um papel fundamental neste processo, tanto pela extensão dos prazos de pagamento oferecidos pelo comércio, quanto pelo seu barateamento.

Com o crescimento econômico dos últimos anos e aumento da capacidade de consumo da população (via aumento do salário mínimo, acesso ao crédito, e aos programas sociais como o Bolsa Família, por exemplo), as empresas passaram a oferecer melhores condições de pagamento/financiamento para produtos de consumo popular brasileiro. O comércio responde por quase 12% do PIB brasileiro. O comércio varejista é responsável por mais de 40% do comércio geral. Cerca de 27% do comércio varejista é de produtos não duráveis, representados pelo comércio em hiper e supermercados e em lojas especializadas de alimentos, bebidas e fumo.

Geralmente, durante o 1º trimestre do ano, o nível de atividade no comércio é baixo, pois nesse período há concentração de pagamentos como IPTU e IPVA, o que comprime a renda da população. Nesse período, as lojas costumam fazer a reposição dos estoques. Normalmente, nos meses de férias (janeiro e julho), há menor nível de atividade do comércio nas regiões metropolitanas e maior atividade nas regiões turísticas. Já o mês de dezembro costuma ser o ápice das vendas do comércio.

Cada vez mais o comércio tem se aproveitado de uma oportunidade significativamente rentável para a sua estratégia de crescimento. Sem necessidade de um número alto de empregados e com uma estrutura física mínima para o funcionamento, além do conforto, comodidade e segurança proporcionados ao consumidor, o e-commerce se mostrou um canal alternativo muito eficiente e lucrativo para as vendas das companhias do setor. Além disso, serviços que antes eram típicos do sistema financeiro passaram a ser ofertados e administrados pelo varejo, como vendas dos cartões fidelidade, crédito, financiamento e pagamento de contas.

O comércio é diretamente afetado pelo aumento da inflação (redução da renda), do desemprego e da taxa de juros (restrição de crédito) e demais fatores que desestimulam o consumo, sendo um dos primeiros setores econômicos a ser afetado por períodos de recessão econômica. As adversidades econômicas estão pesando sobre os gastos das famílias, especialmente os não essenciais. Além disso, altas tarifas e flutuações nas taxas de câmbio estão limitando a acessibilidade de bens importados e, portanto, a demanda por eles. A tendência do setor pode ser observada através de indicadores como volume de vendas no varejo, confiança do consumidor e do comércio. 

Com o fim do boom demográfico nos próximos anos, o crescimento do PIB potencial dependerá fundamentalmente da elevação da produtividade do trabalhador. O problema é que a produtividade do trabalho no Brasil encontra-se praticamente estagnada desde 1980. As evidências mostram que a baixa produtividade brasileira é um problema sistêmico e alcançam todos os setores da economia. Aliado a isso, o elevado custo do financiamento, o excesso de tributação, de burocracia e de regulamentações  prejudica tanto o desempenho quanto o investimento no setor.

• Serviços de Tecnologia da Informação TI - Historicamente, no Brasil, o setor de software cresce a taxas superiores a dois dígitos (de 2011-2013, média de 12% ao ano). A indústria brasileira de desenvolvimento e serviços de software deve apresentar faturamento total de cerca de R$ 35 bilhões em 2014. Os principais fatores do crescimento são: aumento dos investimentos de TI de setores tradicionais da economia (como agricultura, transportes, saúde e educação); constante incentivo para terceirizar serviços e infraestruturas internas de TI; difusão de aplicativos móveis; e advento de novas tecnologias (como Internet das Coisas e Big Data).

O Brasil, segundo a associação Brasileira das Empresas de Software (Abes)/IDC, ocupa a sétima posição no ranking internacional dos investimentos em TI (que inclui hardware, software e serviços). Esse mercado movimentou cerca de R$ 62 bilhões em 2013, representando cerca de 2,7% do PIB brasileiro e 3% do total global do setor. Finanças, serviços e telecom representaram praticamente 51% do mercado usuário, seguidos por indústria, governo e comércio. Contudo, é muito difícil prever o futuro da TI, em razão dos seus ciclos econômicos serem muito rápidos, valendo ressaltar que o setor está influenciando cada vez mais todos os tipos de atividades, não só econômicas. Há diversos gargalos que impedem um maior crescimento do setor de TI no Brasil, sendo talvez a falta de oferta de mão de obra qualificada o mais importante.

• Bancos - O setor bancário brasileiro tem apresentado uma rentabilidade substancialmente superior àquelas registradas em setores produtivos nos últimos anos. A rentabilidade obtida atualmente pelos bancos provém de duas grandes fontes: tarifas por serviços prestados e spreads decorrentes da atividade de intermediação. As margens do setor são diretamente influenciadas pelas pressões inflacionárias e da taxa de juros e pela demanda por crédito. O ambiente macroeconômico, portanto, tem papel fundamental na determinação da oferta e das condições do crédito bancário.

O menor crescimento do produto e da renda resulta em menor demanda por crédito, dado o nível mais baixo dos gastos dos agentes (firmas e famílias), além de aumentar a inadimplência por parte dos tomadores de crédito. Alternativamente, o maior crescimento do produto e de renda aumenta a demanda por crédito e diminui o nível de inadimplência, impactando positivamente sobre a avaliação de risco do crédito por parte dos bancos.

Além disso, é importante ressaltar a importância do índice de Basiléia. Quanto maior ele for, melhor, pois maior será a garantia de que o banco terá capacidade de honrar com seus compromissos. Se um banco possui Índice de Basiléia de 15%, significa que, para cada R$ 100,00 emprestados o banco possui patrimônio de R$ 15,00. O índice mínimo exigido pelo Banco Central do Brasil é 11%.

Os principais bancos se assemelham em suas atuais estratégias competitivas, que passam pela aquisição de outras instituições, contratação de correspondentes bancários e acordos operacionais com redes varejistas, visando ampliar o crédito para pessoas físicas. Os períodos de maior crescimento do crédito bancário, como 1994-1995 e 2004-2008, coincidem, de grosso modo, com períodos de maior crescimento econômico, uma vez que é de se esperar que as firmas busquem novas fontes de financiamento para expansão de suas atividades, assim como as famílias busquem expandir seus gastos com bens de consumo com crédito, durante as fases de crescimento da renda e do nível de atividade econômica.

Contudo, o Brasil apresenta baixa eficiência da intermediação financeira, a elevada concentração bancária no país leva alguns bancos a possuir parcelas significativas dos mercados de captação e de crédito, concedendo-lhes grande poder de fixação de preços para prestação de serviços financeiros, uma tendência mundial. Além disso, a elevada taxa básica de juros brasileira que, associada com as elevadas necessidades de financiamento do setor público, retiram grande parte do crédito dos setores produtivos.

“A economia é uma virtude distributiva e consiste não em poupar mas em escolher”.
Edmund Burke

• Imobiliário - Formado por empresas que atuam na administração e na comercialização de bens imóveis (compra, venda e aluguel). O mercado imobiliário tem grande correlação com mercado de credito no Brasil. Credito mais rígido e caro desestimula a compra do imóveis. Os principais fatores econômicos que afetam tanto a demanda como a oferta no setor são o poder de compra da população, a variação na renda das famílias, taxa de desemprego e inflação, crescimento econômico do país, políticas fiscais e monetárias, acesso ao crédito, taxa de juros, investimentos estrangeiros e a atratividade do investimento imobiliário comparado com outras alternativas de investimento. 

Além disso, a estabilidade ou instabilidade política podem causar mudanças nas preferências de investimento, fazendo com que alguns investidores busquem alternativas de maior liquidez. Portanto, o setor imobiliário é cíclico, apresentando momentos de crescimento e de quedas. A taxa de juros impacta diretamente no setor, ou seja, quanto maior os juros pagos pelo capital, menor o interesse em investir em imóveis, sendo  o contrário positivo, pois baixos juros tornam o setor atrativo.

• Shopping Center - O comércio responde por 13% do PIB, sendo o comércio varejista responsável por 42% do comércio geral. Os Shopping Centers representam 20% do comércio varejista nacional, empregando cerca de 900.000 pessoas. Os principais custos operacionais estão relacionados à mão-de-obra e custos de manutenção. As classes a e b respondem conjuntamente por 79% dos consumidores dos shoppings centers, juntando-se a classe c1, tem-se 93% dos consumidores da indústria. O grupo com 55 anos ou mais responde por 19% do volume de vendas.

Os resultados operacionais dos shopping centers dependem das vendas geradas pelas lojas. O comércio varejista é um dos primeiros a sentir os impactos causados por mudanças na conjuntura econômica. As vendas do setor são dependentes de variáveis como: nível de renda do consumidor, nível de emprego, juros, condições e prazos de financiamento ao consumidor. O faturamento do setor vem aumentando nos últimos 5 anos, bem como o número de lojas em shoppings. Há previsão de aumento no número de shoppings para os próximos anos, mas a previsão da taxa crescimento é menor.

• Educação – Há 58,2 milhões de alunos matriculados em escolas no País, 70% na rede pública e 30% na rede privada. No caso do ensino superior, 73% estão nas universidades privadas, cuja demanda do segmento é crescente. No geral, o setor apresenta elevada ociosidade na rede privada – 46% das vagas oferecidas estão ociosas. O movimento de queda de matrículas na educação básica continua, em função da recente redução da população mais jovem. Por outro lado, a educação profissional apresentou crescimento expressivo ao longo de toda a década, em função das políticas direcionadas pelo governo federal. Nos últimos 10 anos a taxa média anual de crescimento do ensino superior, considerando as matrículas foi de 10,1%.

Sazonalidade: A geração de empregos no setor ocorre predominantemente nos meses de fevereiro e agosto, sendo os períodos mais baixos dezembro a janeiro e junho a julho. A concorrência acirrada e barateamento das mensalidades comprometem a margem e dificulta o investimento em pesquisa, laboratórios, professores e instalações, comprometendo a qualidade do serviço. O risco de inadimplência é um dos principais fatores de risco para o setor, dado que as mensalidades são a principal fonte de renda das instituições de ensino.

Um cenário de crise econômica leva à redução de renda e ao aumento do desemprego, gerando consequentemente o aumento de inadimplência em todos os níveis de ensino e/ou aumento de descontos concedidos, a migração do ensino privado para público no Ensino Básico, a Menor demanda (captação de alunos) e evasão de alunos de Ensino Superior.  O ensino superior à distância (online) é menos afetado, além de apresentar custos menores.

 Seguro e Previdência - Os mercados brasileiros de seguros, previdência complementar aberta, capitalização e resseguros vêm experimentando grande avanço no que se refere à gama de produtos oferecidos. Nos últimos 16 anos, observa-se um substancial aumento no volume de receitas e uma crescente participação no Produto Interno Bruto (PIB) do país.

As empresas seguradoras normalmente têm uma estrutura ‘’leve’’ e trabalham fortemente o lado comercial. O resultado costuma ser uma Rentabilidade Sobre o Patrimônio bastante elevada.  65% da receita da carteira das corretoras de seguros pertencem a segurados pessoas físicas. Atualmente, 17 milhões de veículos e 10 milhões de residências possuem seguro. Além disso, 17 milhões de pessoas (físicas e jurídicas) contam com títulos de capitalização. A região Sudeste tem 61% do faturamento do setor, seguida da Sul, com 18% do total. O percentual médio de renovação de apólices por parte dos segurados supera a faixa de 90%, em 70% das corretoras de seguros.

O setor é afetado pela queda do nível geral de atividade econômica pelo aumento do desemprego, pela queda na produção agrícola, queda nas vendas do comércio e de serviços. Por fim, A queda da renda média da população, como efeito da retração econômica  impacta todos os ramos de seguros do Segmento de Pessoas, especialmente os massificados, como os Seguros de Vida Risco, Prestamista, Planos e Seguros de Saúde Individuais e por Adesão, e o Segmento de Capitalização.

• Sistema de saúde privado – 25% da população brasileira têm cobertura de plano de saúde privado. A expansão do número de usuários acompanha a formalização do emprego. Os planos coletivos englobam 80% dos usuários e os individuais 20%. As operadoras de planos de saúde de pequeno porte representam 73,5% do setor, medido em número de usuários, as empresas de grande porte representam 6,7%. Os aumentos de preços dos planos de saúde são controlados e autorizados pela ANS.

O setor dependente no nível de emprego e de renda. Há necessidade de constantes inovações tecnológicas. Há o risco de inadimplência dos usuários, além da concorrência acirrada entre os planos de saúde em razão da regulamentação da mobilidade com portabilidade de carência, ou seja, nos planos individuais ou familiares há a possibilidade de troca de operadora com o aproveitamento da carência. Além disso, o setor é dependente do câmbio, pois parte dos equipamentos e dos insumos são importados.

O aumento da expectativa de vida da população vem promovendo maior demanda por serviços de saúde. A precariedade do sistema de saúde público é um impulso à demanda por serviços de saúde privada, juntamente com a formalização do mercado de trabalho e elevação do emprego que promove expansão dos planos de saúde coletivos. O aumento de renda que favorece a expansão dos planos individuais. O número de usuários vem crescendo nos últimos 5 anos, bem como o percentual da população que tem cobertura.

O mercado interno crescente é o principal motivo para que as perspectivas de investimento no setor permaneçam positivas, com algum grau de autonomia em relação ao cenário macroeconômico.Mesmo sob a hipótese de um cenário externo e interno de estagnação, a demanda por produtos de saúde no Brasil tende a continuar crescendo acima da média da economia, impactando positivamente as expectativas sobre os investimentos no setor.

“A economia do tempo é menos vulgar e mais importante que a do dinheiro.”
Marquês de Maricá

• Telefonia fixa e móvel – A telefonia móvel corresponde a 87% dos acessos no Brasil, sendo 83% pós-pago. o quarto maior mercado de serviços de telecomunicações do mundo e o quinto maior número de assinantes de celulares, além de ser o terceiro maior mercado de computadores e terceiro maior número de registros (sites) de internet. Por outro, é um país onde 80% dos telefones são pré-pagos, a receita por usuário caiu de R$ 25 em 2005 para R$ 20 em 2014, apenas 40% dos lares possuem internet e 43% da população utiliza a rede.

O faturamento do setor de telecomunicações atingiu R$ 201 bilhões em 2013, com uma força de trabalho composta por 488 mil empregados diretos. O setor apresenta um alto nível de competição e requer capital intensivo – necessidade de elevados e constantes investimentos em tecnologia. É regulamentado pelo governo, que autoriza o reajuste de tarifa de telefonia fixa.

O setor depende do nível de renda da população e do ritmo de crescimento da atividade econômica, havendo o risco de inadimplência. O efeito do câmbio sobre o setor de telefonia é negativo no tocante à elevação dos custos, pois os equipamentos são cotados em dólar. Sazonalidade das vendas de linhas móveis é mais forte no Dia das Mães, Dia dos Pais e Natal. O número de acessos e a demanda para o setor vêm aumentando.

• Transporte aéreo de passageiros – O transporte aéreo responde por 10% do setor de transportes. Os meses que apresentam maior demanda são julho, outubro, dezembro e janeiro. Fevereiro é o mês que apresenta a menor demanda. Dos principais custos do setor o gasto com combustíveis responde por 40%. As importações de querosene para aviação representam 24% do consumo interno. A Tam possui 41% do market share, seguida pela GOL 35%, Azul 14% e Avianca 5%. A demanda do setor é crescente e o número de passageiros transportados vem crescendo, apesar da oferta de assentos se encontrar estável. O consumo e a produção de querosene para aviação se encontram estáveis. Contudo, o seu preço vem aumentando no mercado.

O setor dependente do nível de atividade econômica, do nível de emprego, da renda da população e das condições de financiamento. Além disso, o setor dependente da taxa de câmbio, pois as aeronaves são adquiridas por meio de leasing em dólar e as dívidas e custos são atrelados ao dólar. Os custos com combustíveis são atrelados também ao petróleo. É um setor com alto índice de tributação 35%.

• Transporte rodoviário de cargas – O transporte de cargas responde por 70% da Receita do setor e o de passageiros por 30%. Sazonalidade: A indústria apresenta uma maior demanda no segundo semestre entre julho e dezembro. As transportadoras mais ligadas ao transporte de produtos agrícolas têm maior nível de atividade durante o 1º semestre do ano, quando ocorre o período de colheita e comercialização da safra agrícola.

Para o período de 2015 a 2018, as perspectivas são de investimentos da ordem de R$ 177 bilhões nos setores de portos, ferrovias, rodovias e aeroportos, considerando os investimentos privados e públicos (federais). O setor de rodovias abarca 42% do montante previsto, justificado pelo fortalecimento das concessões federais. Outro setor de destaque é o ferroviário, com 27% da projeção de investimento no período, concentrando-se a partir de 2017.

Assim, recentemente a infraestrutura logística tornou-se uma preocupação nacional, o que acarretou, por um lado, a retomada do planejamento no setor e, por outro, a inclusão dos projetos prioritários nos planos de investimento federal, a saber: Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), PAC 2 e PIL.

Os principais custos do setor são: óleo diesel e lubrificantes 33%, mão-de-obra 43%, manutenção, pedágios, IPVA e licenciamento, seguros e sistemas de segurança, peças de reposição e pneus. Os gastos com a manutenção do caminhão representam 50% da renda bruta do caminhoneiro autônomo. O setor dependente do nível de atividade econômica. As transportadoras ligadas à atividade agrícola dependem do volume da safra e as empresas de transporte de concreto dependem do nível de atividade da construção civil.

Em um ambiente de crescimento no mundo e no Brasil, a demanda por serviços de transporte e serviços logísticos integrados deverá se acelerar. Na hipótese de preço elevado do petróleo, o impacto sobre os custos logísticos no Brasil, sem o equacionamento da matriz modal de transportes, será ainda mais intenso, pela preponderância do custo de combustível.

• Transporte ferroviário - O transporte ferroviário responde por 20,7% do transporte de cargas no Brasil e por 0,5% do transporte de passageiros. O transporte de passageiros é focado no transporte urbano. O modelo de locomotiva predominante no transporte de cargas brasileiro é a Diesel-elétrica. O modelo elétrico possui um alto custo fixo de manutenção e, por isso, se restringe aos sistemas de transporte metropolitano. 70% dos custos do setor são de mão-de-obra, 22% de combustíveis. A indústria fornecedora de bens de capital para o transporte ferroviário atua sob encomenda.

Não existe competição direta entre as empresas, pois cada linha possui um trajeto específico. Existe uma correlação entre o preço do frete cobrado pelo Transporte Ferroviário e o do Transporte Rodoviário. Isto porque eles são considerados substitutos perfeitos para alguns trajetos e, com isso, passam a ser concorrentes. O sistema ferroviário de transporte de cargas é predominantemente voltado para as commodities, mas é um cenário que está em mudança devido aos grandes avanços técnicos. O volume anualmente transportado se encontra estável, os investimentos têm aumentado nos últimos 5 anos.

O custo fixo da atividade é alto e torna-se ainda maior devido à baixa distância percorrida. Os trens brasileiros percorrem, em média, 500 km quando o ideal é acima de 1.000 km. O setor é influenciado pelo nível de exportações brasileiro, principalmente de commodities, e pelo ritmo de atividade do mercado internacional.

• Turismo e hotelaria – A importância do turismo está no efeito multiplicador exercido em outros setores econômicos. A geração de emprego e a entrada de turistas movimentam o comércio, a construção civil e as indústrias têxtil, de eletroeletrônicos e de alimentos, por exemplo. O período de maior demanda do setor ocorre entre setembro e fevereiro.

Os principais custos do setor hoteleiro são: 40% depreciação – elevado investimento em imobilizado/manutenção, 40% mão-de-obra; 20% – água, energia elétrica, mercadorias em geral (alimentos, produtos de limpeza) entre outros.

A potencialidade do turismo brasileiro é pouco aproveitada em razão dos seguintes aspectos: pouca divulgação no exterior, crises econômicas imagem turística externa negativa, problemas de infra-estrutura como gargalos aeroportuários, violência urbana, infra-estrutura inadequada – esses aspectos do turismo brasileiro vêm melhorando ao longo dos anos, mas ainda é insuficiente para aproveitar toda potencialidade brasileira. Contudo, a demanda para o setor é crescente.

“A maioria das pessoas se interessa pelas ações quando todos estão interessados. A hora de se interessar é quando ninguém mais está interessado. Não é possível comprar o que é popular e se dar bem”.
Warren Buffett

Ao realizar uma análise setorial o investidor deve avaliar se o segmento vem crescendo e, principalmente, se ainda há espaço para mais crescimento. Através dos indicadores macroeconômicos deve procurar compreender os impactos destes no setor, bem como a tendência do preço das commodities que o setor é dependente, seja como consumidor, seja como produtor, e como isso afeta as margens dessas empresas. Sabendo o desempenho geral do setor o investidor pode saber se determinada empresa vem apresentando desempenho “compatível” com os das demais empresas do setor, encontrando assim novas oportunidades e, teoricamente, prever e evitar riscos.

A melhor forma de se fazer isso é realizando uma análise comparativa. Os fundamentos apenas têm valor quando comparados à sua tendência histórica e aos fundamentos das demais empresas. Isso também é importante porque aumenta as opções de investimento. Através de uma análise fundamentalista das principais empresas de um determinado setor é possível definir os valores médios e os padrões que os fundamentos desse setor apresentam. Assim, o investidor poderá, por exemplo, determinar se a evolução do lucro e a margem líquida de uma determinada empresa estão de acordo com os padrões para o setor. Saberá assim se a empresa está apresentando uma performance acima ou abaixo da média do setor, possibilitando ainda definir uma projeção das perspectivas para a empresa e para o setor.

Em suma, através da análise macroeconômica o investidor irá filtrar aqueles setores que acredita que vêm apresentando baixa performance de resultados ou que acredita que serão impactados pela conjuntura econômica, definindo quais são os setores econômicos mais favoráveis para se investir. Para isso recomenda-se acompanhar a evolução das cotações do índice setorial na Bovespa, definindo sua tendência de longo e curto prazo, além de comparar a rentabilidade do índice setorial em relação ao Ibovespa, bem como a rentabilidade das ações do setor em relação a esses.

A partir daí, o investidor deve fazer um levantamento das empresas do setor, definindo as principais líderes do segmento, ao mesmo tempo em que filtra aquelas que vêm apresentando resultados ruins ou abaixo da média das demais empresas do segmento. Para poupar tempo, o investidor deve analisar apenas aquelas que geraram lucro nos últimos 3 anos, retirando aquelas que vêm apresentando prejuízos ou que possuem uma dívida maior que o valor patrimonial, pois em tese, são empresas que perderam o controle da dívida ou são muito alavancadas.

Assim, o investidor irá definir quais são as empresas que mais se destacam no setor utilizando os valores médios dos indicadores do setor, como P/L, Margem Líquida, ROE, DY, Dívida/Patrimônio Líquido, dentre outros, criando assim um ranking do setor. Ao retirarmos as “maçãs podres” do cesto, perceberemos que nem tudo é tão ruim assim, e teremos uma visão melhor do setor. Encontraremos empresas que consecutivamente vêm apresentando trimestralmente lucro líquido positivo, margem líquida positiva, ROE positivo e dívida total sobre o patrimônio menor que um.

“As melhores ações para investimento estão em um ponto intermediário entre as muito ruins e as muito boas”.
Benjamin Graham

O foco dessa estratégia é o investimento em valor e não a especulação. Contudo, é importante frisar que grandes empresas não conseguem crescer nas mesmas proporções que as empresas menores do setor. Elas não conseguem dobrar sua receita a cada 1 ou 2 anos, o que empresas menores podem conseguir fazer. E como o preço de uma ação e a sua variação estão diretamente ligados à expectativa que o mercado tem em relação ao desempenho da empresa, ações de empresas menores que apresentam bons resultados e tem melhor desempenho no setor podem se valorizar mais do que as ações das grandes empresas, já maduras e consolidadas no setor.

Quanto maior a expectativa do mercado em relação ao crescimento, à performance e à rentabilidade da empresa, maior será a valorização de suas ações caso ela consiga realizar bons resultados, e nem sempre essa empresa será a maior ou a líder do setor. Contudo, caso não consiga atingir bons resultados, ou mesmo, haja uma redução na sua performance, é de se esperar que suas ações sejam mais depreciadas em relação às ações das grandes empresas líderes do setor. Sempre tenha consciência da relação entre risco e rentabilidade ao definir em que setor irá investir, filtrando as empresas que vêm apresentando baixo desempenho e selecionando as empresas lucrativas para a realização de uma análise mais aprofundada que levará à escolha da melhor opção de investimento.

Devemos perceber as características de cada setor, tendo cautela ao comparar empresas de setores diferentes, pois cada um tem suas próprias peculiaridades. Por exemplo, o setor de tecnologia de informação quase não possui dívidas e as empresas de utilidade pública têm dívidas que equivalem a mais da metade dos seus patrimônios líquidos, ou ainda o Dividend Yield, que em alguns setores chega a ser menor que 2% e em outros chega a ser maior que a inflação do período.

Portanto, o mais importante é fazer um filtro que elimine as empresas que não se enquadram nos múltiplos mínimos exigidos para o setor. Essa carteira de empresas deve ser periodicamente reavaliada, pois nenhuma decisão em renda variável é definitiva. Fundamentos e tendências de preço mudam, assim como a sua análise deve mudar com o passar do tempo. As decisões tomadas hoje podem não ser mais apropriadas num diferente contexto no futuro.

Esse tipo de análise comparativa demonstra a força ou a fraqueza de determinada empresa em relação às demais do setor. Ajuda a identificar não apenas a empresa líder do setor, a qual não será necessariamente a maior empresa, mas as mudanças na tendência dos fundamentos e na performance da empresa com o passar dos anos. Não devemos assumir que o líder de mercado hoje sempre o será. Mudanças nos fundamentos da empresa são o que determinará sua decisão de comprar, manter, vender ou ficar de fora. Logo, o mais importante é descobrir as mudanças o mais cedo possível para poder agir de acordo e tirar proveito das oportunidades.

“A mudança é a única constante do mercado”.
Capital e Valor

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Análise das Demonstrações Financeiras

Uma empresa nada mais é do que uma máquina de captar recursos (dos seus proprietários ou de terceiros) para investir nas suas operações e, com isso, gerar resultado para os seus fornecedores de recursos (sócios e acionistas), além de fornecedores e colaboradores. A própria essência de um negócio é aumentar a riqueza por meio das atividades a que se propôs.

Empreendedores criam riqueza ao alocar corretamente recursos escassos para setores em que há maior demanda do consumidor e esta não está totalmente atendida, gerando valor ao alocar recursos para usos mais produtivos. Para isso, criam novos produtos ao inovar processos que irão substituir os antigos e ao descobrir oportunidades ainda não percebidas de lucro. Empreendedorismo é perceber oportunidades e desenvolver melhor maneira de alocar recursos de forma eficiente para atendê-las. Inovar, criar valor, superar os rivais e aumentar as receitas e os lucros, esse é o tipo de comportamento empreendedorial.

A concorrência num livre mercado (sem subsídios, sem monopólios, sem barreiras, etc) faz com que a oferta corresponda às demandas dos consumidores. E o erros cometidos, bem como os prejuízos resultantes destes, funcionam como estímulo para que se faça ajustes apropriados na estrutura de produção, ou para que se realoque mão-de-obra e recursos para outras linhas de produção, adaptando-se melhor ao ambiente ao fazer com que os investimentos sejam compatíveis com a poupança disponível necessária para manter e expandir a estrutura de produção no longo prazo. E qualquer tentativa de manipular esse arranjo artificialmente, como por exemplo por meio de intervencionismo e protecionismo inevitavelmente gerará ciclos econômicos de expansão e de recessão. Intervencionismo e empreendedorismo são estados contraditórios.

"Quer espoliar um rico e redistribuir seu dinheiro? Crie algo e venda algo para ele."

Exposto isso, talvez a maior dificuldade ao investir em ações não seja a coragem de expor o capital ao risco, mas a escolha de boas oportunidades diante de um grande número de empresas e o que analisar diante de tanta informação disponível. Existem muitas fontes de informações sobre o comportamento dos preços das ações, facilmente encontradas na internet, contudo, poucas fontes confiáveis de informações contábeis de longo prazo e que proporcionem uma visualização eficiente sobre o desempenho operacional e o risco oferecido pelas empresas.

Aconselhamos a consulta aprofundada dessas duas fontes de informação para qualquer pessoa que esteja interessada em investir em renda variável. As principais fontes de informação são as próprias empresas, usualmente através dos seus resultados trimestrais. No entanto, estudar e analisar uma vasta gama de informações sobre cerca de 300 empresas diferentes para se fazer uma análise aprofundada e de qualidade na maior parte das vezes é inviável e/ou ineficiente para aqueles que não se dedicam em tempo integral ao processo.

Não se pode analisar e comparar todos os fundamentos disponíveis, ainda mais tentar fazer isso com todas as empresas que possuem ações na bolsa. Isso levaria uma vida! Ao montar a sua estratégia de análise o investidor deve definir quais são os indicadores e fundamentos que lhe serão mais importantes e úteis, estabelecendo prioridades para ganhar tempo. Caso contrário, quando a oportunidade for identificada já será tarde, pois o mercado já terá reagido aos novos fundamentos. E como fora dito anteriormente, hoje em dia o mercado está reagindo às mudanças nos fundamentos muito mais rápido do que era de costume. O investidor precisa dedicar tempo e ter foco no que é realmente importante acompanhar, possibilitando que assim que uma mudança ou oportunidade seja identificada e ele possa reagir de acordo em tempo hábil para tomar proveito dela.

A obtenção desses dados para a análise é trabalhosa e a sua análise é relativamente complicada no início. A sistematização desse processo requer tempo e dedicação. Atualmente, estes serviços são prestados pelas grandes corretoras e agências especializadas. Os serviços prestados por esses provedores muitas vezes pecam pelo fato de suas informações e indicadores estarem defasados face aos valores atuais de mercado. Além disso, normalmente apresentam custos elevados, sem contar o fato das informações oferecidas serem complexas, subjetivas e em grande volume, o que prejudica uma rápida análise e interpretação por parte da grande maioria dos investidores.

“Você deve investir seu dinheiro numa empresa que até um idiota consiga administrar, porque um dia um idiota o fará.”
Warren Buffett

O objetivo da Análise das Demonstrações Financeiras é oferecer um diagnóstico sobre a real situação econômico-financeira da organização, utilizando relatórios gerados pela Contabilidade e outras informações necessárias à análise. Consiste na aplicação de técnicas que realizam a decomposição, a comparação e a interpretação dos dados nelas presentes a fim de obter um diagnóstico sobre a situação financeira do negócio em um dado período, avaliando a relação entre preço, rentabilidade, liquidez e endividamento. As principais Demonstrações Contábeis divulgadas pelas empresas a cada trimestre são:

Balanço Patrimonial (BP) - Apresenta a posição patrimonial de uma empresa em dado momento. São registrados os bens e direitos (ativos) e as obrigações, ou fontes de financiamento dos bens (passivos), incluindo-se no passivo o patrimônio líquido dos acionistas (diferença entre o valor dos ativos e as obrigações da empresa.

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) - Apresenta as receitas geradas e as despesas incorridas pela empresa no período, indicando dessa forma o resultado econômico da empresa no trimestre.

Demonstração do fluxo de caixa (DFC) - Apresenta entradas e saídas do caixa da empresa no período e o saldo final do caixa da empresa antes e após essas movimentações.

Demonstração do valor adicionado (DVA) - Apresenta as Receitas geradas por uma empresa em determinado período, bem como a sua distribuição entre todos aqueles que participaram de sua produção.

Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) - Apresenta as alterações que ocorreram em determinado exercício nas contas do patrimônio líquido da empresa, indicando onde houve crescimento ou redução de riqueza. O patrimônio líquido pode variar em razão de lucro/prejuízo líquidos do exercício, do pagamento de dividendos, aumentos/reduções de capital, reavaliação de ativos, ajuste dos exercícios anteriores, etc.

O primeiro passo é estudar e desenvolver a habilidade de rapidamente interpretar os fundamentos, determinar a situação da empresa e a tendência de seus indicadores. Essa habilidade não virá a partir de um extenso estudo de contabilidade ou de economia, mas sim de um estudo prático de poucos, porém, importantes indicadores. O segredo está em transformar os números em palavras, interpretar a evolução e as mudanças dos indicadores e projetar uma tendência futura para a performance e para os resultados da empresa. De grosso modo, a chave para o sucesso está em transformar a informação em algo fácil de digerir, para que se possa realizar uma análise rápida e eficiente. E é isso que os ratios farão para você, uma análise sistemática e eficiente.

Cada decisão da administração da empresa corresponde a um impacto econômico, financeiro e patrimonial cuja extensão depende de muitas variáveis. A análise microeconômica se presta às análises retrospectiva e prospectiva centradas em dois aspectos:

- No nível de risco presente e futuro que a empresa analisada pode apresentar, isto é, na liquidez evidenciada na atividade a que a empresa se dedica e no grau de endividamento.

- Nos retornos de suas atividades e investimentos, isto é, na lucratividade que a empresa obteve e que poderá obter em decorrência do seu desempenho passado e do seu desempenho esperado. Assim, os índices podem ser classificados nas seguintes categorias:


A análise fundamentalista não consegue prever o futuro, mas consegue indicar as tendências passadas dos fundamentos e mostrar em primeira mão as mudanças que estão ocorrendo no presente. Assim, deve-se determinar se essas mudanças são positivas ou se são negativas, para então criar uma expectativa sobre a tendência dos fundamentos e a performance futura da empresa. A evolução de cada item e de cada indicador permite-nos avaliar se a empresa está numa trajetória de crescimento, em retração, ou estagnada em relação aos anos anteriores e, principalmente, em relação às concorrentes. Na análise microeconômica da empresa também será estudado e incorporado o cenário macroeconômico da economia e do setor em que ela atua. Esse trabalho, no entanto, não deve contemplar períodos excessivamente longos (acima de 5 anos) em virtude das constantes modificações ocorridas na economia brasileira nas últimas décadas, que certamente geraram distorções significativas nos demonstrativos das empresas.

A partir de uma análise retrospectiva teremos embasamento para realizarmos a análise projetiva, estimando seus resultados futuros a partir da média dos resultados históricos, sendo possível até mesmo estimar diversos cenários no intuito de compreender os riscos e as vantagens as quais a empresa está sujeita. É fundamental levarmos em consideração a tendência das variáveis macroeconômicas e setoriais cruciais ao desempenho e ao negócio da empresa. Assim sendo, a imprensa diária, as publicações setoriais especializadas e os canais de RI são fontes permanentes de consulta para complementar os elementos informativos relevantes. Isso é importante porque é através dessas informações que o mercado consegue criar uma expectativa mais realista em relação ao que acontecerá com a empresa no futuro. Não é uma simples projeção do passado, até porque muitas variáveis não apresentam comportamento linear, mas é um bom ponto de partida, e feitos alguns ajustes é possível identificar tendências e criar estimativas.

A chave para uma boa projeção de resultados está sobretudo na boa definição das premissas, pois a projeção de um resultado futuro é uma mera transposição das expectativas para os dados contábeis. Todas as premissas devem ser bem definidas e, apesar de todo o trabalho, deve ficar claro que nenhuma projeção é eterna. Muito pelo contrário, pois a revisão deve ser constante, sempre avaliando os novos resultados e indicadores divulgados, bem como o guidance, que nada mais é do que um conjunto de comentários que uma empresa faz a respeito das perspectivas para suas atividades. Os comentários se referem às expectativas da empresa para diversas variáveis, focando principalmente em receitas, indicadores operacionais e lucro. Também são comuns guidances para questões mais amplas relacionadas às perspectivas para a área de atuação da companhia, ou mesmo para o desempenho da economia.

“O preço de uma ação é uma função dos seus lucros projetados”.

A análise dos indicadores fornece uma ampla visão da situação econômica, financeira e patrimonial da empresa, e deve ser realizada através da construção da série histórica com os números encontrados, os quais são apurados através da relação entre contas ou grupos de contas que integram as demonstrações contábeis. Um indicador analisado isoladamente num único balanço trimestral representa pouco para um diagnóstico da saúde financeira da empresa e de seu desempenho ao longo dos anos.

A riqueza da análise fundamentalista está em comparar os indicadores em relação ao passado da empresa, ao seu histórico de balanços, além de compará-los aos resultados e indicadores das demais empresas do setor. A análise horizontal (ao longo do tempo) das demonstrações financeiras passadas apresenta importantes informações a respeito do desempenho e do risco oferecido pela empresa, da situação presente, bem como fornece subsídios para projeções e expectativas para o seu desempenho futuro.

O objetivo é avaliar um determinado número de empresas e escolher a que apresenta a melhor perspectiva dentro desta análise. Ao invés de investir em um gráfico, um histórico de cotações passadas que não garante a rentabilidade futura, investir em ações de uma empresa que apresenta bons fundamentos e um histórico de bons resultados se mostra uma escolha muito mais responsável e consciente. E de fato, todo investimento de longo prazo depende diretamente dos fundamentos.

Todo o estudo dos fundamentos envolve comparação, seja entre as demais empresas do setor, em relação à líder do setor ou em relação aos resultados anteriores da empresa nos últimos 5 anos e demais fundamentos. Em alguns casos, é ideal que alguns fundamentos se mantenham constantes. Por exemplo, espera-se que o valor das vendas aumente com o tempo como um indicador de contínuo crescimento da empresa. Entretanto, o percentual de lucro das vendas (margem líquida) deve permanecer constante. Não se pode esperar que aumente todo trimestre, o que demonstra uma constante taxa de retorno das vendas da empresa. Com a divulgação de um novo resultado, após analisá-lo, você deve fazer algumas indagações:

- A empresa é lucrativa? Qual é o percentual de crescimento do lucro líquido?

- Está muito endividada? Qual é o percentual de crescimento do endividamento?

- A empresa vem apresentando crescimento do seu patrimônio líquido ao longo dos anos? O retorno sobre o Patrimônio Líquido é significativo e vem crescendo?

- Será que essa empresa continua exibindo o mesmo potencial de crescimento que eu havia identificado anteriormente?

- Quanto a empresa vem pagando aos acionistas sob forma de proventos? Esse valor está acima ou abaixo da média histórica e da média do setor?

- Os indicadores tiveram alguma mudança tão significativa que indique que a melhor opção é vender a ação?

- Os indicadores estão se mantendo num nível aceitável e otimista de maneira que eu deva continuar com a ação?

- Estou pagando um preço maior ou menor em relação ao valor patrimonial da ação e em relação às ações de outras empresas do setor? Se maior, existe alguma razão que justifique pagar mais? Se menor, este investimento seria realmente uma “pechincha” ou deveria valer muito menos em razão de algumas características tornarem essa empresa pior se comparada às demais do setor?

- Existe alguma outra oportunidade numa outra ação que está mostrando um melhor potencial? Será que devo vender para comprar essa outra ação?

Essas perguntas básicas determinarão sua estratégia como investidor, comprar, manter, vender ou ficar fora. Ao determinar os resultados de sua análise você deverá plotá-los em gráficos para visualizar as tendências dos indicadores e dos fundamentos. Enxergar a evolução dos fundamentos é muito mais educativo do que simplesmente ler os números, e você precisa dos gráficos para dar perspectiva à tendência desses fundamentos.

“Com bastante informação privilegiada e um milhão de dólares você pode falir em menos de um ano.”
Warren Buffett

Alguns indicadores tais como linhas de média móvel exponencial e linhas de regressão linear são bastante úteis para identificar a melhoria ou a deterioração na tendência de um fundamento e projetar possíveis tendências futuras para o mesmo. Entretanto, essas linhas tendem a minimizar bruscas variações num fundamento, o que pode não ser interessante, pois uma situação crítica ou volátil deve ser identificada como tal e não amenizada pela média.

Fazendo esse tipo de análise dificilmente você irá investir numa empresa que está perdendo performance ou apresentando prejuízo. Mas por outro lado, mesmo ações de empresas que vêm há tempos apresentando prejuízos podem subir a partir do momento em que começam a apresentar prejuízos menores. Como fora dito anteriormente, o mercado é expectativa. Sendo assim, uma empresa que divulga um prejuízo menor do que o esperado pelo mercado terá suas ações valorizadas apesar de ainda estar tendo prejuízo. O fato de que seus prejuízos estão se tornando menores é um bom sinal, o que aumenta a expectativa do mercado em relação ao desempenho futuro dessa empresa. Essas mudanças serão quase sempre indicadas primeiramente nos seus fundamentos.

Como disse Peter Drüker, “Se você não mede algo, você não pode entender o processo. Se você não entende o processo, você não consegue aperfeiçoá-lo”. Portanto, os índices ou múltiplos estabelecem a relação entre as contas ou grupo de contas das demonstrações contábeis, visando evidenciar determinado aspecto da situação econômico-financeira de uma empresa. Facilitam sensivelmente o trabalho de análise, uma vez que a apreciação de certas relações ou percentuais é mais significativa que a observação de montantes, servindo como um termômetro da saúde financeira da empresa. Os principais índices são:


“As faculdades de administração recompensam o comportamento difícil e complexo mais do que o comportamento simples, mas o comportamento simples é mais eficaz.”
Warren Buffett

Um ratio é uma abreviada forma de expressão que descreve a relação entre 2 ou mais fundamentos. Logo, se um valor for 2 vezes maior que outro o ratio será 2 para 1. Por exemplo, se uma empresa possui uma margem líquida de 50%, isso significa que para cada 2 reais que ela girar, utilizar na sua atividade, ela terá 1 real de lucro líquido. Se com o passar do tempo essa margem diminuir para 40%, isso é ruim, pois terá que girar mais dinheiro, ou seja, vender mais para poder obter o mesmo lucro. Mesmo que o lucro aumente em função do aumento nas vendas, isso pode ser um mau sinal em relação ao futuro da empresa, pois está ficando mais caro para ela produzir ou está sendo obrigada a praticar preços mais baixos, senão ambos.

A análise geral dos índices tende a focalizar os principais aspectos operacionais e financeiros da empresa através da análise comparativa com a indústria e da análise do histórico da própria empresa a fim de identificar as áreas que mais contribuíram ou afetaram o desempenho da empresa no período em análise. Ao analisar o lucro líquido, por exemplo, é importante observar obviamente se a empresa apresenta uma evolução de lucros líquidos recorrentes ao longo dos anos, se vêm crescendo e em qual proporção, se estão crescendo num percentual acima ou abaixo da média do setor, além de comparar a sua evolução à evolução dos demais indicadores. No exemplo torna-se importante comparar a evolução do lucro líquido à margem líquida, de forma a verificar se a empresa vem conseguindo manter sua margem de lucro líquido, ou mesmo aumentá-la, a medida que o seu lucro líquido cresce.

Assim, partindo das bases macroeconômica, setorial e da retrospectiva econômico-financeira, a análise do histórico das demonstrações financeiras permite ao investidor conhecer em detalhes a estrutura de capitais da empresa analisada, observando a evolução dos seus resultados e indicadores ao longo dos anos. Para isso, o investidor precisa ter informações confiáveis, em tempo hábil, sobre as perspectivas da empresa em foco. É importante saber sobre seus principais itens de custo, seus projetos de investimentos e como isto se refletirá sobre suas vendas e sobre seu fluxo de caixa, levando então a uma expectativa sobre seus resultados no futuro.

O relatório anual é um documento muito importante para o mercado. Contém um extenso resumo de sua atividade durante o ano, notícias, relatórios financeiros, projeções e perspectivas futuras para a empresa e para o setor. Apesar de ser bastante promocional, é fundamental a sua leitura para se situar a respeito da empresa e do seu setor.

Entretanto, esses relatórios são produzidos pelo departamento de relações com o investidor da empresa e, em função disso, podem ser otimistas demais, ou ainda, notícias e dados ruins podem ser expostos de forma superficial ou irreal. Portanto, esses documentos devem ser vistos com certo grau de “desconfiança”, de ceticismo e de bom senso. A maioria dos investidores prefere ler esses relatórios do que estudar os indicadores e fundamentos da empresa. Contudo, esse tipo de relatório jamais irá se equiparar a uma análise objetiva dos fundamentos e resultados históricos. É preciso analisar a empresa pelo o que os seus números mostram e não pelo o que o RI da empresa “relata” aos investidores.

“Se escrita da maneira "correta" até a pior das notícias pode aparentar ser positiva”.
Capital e Valor

Leia nos resultados as notícias e os acontecimentos do período, assim como a mensagem do presidente da empresa explicando o resultado. Procure informações importantes tais como processos e decisões judiciais, acontecimentos extraordinários, compra de empresas e venda de subsidiárias, prejuízos financeiros, etc. Esses relatos informam não só porque ganhos ou perdas ocorreram, mas também o que está e será feito para recuperar os prejuízos ou para garantir o “sucesso da empresa.”

Entre em contato com o RI da empresa caso tenha alguma pergunta, dúvida ou precise de informações complementares. É fundamental que essa análise seja feita de forma prática e objetiva e, acima de tudo, que os resultados dos testes sejam bem assimilados, comparados e nunca interpretados isoladamente como único indicador financeiro de uma empresa.

Buda defendia que tudo depende de todo o resto. “O Um contém o Todo e o Todo contém o Um”. Não se pode compreender nada em isolamento de seu ambiente. Portanto, evite analisar um determinado resultado ou fundamento de maneira isolada. Ainda que um determinado valor de um múltiplo forneça uma indicação de como a empresa está no presente, sem se correlacionar esse valor atual à tendência da sua evolução no passado e aos valores dos demais indicadores não será possível criar uma expectativa realista para a sua tendência no futuro.

A correta interpretação deve ser feita através de comparação, analisando a sua evolução com o passar do tempo nos resultados anteriores e comparando-a com a evolução das demais empresas do setor. Dessa forma, você terá uma visão mais abrangente e mais qualitativa do desempenho da empresa ao longo dos anos, permitindo identificar se a empresa está subperformando ou sobreperformando as demais empresas do setor, ou mesmo, se sua performance está alinhada à média do setor. Evite analisar apenas um trimestre ou um ano, compare-os com os fundamentos dos anos anteriores e avalie se os recursos estão sendo adequadamente aplicados e estão gerando os retornos esperados.

Por fim, cabe ressaltar que sempre haverão fatores macroeconômicos, sejam acontecimentos econômicos ou políticos, ou mesmo, fatores intangíveis e subjetivos, os quais além de difíceis ou impossíveis de serem previstos produzem efeitos sobre o preço de uma determinada ação ou sobre o mercado como um todo que também não poderão ser facilmente estimados. Assim, os efeitos de tais eventos poderão sobrepor bons fundamentos e bons indicadores de performance de determinada empresa e como resultado suas ações poderão ser depreciadas na bolsa. Da mesma forma, ações de outras empresas, independentemente de estarem apresentando bons ou maus resultados financeiros, poderão sofrer valorização em razão da expectativa de que tais eventos serão benéficos para o seu ramo de negócio.

A escola fundamentalista requer intenso e contínuo esforço na obtenção e na interpretação de uma diversidade de informações sobre as empresas, os diferentes setores e a conjuntura econômica. Cada indicador possui peculiaridades que devem ser muito bem conhecidas por quem o analisa sob pena de se gerar distorções nas análises efetuadas.

“Não há pior cego que aquele que não quer ver”.
Lodovico Grossi

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Como Analisar um Balanço Patrimonial?

O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, qualitativa e quantitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da empresa, ou seja, é um raio X da empresa naquela data. Para padronizar a divulgação dos balanços as empresas os divulgam geralmente no final de cada trimestre (ITR) e um com todos os dados do ano corrente (DFP).

O balanço apresenta a posição patrimonial de uma empresa em dado momento. A informação que esse demonstrativo fornece é totalmente estática e, muito provavelmente, a sua estrutura se apresentará relativamente diferente algum tempo após o seu encerramento. No entanto, pelas relevantes informações de tendências que podem ser extraídas de seus diversos grupos de contas o balanço servirá como elemento de partida indispensável para o conhecimento da situação econômica e financeira de uma empresa.

No Balanço Patrimonial são registrados os bens, direitos e obrigações da empresa num determinado momento, agrupados em contas dispostas em ordem decrescente de liquidez. Receitas significam entradas no ativo da empresa na forma de bens ou direitos que provocam um aumento da situação líquida. Despesas são gastos da companhia para direta ou indiretamente gerar receitas no futuro. As despesas podem diminuir o ativo e/ou aumentar o passivo exigível. Entretanto, elas sempre provocam reduções na situação líquida.

"Paz financeira não é a aquisição de coisas. É aprender a viver com menos do que ganha, para que possa distribuir um pouco e investir. Você não vence enquanto não fizer isto".
Dave Ramsey

O balanço tem dois lados: do lado esquerdo temos os Ativos, que são os bens que a empresa possui ou irá possuir no futuro (o que a empresa tem) e, do lado direito, os Passivos, que são as obrigações, fontes de financiamento desses bens (o que a empresa deve). Estão apurados nos ativos os investimentos e nos passivos os financiamentos contabilizados pela empresa e o seu patrimônio próprio. Ambos os lados têm de se equilibrar, um não pode ser maior do que o outro.

O lado direito pode ser subdividido em dois: as fontes de financiamento próprias (Patrimônio Líquido) e as fontes de financiamento alheias ou capitais de terceiros (Passivo), sendo próprias as que se referem aos proprietários da empresa e alheias as que se referem aos credores externos e fornecedores. Assim, Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido.

Analisando o balanço, podemos saber imediatamente:
Qual o valor de tudo o que a empresa possui (ativo)
Qual o valor do que a empresa deve a terceiros (passivo)
Qual o valor líquido, calculado pela diferença entre ativo e passivo.
Logo, Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo.

"É sábio olhar para trás, pois é avaliando a tortuosidade de nossas pegadas que poderemos garantir um caminho reto para o futuro".

Para se conhecer a riqueza líquida de uma empresa deve-se somar os Bens com os Direitos e desse total subtrair as Obrigações. O resultado obtido será a riqueza líquida. Em alguns casos o somatório dos Bens mais os Direitos superam o valor das Obrigações. Nestes casos o Patrimônio Líquido destas empresas é positivo, ou seja, há verdadeira riqueza. Em outros, porém, quando as Obrigações superam os Bens e Direitos, o Patrimônio Líquido será negativo, havendo mais dívidas do que riqueza.

Os recursos próprios da empresa são os provenientes do capital subscrito e integralizado pelos sócios e acionistas, das reservas em geral e dos lucros retidos. Estes valores são identificados no patrimônio líquido. Os recursos de terceiros são originados de fonte externa, mais especificamente do mercado financeiro, podendo assumir a modalidade de empréstimos e financiamentos, dívidas com fornecedores e colaboradores, impostos, dentre outros.

O patrimônio líquido evidencia a riqueza da empresa, uma vez que é formado pelo capital investido pelos proprietários e/ou acionistas acrescido do lucro retido, isto é, o lucro que não é distribuído para os acionistas. O valor do Patrimônio Líquido representa o valor contabilístico da empresa. Ainda que este número não seja um valor que determine em absoluto quanto vale determinada empresa, ele serve como uma referência importante. Em caso de liquidação da empresa o valor do Patrimônio Líquido seria dividido entre os acionistas. Maximizar o valor do capital próprio é um dos objetivos mais importantes dos gestores.

Obviamente, o Patrimônio Líquido pode aumentar ou diminuir ao longo do tempo em função dos lucros ou dos prejuízos dependendo do desempenho da gestão da empresa. Uma gestão eficiente conduz a um aumento do valor da empresa e uma gestão fraca destrói o valor da empresa. Ao fim de um período de tempo suficientemente longo, é possível analisar o desempenho da empresa e da sua gestão. Por exemplo, se uma empresa possui uma mercadoria no valor de R$ 100,00 no seu ativo e a troca por R$ 150,00 (em dinheiro) o lucro é registrado na Demonstração dos Resultados, que veremos mais à frente. No final do período apurado (trimestre) este lucro de R$ 50,00 é transferido para o Patrimônio Líquido.

Nosso objetivo é puramente a análise financeira da empresa, o que irá embasar a sua tomada de decisão de investimento. Não pretendemos explicar em detalhe como são montadas as Demonstrações Financeiras, esse é o trabalho da contabilidade. O que pretendemos é ensinar objetivamente a análise vertical (da estrutura) do Resultado Financeiro de um período e, posteriormente, a análise horizontal (da evolução) que engloba o histórico dos resultados, buscando estabelecer tendências e avaliar o desempenho da empresa ao longo dos anos.

"Quando não se tem dinheiro pensa-se sempre nele. Quando se tem, pensa-se somente nele".
Jean Paul Getty

O ativo e o passivo podem ser classificados como: circulante e não circulante, sempre do mais líquido para o menos líquido. Ou seja, as contas são apresentadas, no balanço, segundo a ordem do prazo em que normalmente são convertidas em dinheiro. 

No ativo circulante estão listados os ativos disponíveis ou que serão recebidos pela empresa em menos de um ano. No ativo não circulante estão listados os ativos que serão recebidos pela empresa num período acima de um ano. Já no passivo circulante estão listadas as dívidas que serão cobradas da empresa em menos de um ano. No passivo não circulante estão listados as dívidas que serão cobradas da empresa num período acima de um ano. A soma de todos os itens do Ativo será sempre igual à soma dos itens do Passivo acrescido do Patrimônio Líquido.

1.00 Ativo Total: Mostra onde a empresa aplicou os recursos de que dispõe, ou seja, são todos os bens e direitos pertencentes à empresa e que geram benefícios futuros. Constitui a parte positiva da posição patrimonial e identifica onde os recursos foram aplicados, representando os benefícios presentes e futuros para a empresa. É composto por Bens (máquinas, terrenos, estoques, dinheiro, ferramentas, veículos, instalações etc.) mais os direitos (contas a receber, duplicatas a receber, títulos a receber, ações, depósitos em contas bancárias, títulos de crédito, etc).

Entende-se por Bens as coisas úteis, capazes de satisfazer às necessidades humanas. Se eles têm forma física, são palpáveis, denominam- se bens tangíveis: veículos, imóveis, estoque de mercadoria, dinheiro, móveis e utensílios, ferramentas, etc. Os bens incorpóreos, não palpáveis, são denominados de bens intangíveis: marcas, patentes de invenção, ponto comercial, etc. Entende-se por Direitos o poder de exigir alguma coisa de alguém. São denominados de valores a receber, títulos a receber, contas a receber, etc. 

Como foi dito acima, o Ativo é dividido em circulante e não circulante. O ativo circulante é composto por: disponibilidades (caixa), créditos, estoques e despesas antecipadas realizáveis em até um ano. O não circulante é composto pelos ativos realizáveis em mais de um ano, pelos investimentos (não destinados à negociação), pelos ativos intangíveis (marcas, patentes, direitos autorais) e pelos ativos imobilizados. Por ativos imobilizados entendemos os bens utilizados nas operações da empresa (não se destina à venda). Divide-se em:

1.01 Ativo Circulante: Como o próprio nome já diz, são registrados os valores dos ativos de maior liquidez, de fácil circulação. Estão contabilizadas as disponibilidades, ou seja, os investimentos, o capital de giro da empresa e as contas que já são dinheiro (caixa, bancos etc.) mais as contas que se converterão em dinheiro em menos de 1 ano (títulos a receber, estoques etc.).

É o ativo mais líquido que a companhia tem a sua disposição e que pode ser facilmente convertido em dinheiro. Os ativos circulantes são importantes porque são através deles que a companhia financia as suas operações do dia-a-dia. Se faltarem ativos circulantes a companhia vai ter que procurar alguma outra forma de financiar suas operações através de empréstimos de curto-prazo, que ocasionarão no pagamento de juros ou na diluição do lucro e do valor do acionista pela emissão de novas ações no mercado. Portanto, o ideal é que a empresa apresente um ativo circulante superior ao seu passivo circulante.

É ideal que o Ativo Circulante seja superior ao Passivo Circulante, de forma que a empresa não necessite recorrer a empréstimos de curto prazo para cobrir as suas dívidas de curto prazo e para financiar seu capital de giro, o que geraria um impacto negativo sobre o lucro em razão dos juros, taxas e encargos. Essa diferença entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante, quando positiva, pode ser considerada como o capital de giro da empresa, indicando a liquidez da empresa no curto prazo. Existem cinco tipos básicos de ativos circulantes: Caixa e Equivalentes, Investimentos de curto e longo prazo, Contas a Receber, Estoques e Despesas pré-pagas.

  1.01.01 Caixa e Equivalentes (ou disponibilidades): São registrados os ativos completamente líquidos, aplicações financeiras, capital de giro e investimentos de curto prazo, assim como o dinheiro que a empresa dispõe para pagar dividendos e para comprar de volta no mercado suas próprias ações e, dessa forma, aumentar o valor e o yield das ações que os acionistas possuem. Uma tendência de redução no caixa da empresa no longo prazo pode comprometer a sua liquidez e, eventualmente, levá-la à insolvência. Portanto, torna-se importante verificar se a tendência do caixa é a mesma dos lucros. O aumento de caixa deve ser, preferencialmente, proveniente dos lucros operacionais.

  1.01.02 Aplicações Financeiras: Representam os investimentos efetuados a curto prazo pela empresa em títulos cuja liquidação é praticamente imediata (que sejam prontamente conversíveis em dinheiro). Ou seja, são investimentos por um curto período, pois assim que a empresa necessitar do dinheiro, ela pode se desfazer da aplicação e usá-lo.

   1.01.03 Contas a Receber (ou Clientes ou Crédito): São registrados os valores que a empresa ainda tem para receber de clientes e se transformarão em dinheiro em um curto período de tempo. Recebíveis são excelentes indicadores. Se os seus valores diminuem ao longo dos trimestres isso pode significar problemas mais à frente, pois pode significar uma tendência de queda nas vendas. De modo geral, uma redução substancial das vendas em período de recessão econômica aumenta o prazo do ciclo financeiro, a menos que as empresas consigam adaptar rapidamente o ritmo de sua produção aos novos níveis de vendas.

  1.01.04 Estoques: São registrados os produtos prontos e que a companhia dispõe para vender a seus clientes. Nem todas as companhias possuem estoques, principalmente se estiverem envolvidas nos setores de serviços, TI, propaganda ou informações. Estoques são aplicações de recursos no ativo circulante. Quanto maiores, mais recursos a empresa está comprometendo com os mesmos, e além dos custos de aquisição ou fabricação dos estoques há uma série de outros gastos como transportes, armazenagens e seguros. Uma tendência de aumento no volume de estoques superior ao crescimento das vendas demonstra uma queda na demanda pelos produtos da empresa, o que no longo prazo pode significar, além da perda de mercado, a redução das receitas e do lucro.

Assim, de uma maneira geral, quanto maior a rotação do estoque melhor será a liquidez e desempenho da empresa, principalmente se a margem de lucro sobre as vendas se mantiver constante, ou, se diminuir menos do que o aumento da rotação. Contudo, é importante observar que um acréscimo da rotação do ativo nem sempre significa aumento de lucro.

1.02 Ativo Não Circulante: O ativo não circulante se refere basicamente aos recursos de longo prazo da companhia, incluídos todos os bens de natureza duradoura destinados ao funcionamento normal da empresa e do seu processo operacional, assim como os direitos exercidos com essa finalidade. São ativos que não possuem liquidez imediata, logo só poderão ser convertidos em dinheiro a médio ou longo prazo.

  1.02.01 Realizável a Longo Prazo: Registra direitos e obrigações que se transformarão em dinheiro num período superior a um ano (vendas com prazo superior a um ano, empréstimos concedidos a empresas, imposto de renda e incentivos fiscais, dentre outras operações consideradas de longo prazo). Nesse grupo estão concentrados os ativos que têm o mesmo caráter dos circulantes, porém, que apresentam prazo de realização superior a 12 meses, possuindo assim um menor grau de liquidez.

  1.02.02 Investimentos: Classificam-se as participações societárias de caráter permanente em outras empresas e outros direitos não classificáveis no Ativo Circulante e que não se destinem à manutenção da atividade da empresa. Estão registradas as participações e aplicações financeiras de caráter permanente, cujo objetivo é gerar rendimentos para a empresa.

  1.02.03 Imobilizado: Estão registrados os bens destinados às operações da companhia, como suas fábricas, equipamentos, instalações, etc. São itens que dificilmente se tornarão dinheiro porque normalmente não são vendidos, mas são usados para as atividades operacionais da empresa (prédios, máquinas etc.). Possuem praticamente nenhuma liquidez. O reinvestimento nos ativos reduz o fluxo de caixa quando é feito, mas prove a empresa capacidade de maior geração de fluxo de caixa futuro.

  1.02.04 Intangível: Registra os ativos intangíveis como marcas, patentes, direitos de exploração de serviços públicos, ou seja, aqueles que não têm "existência física".

"Não basta conquistar a sabedoria é preciso usá-la".
Cícero

Antes que uma empresa possa investir em um ativo ela deve arranjar o seu financiamento, o que significa que ela deve levantar fundos para pagar pelo investimento. As formas de financiamento estão representadas no lado direito do balanço patrimonial. Passivos são obrigações da empresa que requerem pagamentos em dinheiro em um prazo determinado.

2.00 Passivo Total: No Passivo estão registradas as Obrigações (dívidas), seguindo a mesma ordem decrescente de liquidez e o Patrimônio Líquido. Obrigações são dívidas com outras pessoas, sendo denominadas obrigações exigíveis, compromissos que deverão ser pagos nas datas de vencimento. As dívidas são compostas por contas a pagar, fornecedores de matéria-prima (a prazo), impostos a pagar, financiamentos, empréstimos etc. 

O passivo pode ser circulante (curto prazo) e não circulante (longo prazo). Ambos são compostos por dívidas, obrigações, riscos (provisões) e contingências. O que os diferencia é apenas o prazo de vencimento. O lado do passivo e do patrimônio líquido reflete os tipos e as proporções de financiamento, os quais dependem da escolha feita pela administração para a estrutura de capital da empresa, como, por exemplo, as proporções entre capital de terceiros e capital próprio, e entre endividamento de curto e de longo prazo. Quanto menor o endividamento em relação aos ativos e ao patrimônio mais sólida tende a ser empresa, principalmente se a maior parte das dívidas vence no longo prazo.

2.01 Passivo Circulante: São registradas as obrigações que devem ser pagas durante o próximo exercício, ou seja, dívidas com elevado grau de exigibilidade. É tudo aquilo que uma companhia deve a seus fornecedores e credores no curto prazo (menos de 1 ano), como dívida com fornecedores, impostos, parcelas de empréstimos. Da mesma forma que são contas que precisarão ser pagas, são também origens de ativos. Quaisquer quantias que a companhia tira na sua linha de crédito ou de suas contas a pagar são transformadas em ativos, que quando colocados em ação podem fazer com que a companhia consiga crescer e gerar maiores lucros. É composto por contas a pagar (ou Fornecedores), encargos a apropriar (impostos, taxas e contribuições), empréstimos e financiamentos de curto prazo (incluindo a porção da dívida de longo prazo que será paga no ano corrente).

  2.01.01 Obrigações Sociais e Trabalhistas: São registradas as obrigações trabalhistas tais como salários, gratificações, provisões de férias e 13º salário. Já as obrigações sociais incluem as contribuições com INSS, FGTS, PIS/PASEP, entre outros.

 2.01.02 Fornecedores: São registrados os compromissos com fornecedores tais como compra de matéria-prima e prestação de serviços.

  2.01.03 Obrigações Fiscais: São registrados os tributos a pagar, como Imposto de Renda, Contribuição Social, e outros impostos.

  2.01.04 Empréstimos e Financiamentos: São as dívidas que a companhia possui em relação a terceiros, contraídas com a finalidade de financiar as suas operações, quer através de imobilizações, quer através de reforços de caixa ou de capital de giro. Estão cadastrados todos os valores contratados junto a bancos: capital de giro, desconto de duplicatas, financiamentos de bens, etc.

  2.01.04.02 Debêntures: Neste grupo são registradas as obrigações da empresa contraídas a partir de títulos que tenha emitido com a finalidade de financiar as suas operações com o mercado em geral e os demais títulos de créditos emitidos pela empresa. 

2.02 Passivo Não Circulante: São registradas as dívidas que vencem em prazo maior, acima de 12 meses. São financiamentos ou debêntures, normalmente empréstimos de bancos e outras instituições financeiras e que são garantidos por diversos ativos existentes no balanço patrimonial, como os inventários.

  2.02.01 Empréstimos e Financiamentos: São registradas as dívidas que a companhia possui em relação a terceiros com vencimento a longo prazo (acima de 12 meses), normalmente contraídas com a finalidade de financiar os ativos imobilizados e o projetos de investimento.
   2.02.01.02 Debêntures - Idem descrição acima.

2.03 Patrimônio líquido: O patrimônio líquido dos acionistas representa a diferença entre o valor dos ativos e as obrigações da empresa. É constituído pelo Capital Social, pelos Lucros ou Prejuízos Acumulados e pelas Reservas de Capital e de Lucros. Estes valores serão incorporados ao capital social, podendo também ser utilizados para cobrir eventuais prejuízos ou para distribuição de dividendos. É constituído por:

  2.03.01 Capital Social: Investimentos realizados pelos sócios e lucros não pagos e incorporados ao capital social.

 2.03.02 Reserva de Capitais: Valores recebidos por sócios ou terceiros que não se referem à prestação de serviços ou venda de produtos. Acontece por operações estranhas à atividade normal da empresa, representando aumentos indiretos do Capital, provenientes de fenômenos extra-operacionais como: ágio na emissão de capital. 

  2.03.04 Reservas de Lucros: Lucros gerados pela empresa e retidos por diversas razões. Se possuir uma taxa crescente e consistente é um dos indicadores de uma boa empresa. Os lucros retidos simplesmente medem a quantidade de capital que a companhia recebeu através de seus ativos. É com esta parcela que calcularmos o retorno da companhia, o qual poderá ser investido em novos ativos ou utilizado para abater dívidas.

  2.03.04.09 Ações em Tesouraria: Ações emitidas pela própria empresa que foram recompradas no mercado.

  2.03.05 Lucros ou Prejuízos Acumulados: Como apenas uma parte do lucro da empresa é distribuída sob a forma de dividendos aos acionistas, a maior parte desse lucro é, em geral, retida na própria empresa para reinvestimento no negócio. Esta conta indica o acúmulo de lucros (ou prejuízos) de exercícios precedentes.

 

"A dor é uma advertência, assim como os pequenos prejuízos nos negócios, os quais nos ensinam a sermos prudentes."
Henry Ford

Como fora dito, o total do Ativo menos o Passivo Circulante menos o Passivo não Circulante resulta no Patrimônio Líquido. Quanto maior o Patrimônio Líquido menos a empresa deve a terceiros em relação ao que ela possui, sendo o contrário também verdadeiro.

Assim, se o resultado for negativo a empresa possui mais dívidas do que patrimônio (Passivo a descoberto) e vem operando com recursos de terceiros (alavancagem). Ainda que a empresa venda todos os seus ativos (bens e direitos) o valor conseguido não será suficiente para liquidar seus passivos (dívidas). Se for nulo as dívidas absorveram todo o capital da empresa, demonstrando a inexistência de riqueza própria. Tudo o que a empresa tem (ativos) ela deve (passivos), tendo capacidade apenas para liquidar as suas dívidas com terceiros (Passivo Real). E se for positivo a empresa possui recursos próprios aplicados no Ativo, ou seja, seus bens são superiores às suas dívidas e a empresa tem capacidade para pagar suas dívidas, ficando com excedente para investimento no Ativo (situação ideal).

O Patrimônio Líquido pode ser aumentado periodicamente com os lucros das atividades não distribuídos aos sócios ou diminuído em decorrência de prejuízos. Representa um montante agregado de recursos que a empresa pode investir em seu ativo para crescer e aumentar a sua renda. Também representa o valor total do patrimônio da companhia que, teoricamente, cada acionista receberia em caso de liquidação da empresa. Tanto o crescimento do Ativo como do patrimônio líquido são importantes medidas do crescimento da empresa e do retorno do investimento em suas ações, gerando também uma expectativa positiva para o seu desempenho futuro.

"O mercado de ações está cheio de indivíduos que sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada."
Phillip Fisher

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Como Analisar uma Demonstração do Resultado do Exercício DRE?

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é composta pelas receitas e despesas, indicando dessa forma o resultado econômico da empresa no trimestre. A sua função é prover informações sobre a performance da companhia e, particularmente, mostrar se a empresa apresentou lucro ou não. A fórmula é simples: receita – despesa = resultado (lucro/prejuízo). Porém, existem vários “tipos” de lucros. Esses valores são obtidos à medida que são subtraídas determinadas espécies de despesas. Trata-se então de uma síntese esquematizada das receitas e despesas da companhia naquele período. Assim, chega-se ao resultado obtido naquele exercício, isto é, lucro ou prejuízo, o qual é em seguida transferido para as contas do patrimônio.

É uma demonstração dos aumentos e das reduções causados no Patrimônio líquido pelas operações da empresa. Receitas significam entradas no ativo da empresa, na forma de bens ou direitos, que provocam um aumento da situação líquida. É o montante de dinheiro que entrou na empresa durante o período em questão. As receitas representam normalmente aumento do ativo através de ingresso de novos elementos, como duplicatas a receber ou dinheiro proveniente das transações. Aumentado o Ativo, aumenta-se o Patrimônio Líquido.

Despesas são gastos da companhia para direta ou indiretamente gerar receitas no futuro. Representam redução do Patrimônio Líquido através de um entre dois caminhos possíveis: redução do Ativo ou aumento do Passivo. Entretanto, elas sempre provocam reduções na situação líquida. A classificação das contas segue uma sequência lógica e se inicia com o faturamento da empresa ou Receita Operacional Bruta no período e vão sendo descontadas as diferentes despesas, bem como acrescentadas outras receitas, até se chegar ao lucro líquido do período.


“Nossa meta é encontrar uma empresa fantástica a um preço razoável, não uma empresa medíocre por uma barganha”. 
Warren Buffett

Receita Bruta: A receita bruta seria o quanto a empresa conseguiu faturar no período analisado. Permite determinar a quantidade de receita conseguida com base na quantidade de mercadorias vendidas ou no número de serviços fornecidos. É Importante salientar que uma empresa que tenha um alto faturamento não significa necessariamente um lucro alto. Para que a empresa seja lucrativa a receita deve ser maior do que os custos e as despesas. Da receita operacional bruta são deduzidos os impostos incidentes sobre as vendas, como IPI, ICMS e outros, e ainda eventuais devoluções de vendas e abatimentos concedidos posteriormente à entrega dos produtos, chegando-se então à Receita Operacional Líquida.

3.01 Receita Líquida ou Receita de Venda de Bens e/ou Serviços: Resultado da Receita Bruta subtraído as deduções (valor relativo aos tributos, deduções ou abatimentos). A Receita Líquida dá uma visão muito melhor aos investidores sobre o que realmente fica no caixa da empresa. Ao compararmos a receita líquida da empresa à receita líquida do setor identificaremos o quanto a empresa responde dentro das vendas do setor, e ao compararmos a receita líquida atual com a dos trimestres anteriores identificaremos a sua tendência, ou seja, se está aumentando ou diminuindo ao longo dos trimestres. 

De uma maneira geral, a diminuição da receita líquida de um trimestre para o outro indica que a empresa está vendendo menos e, provavelmente, está perdendo participação no setor e/ou que os custos com impostos, insumos e mão de obra aumentaram, sendo o contrário também verdadeiro. O cenário ideal seria o crescimento da Receita Líquida numa proporção superior ao crescimento dos custos ao longo dos trimestres, apresentando tendência de alta, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento das Despesas. Da Receita Líquida são subtraídos o 3.02 Custo dos Produtos/Serviços Vendidos, chegando-se então ao 3.03 Lucro Bruto. 

3.03 Lucro Bruto ou Resultado Bruto: Resultado da Receita Operacional Líquida subtraído o CPV (custo dos produtos vendidos, incluindo-se os custos dos produtos, matérias-primas, depreciação dos bens da fábrica, mão-de-obra e gastos da fábrica e outros gastos de fabricação). Tem por objetivo mostrar a lucratividade do faturamento da empresa, ou seja a lucratividade do seu processo de produção, sem ainda considerar as despesas administrativas, comerciais, operacionais e financeiras, mostrando a viabilidade do negócio.

Logo, a apuração de um prejuízo bruto por uma empresa é um péssimo sinal, pois indica que o lucro com as vendas não cobriu o custo dos produtos. Obviamente, o crescimento do lucro bruto ao longo dos trimestres é um bom sinal, pois indica que a empresa está vendendo mais e/ou por maiores valores e/ou os custos de fabricação dos produtos diminuíram. O cenário ideal seria a geração e o crescimento do lucro bruto ao longo dos trimestres, apresentando tendência de alta, numa proporção maior do que o crescimento das Despesas Operacionais, indicando uma boa relação entre o crescimento do Lucro e o crescimento da Despesas. Do Resultado Bruto são subtraídas/adicionadas as 3.04 Despesas/Receitas Operacionais, chegando-se então ao 3.05 Lucro Operacional.

3.05 Lucro Operacional ou Resultado Antes do Resultado Financeiro e dos Tributos (EBIT ou LAJIR): Resultado do Lucro Bruto subtraídas as Despesas Operacionais (gastos necessários à comercialização, vendas e administração, normalmente subdividida em comercial, administrativa e financeira). É importante ressaltar que é possível que a empresa gere receitas operacionais superiores às suas despesas operacionais, sendo mais comum isso ocorrer em instituições financeiras. O Lucro Operacional mostra capacidade de geração de resultados proveniente das operações normais da empresa, ou seja, seu potencial de gerar riqueza em decorrência de suas características operacionais, independentemente de suas fontes de financiamento. Altos custos operacionais fixos e endividamento alto podem produzir bastante volatilidade nos lucros, pois uma queda nas vendas ou um aumento no custo de capital irão afetar diretamente os lucros. 

Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (LAJIDA ou EBITDA): Ebitda é uma sigla em inglês que significa Earnings Before Interest, Tax, Depreciation and Amortization, ou seja, Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização. Advém da soma do Lucro Operacional com a Depreciação e a Amortização. A depreciação de um equipamento quantifica a perda de sua capacidade produtiva graças ao uso ou tempo e, portanto, a perda de seu valor para a empresa. Essa perda, vale ressaltar, é apenas econômica e não financeira, ou seja, não há um desembolso efetivo do recursos no período. No entanto, o Ebitda não considera o montante de reinvestimento requerido pela depreciação. Em outras palavras, não considera se a empresa reserva uma parte de sua receita para reinvestir, por exemplo, na renovação de suas máquinas e equipamentos que, com o tempo, certamente sofrerão desgaste.

Já a Amortização é um processo de extinção de uma dívida através de pagamentos periódicos, ou seja, quitando-a paulatinamente. Assim, em determinados casos em que uma empresa apresenta prejuízo operacional mas valores altos de amortização e depreciação, ao somá-los pode-se gerar um Ebitda positivo, se os valores forem suficientemente grandes para cobrir o prejuízo e deixar um saldo positivo, indicando erroneamente um lucro operacional ou lucro EBITDA.

Ainda assim, o EBITDA tem sido amplamente utilizado como uma estimativa contábil para avaliar o desempenho operacional da empresa, levando em consideração somente os ganhos da sua atividade principal, medindo a produtividade e a eficiência do negócio. O mercado valoriza muito o crescimento do EBITDA, pois isso demonstra que a empresa vem se tornando mais eficiente e a sua produtividade vem aumentando. Esse indicador proporciona a oportunidade de comparar a rentabilidade da empresa com outros investimentos, bem como com a rentabilidade e eficiência operacional de outras empresas mesmo de setores diferentes. Se o EBITDA da empresa vem aumentando de forma consistente isso quer dizer que a atividade fim da sua empresa está sendo realizada de forma eficiente e sustentável. Assim, a variação do indicador de um ano em relação a outro mostra aos investidores se uma empresa conseguiu ser mais eficiente ou aumentar sua produtividade.

Contudo, vale ressaltar que o EBITDA é um valor aproximado do potencial de caixa do negócio, pois não corresponde ao efetivo fluxo de caixa gerado pelas operações da empresa ocorrido no período, uma vez que determinados valores podem não ser recebidos, bem como certas despesas podem nunca serem pagas. Portanto, é perfeitamente factível uma empresa ter EBITDA positivo e fluxo de caixa negativo. Assim, o EBITDA pode oferecer uma falsa noção da efetiva liquidez financeira da empresa. Além disso, o EBITDA Não é aplicado em Instituições Financeiras, dado que as despesas financeiras nestas Instituições fazem parte das operações principais, logo, não devem ser excluídas. Do Lucro Operacional (EBIT) é contabilizado o 3.06 Resultado Financeiro chegando-se ao 3.07 Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro.

3.07 Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro ou Resultado Financeiro: Tanto o EBIT como o EBITDA por desconsiderarem as despesas financeiras podem não demonstrar a real situação de uma empresa que possui um alto grau de endividamento, pois este pode omitir grandes prejuízos referentes a despesas financeiras. Portanto, o resultado financeiro está relacionado à liquidez imediata da empresa, sendo levado muito em conta pelos bancos para o financiamento do capital de giro de empresa e para a viabilidade da remuneração dos investidores na forma de dividendos.

Além disso, ao comparar o resultado financeiro com os lucros é possível observar se a empresa está administrando de forma responsável a sua alavancagem, de forma que os seus empréstimos e seus créditos não recebidos de seus clientes não estejam consumindo os seus lucros, o que pode ser observado em empresas que geram EBITDAs altos e lucros líquidos baixos, ou mesmo, prejuízos líquidos em razão de possuírem grandes despesas financeiras, vide Aracruz e Sadia.

A Sadia anunciou prejuízo recorde de R$ 2,5 bilhões devido às perdas iniciais de R$ 760 milhões com derivativos cambiais, que depois chegaram a R$ 2,6 bilhões no auge da crise. Mais tarde, a empresa se fundiu com a Perdigão, formando a BRF. Já a Aracruz Celulose perdeu R$ 4,6 bilhões também com operações de derivativo cambial e teve de ser socorrida com apoio do BNDES, posteriormente se fundiu com a concorrente Votorantim originando a Fibria. Ambas contabilizaram enormes prejuízos pois estavam altamente expostas a operações com derivativos cambiais que ganhavam com a desvalorização da moeda norte-americana que, no entanto, teve uma alta repentina entre agosto e outubro de 2008 devido à crise, praticamente levando ambas empresas à beira da falência em decorrência da incompetência, da falta de respeito ao risco e da irresponsabilidade dos seus dirigentes.

Caso a empresa apresente mais receitas financeiras do que despesas haverá um resultado financeiro positivo para ser acrescentado, situação mais comum para instituições financeiras. Por outro lado, caso a empresa apresenta mais despesas financeiras do que receitas haverá um resultado financeiro negativo para ser descontado.

Apesar de ser mais comum para a maioria das empresas (exceto bancos) que as despesas financeiras sejam superiores às receitas financeiras, fazendo com que o resultado financeiro seja negativo, é importante avaliar o impacto desse resultado sobre o lucro líquido. O cenário ideal seria o crescimento dos lucros ao longo dos trimestres, apresentando tendência de alta, ainda que o resultado financeiro seja negativo, contudo, sem que o mesmo impeça o crescimento dos lucros, ou mesmo, os consuma por completo, gerando um prejuízo líquido, indicando assim um boa relação entre o crescimento das Despesas Financeiras e o crescimento dos Lucros. Do Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro é descontado o 3.08 Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro, chegando-se ao 3.09 Resultado Líquido das Operações Continuadas.Do Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro é descontado o 3.08 Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro, chegando-se ao 3.09 Resultado Líquido das Operações Continuadas.

3.09 Resultado Líquido das Operações Continuadas: Operações continuadas são as operações normais da empresa, que ocorreram durante o exercício de abrangência da demonstração. Entretanto, eventualmente a empresa pode vir a obter resultados de operações descontinuadas ou resultados não operacionais. As receitas e as despesas não operacionais são as oriundas de atividades que não estão relacionadas com o dia a dia da Empresa, ou seja, com suas atividades operacionais. Podem ser decorrentes da venda de ativos imobilizados, tais como máquinas, equipamentos, imóveis (ganhos ou perdas de capital), de juros de empréstimos concedidos a controladas, da venda de subsidiárias, de aluguel de ativos não operacionais, de prejuízos com títulos, ganhos ou perdas decorrentes de ações judiciais, etc, normalmente relacionadas a ativos e a passivos que a Empresa não necessita para sua atividade principal.

O resultado não operacional é extraordinário, raro, não recorrente, e por consequência, não se espera que se repita no futuro. Logo, uma empresa pode apurar um lucro líquido/prejuízo líquido alto decorrente predominantemente de receitas/despesas não operacionais, gerando uma falsa indicação de que a empresa é lucrativa/deficitária. Portanto, é importante avaliar tanto o impacto do resultado financeiro como do resultado não operacional sobre o lucro/prejuízo líquido da empresa. Do Resultado Líquido das Operações Continuadas é contabilizado o 3.10 Resultado Líquido de Operações Descontinuadas ou resultado não operacional (lucros/prejuízos não recorrentes) chegando-se então ao resultado final da empresa: Lucro Líquido – se positivo; Prejuízo Líquido – se negativo.

3.11 ou 4.01 Lucro/Prejuízo Consolidado do Período ou Lucro Líquido: Refere-se ao Resultado Líquido apontado na Demonstração de Resultado do Exercício. Havendo lucro, esse será incorporado ao patrimônio líquido e, havendo prejuízo, esse será debitado do patrimônio líquido.

• Reservas do Lucro: Do Lucro Líquido do Exercício, a empresa deve efetuar reservas obrigatórias – Legal e Estatutária (referente às parcelas dos lucros destinadas a empregados, diretores, debenturistas ou a portadores de partes beneficiárias) – e reservas optativas – Contingencial, Orçamentária e de Lucros a Realizar. Reserva Legal: 5% do Lucro Líquido até o limite de 20% do Capital Social serão aplicados como Reserva Legal.

• Dividendos: Parcela do Lucro Líquido que será distribuída aos acionistas, de acordo com a legislação e com o estatuto da empresa. Se os lucros caírem, os dividendos – uma das fontes da sua renda – podem ser afetados. Se a companhia está pagando quase todo o seu lucro na forma de dividendos qualquer queda nos lucros pode ocasionar uma queda nos dividendos.

“Basicamente existem duas razões para a venda: Quando os fundamentos se deterioram; ou quando o preço chegar ao valor que você estipulou”.
John Neff


Além da DRE, a cada trimestre as empresas também divulgam a DFC - demonstração do fluxo de caixa e a DVA - demonstração do valor adicionado. A DFC organiza os fluxos de entradas e saídas de dinheiro do caixa da empresa em 3 grupos de atividades: operacionais, investimentos e financiamentos, e apura o resultado final do caixa. Além de servir para avaliar a capacidade financeira e a liquidez da empresa, o padrão do comportamento do caixa da empresa indica se a empresa apresentou ou não rentabilidade operacional, se realizou investimentos em ativos ou se vendeu ativos (desinvestimento) e se realizou pagamentos de empréstimos ou se contraiu mais dívida aumentando o seu endividamento. O saldo final do caixa da empresa é a soma de todos os resultados líquidos do caixa de cada atividade.

Já a DVA informa a capacidade de geração de receitas da empresa e como foram distribuídas entre todos os envolvidos considerando os aspectos receitas, insumos, retenções (depreciação, amortização e exaustão), pessoal (funcionários), impostos (governo) e remuneração de capitais próprios (acionistas) e de terceiros (financiadores), bem como a parcela de receitas não distribuídas, que foi retida pela empresa.


As Receitas contabilizam o total de receitas operacionais e não-operacionais que a empresa recebeu com a venda de produtos e serviços. Desse total são abatidos insumos, matérias-primas e despesas operacionais chegando-se ao Valor adicionado bruto, diferença entre o custo para produzir e o valor recebido por todos os bens e serviços vendidos no período. Desse valor são descontadas as despesas com retenções chegando-se ao Valor Adicionado Líquido, ao qual são acrescentadas as receitas financeiras resultando no Valor Adicionado Total a Distribuir pela organização no período.

A segunda metade da DVA tem como objetivo mostrar como ocorreu sua distribuição desse valor final. Assim, é possível aferir se a empresa teve a capacidade de aumentar a sua produção de receitas no período em relação aos períodos anteriores comparando as entradas de receitas com as saídas, bem como comparando a evolução do Valor Adicionado Total a Distribuir ao longo dos trimestres, sendo ideal, obviamente, o crescimento das Receitas e do Valor Adicionado a Distribuir no longo prazo.

Conhecer e compreender os demonstrativos contábeis facilita muito a análise da situação de uma empresa. Qualquer informação isolada dificilmente trará observações relevantes. É necessário analisar o conjunto, ver como cada item interfere no desempenho da empresa. Além disso, uma análise temporal é indispensável, pois avaliar a evolução dos dados com o passar do tempo mostra a tendência dos resultados e dos indicadores da empresa. Finalmente, comparar as demonstrações de empresas do mesmo setor nos proporciona uma melhor compreensão das suas performances.

Neste ponto, o investidor deve indagar se a empresa é lucrativa e se está crescendo. Obviamente, a situação ideal é que em resultados trimestrais consecutivos a empresa consiga gerar lucro líquido e, principalmente, que esse venha crescendo ao longo do tempo. Além disso, espera-se que o patrimônio líquido, a receita operacional líquida, os dividendos pagos e o ativo total também venham crescendo, contanto que a margem líquida de lucro se mantenha e, principalmente, sem que o endividamento cresça numa proporção muito maior à do crescimento do patrimônio líquido.

Empresas que vão à falência geralmente apresentam alguns sinais ao longo dos trimestres da evolução de um cenário pré-falimentar. São empresas com elevados níveis de endividamento, principalmente no curto prazo e decorrentes de empréstimos e financiamentos (passivos onerosos), que apresentam baixos lucros operacionais e líquidos por longos períodos, senão prejuízos, bem como uma baixa geração de caixa operacional (FCO), e que perdem grande participação no mercado em relação às concorrentes, indicado por uma receita líquida decrescente ao longo dos anos, se tornando assim mais susceptíveis à falência.

“Nunca vemos nada além das nossas certezas”.
Capital e Valor

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Como Analisar uma Demonstração do Fluxo de Caixa DFC?

A demonstração do fluxo de caixa DFC organiza todas as saídas e entradas de caixa de uma empresa durante determinado período. Indica o quanto de capital a empresa gerou ou consumiu no seu caixa líquido dentro do contexto de 3 atividades:

Fluxo de Caixa Líquido das Atividades Operacionais FCO - Saldo de capital gerado (se positivo) ou consumido (se negativo) pela empresa decorrentes exclusivamente das receitas de suas atividades operacionais. É o resultado entre retorno proveniente da venda de bens e serviços e o custo necessário para os produzi-los e vendê-los.

O cenário ideal é a geração positiva e o crescimento do FCO no longo prazo, visto que é o que possibilita a sobrevivência da empresa, bem como o seu crescimento, pois é predominantemente a partir dele que a empresa gera recursos para financiar suas atividades operacionais, realizar investimentos e para o pagamento de suas dívidas.

Por outro lado, uma tendência de diminuição ao longo dos trimestres dos fluxos de caixa operacional gerados consequentemente reduzirá os saldos finais de caixa da empresa, o que por sua vez levará a um cenário em que a empresa necessitará de capital de giro e de recursos para financiar suas atividades operacionais, bem como para realizar investimentos e o pagamento de dívidas. Ou seja, se empresa não tem capital de giro suficiente, ela necessitará vender ativos e/ou contrair mais dívidas com terceiros para manter seu negócio, aumentando ainda mais o seu endividamento, o que irá impactar diretamente na sua rentabilidade futura e resultar no aumento do seu risco financeiro.

Assim, as mudanças no fluxo de caixa operacional normalmente oferecem uma prévia das mudanças na receita líquida futura, sendo essas variações utilizadas para estimar o valor da empresa e também projetá-lo no futuro.

Fluxo de Caixa Líquido das Atividades de Investimento FCI - Saldo de capital recebido pela empresa (se positivo) decorrente da venda de ativos não circulantes, tais como participações em outras empresas, imóveis, dentre outros, ou gasto pela empresa (se negativo) nos investimentos em ativos não circulantes tais como participações em empresas, máquinas, imóveis, demais imobilizados, etc. São investimentos de longo prazo ou desinvestimentos de ativos não circulantes.

Fluxo de Caixa Líquido das Atividades de Financiamento FCF - Saldo de capital recebido pela empresa (se positivo) decorrente da captação de dívida (empréstimos e financiamentos obtidos) e aumento de capital social (lançamento secundário de ações), ou gasto pela empresa (se negativo) decorrente do pagamento de parcelas de empréstimos, de financiamentos, de debêntures, da recompra de ações, dentre outros, bem como do pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio. 


O resultado da demonstração de fluxo de caixa é a soma de todos os resultados líquidos das entradas e das saídas do caixa de cada atividade. É obtido a partir da soma dos caixas líquidos das 3 atividades (operacional, investimento e financiamento) e da variação cambial sobre o caixa e equivalentes chega-se ao resultado final sobre o caixa do período. Se o resultado for positivo houve um aumento do caixa no período, ou seja, a empresa gerou crescimento do seu caixa, se for negativo houve uma redução do caixa no período, ou seja, a empresa consumiu o seu caixa.

Saldo inicial de caixa no período - Indica o quanto a empresa possuía de caixa no início do período. Neste valor é acrescentado/deduzido o aumento/redução de caixa e equivalentes chegando-se ao saldo final do caixa no período. É importante deixar claro que aumentos e reduções no caixa não significam necessariamente aumentos e reduções do lucro líquido, mas demonstram a variação na capacidade da empresa de pagar suas operações e de crescer no futuro.

"Invista em você. Sua carreira é a motriz da sua riqueza."
Paul Clitheroe

Assim, a DFC informa se a empresa está recebendo mais dinheiro do que gastando (fluxo de caixa positivo) ou se está gastando mais do que está recebendo (fluxo de caixa negativo). Também permite ao investidor avaliar a capacidade que a empresa tem para gerar fluxos futuros positivos ou não, permitindo também apurar se o caixa que a empresa gera é suficiente para financiar suas próprias operações, verificar se há possibilidade de utilizar os recursos do caixa para a realização de investimentos e para o pagamento de dividendos e, qual é o limite de endividamento da empresa de forma que a dívida continue administrável, dentre outras alternativas.

Daí a importância de se comparar a DRE com a DFC. Obviamente, a situação ideal é que no longo prazo a empresa gere o crescimento do seu caixa líquido juntamente com o crescimento do lucro líquido e do patrimônio líquido. Um cenário de fluxo de caixa positivo e crescente ao longo dos anos possibilita a realização de investimentos para o crescimento da empresa e para o pagamento de dividendos cada vez maiores, indicando solidez financeira e sustentabilidade do negócio. Além disso, facilita a obtenção de crédito e a emissão de títulos de dívida em condições favoráveis à empresa, propiciando uma alavancagem financeira mais segura e que gere resultados positivos no lucro líquido e no patrimônio líquido.

A melhor forma de analisar o fluxo de caixa é identificando os padrões do seu comportamento ao longo dos trimestres através da comparação da geração/consumo de caixa nas 3 atividades.


No caso 1 a empresa gerou caixa operacional, realizou investimentos e pagou parte da sua dívida. De um modo geral, seria uma situação ideal, principalmente quando o caixa gerado pela empresa nas atividades operacionais é suficiente para honrar os compromissos, realizar investimentos necessários, pagar parte das dívidas e dividendos aos acionistas e ainda gerar lucro líquido.

No caso 2 a situação também é normal desde não seja uma tendência recorrente. A empresa gerou caixa operacional, vendeu ativos e pagou parte de sua dívida. Esse padrão é muito comum quando a empresa vende subsidiárias, imóveis ou participações em outras empresas, sendo perfeitamente normal. Contudo, se essa situação for recorrente ao longo dos trimestres indica que a empresa está vendendo ativos para gerar caixa para pagar dívidas, reduzindo da sua capacidade operacional, o que irá resultar no declínio de produtividade e lucratividade, sendo portanto, um sinal inicial de declínio.

No padrão 3 a situação também é normal desde não seja uma tendência recorrente. A empresa gerou caixa operacional mas este foi insuficiente para realizar o total dos investimentos e, portanto, ela contraiu mais dívida para realizá-los. Esta situação indica o aumento da alavancagem financeira e, consequentemente do risco apresentado pela empresa. Contudo, o endividamento de empresas que recorrem a dívidas como um complemento dos capitais próprios para realizar aplicações produtivas no seu ativo (ampliação, expansão, modernização, etc.) é considerado sadio, mesmo sendo um tanto elevado, desde que as aplicações produtivas gerem maiores recursos para saldar o compromisso assumido e também gerem o crescimento do negócio e maiores lucros no futuro e, obviamente, desde que a empresa apresente um histórico de geração de caixa operacional significativo. Por outro lado, essa alavancagem será prejudicial caso a geração de caixa operacional seja baixa e o retorno destes investimentos não ocorra e, por isso, nesta situação a empresa apresentará um maior risco, especialmente se esse padrão for recorrente.

No padrão 4 a situação é fora do normal. A empresa gerou caixa operacional mas vendeu ativos e contraiu mais dívidas. Esta situação é danosa e insustentável no longo prazo, principalmente quando acompanhada de baixa geração de caixa operacional. Este padrão é uma clara indicação de que a empresa está contraindo dívidas para financiar o seu operacional. Tal situação quando perpetuada ao longo dos trimestres é um claro indicativo de possível falência, principalmente quando associada a isso a empresa apresenta um histórico de prejuízos líquidos, sendo pior ainda se também apresentar um histórico de prejuízos operacionais. 

Os padrões 5, 6, 7 e 8 também são fora do normal e comuns, quando recorrentes, em empresas em estágio pré-falimentar. Nestas situações a empresa não gerou caixa operacional e em alguns casos recorreu à venda de ativos e ao contraimento de mais dívidas para financiar as suas atividades, os seus investimentos e para pagar as suas dívidas anteriores. Esses padrões de baixa rentabilidade operacional, de queima de caixa, de venda de ativos e de aumento do endividamento quando recorrentes ao longo dos trimestres levam as empresas à falência. Nestes casos é possível observar um longo declínio no valor das ações dessas empresas à medida que essa situação se agrava, sendo comum que essas ações fiquem cotadas a alguns centavos, também podendo ser observado subsequentes grupamentos de suas ações como forma de mantê-las acima de R$ 1,00, o que acaba abrindo espaço para futuras depreciações dos seus valores de mercado (vide OGXP3 e OIBR3 e 4).

Há contudo um ressalva. Empresas em estágio inicial podem apresentar um histórico de fluxo de caixa operacional negativo em razão do seu ciclo de negócio ainda estar se maturando, período em que irão contrair dívida para financiar as suas atividades e os seus investimentos (Padrão 5). Entretanto, quando essa mesma tendência é apresentada por empresas consolidadas e maduras é um claro sinal de declínio, principalmente quando em conjunto com um histórico de fluxos de caixa de investimento e de financiamento positivos, indicando que além de apresentar prejuízos operacionais a empresa também está vendendo ativos e contraindo mais dívida para financiar o seu operacional e os seus investimentos e também para pagar dívidas anteriores. Logo, é fundamental que o investidor identifique quando essas situações estão se desenvolvendo avaliando tanto os riscos quanto as performances apresentados pelas empresas.

"Aprenda algo novo todos os dias, especialmente a partir das experiências e dos erros dos outros, pois sai mais em conta!"
John Bogle

Empresas que operam no limite da reserva de caixa tendem a ter dificuldade de manter suas operações em momentos de crise e de desaceleração econômica. Em muitos casos acabam sendo obrigadas a reduzir o tamanho de suas operações, cortar gastos e investimentos, contrair empréstimos, emitir dívida ou lançar mais ações no mercado como forma de complementar seu caixa para garantir o seu funcionamento.

Entretanto, é perfeitamente normal que uma empresa apresente uma variação negativa no seu saldo de caixa líquido num determinado período como decorrência de grandes investimentos no intuito de expandir seu negócio ou do pagamento de uma grande dívida, podendo inclusive apresentar lucro neste período. O problema seria a empresa apresentar um histórico de variações negativas no seu saldo de caixa, sendo pior ainda se esta tendência de queima de caixa estiver aumentando de proporção ao longo dos trimestres e acompanhada por prejuízos líquidos e, pior ainda, por prejuízos operacionais, o que prejudicará a sua liquidez e, em último caso, a manutenção do seu negócio. 

Um sinal claro de empresas que vão à falência é a perpetuação desse cenário de baixa rentabilidade operacional e de queima de caixa por longos períodos, quando a empresa se vê obrigada a contrair dívida e/ou diluir o seu capital emitindo mais ações no mercado para manter a sua capacidade de honrar seus compromissos e manter o seu operacional funcionando, situação que deteriora o patrimônio dos acionistas no longo prazo apesar de permitir o funcionamento da empresa no curto prazo. 

Portanto, o investidor deve sempre ficar atento para identificar esses cenários ao analisar uma empresa. Muitas vezes a empresa apresenta crescimento do saldo final de caixa e equivalentes predominantemente em decorrência de aumentos de capital, emissão de debêntures ou de empréstimos obtidos. Nestas situações a empresa terá dificuldade para emitir títulos de dívida, sendo obrigada a oferecer títulos com taxas acima da média do mercado e, portanto, desfavoráveis para a empresa, e também terá dificuldade para a obtenção de empréstimos, sendo obrigada a pagar juros mais altos em razão do maior risco financeiro apresentado por ela. Nestes casos geralmente o mercado deprecia os preços das ações dessas empresas em razão da baixa rentabilidade operacional, da baixa liquidez financeira e do perfil de endividamento excessivo e de alto risco apresentados por elas.

Além disso, conforme fora dito, empresas de elevado crescimento, como as de tecnologia, assim como startups e empresas pré-operacionais tendem a apresentar fluxos de caixa de operações negativos em seus primeiros anos, pois apresentam um modelo de investimento que se caracteriza por um grande desembolso inicial necessário na etapa de desenvolvimento do produto e, na maioria das vezes, não há entrada de receitas durante esses períodos ou as entradas são insuficientes para a geração de um fluxo de caixa positivo, visto que o retorno tende a vir no longo prazo, se vier. Essas empresas apresentam maiores riscos para os investidores, especialmente quando a taxa de queima de caixa (cash burn rate) é elevada, mas possibilitam grandes retornos nos casos em que seus negócios dão certo.

"Não invista por otimismo, mas por matemática."
Benjamin Graham

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Valor Patrimonial, Valor de Mercado e Enterprise Value

A maioria dos investidores não possui uma noção clara da diferença entre preço e valor. O preço não representa necessariamente a mesma coisa que o valor. O preço de um ativo é representado por quanto os compradores e vendedores estão dispostos a negociá-lo em um determinado momento. O valor representa o quanto vale o ativo em função das perspectivas futuras de receitas, despesas e lucros, ou seja, o valor justo para uma empresa se dá pela definição da sua capacidade de gerar lucros no futuro. O valor percebido por um investidor pode ser completamente diferente do preço atual negociado na Bolsa, e isso varia de acordo com a percepção de cada um.

Como disse Warren Buffett, preço é o que você paga, valor é o que você leva! O preço é definido pelo mercado e o valor representa o que a empresa pode proporcionar de retornos efetivos na geração de resultados para o investidor. O valor pode ser aferido a partir da capacidade (qualidade), ou não, que os ativos têm de proporcionar fluxos de caixa positivos no futuro. Dessa forma, o conceito de valor está associado à expectativa do investidor em relação ao futuro da empresa.

Existem diversos modelos para a análise e o cálculo do valor de uma organização, desde simples técnicas comparativas de ativos e passivos contábeis até os mais consagrados modelos matemáticos baseados nos descontos de fluxos de caixa futuros da empresa e nas fórmulas de valuation. Cada técnica tem seu respectivo valor dependendo da situação específica, sendo a sua aplicabilidade algo contingencial, além de dependerem da qualidade das informações disponíveis e das premissas adotadas. O objetivo desses métodos de avaliação é reduzir a "imponderabilidade" ou a subjetividade do valor de um ativo.

De acordo com Hagstrom, tradicionalmente há três maneiras de estabelecer o valor de uma empresa, quando houver. O valor de patrimonial é o estimado valor obtido se todos os ativos forem vendidos e as obrigações saldadas, equivale ao patrimônio líquido da empresa. O valor de mercado é o valor imputado pelo preço de negociação em bolsa. E o valor como uma unidade operacional, estimado pelo valor atual dos fluxos de caixa que a empresa pode gerar no futuro.

Um dos maiores objetivos do uso da análise fundamentalista é evitar a compra de ativos a um preço superior ao seu valor potencial ou valor justo. Por essa razão, o investidor deve analisar antecipadamente as alternativas de investimento disponíveis. Apesar da subjetividade envolvida no processo é possível obter um preço, ou faixa de preço, que melhor represente o valor real de uma empresa ou de sua ação.

"Só sei que nada sei, e o fato de saber isso me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa".
Sócrates

Valor de Mercado - É o quanto o ativo está sendo cotado em um determinado momento. O mercado é quem dita todo o comportamento do preço das ações de uma empresa, pois através de uma maior ou menor oferta e/ou procura o preço do ativo ganha ou perde valor de acordo com a tendência do mercado. Esse é o principal fator de rentabilidade para o investimento em ações.

O valor de mercado de uma empresa, ou sua capitalização de mercado, é representado pela cotação das suas ações em Bolsa multiplicada pelo número total de ações que compõem seu capital. Para o cálculo adequado do valor de mercado deveriam ser consideradas as cotações em Bolsa de cada tipo de ação (ordinárias e preferenciais) e ponderadas pelas quantidades de cada tipo no capital da empresa, incluindo as ações em tesouraria.

Ações que apresentam um histórico de valorização sustentável ao longo dos últimos 5 anos trazem ao investidor, além de segurança, credibilidade. Ainda que a rentabilidade passada não seja garantia de rentabilidade futura, se a empresa apresenta um histórico de valorização do preço de suas ações ao longo dos anos é de se esperar que essa tendência continue no futuro.

É importante comparar o Preço de Mercado à sua média. Desde que os demais fundamentos sejam atraentes, momentos em que o preço estiver flutuando num patamar abaixo da sua média poderiam indicar subvalorização. De maneira oposta, momentos em que o preço estiver flutuando num patamar muito acima da sua média poderiam indicar sobrevalorização. 

Entretanto, uma decisão de investimento baseada apenas na análise isolada do gráfico de preços não é uma decisão consciente. Não se compra um gráfico, se compra uma ação, uma empresa. Buffett ensina que o investidor deve investir em empresas cujo negócio ele compreenda, que venham apresentando lucros consistentes e crescentes ao longo dos anos, que possuam um futuro promissor e baixo endividamento e, principalmente, que estejam cotadas no mercado a preços atrativos, preferencialmente com um desconto em relação ao valor intrínseco.

O valor de mercado não leva em consideração as dívidas da empresa, não avaliando assim o risco financeiro que a mesma oferece. Portanto, como fora dito anteriormente, o preço, apesar de importante, deve ser o último indicador a ser avaliado antes de se decidir uma compra ou uma venda das ações de um empresa. A avaliação da qualidade, do risco e da rentabilidade da empresa é primordial, tanto em relação ao seu passado como em relação às suas concorrentes, de forma a identificar se a mesma está sub ou sobreperformando o seu setor e os seus próprios resultados históricos.

“O valor de um ativo é irrelevante desde que haja um “idiota maior” por aí que esteja disposto a comprá-lo”.
Teoria do Idiota Maior

Enterprise Value EV: Este indicador é considerado um valor teórico pelo qual a empresa poderia ser adquirida. Ele difere significativamente do valor de mercado da empresa, o qual pode ser obtido multiplicando o número total de suas ações pelo valor de mercado de cada uma delas, ignorando as dívidas e o caixa da empresa. Por outro lado, ao se calcular o enterprise value leva-se em consideração as dívidas onerosas (dívida bruta) e as reservas de capitais da empresa, representando de uma forma mais abrangente o seu valor, pois se leva em consideração uma estimativa do valor do risco oferecido pela empresa, o que é muito útil ao se comparar empresas que possuem estruturas de capitais muito diferentes.

Entende-se que ao se adquirir uma empresa adquire-se também as suas dívidas e o seu caixa, portanto, o EV mostra o quanto custaria para se adquirir uma empresa e quitar as suas dívidas onerosas, descontando os valores em caixa da empresa que se receberia, representando assim o valor total da empresa e da sua estrutura de capital, ou seja, o valor do negócio. A fórmula para o seu cálculo é EV = Valor de Mercado + Dívida Bruta - Caixa e Equivalentes. Ou, simplificando: EV = Valor de Mercado + Dívida Líquida

Obviamente, a dívida bruta e o caixa da empresa têm um impacto enorme no seu EV. Contudo, um aumento ou uma diminuição no EV de uma empresa não necessariamente significa um aumento ou uma diminuição de valor. Uma empresa que possui mais caixa do que dívida bruta apresentará um EV menor do que o seu valor de mercado. Da mesma forma, uma empresa que apresenta mais dívida bruta do que caixa, situação mais comum, apresentará um EV maior do que o seu valor de mercado.

É importante acompanhar a proporção que a dívida líquida representa no Enterprise Value. Obviamente, quanto maior for a proporção da dívida líquida no EV maior será a alavancagem. O ideal é que a empresa apresente uma dívida líquida inferior a 40% do seu EV, portanto quanto menor for a proporção melhor. Valores acima 40% implicam numa grande alavancagem e, consequentemente, num maior risco.

"Um homem não pode fazer o certo numa área da vida enquanto está ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível".
Mahatma Gandhi

Valor Patrimonial: O conceito teórico é que uma empresa deveria valer no mínimo o valor do seu patrimônio líquido, que corresponde ao capital investido pelos acionistas mais os lucros não distribuídos. Esse seria o valor contábil, o qual se refere ao valor dos recursos próprios da empresa, ou seja, a diferença existente entre ativo total e passivo exigível, logo, seu patrimônio líquido. 

O valor patrimonial da empresa não se situa necessariamente próximo ao valor de mercado. A situação mais comum é que o valor de mercado seja superior ao valor patrimonial. Essa diferença, quando houver, representa o valor extrínseco ou o valor que o mercado atribui às suas expectativas em relação ao desempenho, às potencialidades e ao futuro da empresa, uma espécie de ágio. E, teoricamente, quanto maior for esse ágio maior será o potencial de prejuízo (risco) caso as expectativas do mercado não se realizem.

A relação entre o preço de mercado e o valor contábil sempre atraiu a atenção dos investidores. Ações negociadas por preços bem inferiores ao valor contábil do patrimônio líquido teoricamente poderiam ser consideradas como subvalorizadas, ao passo que aquelas negociadas por preços maiores do que o seus valores contábeis seriam consideradas sobre-valorizadas. VPA = Patrimônio Líquido / Número total de ações

Em teoria, o valor contábil fornece uma medida relativamente estável e intuitiva de valor que pode ser comparada com o preço de mercado e entre empresas do mesmo setor para a indicação de sub ou sobrevalorização. Entretanto, essa colocação genérica não contempla a realidade dos fatos. Algumas ações podem passar longos períodos com preços sistematicamente superiores a seus valores patrimoniais e nem por isso deixam de ser bons investimentos. Teoricamente, quando uma ação é negociada acima de seu VPA, entende-se que o mercado aceita pagar um “ágio” por ela, pois a expectativa de crescimento, resultados e consequentes dividendos justificam esse sobrepreço. 

Essa expectativa nada mais é do que uma aposta, que teoricamente tem boas chances de ganho, mas que nem sempre dá certo. Ações negociadas a cotações muito acima de seus VPAs podem indicar euforia. Existe o risco da expectativa não se cumprir. Nesses casos, um resultado abaixo do esperado pode causar uma grande correção no preço do papel, traduzindo-se em uma grande perda ao investidor. 

E quando a ação é negociada abaixo de seu VPA, segundo a teoria, o entendimento é que a ação deve ser negociada com um “deságio”, pois a expectativa do mercado é que a empresa tenha um desempenho ruim. Buffett acredita que a probabilidade de uma empresa ruim se tornar uma empresa boa é muito menor do que a probabilidade de uma empresa boa permanecer boa.

"Evitar erros catastróficos é mais importante do que construir o portfólio perfeito."
Michael Batnick

O Valor Patrimonial não deve ser analisado de maneira isolada, muito menos utilizado como fator determinante de uma compra ou venda de ativos. É rara a situação em que o valor da ação negociada na Bolsa de Valores seja exatamente igual ao seu valor patrimonial devido às distorções e às expectativas do mercado em relação aos resultados futuros ou a fatos relevantes conectados diretamente ou indiretamente à empresa. O mercado nem sempre responde conforme as expectativas dos investidores, sendo comum que sejam negociados ativos acima ou abaixo do VPA. O valor contábil do patrimônio líquido pode inclusive se tornar negativo se uma empresa tiver uma série sustentada de resultados negativos, levando a índices negativos, quando as dívidas se tornam maiores que os ativos e o patrimônio líquido.

Na maioria das vezes em que o valor de mercado de uma empresa passa a ser cotado abaixo do seu valor patrimonial isso ocorre em razão do elevado risco apresentado pela empresa, tal como um elevado endividamento e/ou baixa lucratividade, em especial uma baixa capacidade de geração de lucro operacional, ou como decorrência de uma severa crise econômica e/ou política. É importante saber que o valor contábil não tem muito significado para empresas de serviços que não possuem ativos imobilizados significativos, nem para empresas que possuem grande quantidade de ativos intangíveis, os quais são difíceis de isolar e mensurar de maneira confiável. Por isso, recomenda-se subtrair os ativos intangíveis do valor do patrimônio líquido ao calcular o VPA.

Diferentemente do valor de mercado, o qual oscila diariamente de acordo com as expectativas e a atuação dos investidores, em situações normais o valor patrimonial da ação se mostra mais estável, flutuando a cada novo balanço divulgado de acordo com a variação do patrimônio líquido da empresa. Diante disso, ao subtrair do preço de mercado da ação o seu valor patrimonial podemos dividir o preço de mercado de uma ação em duas partes. Uma parte que se refere ao valor patrimonial e outra que se refere ao valor dado pelo mercado de acordo com suas expectativas em relação à empresa, ao seu setor e à economia local e mundial, ou seja, o valor extrínseco da ação.

Obviamente, essa parte extrínseca do preço da ação a depender das expectativas do mercado pode se valorizar ou se desvalorizar em razão do otimismo ou do pessimismo dos investidores. Portanto, ao investir numa ação que no momento esteja sobreavaliada pelo mercado, ou seja, esteja apresentando um elevado valor extrínseco, o investidor poderá perder dinheiro quando o mercado corrigir e, provavelmente, muito mais do que perderia caso tivesse investido numa ação cujo preço de mercado estivesse num valor mais próximo ao seu valor patrimonial, ou seja, que estivesse apresentando um baixo valor extrínseco em comparação.

E, nesta mesma linha de pensamento, ao investir numa ação que no momento esteja subavaliada pelo mercado, ou seja, esteja apresentando um baixo valor extrínseco, o investidor poderá ganhar mais quando o mercado iniciar uma tendência de alta e, provavelmente, muito mais do que ganharia caso tivesse investido numa ação cujo preço de mercado estivesse num valor muito acima do seu valor patrimonial, ou seja, que estivesse apresentando um alto valor extrínseco em comparação.

"Muita gente acha que não tem talento para ganhar dinheiro, quando na verdade o que não sabem é como usá-lo."
Frank A. Clark

O paradigma em relação ao valor extrínseco é exatamente a sua imprevisibilidade e variabilidade. Portanto, é importante avaliar a sua proporção no preço de mercado da ação, de forma a evitar a compra da ação em momentos em que seu valor extrínseco estiver muito acima da sua média histórica. E, desde que os demais fundamentos sejam atraentes, momentos em que seu valor extrínseco estiver abaixo da sua média histórica podem indicar boas oportunidades para comprá-la, visto que seu preço possa estar subvalorizado pelo mercado.

Cabe ressaltar que em razão do Patrimônio Líquido ser o numerador no VPA, uma diminuição significativa do patrimônio líquido da empresa de um trimestre para o outro obviamente diminuirá a proporção do VPA no preço de mercado da ação, consequentemente aumentando a proporção do valor extrínseco, o que poderia indicar sobrevalorização da ação e resultar numa desvalorização do seu preço de mercado de forma que volte a se ajustar às proporções médias de VPA e VE.

O inverso acontece diante de um aumento do patrimônio líquido, o que aumentará a proporção do VPA no preço de mercado da ação, consequentemente reduzindo a proporção do valor extrínseco, o que poderia indicar subvalorização da ação e resultar numa valorização do seu preço de mercado de forma que volte a se ajustar às proporções médias de VPA e VE.

Além disso, em razão do número de ações ser o denominador do indicador, eventos como lançamentos secundários de ações e conversões de debêntures em ações por aumentarem o número de ações da empresa geram a diluição do Patrimônio Líquido, dos Lucros e dos Dividendos num número maior de ações, situação em que o preço de mercado dessas ações pode passar a ficar sobrevalorizado neste novo cenário, pois ficou mais distante do VPA em razão do aumento deste, o que por sua vez pode induzir a desvalorização do preço da ação no mercado como forma de se ajustar para esse novo cenário.

O contrário pode ocorrer após programas de recompra de ações por parte das empresas, quando o número de ações é reduzido gerando o aumento do PL, dos Lucros e dos Dividendos por ação, situação em que o preço  de mercado dessas ações pode passar a ficar subvalorizado neste novo cenário, pois ficou mais próximo do VPA em razão do aumento deste, o que por sua vez pode induzir a valorização do preço da ação no mercado como forma de se ajustar para esse novo cenário. 

Assim, tanto o VPA quanto o VE servem como parâmetros para avaliar se uma ação está sobre ou subavaliada, de forma que momentos em que o preço de mercado estiver flutuando num patamar muito superior à média do VPA poderia indicar sobreavaliação e em momentos em que o preço de mercado estiver flutuando num patamar mais próximo à média do VPA poderia indicar subvalorização.

"O dinheiro dos tolos é o patrimônio dos espertos."
Denis Diderot

Valor Intrínseco - Pode-se afirmar que o valor intrínseco é o valor real de uma empresa ou de um ativo com base numa percepção de valor que leva em consideração os principais aspectos do negócio, avaliando fatores tangíveis e intangíveis, bem como quantitativos e qualitativos. Esse valor pode ou não ser o mesmo que o valor de mercado atual. Diante disso, os investidores usam uma variedade de técnicas de análise para estimar os valores intrínsecos das ações na esperança de encontrarem empresas em que o verdadeiro valor do investimento excede o seu valor de mercado. 

Segundo Benjamin Graham, uma empresa tem valor quando ela gera valor. Ele acreditava que os preços não eram as melhores estimativas do valor real das ações, pois além de refletirem as expectativas dos investidores a respeito de uma empresa, refletiam também os seus medos e ansiedades de forma pouco racional. Para Buffett, os movimentos de curto prazo do mercado acionário são insuficientes para avaliar o valor de uma empresa. Os investidores “em momentum” podem ficar entusiasmados com determinada ação fazendo-a dobrar de preço num mês, independente do resultado da empresa. Da mesma forma, esses mesmos investidores podem fazer o preço de uma ação cair 30% em questão de horas, não importa qual tenha sido o lucro da empresa.

Antes da crise de 2008 a avaliação de uma empresa era fundamentada em múltiplos do seu EBITDA ou do seu fluxo de caixa operacional, que naturalmente se apoia na capacidade de geração de caixa e de lucro da empresa. Hoje as avaliações se dão com base no faturamento e na participação de mercado, independentemente da lucratividade, sempre na expectativa de grandes lucros no futuro. Diante disso, você deve se perguntar se você seria acionista de uma empresa que dá 2 bilhões de dólares de prejuízo por ano como é o caso da Uber, Netflíx e WeWork, e como foi o caso da OGX Petróleo.

O conceito de valor defendido por Benjamin Graham é muito mais profundo e abrangente, incluindo fatores difíceis de serem quantificados. Para Graham, o preço da ação de uma empresa deve refletir a expectativa que os investidores têm para os lucros futuros que a empresa é capaz de gerar, os quais determinarão não só o seu preço, mas também os dividendos que os acionistas irão receber. Este valor intrínseco não é um valor exato mas um intervalo de valores que se desloca no tempo.

A suposição de Graham era que os preços poderiam ter flutuações que não seriam consequências de decisões tomadas racionalmente. Os investidores muitas vezes extrapolam o desempenho passado das empresas para períodos futuros, sobreprecificando as ações. Da mesma forma, o pessimismo exagerado desses mesmos investidores, em razão de resultados ruins, deprecia em excesso o seu preço de mercado.

Nessa linha de pensamento uma grande disparidade entre o preço de mercado e o valor patrimonial poderia ser um sinal de perigo (supervalorização). Ações que apresentam valores acima de 4 no índice P/VPA podem expor o investidor ao risco. Ainda que ele esteja disposto a pagar esse "ágio" com uma expectativa de que os lucros e o valor de mercado da empresa continuarão crescendo, caso a expectativa não se realize o preço de mercado dessa ação pode ser severamente penalizado (vide OGXP3 e HYPE3), sobrando para o investidor pagar a "conta do almoço dos outros".

“O tempo estará ao seu favor se você possuir ações de ótimas empresas.”
Peter Lynch

Busca-se então uma discrepância entre o valor intrínseco da companhia e seu preço de mercado. Quanto maior for essa diferença maior será a margem de segurança do investimento. Para Benjamin Graham, o importante não é comprar ações baratas, mas comprar ações de boas empresas dentro de uma margem de segurança, ou seja, com um desconto significativo em relação ao seu valor intrínseco, o que pode ser encontrado quando o índice P/VPA está abaixo de 2.5, ou mesmo quando se encontra abaixo da sua média histórica. Dessa forma, além potencializar o retorno do investimento é possível também minimizar os riscos. Como disse Warren Buffett, “nunca conte com grandes lucros. O seu preço de compra deve ser tão atrativo que até mesmo um resultado medíocre lhe trará um bom retorno.”

Os chineses definem crise com dois caracteres, perigo e oportunidade. São os períodos durante os quais o valor intrínseco excede significativamente o valor em bolsa que oferecem as boas oportunidades de compra. Isso quer dizer o melhor caminho é comprar ações de boas empresas que estejam momentaneamente subvalorizadas e que, com o tempo, serão reavaliadas pelo mercado e recuperarão seus preços. Através da análise fundamentalista o investidor irá filtrar as empresas que não se encaixam nos seus parâmetros e tomará vantagem das diferenças entre seus preços e seus valores de forma mais eficaz. Geralmente os preços excessivamente descontados possuem algum motivo para estarem de tal forma.

Tais descobertas são raras e oferecem oportunidades superiores de ganho no longo prazo. Entretanto, o investidor terá uma carteira pequena, porém, formada apenas por boas empresas. Como seus investimentos serão concentrados em poucos ativos, o investidor deve conhecer profundamente estas empresas, bem como os seus setores de atuação, e acompanhar de perto o desenvolvimento de seus negócios. É a tendência natural de boas empresas expandirem seus lucros e estes se refletirem na valorização de suas ações, o que fornece a margem de segurança desta abordagem.

 "Procure comprar notas de 1 dólar por 50 centavos e um dia você ficará rico."
Benjamin Graham

O valor é um conceito subjetivo e pode variar de investidor para investidor. Afinal, são os diferentes julgamentos de valor que fazem o mercado funcionar, havendo sempre compradores e vendedores proporcionando liquidez para os ativos. Tudo isso acarreta distorções entre o valor de mercado e o valor potencial. Os preços dos ativos tendem a flutuar independentemente dos valores potenciais destes, raramente havendo coincidência, o que refuta o princípio da racionalidade de que o mercado sempre precifica corretamente o valor dos ativos, em outras palavras, a hipótese da eficiência dos mercados.

Em períodos de crise como o atual, muitas ações de empresas fantásticas podem ser subavaliadas, se transformando em grandes negócios para o longo prazo (algo como comprar uma nota de 1 real por 50 centavos); e em períodos de bonança financeira, ações de empresas fadadas ao fracasso podem ser sobrevalorizadas, tornando ainda mais arriscado o investimento nelas.

O investidor inteligente deve procurar lucrar com a volatilidade do mercado. De acordo com Benjamin Graham, ao contrário do que muitos pensam, mercados em queda são mercados cheios de oportunidades. Segundo ele, as crises são momentos de pessimismo exagerado e momentâneo em que o preço das ações não reflete a real condição das empresas. Por outro lado, no longo prazo (5, 10, 15 anos) as cotações das ações tendem a refletir o que se passou na empresa durante esse período. Se ela obteve lucros crescentes e constantes e, principalmente, se seu Patrimônio Líquido aumentou, sua cotação tende a subir.

"Para obter o sucesso no mercado você precisa do tipo de temperamento que o ajude a enfrentar tempestades e a continuar fiel a seus planos de longo prazo. Se conseguir ficar tranquilo enquanto os outros à sua volta estiverem em pânico, poderá vencer".
Warren Buffett

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Como Analisar a Rentabilidade de uma Empresa?

A análise fundamentalista tem o objetivo de avaliar alternativas de investimento a partir do processamento de informações obtidas junto às empresas, aliadas ao entendimento da conjuntura macroeconômica e do panorama setorial nos quais a companhia se insere, passando pela análise retrospectiva de suas demonstrações financeiras e estabelecendo previsões para o seu desempenho. A premissa da análise fundamentalista é que o valor justo para uma empresa se dá pela definição da sua capacidade de gerar lucros no futuro.

Os indicadores, ou múltiplos, servem para a avaliação da saúde financeira da empresa e da sua performance ao longo dos anos. Um indicador é uma relação entre contas ou grupo de contas das Demonstrações Contábeis que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. O uso de indicadores tem como finalidade principal permitir ao analista extrair tendências e comparar os índices com padrões preestabelecidos.

A finalidade da análise vai além de retratar o que aconteceu no passado, visa fornecer algumas bases para inferir o que poderá acontecer no futuro. Indicadores devem ser utilizados para filtrar aquelas empresas que não se enquadram nos múltiplos mínimos exigidos pelo investidor ou que se encontram abaixo da média para o setor.

A atratividade do uso de indicadores é o fato de serem facilmente relacionados, podendo ser utilizados para obter estimativas de valor com rapidez. São extremamente úteis quando há um grande número de empresas a serem analisadas. Mas vale lembrar que não é só através da análise de alguns índices que se tem um resultado final sobre o desempenho da empresa e da sua situação econômica. Não devemos considerá-los isoladamente, mas em um contexto amplo, conjugando-os e comparando-os com outros indicadores, bem como com a média dos indicadores das empresas do setor.

Para uma análise adequada não se faz necessário uma grande quantidade de indicadores, mas sim um conjunto de índices que possibilitem uma boa visão sobre a empresa, abrangendo a situação financeira (liquidez), a estrutura de capital (endividamento), a situação econômica (rentabilidade) e, por último a avaliação do preço de mercado de suas ações, gerando um diagnóstico abrangente, suficiente e capaz de orientar a tomada de decisão do investidor.

É importante que o investidor tenha claro o objetivo da análise que pretende desenvolver para então definir a quantidade e o tipo de índices que serão utilizados, pois o uso de uma grande quantidade de índices pode confundir o usuário, enquanto uma pequena quantidade pode ser insuficiente para que se tenha uma visão abrangente sobre a empresa.

Os indicadores de rentabilidade interpretam o desempenho global da empresa e avaliam a sua capacidade de gerar lucro e crescer. É fundamental comparar a performance da rentabilidade da empresa com a performance média do setor e do mercado como um todo, de forma a avaliar se seu desempenho é melhor ou pior aos desempenhos das suas concorrentes, bem como do mercado em geral.

Além disso, ainda que determinada empresa não venha apresentando prejuízos consecutivos, é importante deixar claro que um histórico de baixa rentabilidade será da mesma forma um sinal de maior risco, visto que a baixa geração de caixa, de lucro operacional, ou mesmo de lucro líquido, diante de um período de retração ou de um acontecimento que prejudique o negócio da empresa poderá fazer com que fique mais propensa a ter que aumentar o seu endividamento para se manter operante, ou mesmo para que não tenha problemas de liquidez no seu caixa no curto prazo. Logo, tal situação implica numa expectativa do mercado de maior risco com relação a essa empresa o qual, consequentemente, atribuirá valores menores para suas ações.

"Se você olhar com cuidado quase todos os segredos do mercado podem ser atribuídos a uma única fonte: uma perspectiva de longo prazo."
Bill Bonner

• Receita Operacional Líquida: Avaliar a evolução percentual da Receita Operacional Líquida da empresa de um trimestre para outro é fundamental, sendo ideal o seu crescimento ao longo dos anos. A maioria das pessoas acredita que uma empresa que cresce é uma empresa saudável. Entretanto, é preciso saber se a empresa está crescendo da maneira correta. Na verdade, o crescimento pode causar grandes danos à saúde da empresa se não for planejado e controlado. De que adianta um crescimento nas vendas quando o percentual de lucro por venda diminui ou quando o endividamento está aumentando numa escala maior em relação ao aumento das vendas. Uma das maneiras de se estimar isso é acompanhar a evolução da Receita Líquida do ano em relação aos anos anteriores juntamente com o comportamento da margem líquida.

A evolução do volume de vendas é um importante indicador do desempenho, determinando a consistência e as variações na taxa de crescimento da empresa. Um histórico crescente do volume de vendas nos últimos 3 anos é um excelente sinal. Se as vendas estão aumentando é sinal que a empresa está crescendo. E empresas com perspectiva de crescimento precisam não só de um mercado em crescimento, mas também que a sua participação nesse segmento esteja em crescimento, o que será indicado pelo crescimento das suas vendas em relação à média do setor.

Ainda que a empresa apresente crescimento na receita líquida, caso seja abaixo da média das concorrentes a empresa estará perdendo participação no mercado. Quando o volume de vendas e a margem líquida estão alinhados, especialmente se o endividamento estiver sendo cuidadosamente controlado pela administração, a empresa possui um excelente padrão de crescimento e pode ser considerada financeiramente saudável. 

Portanto, a receita líquida nos indica a participação da empresa no setor, por quanto ela responde pelo faturamento líquido do setor. É importante que o crescimento das vendas seja acompanhado, pois toda empresa atinge um máximo de participação no seu mercado num determinado momento. E a partir do momento em que ela começar a perder participação o preço de suas ações poderá cair, pois o mercado terá expectativas menores em relação ao desempenho futuro da empresa em razão desta não conseguir manter a média histórica de crescimento das suas vendas ou em razão das suas concorrentes estarem se tornando mais eficientes e, consequentemente, passarem a dominar uma parcela maior do mercado.

Todo gestor ao administrar os recursos financeiros de uma empresa tem a expectativa de obter retorno o mais rapidamente possível, porém com segurança. E para que isso aconteça é preciso que a empresa gere não somente resultados positivos quantitativos, mas também resultados positivos qualitativos. Nem sempre uma grande receita de vendas é sinônimo de lucro para a empresa. A receita líquida, tomada em valores absolutos, gera uma informação muito restrita sobre a lucratividade da empresa. É preciso relacioná-la ao lucro líquido para expressar a sua dimensão relativa.

Equilibrar lucro com volume de vendas é a meta de todo gestor, no entanto, esse lucro precisa ser mensurado em relação ao volume de investimentos realizados e, principalmente, em relação ao volume de dívidas assumidas pela empresa para financiar não somente a sua operação, mas também o seu crescimento. Se o volume de vendas estiver aumentando mas a margem líquida estiver diminuindo seu padrão de crescimento é deficitário e trará más consequências no resultado de longo prazo da empresa.

“O homem está sempre disposto a negar tudo aquilo que não compreende.”
Blaise Pascal

Assim, uma decisão empresarial não deve necessariamente ser tomada levando-se em consideração apenas o resultado econômico. É claro que a possibilidade de levantar lucros líquidos em proporções maiores do que o normalmente esperado através do incremento da quantidade produzida e vendida, buscando a maximização do uso, dos custos e das despesas, resultado de uma eficiente alavancagem operacional e financeira, além de tentadora, deve ser buscada sempre que possível. Entretanto, variáveis como qualidade, concorrência, participação no mercado, novos mercados, tecnologias emergentes, dentre outros, poderão fazer com que a decisão não se paute exclusivamente pelo resultado econômico.

Os índices de rentabilidade analisados isoladamente produzem um conhecimento reduzido. É preciso analisá-los em conjunto com os demais índices (liquidez, endividamento e atividade). Uma empresa pode apresentar num determinado período um bom índice de rentabilidade, mas ao mesmo tempo pode apresentar sérios problemas de liquidez (alto risco pelo volume de empréstimos tomados e pela geração insuficiente de caixa, por exemplo).

É muito comum ver grandes oscilações nos resultados das empresas, podendo apresentar alternâncias entre lucros e prejuízos líquidos, o que dificulta identificar se uma empresa está expandindo, retraindo ou estável. Uma alternativa é analisar os desempenhos das empresas ao longo dos trimestres através da Receita Líquida, que tende a ter menos oscilações em relação ao Lucro Líquido, possibilitando identificar também em qual período do ano a empresa possui resultados sazonais.

O volume de vendas não deve ser analisado de forma isolada. Se está diminuindo devemos analisar como isso afetou outros fundamentos, principalmente o LPA, o P/L e a margem líquida, além de indagar por que motivo as vendas caíram. E se foi um fato isolado que ocorreu apenas num trimestre ou se é uma tendência do comportamento de longo prazo para a empresa. Se os custos são fixos, mas a receita vem reduzindo ao longo do tempo, os ativos vão se tornando menores do que os passivos e, consequentemente, o patrimônio líquido vai diminuindo. Em último caso este se torna negativo e a falência está contabilmente decretada.

Neste caso, estaria a empresa perdendo espaço no mercado, ou mesmo, estaria todo o seu setor perdendo espaço? Normalmente, isso faz com que suas ações se desvalorizem em razão da expectativa do mercado em relação ao seu desempenho futuro haver diminuído. O cenário ideal seria o crescimento da Receita Líquida e do Lucro Líquido numa proporção superior ao crescimento dos custos dos produtos/serviços vendidos ao longo dos trimestres, apresentando tendências de alta, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento das Despesas.

"Você só descobre quem está nadando pelado quando a maré baixa".
Warren Buffett

• Ebitda ou LAJIDA: Representa o Lucro Operacional (EBIT) acrescido de depreciação e amortização inclusas nos custos dos produtos vendidos e nas despesas operacionais. Vale lembrar que para bancos não é possível calcular o Ebitda, devendo-se utilizar o lucro operacional. Esse indicador é uma estimativa do potencial de geração de lucro operacional de uma empresa, uma vez que procura indicar quanto lucro é gerado por sua atividade principal. Ou seja, o montante de recurso gerado pela atividade fim do negócio e se o mesmo é suficiente para investir, pagar os juros sobre capital de terceiros e as obrigações tributárias e, ainda, remunerar os acionistas.

EBITDA = Lucro operacional + Depreciação + Amortização

Obviamente, toda empresa busca gerar tanto um lucro EBITDA quanto um lucro líquido. Mas quando uma empresa apresenta prejuízo líquido, mas seu EBITDA é positivo, significa que o seu operacional é rentável, mas despesas financeiras ou prejuízos resultantes de eventos não recorrentes fizeram com que ela registrasse prejuízo. Isso é comum em negócios que tomaram empréstimos para potencializar o seu crescimento ou que incorreram em grandes prejuízos decorrentes de operações financeiras, de sentenças em processos judiciais de outras despesas de operações descontinuadas, ou seja, não relacionadas ao seu operacional e que normalmente são extraordinárias e não recorrentes.

Por outro lado, quando uma empresa apresenta lucro líquido, mas prejuízo EBITDA, significa que ela não está gerando lucro com o seu processo operacional, mas sim com outras fontes de renda, como lucros não recorrentes tais como ganhos em operações financeiras ou em operações descontinuadas extraordinárias e não recorrentes, tais como a venda de ativos, o recebimento de juros de empréstimos, de rendimentos e de ganhos em ações judiciais, por exemplo.

Uma empresa que apresenta prejuízo operacional ou prejuízo EBITDA é consumidora de caixa, ou seja, seu processo operacional foi deficitário no período, pois o retorno das suas vendas foi inferior ao que foi gasto pela empresa para produzir e para custear as suas operações. Caso essa situação se perpetue no longo prazo a empresa irá consumir todos os seus recursos disponíveis, não vai conseguir investir, será obrigada a recorrer a maiores empréstimos para financiar suas atividades, aumentando assim o seu endividamento e piorando a sua liquidez, o que comprometerá seu futuro, podendo até mesmo eventualmente se tornar insolvente.

É importante usar o EBITDA para verificar a saúde e a capacidade operacional do negócio. Portanto, um prejuízo EBITDA sempre será um sinal de alerta. Se o operacional da empresa não está gerando valor suficiente para pagar suas despesas, mesmo que o negócio apresente algum lucro líquido no presente (não recorrente), significa que ele se tornará insustentável no longo prazo.

"Uma vez que percebamos que a compreensão imperfeita é a condição humana, não há vergonha em estar errado, apenas em não corrigir nossos próprios erros."
George Soros

Este indicador permite também confrontar diversas empresas sem influência das decisões de investimento e financiamento, maximizando assim sua sensibilidade quanto a produtividade e eficiência do negócio. Assim, o seu mérito é desconsiderar a dedução das despesas financeiras, de depreciação e de impostos, pois ao contabilizar essas deduções é possível que o resultado líquido seja consideravelmente diferente do operacional, o que faz com que o Lucro Líquido não seja o indicador mais consistente. Quanto maior o EBITDA de uma empresa melhor o seu desempenho operacional e, consequentemente, maior tende a ser a rentabilidade de suas ações no mercado. 

Sendo assim, o EBITDA normalmente é superior ao Lucro Líquido, podendo a empresa inclusive apresentar EBITDA positivo e prejuízo líquido. Logo, empresas com sérias dificuldades financeiras, com pouco, ou até nenhum lucro líquido, poderiam ainda assim apresentar um significativo EBITDA. Por isso, o uso deste índice precisa ser combinado com outros indicadores de desempenho para uma conclusão mais realista.

Além disso, a geração de lucro operacional é de extrema importância, pois é através dele que se mede a capacidade de produzir recursos. Obviamente, o lucro líquido é um importante indicador. Contudo, diferentemente do lucro EBITDA, o lucro líquido pode ser afetado por eventos a parte da atividade operacional da empresa, tais como variações cambiais, sentenças judiciais e resultados não operacionais (Ex.: vendas de ativos). Já o EBITDA por sua vez, por não considerar as despesas financeiras, pode gerar a impressão de que uma empresa altamente endividada seja eficiente, sendo que muitas vezes o endividamento pode estar tão alto que seja irreversível, consumindo além do lucro líquido o patrimônio líquido da empresa.

O Ebitda também não considera o montante de reinvestimento requerido pela depreciação. Em outras palavras, não considera se a empresa reserva uma parte de sua receita para reinvestir, por exemplo, na renovação de suas máquinas e equipamentos que com o tempo certamente sofrerão desgaste. O Ebitda foi criado para olhar para o negócio sob o ponto de vista operacional e não das despesas ou receitas secundárias, principalmente o resultado financeiro e os Impostos que podem causar oscilações muito grandes na capacidade lucrativa de uma empresa.

A depreciação e a amortização são chamadas de despesas não financeiras, pois a companhia não gasta realmente nenhum centavo com elas. A depreciação é uma convenção contábil para fins fiscais que permite que a empresa desconte do imposto de renda as despesas de capital sobre plantas e equipamentos quando eles vão ficando mais velhos e menos úteis.

A amortização acontece normalmente quando uma companhia adquire outra, pagando um prêmio extra em cima de seu Patrimônio Líquido. Um número que ela contabiliza no seu balanço patrimonial como “goodwill”, sendo forçada a amortizá-lo em um determinado período de tempo, de acordo com as convenções contábeis. Assim, quando formos olhar para o Ebitda de uma empresa faz sentido colocarmos de lado algumas convenções contábeis que possam mascarar sua capacidade financeira.

É importante ressaltar que, conforme fora dito, o EBITDA não deve ser confundido com o fluxo de caixa da empresa, o qual deve ser analisado através da Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC. Neste sentido, a geração de caixa, que trata do desempenho da empresa levando em consideração somente o caixa líquido gerado em sua atividade operacional FCO é de extrema importância, tornando-se fundamental analisar a sua evolução ao longo prazo, pois permite avaliar a produtividade e a eficiência do negócio.

O mercado valoriza ainda mais a variação percentual de crescimento ou de queda do EBITDA em relação ao período anterior do que o valor do EBITDA isoladamente. Essa variação mostra aos investidores se a empresa em questão conseguiu ser mais eficiente ou aumentar sua produtividade. Portanto, um crescimento do EBITDA está associado a uma maior expectativa do mercado em relação à valorização da ação da empresa. O cenário ideal seria a geração positiva e o crescimento do lucro EBITDA ao longo dos trimestres, apresentando tendência de alta, numa proporção maior do que o crescimento das Despesas Operacionais, indicando uma boa relação entre o crescimento do Lucro e o crescimento das Despesas. 
"Antes de falar, ouça. Antes de escrever, pense. Antes de gastar, ganhe. Antes de investir, investigue. Antes de criticar, espere. Antes de rezar, perdoe. Antes de desistir, tente. Antes de se aposentar, poupe. Antes de morrer, doe".
William A. Ward

• Lucro Líquido: Avaliar a evolução percentual do lucro líquido da empresa de um trimestre para outro é fundamental, sendo ideal o seu crescimento ao longo dos anos. A análise histórica dos resultados trimestrais mostra o que a empresa conseguiu realizar no passado, mas os investidores estão mesmo interessados é no que ela pode gerar no futuro. A ferramenta mais popular para isso é a tendência do lucro líquido, pois é o lucro que paga dividendos e permite investimentos que financiam o crescimento da empresa (aumento do patrimônio líquido e do ativo total). Os resultados líquidos são a expressão mais óbvia do sucesso relativo de cada empresa. O ideal é que eles venham mostrando um crescimento constante e consistente ao longo dos anos.

A valorização da ação no mercado é, sem dúvida, o principal parâmetro de avaliação da sua performance como investimento. O preço da ação tende a acompanhar o crescimento do lucro da empresa. Quanto maior o lucro da empresa mais ela repassará ao acionista na forma de dividendos e juros sobre o capital e mais recursos terá para investir em ativos, os quais por sua vez poderão proporcionar lucros maiores ainda no futuro. E se uma empresa conseguiu lucros crescentes ao longo dos últimos anos é bem provável que ela consiga fazer isso no futuro.

Além disso, eventualmente o mercado de capitais recompensará as empresas com lucros passados estáveis (lucros recorrentes), uma vez que estas têm maior probabilidade de terem melhor desempenho em termos de lucros futuros. Estudos estatísticos demonstraram que empresas com maior previsibilidade nos seus lucros têm desempenho superior às empresas com lucros menos previsíveis (não recorrentes).

O lucro recorrente diz respeito ao resultado das atividades normais da empresa. Já o lucro não recorrente é devido a fatos extraordinários, como a venda de um imóvel ou de uma filial, ou seja, decorrente de eventos que não se repetem a cada trimestre.

Contudo, é importante deixar claro que volume não é necessariamente crescimento. O fator que realmente importa no longo prazo é o quanto de crescimento em patrimônio líquido os lucros gerados proporcionam aos investidores. E por fim, tenha em mente que os indicadores de rentabilidade e crescimento não podem melhorar para sempre. Toda empresa que cresce em algum momento terá o seu crescimento nivelado.

“Investimento não é um jogo em que o cara com um QI de 160 ganha do cara com um QI de 130. Uma vez que você tenha uma inteligência mediana, o que você precisa ter é controle do ímpeto emocional que leva outras pessoas a ter problemas com investimentos”.
Warren Buffett

• Margem Bruta – Apresenta o quanto a empresa obtém de retorno bruto percentual sobre as vendas após abater os custos das mercadorias vendidas e/ou dos serviços prestados. Ou seja, demonstra percentualmente o quanto de cada R$ 100,00 de venda permaneceu na empresa na forma de lucro bruto após abater apenas os custos ligados à produção, mensurando a eficiência de produção. Quanto maior a margem bruta maior a rentabilidade do faturamento bruto das vendas. Um aumento deste índice significa uma melhor eficiência produtiva da empresa.

Se compararmos duas empresas do mesmo setor, aquela que apresentar maior margem bruta será a mais produtiva mas não necessariamente a mais lucrativa. Aquela que apresentar a maior Margem Líquida possuirá a maior rentabilidade no setor, incluindo-se aí a questão operacional, financeira e extra-operacional. Empresas que conseguem gerar elevadas margens brutas terão à sua disposição uma quantidade elevada de lucro bruto a ser utilizado em outras áreas da empresa, além da produção, como no desenvolvimento de novos produtos e no marketing. Portanto, além de utilizarem melhor os seus recursos e investimentos para potencializar a sua rentabilidade, essas empresas apresentam ainda uma maior margem de proteção para períodos adversos.

Uma margem bruta negativa obviamente é um péssimo sinal, pois indica que o processo produtivo da empresa além de ineficiente está deficitário, ou seja, a empresa não obteve lucro bruto com a venda dos seus produtos. Contudo, é preciso esclarecer que as margens não são necessariamente medidas diretas de rentabilidade sobre ativos porque se baseiam nas receitas e não no investimento efetuado pela empresa.

Assim, uma empresa pode apresentar baixas margens no momento em razão de grandes investimentos realizados e/ou de estar em estágios iniciais de operação, de forma que futuramente as margens poderiam vir a melhorar à medida que os investimentos gerem maiores retornos e/ou o volume de vendas aumente. As margens também variam muito de acordo com o Setor. Empresas comerciais tendem a ter margens mais estreitas e as empresas prestadoras de serviços tendem a apresentar margens mais elevadas.

Em suma, as margens mostram claramente quais são as vantagens e os problemas de uma empresa em relação à produção, no caso da margem bruta, em relação ao operacional, no caso da margem ebitda e, ao financeiro, no caso da margem líquida. Logo, é importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Bruta alta juntamente com o crescimento do Lucro Bruto.

“Tenha certeza que a sua expectativa é realista. Nada melhora em percentuais crescentes para sempre”.
Capital e Valor

• Margem EBITDA: Apresenta o percentual de lucro EBITDA gerado para cada R$ 100,00 de vendas antes de descontar as despesas financeiras e os impostos. Além dos custos de produção ou do serviço prestado são retiradas também as despesas administrativas, de vendas, honorários, dentre outras despesas/receitas operacionais, bem como são inclusas as perdas com amortização e depreciação. Mostra a eficiência operacional da empresa, ou seja, o quanto de suas receitas líquidas provenientes de vendas e serviços vieram de suas atividades operacionais. 

Logo, quanto maior a margem EBITDA melhor será a capacidade da empresa para remunerar os financiadores (capital próprio e de terceiros), pois maior será a sua capacidade de geração de caixa operacional. Serve de base para avaliação de empresas, uma vez que evidencia a viabilidade dos negócios (termômetro de eficiência e produtividade), medindo com mais precisão a produtividade, a eficiência e, principalmente, a sustentabilidade do negócio. Logo, se compararmos duas empresas do mesmo setor, aquela que apresentar maior margem EBITDA possuirá os processos produtivos e operacionais mais eficientes mas não necessariamente será a mais lucrativa.

Existe uma tendência por parte dos investidores de preferir empresas que apresentam EBITDA positivo, afinal quanto maior a geração de recursos via operações da empresa mais atrativo é o negócio, especialmente quando comparamos o indicador absoluto com o volume de investimentos operacionais. A margem Ebitda permite avaliar a rentabilidade da empresa quando em razão de prejuízos não recorrentes a empresa apresentar prejuízo líquido, ou seja, margem líquida negativa, apesar de apresentar lucro Ebitda.

A margem Ebitda também pode ser utilizada para comparar as empresas quanto à eficiência dentro de um determinado segmento de mercado. Além disso, o crescimento do indicador de um ano em relação a outro mostra aos investidores que a empresa conseguiu ser mais eficiente ou aumentar sua produtividade. Já uma tendência de queda na margem ebitda quando não compensada pelo aumento no volume de vendas (receita líquida) indica que o processo produtivo da empresa está se tornando mais caro ou menos eficiente, afetando a sua rentabilidade.

Entretanto, em alguns momentos, as empresas podem reduzir sua margem para ganhar mercado. Contudo, no longo prazo uma empresa com uma margem operacional/EBITDA negativa é inviável, visto que os acionistas teriam que arcar com os prejuízos, depreciando o PL. Em suma, é importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem EBITDA alta juntamente com o crescimento do Lucro EBITDA.

"Os mercados estão em constante estado de incerteza e fluxo, e o dinheiro é feito ao descontarmos o óbvio e apostarmos no inesperado."
George Soros

• Margem Líquida – Indica o percentual de lucro Líquido das vendas realizadas mostrando a rentabilidade da empresa. Mede a eficiência e viabilidade da empresa expressando o percentual de Lucro Líquido em relação à Receita Líquida de um período após serem abatidos todos os custos e despesas, além de impostos, juros e despesas cambiais, e contabilizados os lucros não operacionais. Demonstra o quanto de cada R$100,00 vendidos permaneceu na empresa na forma de lucro líquido. Assim, se o resultado for 15, por exemplo, isso significa que de R$ 100,00 recebidos R$ 15,00 são retidos na forma de lucro líquido. Logo, se compararmos duas empresas, aquela que apresentar maior margem líquida será a mais lucrativa.

Uma empresa que está aumentando a sua margem líquida muito provavelmente está conseguindo cobrar mais por cada produto/serviço que vende, gastar menos para produzir, aumentar o nível geral de eficiência da sua operação mesmo nos itens não relacionados diretamente à produção do que é vendido (na administração central, na gestão do investimento do caixa excedente ou no financiamento do capital necessário, por exemplo), ou eliminar linhas de negócio pouco ou nada lucrativas.

A margem líquida ideal varia de acordo o setor, mas obviamente quanto maior for a margem de lucro melhor. Não existe um padrão geral, mas sim a necessidade de comparar os valores de vários anos e os resultados obtidos por outras empresas do mesmo segmento. Se compararmos duas empresas do mesmo setor, aquela que apresentar maior margem líquida será a mais rentável.

Empresas que possuem margens mais altas podem ser mais flexíveis nos preços de seus produtos durante momentos de contração econômica ou quando ocorrerem aumentos significativos nos insumos, sendo um sinal de vantagem competitiva. De maneira geral, a deterioração da margem de lucro ao longo dos anos num ambiente em que o volume das vendas está estagnado é um mau sinal. E se este também vier diminuindo, pior ainda. Caso a margem de lucro líquido da empresa diminua sem a contrapartida de maiores vendas haverá, obviamente, uma deterioração do ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido).

Por outro lado, num ambiente de constante crescimento das vendas uma diminuição nas margens, desde que pequena, pode ser vista como algo natural e não necessariamente prejudicial, pois pode ser compensado pelo aumento das vendas. Com o aumento das vendas espera-se também que haja o aumento do lucro, mas o mais importante é que a margem líquida permaneça estável, ou mesmo, que aumente, o que possibilitaria lucros ainda maiores.

Contudo, é preciso entender que é praticamente impossível que uma empresa consiga aumentar a sua margem de lucro indefinidamente ao longo dos anos. O gestor está sempre diante do paradigma de vender mais por menos ou vender menos por mais.

Alguns fatores podem influenciar a rentabilidade sobre as vendas, dentre os quais o ramo de atividade, a rotação dos estoques, mercados, custos de produção, produtividade, dentre outros. A empresa que atua em um segmento em que a margem de lucro é pequena não consegue aumentar o lucro através do aumento do preço de venda. Nessa situação o aumento do faturamento deverá ocorrer através da conquista de novos mercados.

De uma maneira geral, espera-se que a margem líquida de lucro se mantenha constante independente do volume de vendas aumentar ou diminuir. A capacidade da administração da empresa de manter uma margem líquida estável enquanto a empresa cresce com o passar dos anos é uma excelente indicação de boa administração. Contudo, muitas empresas sacrificam a sua margem para alavancar o seu crescimento. É comum a margem líquida diminuir durante períodos de grande expansão da empresa em razão do aumento do endividamento causado pelos investimentos na sua própria estrutura, o que poderá ser compensado no futuro por maiores receitas de vendas e, consequentemente, lucros maiores. 

Embora seja possível para a administração diminuir custos através do corte de gastos e da otimização do sistema produtivo, para a análise do Retorno sobre o Patrimônio Líquido uma margem de lucros maior significa um maior Retorno sobre o Patrimônio Líquido. A meta de todo gestor é otimizar o seu negócio de forma que ele se torne o mais lucrativo possível e ainda conseguir gerar um crescimento de vendas estável.

A margem de lucro é um importante indicador de rentabilidade, além de um bom indicador do grau de concorrência inerente ao segmento da empresa. A margem líquida média do setor serve como um benchmark para comparar a performance da empresa em relação a outras indústrias e às empresas concorrentes. As empresas com vantagem competitiva, em geral, possuem médias de margem líquida mais altas que a do setor. 

A margem varia muito entre setores, fazendo com que empresas que apresentam uma margem menor pareçam ser ineficientes, porém isso é uma característica do setor. Altas margens de lucro tendem a se deteriorarem rapidamente com a entrada de novos concorrentes, além de serem insustentáveis no longo prazo. Tradicionalmente a maioria dos negócios que possuem uma margem de lucro alta é acompanhada por um giro de ativos baixo, o que significa dizer que possuem um limite natural de produção sem incorrer em custos adicionais para expandir o negócio, que acabariam acarretando numa redução das margens de lucros.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Líquida alta juntamente com o crescimento do Lucro Líquido. Devemos escolher as melhores empresas do setor, aquelas que possuem as maiores margens líquidas em relação à média do setor.

“O otimista é um tolo, o pessimista um chato, bom mesmo é ser um realista esperançoso”.
Ariano Suassuna

• Ativo Total - Tendo em vista que neste grupo do balanço patrimonial estão as riquezas da empresa (Bens e Direitos), a sua evolução captura todos os componentes do investimento e do financiamento do negócio, sendo um dos maiores determinantes do fluxo de caixa e do valor da empresa. Um crescimento contínuo, progressivo e sustentável do ativo total, bem como do valor de mercado, é o que todo gestor busca para a sua empresa, ou seja, maximizar a riqueza dos acionistas, valorizando-a e fazendo com que a empresa se torne mais atraente perante o mercado.

A administração do ativo da empresa torna-se importante e deve buscar os objetivos da administração financeira simultaneamente: liquidez e rentabilidade. A maioria dos investidores acredita que o crescimento é sempre bom para uma empresa, por mantê-la competitiva, expandir seus lucros e sua participação no mercado. Mas é preciso entender que o crescimento da empresa implica no crescimento de seu endividamento, o qual deve ser mantido sobre controle para que os lucros não sejam erodidos com o passar do tempo.

Assim, o crescimento também deve acontecer de maneira controlada e sob constante planejamento. Um crescimento rápido traz vários problemas para a empresa além do endividamento. O crescimento gradativo (saudável) do seu ativo total e, acima de tudo, do seu patrimônio líquido a cada exercício, superior ao crescimento do seu endividamento, e ainda por cima, superior ao crescimento dos concorrentes, é um ótimo sinal para o investidor, pois é um crescimento que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade da empresa de atender suas próprias necessidades no futuro.

Portanto, o crescimento do Ativo só é interessante quando leva ao crescimento da Receita Líquida, cujo crescimento por sua vez só é interessante quando leva ao crescimento dos Lucros, ainda que esses maiores retornos venham a ocorrer no longo prazo, visto que os investimentos nos ativos levam tempo para maturarem e gerarem resultados.

Contudo, é fundamental que o crescimento do ativo gere, além de maiores lucros, o crescimento do patrimônio líquido no longo prazo. Ativos atrelados a endividamento, em especial às dívidas (passivos onerosos), implicam em maiores riscos financeiros, além de maiores gastos com juros. Logo, um cenário saudável e ideal é que o crescimento do ativo venha acompanhado do crescimento do patrimônio líquido, de forma que a empresa consiga manter uma boa cobertura de ativos pelo patrimônio líquido e, consequentemente, um baixo grau de endividamento.

A taxa de crescimento do ativo total e do valor de mercado da empresa é um importante parâmetro de comparação e de avaliação do seu desempenho, principalmente quando a empresa também vem mostrando crescimento do volume de vendas e do lucro numa proporção maior do que a média das empresas do setor. Parâmetros simples como esses acabam sendo a melhor estratégia de triagem para selecionarmos onde investir.

"Se investir for divertido, e se você estiver se entretendo, então provavelmente você não está ganhando dinheiro. O bom investimento é chato."
George Soros

• Giro do Ativo - Relaciona o volume de vendas em relação ao investimento total evidenciando o nível de eficiência com que são utilizados os recursos aplicados, ou seja, a produtividade dos investimentos totais (ativo total). Indica o quanto de receita líquida anual cada R$ 1,00 de ativo gera e, portanto, quanto maior melhor, pois maior será o potencial da empresa de geração de Receita Líquida anual a partir do total dos seus ativos. Por isso, é aconselhável manter o ativo num mínimo necessário e procurar aumentar o seu giro. Ativos ociosos, grandes investimentos em estoques, elevados valores de duplicatas a receber prejudicam o giro do ativo e, consequentemente, a rentabilidade. Quanto maior for o giro do ativo pelas vendas maior deverá ser a taxa de lucro e, portanto, é preferível que seja alto e crescente ao longo dos anos.

A obtenção de uma lucratividade satisfatória depende do volume de vendas efetuadas, que servirão para cobrir os custos e despesas e ainda proporcionar uma boa margem de lucro. Portanto, quanto maior for o giro do ativo melhor será para a empresa, pois indica que seus ativos estão gerando mais vendas. O seu crescimento ao longo dos anos é um excelente sinal de melhoria da performance da empresa. Quanto mais o Ativo gerar em vendas reais mais eficiente a gerência está sendo na administração dos investimentos (Ativo). A ideia é produzir mais, vender mais, numa proporção maior que os investimentos no Ativo. De uma maneira geral, um aumento no giro do ativo implica num aumento do ROE e da margem operacional como decorrência do aumento nas vendas.

Empresas de setores industriais, siderúrgico, mineração, dentre outros, necessitam de grandes volumes de ativos e, consequentemente, apresentam giros do ativo mais baixos em relação a empresas do setor de serviços e TI, que necessitam de menores volumes de ativos e, portanto, apresentam giros do ativo mais altos. Assim, torna-se importante entender como funciona o ciclo dos ativos. Primeiramente o ativo é estoque, depois ocorre a venda, o estoque vira contas a receber e por fim as contas a receber viram dinheiro em caixa quando são pagas pelos clientes.

Se a empresa acumula estoque, não está vendendo, se acumula contas a receber, não está recebendo. Cabe lembrar que um giro do ativo alto não implica necessariamente em um retorno alto. Deve-se buscar a combinação dos dois efeitos, juntamente com a alavancagem financeira, de maneira que o Retorno sobre o Ativo e o retorno sobre o Patrimônio Líquido sejam altos, ou altos o suficiente.

Uma empresa que está aumentando o seu giro está usando os seus ativos com mais eficiência, ou seja, está usando os mesmos ativos que tinha para produzir mais vendas do que antes, ou equivalentemente, está usando menos ativos para produzir o mesmo nível de vendas. Essas são boas notícias para o acionista na medida em que menos capital da empresa precisa estar “preso” em ativos para produzir o mesmo patamar de vendas.

Entretanto, empresas que apresentam altos valores de giro do ativo costumam ter margens de lucro menores e vice versa. Portanto, seu resultado deve ser comparado entre empresas do mesmo setor. Um histórico decrescente desse indicador pode ser um sinal de que a demanda pelos produtos/serviços da empresa vem diminuindo. O pior cenário seria tanto o giro do ativo como a margem líquida serem baixos. 

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa está conseguindo gerar o crescimento da Receita Líquida, bem como um Giro do Ativo alto ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre Receita Líquida e Ativos, melhor ainda se vier acompanhado de uma margem líquida alta e um ROA alto.

“Eu gosto de pensar sobre mim como uma pessoa normal que tinha uma paixão, um objetivo e um sonho, e foi lá e fez. Esta é realmente a forma como eu sempre vivi a minha vida.”
Michael Phelps

• Retorno do Ativo ROA - Indica o percentual de lucro que a empresa obtém para cada R$ 100,00 de investimento no ativo total. Quanto maior for o índice de rentabilidade do ativo melhor será a eficiência operacional da empresa. O ROA representa o retorno sobre o total do ativo, independente da procedência, ou seja, leva em consideração tanto os investimentos próprios (ativos atrelados ao Patrimônio Líquido) quanto os ativos atrelados ao capital de terceiros (Passivos), medindo o potencial de geração de lucro líquido dos investimentos totais e, portanto, quanto maior melhor, pois maior será o potencial da empresa de geração de lucro líquido anual a partir do total dos seus ativos. Obviamente, empresas que apresentam prejuízo líquido no período terão ROAs e ROEs negativos.

O ROA é útil para a comparação da eficiência operacional entre empresas do mesmo setor e para o acompanhamento da evolução da rentabilidade da empresa ao longo do tempo. Essa rentabilidade indica o quão eficiente é a aplicação dos ativos, ou seja, quanto lucro eles estão gerando. Se uma empresa apresentar um baixo índice de retorno sobre o ativo total sua capacidade de geração de receita operacional será insuficiente ou ela possui um grande endividamento e estará tendo grandes despesas com juros ou ambos, o que comprometerá o lucro líquido gerando consequentemente um baixo ROA. 

Empresas com ineficiência operacional ou no uso de seus ativos, ou ambos, apresentarão um baixo retorno sobre o ativo, o que também resultará em um ROE mais baixo. A melhor indicação da eficiência da empresa ocorre quando esta apresenta um alto ROA em relação à sua média histórica e à média do setor e, consequentemente, consegue gerar um alto ROE e um alto ROIC. De uma maneira geral, o mercado paga mais caro por ações de empresas que geram maior rentabilidade sobre o patrimônio líquido. Por isso, empresas que possuem P/VPA baixo e ROE alto podem ser oportunidades.

Entretanto, é de se esperar que empresas do setor industrial possua um volume maior de ativos do que as empresas de serviços, por exemplo. Uma empresa do setor petrolífero necessita de uma infraestrutura física muito superior à de uma empresa de recrutamento e seleção. Por isso, não faz sentido comparar diretamente o ROA destas duas empresas, pois é de se esperar que a segunda tenha um ROA muito superior ao da primeira em condições normais. A comparação deve ser realizada entre empresas do mesmo setor e em relação aos valores históricos e à tendência do indicador ao longo dos trimestres.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa além de ser capaz de gerar um lucro líquido crescente consegue também gerar e manter um alto Retorno do Ativo ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o Lucro Líquido e o Ativo.

"Eu sabia que não poderia prever nada, por isso decidi seguir as tendências, e é por isso que tenho sido tão bem sucedido. Eu simplesmente sigo as tendências. Não importa o quão ridículo tais tendências pareçam ser no início , e não importa o quão extensas ou irracionais elas pareçam ser no final, sempre sigo as tendências".
J.Henry

• Patrimônio Líquido - Segundo Edgar Lawrence Smith, não há forma melhor para aumentar o valor de uma ação no longo prazo do que aumentando o valor da empresa. A administração pode fazer isso muito bem aumentando os lucros retidos na companhia e o valor patrimonial investindo-os em mais ativos que, além de aumentar o valor da empresa, produzirão maiores lucros no futuro. Assim, se a administração conseguir reinvestir o lucro em prol dos acionistas seus esforços serão recompensados com o aumento do preço da ação.

Portanto, o crescimento gradual do patrimônio líquido ao longo dos anos, bem como dos ativos, é um excelente indicador de boa performance e de lucratividade, o que deve gerar uma expectativa positiva com relação ao futuro da empresa. Buffett considera o crescimento em valor patrimonial como a chave para compreendermos se uma companhia está ou não aumentando seu valor intrínseco, sendo provavelmente o ingrediente mais importante para premiar os acionistas com o passar dos anos.

Uma companhia que conseguir aumentar o seu Valor Patrimonial por Ação a taxas elevadas continuamente deverá, por consequência, aumentar suas taxas de crescimento de lucro em percentuais também elevados. Consequentemente, é de se esperar que o preço de mercado de suas ações valorize no longo prazo acompanhando os seus bons resultados e índices.

Espera-se que a empresa ao crescer e acumular lucro com o passar dos anos consiga diminuir o seu endividamento relativo, aumentar o valor de seu patrimônio e ganhar maior estabilidade financeira. Se ao crescer uma empresa estiver perdendo patrimônio líquido, provavelmente ela seja muito dependente em empréstimos, esteja endividada ou seja incompetente em administrar seus recursos de maneira adequada. Lucros mais altos não valem à pena se para atingi-los a empresa tenha que pôr em risco o seu futuro prejudicando a sua solidez financeira.

Os lucros gerados pela empresa podem ser distribuídos ou reinvestidos. Se forem reinvestidos estes resultados aumentarão o Patrimônio Líquido, ou seja, o valor dos recursos próprios da empresa que, em última análise, pertencem aos seus acionistas. Evidentemente, quanto maior for o valor patrimonial de uma ação maiores serão as chances de futuras distribuições de dividendos e bonificações e menor será a dependência da empresa em termos de recursos de terceiros aos quais se associam custos financeiros que afetam as expectativas de lucros futuros.

O propósito de todo IPO é capitalizar recursos dos investidores para o patrimônio líquido da empresa, o qual deve ser investido em ativos que futuramente gerarão maiores lucros para a empresa possibilitando que seu patrimônio líquido aumente com o passar do tempo. Contudo, o desempenho histórico da grande maioria das Empresas de Capital Aberto e dos IPO´s nos mostra exatamente o contrário. Apenas um pequeno grupo de Empresas de Capital Aberto consegue aumentar os seus patrimônios líquidos ao longo dos anos.

Analogamente à essa situação descrita, à medida que o endividamento dessas empresas aumenta, corroendo os lucros e reduzindo o patrimônio líquido, o valor de mercado de suas ações é depreciado com o passar do tempo, diversas vezes chegando até mesmo ao ponto dessas ações se tornarem "micos de mercado", apresentando valores que giram em torno de alguns centavos e baixíssima liquidez. 

A história nos mostra que apenas uma pequena parte dos IPO´s acaba se consolidando em grandes empresas de capital aberto, que apresentam evolução positiva dos seus ativos, patrimônio e lucros com o passar dos anos e, consequentemente, valorização do preço de suas ações. Da mesma forma, apenas uma pequena parte do total de empresas de capital aberto consegue manter bons índices de crescimento de patrimônio líquido, dos lucros e dos demais índices ao longo dos anos.

Obviamente, o investimento em valor busca selecionar as empresas desse seleto grupo. E por isso, a evolução do patrimônio líquido, do ativo total e, principalmente, do endividamento devem ser acompanhadas de perto pelo investidor. O crescimento dos ativos e do patrimônio líquido ao longo dos anos é um excelente indicador do sucesso do negócio e da sua tendência futura, ou pelo menos da expectativa em relação ao seu futuro, sendo um sinal de credibilidade e confiabilidade para o investimento nessas ações, além de servir como uma margem de segurança para os investidores (valor patrimonial da ação). Com relação ao crescimento do endividamento, deve ser observado pelo investidor se este é saudável ou não para a empresa, ou seja, se vem proporcionando crescimento dos lucros e, consequentemente, do patrimônio líquido ao longo dos anos.

"As grandes conquistas da humanidade foram obtidas conversando, e as grandes falhas pela falta de diálogo".
Stephen Hawking

• Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) - Este indicador mede o retorno que a empresa é capaz gerar em relação ao seu patrimônio líquido. Indica o percentual que a empresa obteve de lucro líquido para cada R$ 100,00 de Capital Próprio investido. É uma medida da rentabilidade do patrimônio líquido, ou seja, o percentual que foi adicionado ao patrimônio líquido decorrente do resultado do período. O ROE é uma importante medida de performance da companhia. Refere-se à capacidade de uma empresa em agregar valor a ela mesma utilizando os seus próprios recursos. Isto é, o quanto ela consegue crescer usando nada além daquilo que ela já tem, mensurando assim o retorno sobre os investimentos dos proprietários na empresa e, portanto, quanto maior melhor, pois maior será o potencial da empresa de geração de lucro líquido anual a partir do seu patrimônio líquido.

O Retorno sobre o Patrimônio Líquido engloba três alavancas a disposição da administração para acelerar ou desacelerar uma empresa: a lucratividade; a administração de ativos; e a alavancagem financeira. É uma medida muito importante por indicar o quanto a empresa consegue gerar de lucro para cada unidade de “investimento” no seu patrimônio líquido. Essa taxa pode ser comparada com a de outros rendimentos do mercado, como a Caderneta de Poupança, CDBs, Ações, Fundos de Investimentos, etc. Com isso se pode avaliar se a empresa oferece rentabilidade superior ou inferior a essas opções, sendo desejável que gere um ROE superior à taxa de juros da economia.

Uma empresa que apresenta um ROA alto e um endividamento saudável, com um ROE também alto, possui uma alavancagem positiva, pois seu endividamento está produzindo altos retornos tanto sobre os ativos quanto sobre o patrimônio.

Logo, uma empresa capaz de gerar bastante Patrimônio Líquido mostra-se um excelente negócio, pois os investidores poderão ser recompensados pelos resultados auferidos, além de criar ativos substanciais para cada real investido. Esses negócios muitas vezes são auto-sustentáveis, pois não necessitam de empréstimos ou investimentos adicionais em Patrimônio para continuar funcionando ou para investir no próprio negócio e crescer. Ao aumentar os investimentos a empresa estará aumentando os seus ativos, portanto, para ela manter ou aumentar o ROE ela terá que aumentar também os lucros.

Quanto maior a porcentagem positiva, melhor. Mas se a empresa tem mais obrigações (dívidas e despesas operacionais) do que a receita o ROE será negativo, ou seja, a empresa terá perdido esse percentual do seu patrimônio líquido. Por isso, uma maneira de verificar se uma empresa é criadora de ativos ou consumidora de caixa é analisando o ROE que ela gera. No longo prazo espera-se que o retorno sobre o Patrimônio Líquido seja superior ao ROA e ao ROIC.

Contudo, cabe observar se uma empresa muito alavancada estaria apresentando um alto ROE em razão das dívidas terem consumido grande parte do seu patrimônio líquido. Por possuir um pequeno Patrimônio Líquido e um grande Passivo, o lucro gerado pela empresa poderia gerar um valor de ROE alto acompanhado de um ROA e um ROIC extremamente baixos. Assim, os capitais de terceiros (endividamento) só são vantajosos para uma empresa quando o retorno sobre o patrimônio líquido for superior ao retorno sobre o ativo ROA e ao retorno sobre o capital investido ROIC, sendo a empresa capaz de gerar valores positivos e altos para os 3 indicadores.

A grande valia desse indicador é a sua evolução ao longo dos anos. É fundamental verificar se a sua tendência no longo prazo é de crescimento e se os valores atuais são altos e se estão acima ou abaixo da média histórica. A Cielo tem apresentado um ROE médio superior a 80% desde 2006, ao passo que a Vale vinha apresentando um bom ROE, superior a 20% ao ano, mas bem abaixo do indicador da Cielo. Isso significa que em cada R$ 1,00 do patrimônio líquido da Vale ela gera R$ 0,20 de lucro, já a Cielo gera R$ 0,80. Isso se deve principalmente pelas diferentes características dos setores de cada empresa. Portanto, o ideal é fazer a comparação entre empresas do mesmo setor. Aquela que apresentar o maior ROE estará gerando o maior retorno sobre seu Patrimônio Líquido.

Existem diversas formas para uma empresa aumentar o seu ROE. Aumentos no giro do ativo, na margem líquida e, consequentemente, na receita líquida, tendem a elevar o ROE, assim como um aumento nos capitais de terceiros (empréstimos), pois possibilita mais recursos para o investimento em ativos que poderão produzir maiores lucros, contudo aumentando a alavancagem da empresa e, consequentemente, o seu risco e os gastos com juros.

Por isso, é importante verificar se a empresa ao gerar um ROE alto possui um patrimônio líquido significativo. Como o Patrimônio Líquido é o denominador do indicador, empresas que apresentam baixos patrimônios líquidos e recorrem a empréstimos para se alavancar podem vir a apresentar elevados ROE´s, gerando uma falsa indicação para os investidores. Apesar do ROE neste exemplo ser alto, o ROA e o ROIC serão baixíssimos, bem como a cobertura dos ativos pelo patrimônio líquido, indicada por um baixo índice Patrimônio/Ativo, o que implicará num maior risco financeiro tanto para os investidores como para os credores devido à grande alavancagem e ao baixo patrimônio.

Buffett aconselha aos investidores que se concentrem em empresas que possuam altos ROEs e que estes apresentem tendência ascendente ao longo dos últimos anos, indicando um aumento na performance da empresa e seu diferencial competitivo em relação às demais. Um ROE médio acima de 10% ao longo de um período de 3 anos é o ideal, pois teoricamente a rentabilidade das empresas deve ser maior que a remuneração de investimentos de renda fixa, afinal o risco empresarial é muito maior e nada garante o retorno do investimento.

Portanto, os investidores devem buscar empresas que vêm apresentando ao longo dos anos ROE´s altos e que estejam cotadas a valores atrativos, ou seja, apresentem P/VPA´s baixos e/ou P/L´s baixos em relação às médias históricas desses indicadores. Uma taxa de crescimento do lucro e ROE superiores ao P/L da empresa são evidências de que a mesma conseguirá manter o seu crescimento no futuro e que o preço de sua ação está atrativo. Mas, de uma maneira geral, ROE alto implica em preços de mercado mais altos.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa além de ser capaz de gerar um lucro líquido crescente consegue também gerar e manter um alto Retorno do Patrimônio Líquido ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o Lucro Líquido e o PL.

"Se você não está pensando em possuir as ações de uma certa empresa por 10 anos, nem pense em possuí-las por 10 minutos."
Warren Buffett

• Retorno sobre o capital investido (ROIC) - Este indicador mede a capacidade da empresa de gerar lucro operacional (descontado o Imposto de Renda) a partir do capital investido na empresa, levando em consideração o capital próprio (patrimônio líquido) e o de terceiros (empréstimos, financiamentos e debêntures). Quanto maior, melhor, pois maior será o potencial da empresa de geração de lucro operacional anual a partir do seu patrimônio líquido e da sua dívida líquida. Se o seu valor for 15%, isso quer dizer que para cada R$ 100,00 investido na empresa foi gerado um lucro operacional - IR de R$ 15,00. O ROIC relaciona o lucro operacional com os capitais investidos na empresa pelos acionistas e pelos credores e informa aos financiadores a taxa de retorno obtida pelo processo operacional empresa, tanto para o capital próprio como para o capital de terceiros.


Comparar o desempenho de empresas do mesmo setor com base em indicadores como margens, giro de estoque ou prazo médio de recebimento pode fazer sentido se as empresas tiverem o mesmo modelo de negócios – algo que nem sempre é verdade. Empresas podem ter diferentes indicadores por possuírem estratégias de negócio diferentes – uma pode focar em concessão de crédito a clientes, enquanto outra pode focar sua operação em estoques, ou mesmo, vender mais em detrimento de melhores margens.

No final das contas o que vai importar é qual o retorno que cada uma das empresas entregou (e o potencial de continuar entregando estes retornos), o que é capturado pelo ROIC. O ROE leva em conta o patrimônio líquido da empresa, enquanto o ROIC tenta usar todo o capital utilizado na empresa, incluindo as dívidas. Assim, diferentemente do ROE, o ROIC leva em consideração o risco oferecido pelo retorno gerado pela empresa ao incluir a dívida líquida no seu cálculo, permitindo uma melhor comparabilidade entre empresas diferentes.

É muito comum empresas intensivas em capital possuírem elevados índices de alavancagem financeira. Isso acontece porque muitas vezes o lucro obtido por essas empresas não é o bastante para o investimento no crescimento e na manutenção dos seus negócios. Uma empresa de um setor que precisa de muitos ativos para produzir lucro, tal como siderurgia e aviação, possui uma elevada intensidade de capital e é natural que o seu ROIC seja menor do que o de empresas que necessitam de uma menor quantidade de investimentos para gerar o mesmo retorno, tais como de serviços e de tecnologia.

Assim, o ROIC é utilizado para avaliar a eficiência do projeto de investimento da empresa, o qual deve ser comparado ao das demais empresas do setor. Quanto maior for o ROIC, mais eficiente e eficaz é o projeto de investimento da empresa. Deste modo, se uma empresa apresentar um ROIC maior em comparação às suas concorrentes é possível que esta seja a mais competitiva do setor. 

Existem diversas formas para uma empresa aumentar o seu ROIC. Aumentos no giro do ativo, na margem EBITDA e, consequentemente, na receita líquida, tendem a elevar o ROIC, assim como um aumento nos capitais de terceiros (empréstimos), pois possibilita mais recursos para o investimento em ativos que poderão produzir maiores lucros, contudo aumentando a alavancagem da empresa e, consequentemente, o seu risco e os gastos com juros. Empresas que apresentam sérios problemas operacionais resultando em prejuízos operacionais apresentam ROICs negativos. O mesmo também ocorre em empresas que são extremamente alavancadas e que perderam o controle de sua dívida, quando sua dívida líquida se torna superior ao seu patrimônio líquido, sendo ambos os casos péssimos sinais.

Dessa forma, é importante verificar se a empresa ao gerar um ROIC alto possui um patrimônio líquido significativo e uma dívida líquida sob controle. Como o Patrimônio Líquido e a Dívida Líquida são os denominadores do indicador, empresas que apresentam baixos patrimônios líquidos e recorrem a empréstimos para se alavancar podem vir a apresentar elevados ROIC´s, gerando uma falsa indicação para os investidores.

Apesar do ROIC neste exemplo ser alto, o ROA será baixíssimo, bem como a cobertura dos ativos pelo patrimônio líquido indicada por um baixo índice Patrimônio/Ativo, além de um elevado índice Dívida Líquida/Patrimônio Líquido, ambos péssimos sinais que implicarão num maior risco financeiro tanto para os investidores como para os credores devido à grande alavancagem e ao baixo patrimônio.

Portanto, um elevado ROIC somente estará de fato gerando valor para os acionistas quando estiver gerando um ROE maior e um ROA alto. Caso contrário a empresa terá de aumentar o seu endividamento, não apenas para financiar o reinvestimento necessário, mas também para pagar os custos dos financiamentos externos dos períodos anteriores. Ainda que a empresa apresente lucro operacional, caso o seu patrimônio líquido seja baixo e/ou a sua dívida líquida seja alta a mesma poderá apresentar um ROE alto, porém um ROIC e um ROA baixo, sinalizando ineficiência operacional e/ou endividamento excessivo.

O nível de endividamento normalmente é uma decisão interna da empresa, sendo que ela pode escolher seu nível de alavancagem. Algumas empresas apresentam retornos sobre capital próprio (ROE) adequados apenas porque são extremamente alavancadas. Muitas vezes estas empresas operam em setores fortemente competitivos, caso em que apenas com grande alavancagem elas conseguem trazer retornos aos acionistas (ROE adequado, mas baixo ROIC).

Empresas com fortes vantagens competitivas normalmente não precisam se alavancar para gerar resultado, apresentando bons ROIC´s. Isso significa bons retornos para o acionista mesmo com baixo endividamento – e ótimos retornos com o uso de alavancagem. Então, se uma empresa apresenta vantagem competitiva isso pode ser captado por meio do ROIC.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter um ROIC alto juntamente com o crescimento do Lucro EBITDA, indicando uma boa relação entre o Lucro operacional e a Dívida Líquida e o PL. Recomenda-se comparar os resultados do ROE e do ROIC com seus resultados históricos a fim de verificar se o resultado é constante, ou melhor, se há crescimento ao longo dos anos e se está acima da média para o setor.

"A coisa mais difícil de julgar é qual nível de risco é seguro."
George Soros

• Dividend Yield – Relaciona o total dos dividendos anuais pago por ação e o seu preço de mercado. Indica a remuneração anual sobre o capital investido que é paga pela empresa aos acionistas sob a forma de proventos ao investidor, ou seja, o retorno anual auferido pelo acionista sob a forma de proventos por ação. É ideal para efetuar comparações entre os rendimentos das empresas estudadas, bem como em relação aos rendimentos de outros investimentos, não necessariamente ações. A comparação entre o Yield da ação e o retorno dos investimentos de renda fixa pode ser utilizado para avaliar o nível do preço da ação em função do seu retorno.

Quanto maior for o Dividend Yield melhor será o resultado da empresa ou mais vantajosa será sua política de distribuição de lucros aos acionistas. No seu cálculo é fundamental que seja contabilizado o total de proventos distribuídos nos últimos 12 meses, seja sob a forma de dividendos, juros sobre o capital próprio ou bonificações. Por exemplo, se uma ação vale hoje R$ 100,00 e a empresa distribuiu no último exercício R$ 8,00 por ação em dividendos, o valor do DY será de 8%.

Os principais retornos obtidos a partir de um investimento em ações são obtidos por meio dos proventos pagos pela empresa ao acionista e pela valorização de suas ações. Parte do lucro líquido auferido é distribuída aos acionistas na forma de dividendos subdivididos de acordo com as diferentes classes de ação, os quais são depositados nas suas contas de investimentos (a legislação brasileira obriga as empresas a distribuírem pelo menos 25% de seu lucro na forma de dividendos). O montante é pago em dinheiro e de forma proporcional à quantidade de ações possuídas. Algumas pagam dividendos anuais, enquanto outras pagam dividendos semestrais ou trimestrais. O pagamento de dividendos estimula o investimento de longo prazo e o buy & hold por partes dos investidores.

Os dividendos para os acionistas já são líquidos de imposto de renda, já que a empresa efetuou o pagamento de impostos sobre estes lucros. Também podem ser pagos juros sobre capital próprio (JCP), calculados com base no lucro retido pela empresa nos anos anteriores (incidência de imposto de renda de 15% na fonte para quem recebe o benefício).

Por último, há também as bonificações em ações, opções ou debêntures, que, em caso de incorporação de reservas e lucros por parte da empresa, são oferecidas gratuitamente aos acionistas. Outro tipo de bonificação é a bonificação em dinheiro, que pode ser concedida pelas empresas como uma participação adicional nos lucros. A legislação societária brasileira permite que em certas ocasiões sejam efetuados pagamentos de dividendos à conta de saldos de reservas de lucros, ainda que a empresa não tenha apresentado lucro no último trimestre.

A saúde financeira da empresa pode ser avaliada em função da consistência do pagamento de dividendos. O aumento contínuo no valor dos dividendos e a constância de seu pagamento indicam que a empresa vai bem e, provavelmente, o mercado tenha uma expectativa positiva para suas ações, pois infere-se o aumento nos lucros e fluxos de caixa quando há um aumento nos dividendos.

Por outro lado, a diminuição no valor dos dividendos, assim como a irregularidade no seu pagamento, pode indicar que a empresa está com dificuldades financeiras. Logo, o mercado infere uma diminuição nos fluxos de caixa e nos lucros quando ocorre uma redução nos dividendos, podendo levar a uma queda no preço da ação. Por isso, recomenda-se comparar a evolução do DY com a média histórica desse indicador e em relação à média do DY pago pelo setor, de forma a avaliar se a empresa está pagando um dividendo acima, abaixo ou dentro da média das demais empresas do setor e da sua média histórica.

“A redução dos dividendos pagos por uma empresa é um evento de grande significância, com sérias implicações nos preços dos papéis. Venda no primeiro sinal de que os dividendos estão correndo perigo!"
Jim Slater

Torna-se especialmente relevante a estimativa futura do yield, neste caso é necessário que tenhamos uma projeção do lucro e que seja estabelecido um pay-out realista. Assim, se uma ação custa hoje R$ 100,00 e esperamos receber R$ 10,00 em dividendos, o yield seria de 10%, podendo ser visto como um rendimento da ação, independentemente da valorização do seu preço na Bolsa, mas o mais importante é a taxa de crescimento dos dividendos pagos ao longo dos anos. Entretanto, vale lembrar que como o dividend yield é uma medida de relação direta com o preço da ação, yields muito elevados podem ser reflexo de cotações muito baixas, o que pode evidenciar um mercado financeiro fraco e uma tendência de baixa no preço da ação.

Contudo, o fato de uma empresa ser considerada uma boa pagadora de dividendos não quer dizer necessariamente que ela é uma boa oportunidade de investimento, tão pouco que possui solidez financeira. Como o dividend yield é o resultado de uma fração (dividendo pago dividido pelo preço da ação), é preciso cuidado na hora de avaliar esse indicador. Como o preço da ação está no denominador, o dividend yield pode parecer alto se o preço do papel for muito baixo ou se tornar atraente caso o preço do papel venha caindo. Isso pode estar refletindo algum tipo de problema com a empresa e não uma boa política de pagamento de dividendos.

O ideal seria o crescimento estável dos dividendos em linha com o crescimento dos lucros aos longos dos trimestres. Mas no caso de empresas que apresentam crescimento rápido os dividendos não são tão importantes, visto que as empresas conseguem investir seus capitais e obter um ROA, um ROE e um ROIC altos. Logo, os acionistas dessas empresas receberão um retorno muito maior caso elas retenham a maior parte dos seus lucros para reinvesti-los nos próprios negócios, cujo crescimento resultará na valorização de suas ações no mercado.

Além disso, quando uma empresa inicia um programa de recompra de ações ela está tirando essas ações de circulação, tornando-as ações de tesouraria. Estas ações não recebem dividendos, logo, o valor dos dividendos pagos para as ações em mercado e o lucro por ação serão aumentados, o que aumentará a expectativa do mercado em relação ao retorno da empresa e, consequentemente, o valor de suas ações.

"O mercado de ações é um jogo de paciência. Não é preciso dar tacadas o tempo todo. Aguarde pelo arremesso perfeito."
Warren Buffett

De maneira oposta, uma empresa que realizar uma capitalização (lançar mais ações no mercado primário) estará diluindo o valor dos dividendos pagos com um número maior de acionistas, o que fará com que o LPA e o DY diminuam de valor. Consequentemente, a expectativa do mercado com relação ao retorno da empresa diminuirá, desvalorizando as suas ações. Foi isso que ocorreu com a capitalização da Petrobrás em 2010, uma diluição dos dividendos, o que fez com que os preços de suas ações fossem bastante penalizadas pelo mercado.

Em alguns casos empresas que não possuem ou que não conseguem gerar recursos suficientes para pagar suas dívidas recorrem a lançamentos secundários de ações no mercado de forma a melhorar o seu caixa e os seus índices de liquidez, o que tem um efeito ainda pior para os acionistas visto que, além da diluição dos dividendos, o valor arrecadado no lançamento secundário não será usado para investimentos nos ativos da empresa, o que poderia vir a gerar maiores lucros e maiores dividendos no futuro, mas sim para pagar dívidas e juros de empréstimos passados, um péssimo sinal.

Esse indicador é importante, mas a escolha de um investimento não pode se basear apenas no retorno com dividendos. Ele é apenas uma das métricas a serem levadas em conta. O crescimento do patrimônio líquido, do lucro líquido, do LPA, do ROE, uma boa governança corporativa e múltiplos atrativos também são vitais para o desempenho da ação no mercado. Além disso, outro fator importante que também assegura uma enorme rentabilidade para o investimento em ações é o reinvestimento de dividendos ao longo dos anos.

Ou seja, sempre que uma ação pagar dividendos, o investidor utiliza os valores recebidos para adquirir novas ações da empresa, aumentando os seus retornos futuros. Há algumas empresas que já dispõem de programas de reinvestimento automático de dividendos, tornando-o mais prático. Sempre avalie se seu investimento está conseguindo manter um bom retorno e se há melhores oportunidades no mercado.

Abaixo disponibilizamos uma lista das empresas que mais pagaram dividendos entre out/13 e out/2014. É importante frisar que nem sempre o fato de uma empresa ser boa pagadora de dividendos a tornará uma boa oportunidade de investimento. Conforme podemos observar na figura abaixo, várias empresas que apresentaram altos yields neste período tiveram variação negativa no seu preço de mercado, o que comprova que a análise isolada desse indicador não é garantia de retorno para o investidor.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa é capaz de gerar, além de crescimento do Patrimônio Líquido e do Lucro Líquido, o crescimento do Dividend Yield e dos Proventos ao longo dos trimestres.

"Os jovens hoje em dia imaginam que o dinheiro é tudo, e quando ficam velhos descobrem que é isso mesmo."
Oscar Wilde

• Payout – É a taxa de distribuição do lucro da empresa para os acionistas na forma de dividendos ou juros sobre o capital próprio. O indicador mostra quanto do Lucro Líquido (em percentual) é distribuído em forma de proventos aos acionistas. Se uma empresa tem lucro de R$ 1,00/ação e distribui R$ 0,35/ação como dividendos seu pay-out seria de 35%. Analogamente, infere-se que 65% do lucro líquido foi retido na empresa.

O Payout apenas mede o quanto do lucro é distribuído, mas se a empresa tiver um lucro baixo pode distribuir 100% na forma de dividendos e mesmo assim será pouco. Por exemplo, duas empresas faturam R$ 100 milhões/ano. A empresa 1 tem lucro líquido de 10 milhões e a empresa 2 tem lucro líquido de apenas 1 milhão, porém as duas pagam 1 milhão em dividendos aos acionistas. Neste caso a empresa 1 tem um Payout de 10% (1 milhão / 10 milhões), enquanto que a empresa 2 tem um Payout de 100% (1 milhão / 1 milhão).

A política de dividendos é uma decisão que busca o equilíbrio entre a remuneração dos acionistas e o financiamento de novos investimentos na própria empresa. Parte do lucro obtido pela empresa é distribuída através de dividendos e parte é retida para serem reinvestidos na própria empresa. Existem casos de empresas em que o reinvestimento dos lucros em ativos acaba sendo mais vantajoso no longo prazo do que distribuir dividendos, quando os novos investimentos resultam em maiores lucros e, consequentemente, no crescimento do Patrimônio Líquido. 

Portanto, existem casos em que índice payout é muito baixo porque a empresa utiliza a retenção de lucros como fonte de financiamento de seus projetos. E, obviamente, a retenção de lucros só será benéfica para o acionista se os resultados gerados pelos investimentos da empresa forem superiores à rentabilidade dos demais investimentos disponíveis no mercado. Nesta situação a empresa deveria pagar o mínimo legal sob a forma de dividendos buscando otimizar seus investimentos através da retenção de um percentual maior dos lucros, buscando assim o crescimento do seu patrimônio líquido e lucros futuros. Contudo, é comum que ações que apresentam elevados payouts atraiam mais investidores em razão da maior expectativa em relação aos dividendos futuros.

Um payout acima de 100% significa que a empresa está pagando em dividendos mais do que ela lucra anualmente em suas atividades. Muitas vezes isso ocorre porque a empresa retira uma parte deste valor pago em forma de dividendos de sua reserva de lucros a realizar ou reserva de capital, ou seja, do seu Patrimônio Líquido, reduzindo-o, o que acaba se torna desvantajoso para o acionista. Geralmente isso é feito como forma de recompensar o acionista por algum resultado ruim auferido pela empresa.

Diante disso, um payout muito alto ou muito baixo podem não ser necessariamente muito bom ou muito ruim. Mas empresas que conseguem manter um elevado percentual de distribuição do lucro juntamente com o crescimento do seu lucro e do seu PL são ótimos negócios, principalmente quando não necessitam de grande parte dos seus lucros para complementar seus caixas e capitais de giro.

Warren Buffett defende que as empresas não deveriam pagar dividendos, ou que deveriam pagar o payout mínimo (25%), desde que possuíssem formas mais rentáveis de reinvestir seus lucros, tais como reinvesti-los em seus próprios negócios, buscando o crescimento dos Ativos, do Patrimônio Líquido e, consequentemente, dos lucros futuros, adquirir outras empresas, recomprar ações, o que consequentemente aumentará o dividend yield e o LPA das ações da empresa e, em último caso e havendo capital disponível, a empresa pagaria dividendos. Como disse George Soros: "É muito mais fácil colocar recursos existentes em um melhor uso do que desenvolver recursos onde eles não existem."

É possível criar uma expectativa de recebimento futuro de dividendos e considerá-la como um desconto sobre o preço atual da ação. Isto é possível da seguinte maneira: se a empresa sob análise apresenta um histórico estável em sua distribuição de resultados, pode ser estimado o dividendo a ser recebido no próximo exercício partindo de uma projeção para suas demonstrações financeiras. Torna-se importante acompanhar o histórico do payout ao longo dos anos, de forma a inferir se o mesmo está acima ou abaixo da média histórica e da média para o setor.

Na maioria das vezes em que uma empresa anuncia um aumento do seu payout o preço de suas ações sobe. Dificilmente uma empresa aumenta a sua taxa de distribuição de lucros sem que possa mantê-la no futuro, sendo isso um excelente indicador da sua confiança no crescimento de seu lucro, assim como a valorização de suas ações é um indicador de uma maior confiança do mercado em relação a ela. Por outro lado, uma diminuição no payout pode significar uma expectativa de retornos futuros menores, o que provavelmente irá contribuir para uma expectativa negativa do mercado em relação às ações da empresa.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa é capaz de gerar, além de crescimento do Patrimônio Líquido e do Lucro Líquido, um Payout alto e o crescimento dos Proventos ao longo dos trimestres.

“Não sei quais são as sete maravilhas do mundo, mas certamente conheço a oitava: os juros compostos.”
Barão de Rothschild

A análise relativa ou por múltiplos é aparentemente muito mais simples que o processo de precificação de uma empresa (valuation). Entretanto, múltiplos são fáceis de serem usados incorretamente através de análises rasas ou pelo excesso de subjetivismo. Sem contar que não existe empresa completamente semelhante à outra e, portanto, é necessário o aprofundamento da análise das diferenças. Talvez o maior benefício da análise relativa seja a apresentação ordenada e comparativa dos indicadores das empresas, de forma que nos possibilite rapidamente detectar oportunidades e riscos.

Reversões numa tendência de bons desempenhos da empresa podem facilmente serem identificadas através de sinais como o declínio no volume de vendas, redução no lucro por ação, redução dos valores dos dividendos, patrimônio líquido e, principalmente, redução no lucro líquido e no ROE. Da mesma forma, uma grande melhora no volume de vendas durante dois resultados consecutivos, o aumento do lucro líquido e a melhoria da margem líquida indicam melhora numa empresa que vem apresentando resultados ruins ou abaixo da sua média histórica.

Os indicadores fundamentalistas possuem peculiaridades que devem ser muito bem conhecidas pelo investidor no intuito de evitar distorções nas análises efetuadas. Os melhores resultados normalmente são aqueles que possibilitam uma rápida observação e compreensão por parte do investidor. Não se trata apenas de se trazer as chances ao seu favor e diminuir o risco, mas também dar suporte à sua tomada de decisão, embasamento e confiança no investimento.

E para que isso aconteça a análise fundamentalista não deve ser feita com informações defasadas, muito menos deve ficar defasada em função da variação do preço do ativo ao longo do tempo. A atualidade e a credibilidade da informação são fundamentais para o cálculo correto dos indicadores, sendo um quesito de validade da análise. Mesmo a demora na realização da análise de um resultado trimestral ou a dificuldade em conseguir uma informação em tempo hábil pode acarretar prejuízos para quem possui ações de uma empresa que apresentou um resultado ruim ou fazer com que o investidor entre atrasado no mercado, perdendo parte da valorização das ações de uma empresa que apresentou um resultado superior à expectativa do mercado.

O mercado tende a ajustar o preço de um ativo em função dos fundamentos, principalmente em razão da evolução do lucro. Nos dias de hoje o mercado reage muito mais rápido aos novos fundamentos. Mesmo aqueles que acompanham diariamente o gráfico dos preços dos ativos muitas vezes demoram a entrar no mercado porque os indicadores da análise técnica precisam de alguns dias para gerarem as indicações, precisando ainda de uma série de confirmações para seus sinais. No final, o que o gráfico acaba confirmando são os próprios fundamentos que foram divulgados recentemente.

Especuladores podem aplicar seus recursos em empresas falidas e ainda assim tirar algum lucro apenas com a flutuação de preços. Mas como investidor de longo prazo o ideal é que, através da análise fundamentalista, você selecione ações de empresas sólidas e lucrativas, sendo negociadas com múltiplos atrativos, cujos lucros, patrimônio líquido e ativos venham crescendo ao longo do tempo e que, teoricamente, não apresentem riscos financeiros significativos. Com este pequeno filtro as chances de se escolher uma empresa vencedora de um setor econômico aquecido são muito maiores.

Ao identificar empresas que ao longo dos últimos 3 anos tiveram lucro líquido positivo, margem líquida positiva, fluxo de caixa positivo (produz mais dinheiro do que o que consome), ROE positivo e dívida sobre o patrimônio menor que 1, você estará retirando do cesto as maçãs podres. Como disse Warren Buffett, não adianta investir em uma empresa cuja ação está com o preço descontado se a rentabilidade dela é péssima.

“É mais fácil não arrumar um problema do que ter que sair de um problema”.
Warren Buffett

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Como Avaliar o Preço da Ação de uma Empresa?


Indicadores de preço fornecem uma medida que indica se o preço das ações de determinada empresa está subavaliado, sobreavaliado ou num valor adequado em relação à performance de indicadores como receita líquida, lucro líquido, lucro EBITDA e valor patrimonial.

Dentre os indicadores de preço é mais comum entre os investidores a análise da média do preço de mercado, uma das bases da análise técnica. Essa mesma lógica pode ser aplicada aos demais indicadores de preço tais como Preço/Lucro, Preço/Valor Patrimonial, dentre outros. Basicamente, a lógica seria que o preço de um determinado ativo estará subvalorizado quando estiver abaixo da sua média histórica e, sobrevalorizado quando estiver num valor acima. E, no caso de um indicador de preço, o preço do ativo estaria subvalorizado quando o indicador estiver num valor abaixo da sua média histórica e, sobrevalorizado quando estiver num valor acima.

A lógica predominante no investimento em valor é primeiramente avaliar o mercado e a economia como um todo e decidir se o momento é apropriado ou não para investir. Caso seja apropriado, deve-se escolher os setores que vêm apresentando as melhores performances e os menores riscos. A partir daí, deve-se escolher dentro destes as empresas que vêm apresentando as melhores performances e os menores riscos. E, por último, deve-se avaliar o preço de mercado de suas ações e os valores dos seus indicadores de preço.

Embora não levem em consideração os aspectos qualitativos da empresa, tais como nível de endividamento, eficiência, boa governança, vantagens competitivas e posição no setor, esses indicadores permitem ao investidor além de avaliar o preço de mercado das ações de uma empresa, definir os níveis em que o preço passa a se tornar sobreavaliado, indicando que há um maior risco de que se desvalorize, e definir os níveis em que o preço passa a se tornar subavaliado, indicando que há uma maior chance de que se valorize.

Dessa forma, visam indicar oportunidades para se comprar em momentos em que o preço do ativo se encontrar subvalorizado, bem como indicar o risco de se comprar em momentos em que o preço do ativo se encontrar sobrevalorizado.

Além disso, as médias dos indicadores das empresas de um determinado setor, bem como de todas as empresas listadas no mercado, também podem ser utilizadas para avaliar o valor de mercado desse setor e do mercado como um todo, indicando se o setor ou o mercado estão sub ou sobreavaliados. E, da mesma forma, os valores dos indicadores de preço da empresa devem ser comparados às médias dos indicadores do setor e do mercado, de forma a identificar se o preço de mercado das ações dessa empresa está sub ou sobreavaliado em relação aos indicadores de preço das demais empresas do setor e em relação aos indicadores de preço do mercado como um todo.

“Não me diga no que estão as suas prioridades. Mostre-me onde você gasta seu dinheiro e eu direi o que são.”
James W. Frick

• Preço sobre Vendas - PSR - Este indicador compara o preço de mercado da ação com as vendas líquidas. Representa o quanto o mercado está disposto a pagar pela ação para cada R$ 1,00 que a empresa recebe em receitas líquidas anuais. Indica também quantos anos a empresa leva para gerar em receitas líquidas o seu valor de mercado. Valores abaixo de 2 podem ser considerados atrativos desde que os demais indicadores também apresentem bons scores.


É um importante indicador, visto que o valor da empresa é definido em razão dos seus lucros futuros. Contudo, é mais relevante quando utilizado para comparar empresas do mesmo setor, visto as características próprias do negócio e do mercado variarem de setor para setor. Cabe observar que em razão da receita líquida ser o denominador na fórmula do PSR, um grande aumento na receita líquida de um trimestre para o outro fará com que o PSR diminua, indicando que o preço da ação estaria “barato”, principalmente durante períodos de baixa no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado desvalorizado. O contrário pode ser observado em razão de uma grande redução na receita líquida, principalmente durante períodos de alta no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado valorizado, o que fará com que PSR aumente, indicando que o preço da ação estaria “caro”.

Em razão da média histórica do PSR do índice S&P 500 ser 2, os investidores utilizam esse valor do PSR como uma referência para indicar que o preço de uma ação estaria num valor "justo". Portanto, valores muito acima de 2 indicariam sobrevalorização e valores abaixo de 2 indicariam subvalorização. Contudo, essa referência nada mais é do que uma aproximação, ou seja, apesar de representar a média do mercado, essa referência não se aplica para todas as empresas em razão das diferentes realidades e aspectos dos setores econômicos, tais como carga tributária, custo de produção e de venda e insumos. Daí a importância em se utilizar a média histórica do PSR da empresa como parâmetro de comparação e de avaliação.

Nesta situação, uma ação que esteja apresentando um PSR abaixo do seu valor médio histórico ou abaixo da média do setor, desde que os demais fundamentos sejam atraentes, poderia indicar subvalorização pelo mercado e ser considerada uma boa oportunidade. Analogamente, um valor acima dessas médias poderia indicar a supervalorização desta, o que poderia implicar num maior risco para o investidor. 

Uma empresa que apresenta um baixo preço sobre vendas e também um baixo endividamento em relação às demais empresas do setor mostra-se ser uma melhor oportunidade de investimento, desde que sua margem de lucro seja próxima ou maior do que das demais. Logo, deve-se procurar dentro de um mesmo setor as empresas que apresentem altas margens de lucro líquido e baixos índices PSR.

Diferentemente do EV/EBITDA e do P/L, o PSR dificilmente será negativo, oferecendo uma medida de referência para a análise independentemente de a empresa apresentar lucro ou prejuízo, sem contar que a Receita Líquida costuma ser muito mais estável do que os lucros, além de estar menos sujeita a manipulações contábeis.

Entretanto, esse índice não deve ser visto isoladamente dos demais. Empresas com grande endividamento e/ou à beira da falência podem apresentar baixos índices de preço sobre vendas, o que poderia erroneamente indicar uma oportunidade. O mesmo ocorre numa empresa em que os custos dos produtos/serviços é muito elevado resultando numa baixa margem bruta e, consequentemente num baixo lucro líquido.

Além disso, uma empresa que apresenta um baixo P/L, mas um alto PSR é sinal de que algum evento causou um lucro não recorrente que elevou o lucro por ação e, consequentemente diminuiu o P/L, falsamente indicando uma subvalorização. Assim, torna-se fundamental analisar os demais indicadores, em especial os que avaliam a qualidade da empresa. Critérios como maiores margens de lucro e baixo endividamento associados a baixos índices de preço sobre vendas são indicativos de uma boa oportunidade.

“A maior recompensa nos investimentos vem daqueles que, por sorte ou bom senso, encontraram aquelas companhias que podem crescer em vendas e lucros bem acima da indústria como um todo".
Philip A. Fisher

• EV/EBITDA - Este indicador compara o enterprise value com o EBITDA anual. Indica quantos anos a empresa levaria para gerar lucro EBITDA equivalente ao seu Enterprise Value. Diferentemente do P/L, ao se calcular o enterprise value leva-se em consideração as dívidas e as reservas de capitais da empresa, representando de uma forma mais abrangente o valor de uma empresa, pois se leva em consideração uma estimativa do valor do risco oferecido pela empresa. Valores abaixo da média histórica indicariam que a empresa estaria subavaliada pelo mercado, apontando uma possível oportunidade para os investidores. Da mesma forma, valores muito acima da média indicariam que a empresa estaria sobreavaliada pelo mercado.


O EV/EBITDA é um indicador semelhante ao P/L, porém é mais focado na atividade operacional da empresa. Os valores deste indicador, assim como acontece com o P/L, variam muito de setor para setor, sendo indicado para a comparação entre empresas de um mesmo setor. Recomenda-se comparar o EV/EBITDA da empresa com a média desse indicador para o setor, de forma que o investidor possa identificar quais empresas estão sub e sobreavaliadas em relação à média. 

Cabe observar que em razão do EBITDA ser o denominador na fórmula do EV/EBITDA, um grande aumento no EBITDA de um trimestre para o outro fará com que o EV/EBITDA diminua, indicando que o preço da ação estaria “barato”, principalmente durante períodos de baixa no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado desvalorizado, reduzindo o seu EV. O contrário pode ser observado em razão de uma grande redução no EBITDA, principalmente durante períodos de alta no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado valorizado, o que fará com que EV aumente, indicando que o preço da ação estaria “caro”.

O EV/EBITDA relaciona, portanto, o valor da empresa e o seu resultado operacional. Se apenas o EV vem aumentando ao longo dos trimestres e o EBITDA não vem o acompanhando na mesma proporção temos a indicação de que o valor de mercado e/ou a dívida da empresa aumentaram, porém o resultado operacional não aumentou na mesma proporção, sinalizando uma queda de performance. Por outro lado, um aumento do EBITDA superior ao aumento do EV indica uma melhora na performance operacional da empresa, que conseguiu melhores resultado mesmo sem aumentar sua alavancagem.

Em razão do EV/EBITDA histórico médio do índice S&P 500 ser 10, os investidores utilizam esse valor do EV/EBITDA como uma referência para indicar que o preço de uma ação estaria num valor "justo". Portanto, valores muito acima de 10 indicariam sobrevalorização e valores abaixo de 10 indicariam subvalorização. Contudo, essa referência nada mais é do que uma aproximação, ou seja, apesar de representar a média do mercado, essa referência não se aplica para todas as empresas em razão das diferentes realidades e aspectos dos setores econômicos, tais como tais como despesas de depreciação e de amortização, despesas operacionais e capacidade de geração de caixa operacional. Daí a importância em se utilizar a média histórica do EV/EBITDA da empresa como parâmetro de comparação e avaliação.

Há contudo uma importante ressalva. É importante acompanhar a proporção que a dívida líquida representa no Enterprise Value. Obviamente, quanto maior for a proporção da dívida líquida no EV maior será a alavancagem. Uma empresa que aumentar muito a sua alavancagem, principalmente quando a dívida líquida se torna superior a 40% do EV, fará com que seu EV/EBITDA aumente em razão do aumento no EV, indicando que o preço da ação estaria mais caro, além de aumentar o risco do investidor em razão do aumento da alavancagem. Logo, é importante avaliar se o aumento do EV fora causado em maior grau pelo aumento do valor de mercado da empresa ou pelo aumento da sua dívida líquida.

O indicador obedece à mesma lógica de interpretação que o P/L, sendo este último no entanto limitado em relação ao EV/EBITDA por não levar em consideração as dívidas e o fato do EBITDA ser menos suscetível do que o lucro líquido a eventos não recorrentes, tais como ganhos judiciais, variações cambiais, etc. Além disso, empresas do mesmo setor podem diferir em alavancagem, isto é, na razão entre dívidas e capital próprio. E como o EV da empresa inclui dívidas e capital próprio, o impacto da alavancagem sobre o índice EV/EBITDA é menor em comparação ao impacto sobre o P/L, tornando-o mais adequado para comparar tais empresas. Contudo, em períodos em que a empresa apresentar prejuízo operacional, situação que tende a ser bem mais rara do que apresentar prejuízo líquido, assim como o P/L, esse indicador perde a validade, servindo apenas como um sinal de alerta, sendo preferível utilizar o PSR ou o P/VPA, os quais possibilitarão um melhor parâmetro de análise e comparação às demais empresas e à média do setor.

É importante se ter em mente que não se deve comprar um negócio somente porque ele está "barato". É importante que ele tenha qualidade. Normalmente os investidores compram ações porque acreditam que seus índices P/L ou PSR estão baixos mas acabam descobrindo que os preços estão "baratos" porque os lucros estão em declínio, as vendas vêm diminuindo e as dívidas vêm aumentando.

“As previsões podem dizer muito sobre quem faz as previsões, mas não dizem nada sobre o futuro.”
Warren Buffett

• Lucro por Ação – O índice LPA representa o quanto de lucro líquido anual a empresa gera por cada ação emitida no mercado. Obviamente, quanto maior melhor. Mas o que é realmente importante é verificar a capacidade da empresa em gerar um LPA crescente ao longo dos anos, além de avaliar o LPA em relação ao de outras empresas do setor para saber se está acima ou abaixo da média do segmento. 


Por exemplo: Na data de 30/03/18 a VALE3 apresentava um LPA de 3,34 ou seja, para cada ação VALE3 a empresa gerou um lucro de R$ 3,34. É importante ressaltar que indicador não corresponde ao valor que será pago aos acionistas sob a forma de dividendos. O lucro que não é pago aos acionistas em forma de dividendos é acumulado no patrimônio líquido da empresa, possibilitando novos investimentos no ativo total e, consequentemente, fazendo com a que empresa cresça e gere maiores lucros no futuro. Se isso ocorrer é razoável esperar que o seu preço de mercado valorize, no longo prazo, acompanhando a progressão do seu lucro por ação. O contrário ocorrerá quando uma empresa apresentar um histórico de lucros decrescentes, ou mesmo, de prejuízos, situação em que o seu preço de mercado se desvalorizará com o passar do tempo acompanhando as sucessivas quedas do seu lucro por ação.

Diante disso, desde que a empresa apresente LPA´s crescentes e os demais fundamentos sejam atraentes, momentos em que o preço de mercado estiver abaixo da sua média histórica podem indicar subvalorização e, momentos em que estiver muito acima da média sobrevalorização. Cabe observar que em razão do número de ações ser o denominador na fórmula do LPA, um lançamento secundário de ações da empresa no mercado fará com que o LPA diminua, além de diluir os dividendos numa quantidade maior de ações reduzindo também o Dividend Yield, razão pela qual na maioria das vezes em que isso ocorre o preço da ação é desvalorizado pelo mercado. O contrário ocorre diante da recompra de ações pelas próprias empresas, o que consequentemente aumenta o LPA e o Yield em virtude da diminuição do número das ações e é visto como um bom sinal pelo mercado, além de indicar que a empresa apresenta uma boa capacidade financeira, normalmente levando a valorização do preço de mercado da ação. Daí a importância em se utilizar a média histórica do LPA como parâmetro de comparação e avaliação.

Quando uma empresa retém seus lucros ela não precisa tomar dinheiro emprestado para adquirir novas empresas de seu ramo, para comprar novas máquinas ou para ampliar sua estrutura operacional, evitando o pagamento de juros de financiamentos e, consequentemente, um aumento no seu endividamento. Empresas que reinvestem seus lucros na aquisição de novas empresas ou de bens que aumentarão sua produção e, mais adiante, os seus lucros e os seus patrimônios líquidos, são verdadeiras máquinas de produzir juros compostos. Assim, provavelmente a taxa de crescimento do Patrimônio Líquido seja o fator mais importante para premiar os acionistas com o passar dos anos.

“Os juros compostos são a força mais poderosa do Universo. Aqueles que entendem seu funcionamento, o recebem. Aqueles que não entendem, o pagam”.
Albert Einstein

• Preço sobre Lucro (Índice P/L) – Indica a relação entre o preço da ação e seu lucro por ação. Ou seja, calcula em quanto tempo a empresa irá receber de lucro por ação o valor de mercado de sua ação. É um índice usado para medir quão barato ou caro o preço de mercado da ação está, pois indica quantas vezes o preço é superior ao lucro. Em outras palavras, indica quanto o mercado está disposto a pagar por cada R$ 1,00 de lucro gerado pela empresa. Quanto maior for o P/L maior será a expectativa do mercado sobre os resultados futuros da empresa e, consequentemente, maior será o risco para o investidor caso os resultados futuros fiquem abaixo dessa expectativa.


Um P/L de 15 indica que o preço atual da ação representa 15 vezes o lucro gerado pela empresa nos últimos 12 meses por cada ação. Popularizado por Ben Graham (que usa uma série de outras técnicas além do P/L baixo para encontrar valor), o índice P/L tem sido comumente empregado em comparação com a taxa de crescimento de lucros por ação. Assumimos que uma companhia está próxima de seu preço justo quando o índice P/L está num valor próximo à taxa de crescimento do lucro por ação. 

É importantíssimo que no cálculo dos indicadores de preço seja utilizada a cotação mais recente ao invés da cotação da data em que o último resultado foi divulgado, o que geraria um valor irreal em razão da variação no preço da ação. O valor de mercado reflete a expectativa dos investidores em relação à atual performance da empresa e não à época em que foi lançado seu o último resultado. O P/L divulgado pela grande maioria dos serviços de informações financeiras é calculado utilizando o preço da ação na data em que o resultado foi divulgado e não o preço atual de mercado. Portanto, é uma informação defasada que faz com que o indicador fique estático e não condizente à realidade.

O indicador pode ser visto como uma medida do grau de confiança que o mercado tem no desempenho da empresa, evidenciando o grau de “aquecimento” do mercado. Um P/L muito baixo pode indicar algum problema com a empresa. Quando isso acontece na maioria das vezes é em razão do mercado apresentar uma expectativa negativa em relação ao futuro da empresa e, por essa razão, os investidores aceitam vender a ação a um preço baixo por receio de que a situação possa piorar. E se os lucros realmente caírem o índice P/L da empresa obviamente irá subir, indicando que o preço da ação passara a ficar sobreavaliado em relação ao lucro.

Por outro lado, um P/L muito alto sugere que o preço da ação esteja caro ou que o lucro da empresa está muito baixo. Por exemplo, se o preço de uma ação aumentar de R$ 10,00 para R$ 15,00 o P/L aumenta e ela fica menos atrativa para os investidores. Já se o preço cair de R$ 10,00 para R$ 6,00 o P/L diminui e a ação se torna mais atrativa. Quando isto ocorre os investidores começam a comprar esta ação e o seu preço começa a subir. Ao mesmo tempo em que o preço vai aumentando, o Índice P/L também aumenta, até certo limite, quando tanto o preço da ação quanto o seu P/L ficam altos demais e voltam a cair. Esta lógica é aplicada diariamente na bolsa e faz com que os índices P/L das empresas estejam sempre se movimentando em busca da média do mercado.

Assim, um P/L alto e crescente ao longo dos anos reflete uma alta demanda pela ação, pois o mercado acredita que a empresa crescerá numa taxa acima da média. E de fato, estudos comprovam que empresas que apresentam oportunidades significativas de crescimento tendem a ter índices P/L altos. Entretanto, o mercado tende a reagir de forma exagerada, e neste caso tende a supervalorizar o preço da ação fazendo com que o seu preço de mercado se torne irrealista, alto demais. Em função disso, um alto risco pode estar associado às ações que possuem P/Ls muito altos ou que tenham aumentando muito rápido, pois o mercado tende a corrigir distorções de preço. Estudos têm demonstrado que comprar ações que apresentem os maiores P/Ls do mercado geram resultados inferiores ao índice Bovespa no longo prazo.

Em razão da média histórica do P/L do índice S&P 500 ser 15, os investidores utilizam esse valor do P/L como uma referência para indicar que o preço de uma ação estaria num valor "justo". Portanto, valores muito acima de 15 indicariam sobrevalorização e valores abaixo de 15 indicariam subvalorização. Contudo, essa referência nada mais é do que uma aproximação, ou seja, apesar de representar a média do mercado, essa referência não se aplica para todas as empresas em razão das diferenças de fluxo de caixa, da alavancagem financeira, retornos, necessidade de imobilizados, dentre outros fatores inerentes a cada setor econômico.

Diante disso, a média histórica do P/L da empresa oferecerá uma importante referência para avaliar se o momento é bom para a compra ou para a venda da ação. Geralmente a cotação de uma ação oscila num determinado intervalo de preços em relação à média do seu P/L histórico. Ao estudar o P/L de uma empresa que vem apresentando lucros consecutivos e vem crescendo num intervalo de 3 a 5 anos é possível calcular o seu P/L médio neste período. Nos períodos em que o indicador ficar abaixo do valor médio histórico o preço de mercado da ação estará bem atrativo, provavelmente próximo de um suporte. Nesta situação, uma ação que esteja apresentando um P/L abaixo do seu valor médio histórico ou abaixo da média do setor, desde que os demais fundamentos sejam atraentes, poderia indicar subvalorização pelo mercado e ser considerada uma boa oportunidade. Analogamente, um valor acima dessas médias poderia indicar a supervalorização desta, o que poderia implicar num maior risco para o investidor.

As evoluções do P/L e do Dividend Yield históricos são muito úteis para a comparação do desempenho e do retorno pago por empresas do mesmo setor. A média setorial desses indicadores é um excelente parâmetro de avaliação e de escolha. As empresas de tecnologia, por exemplo, geralmente têm índices P/L maiores do que as de insumos, pois estas últimas têm menos oportunidades de crescimento, embora tenham um risco menor. Em um mesmo setor as diferenças entre as oportunidades de crescimento também geram as maiores diferenças nos índices P/L.

Contudo, há aqueles que acreditam no contrário, ou seja, que um P/L alto normalmente significa que há uma expectativa muito positiva em relação ao futuro da empresa e por isso o mercado está disposto a pagar mais caro por essa ação. Em razão disso, a análise isolada do índice P/L nos diz pouco. É claro que uma ação de uma boa empresa que está apresentando um P/L baixo é atrativa, especialmente se estiver inferior à sua média histórica. Mas o fato é que o investidor deve examinar o que pode explicá-lo. Será que o mercado não está atribuindo preços absurdamente altos ou baixos para o ativo? Como disse William O'Neil, "aquilo que parece arriscado e caro para a maioria das pessoas normalmente sobe mais, e aquilo que parece baixo e barato normalmente cai mais. A história sempre se repete”.

“Evite ideologias radicais, pois elas arruínam a sua mente.”
Harlie Munger

O P/L é um excelente indicador porque compara a percepção de valor do mercado com um dos múltiplos mais importantes, o LPA, possibilitando até mesmo sua a projeção, criando assim uma relação entre potencial de crescimento e o risco. De fato, estudos estatísticos têm mostrado que é preferível comprar ações quando o P/L apresenta valores baixos, o que teoricamente ofereceria uma certa margem de segurança para o investidor. Historicamente ações com P/L´s baixos tendem a proporcionar rendimentos maiores do que ações com P/L´s altos. Assim, a estratégia mais comum usando o múltiplo P/L é a compra de ações com baixo P/L. A questão é definir o que é um P/L baixo. O valor do indicador flutua constantemente em razão das variações no preço de mercado da ação. Recomenda-se comparar o seu valor à sua média histórica, bem como à média do setor que a empresa atua. Assim, ambas as médias servirão como referenciais para interpretar se o P/L está alto ou se está baixo.

A lógica seria que uma ação cotada abaixo da média histórica do seu P/L ou do P/L do setor estaria subavaliada, o que poderia indicar uma “barganha”. Da mesma forma, uma ação cotada a valores muito acima da média do seu P/L histórico estaria muito cara, aumentando o risco de que seu preço caia e o P/L volte a se aproximar da sua média histórica. Em razão do lucro ser o denominador na fórmula do P/L, um grande aumento no lucro líquido de um trimestre para o outro fará com que o P/L diminua, indicando que o preço da ação estaria “barato”, principalmente durante períodos de baixa no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado desvalorizado. O contrário pode ser observado em razão de uma grande redução no lucro líquido, principalmente durante períodos de alta no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado valorizado, o que fará com que P/L aumente, indicando que o preço da ação estaria “caro”. Daí a importância em se utilizar a média histórica do P/L como parâmetro de comparação e avaliação.

Entretanto, nem sempre empresas que apresentam baixos P/Ls estão subvalorizadas. Muitas vezes por apresentarem perspectivas fracas ou inexistentes para o seu crescimento futuro e para os seus resultados, e por estarem sujeitas a um alto risco, o P/L dessas empresas pode parecer atraente. Teoricamente, nessa lógica de raciocínio as melhores ações seriam aquelas que tivessem perdido mais preço de mercado, apresentando assim baixos P/Ls. Comprar ações nessas condições é uma das piores estratégias de investimento. Como escreveu Peter Lynch: Investir nesse tipo de ação é como tentar pegar uma faca caindo.

O conceito do índice P/L deve ser dinâmico, ou seja, sua utilização deve conter as perspectivas de desenvolvimento da empresa e de seus lucros de acordo com o ponto de vista do investidor. Sua variação ao longo dos anos também deve ser comparada às variações no preço de mercado da ação. Entretanto, no Brasil o lucro de uma empresa pode apresentar grandes variações de um ano para o outro, desta forma, o P/L calculado sobre o lucro passado pode nada significar, enquanto que as projeções de lucros constituem exercícios que em certos casos beiram a adivinhação. Além disso, como disse John Neff, "o preço não pode aumentar eternamente. Eventualmente até mesmo as melhores ações acabam sem gasolina. Acreditar que uma ação com um P/L de 55x é uma boa compra porque ela pode chegar a 70x é jogar contra as probabilidades."

Assim, o Índice P/L só faz sentido quando empregado em comparação com a taxa de crescimento de lucros. Se uma companhia perdeu dinheiro no último ano, ou sofreu uma diminuição no seu lucro por ação nos últimos 12 meses, o P/L se torna pouco útil. Não adiantaria investir numa empresa cujo índice P/L é baixo mas os seus lucros são decrescentes, pois se as cotações também caírem o P/L continuará baixo, mas será um péssimo investimento. Além disso, é importante ressaltar que lucros negativos não fazem sentido, logo, não podemos utilizar este múltiplo em empresas que tenham apresentado prejuízo líquido no período, situação em que seria mais cabível avaliá-las pelo P/VPA, pelo EV/EBITDA ou pelo PSR, pois esses dificilmente serão negativos, possibilitando um melhor parâmetro de análise e comparação às demais empresas e à média do setor.

Setores diferentes podem apresentar P/Ls diferentes. Um valor baixo para um setor pode ser alto para outro setor. Empresas de diferentes valores de mercado (tamanho) também apresentarão diferentes P/Ls. Empresas de grande porte normalmente apresentam P/Ls menores que empresas de pequeno e médio porte. Assim como na utilização de outros indicadores comparativos, é mais seguro comparar o P/L de uma ação com o de outra empresa do mesmo setor. O investidor deve indagar porque este indicador está excepcionalmente baixo ou alto quando comparado ao das demais empresas do setor (média do setor). Verifique se não existe um desconto muito alto. Se existir, estude a fundo para saber se não há algo ruim em relação à empresa que leve a esse desconto anormal.

Empresas cujos lucros crescem muito rápido tendem a ter um P/L maior, e empresas cujos lucros crescem muito devagar não podem ter um P/L muito alto. Quanto maior o ritmo de crescimento dos lucros da empresa maior o índice P/L justo a ser pago por ela. O ideal seria encontrar empresas que vêm apresentando um crescimento percentual de seus lucros e retornos sobre seus patrimônios líquidos superiores aos seus P/Ls. Ou seja, o melhor a se fazer é comprar uma empresa de forte crescimento com um P/L baixíssimo, como ocorreu durante a crise de 2008.

Assim, como nos demais indicadores de preço, cabe observar que em razão do lucro líquido ser o denominador na fórmula do P/L, um grande aumento no lucro líquido de um trimestre para o outro fará com que o P/L diminua, indicando que o preço da ação estaria “barato”, principalmente durante períodos de baixa no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado desvalorizado. O contrário pode ser observado em razão de uma grande redução no lucro líquido, principalmente durante períodos de alta no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado valorizado, o que fará com que P/L aumente, indicando que o preço da ação estaria “caro”.

Vale ressaltar que o acontecimento de um evento particular que gere lucros extraordinários ou um histórico de volatilidade dos lucros (períodos de prejuízos) irá distorcer os valores históricos do P/L, invalidando o seu uso. Um lucro ou um prejuízo financeiro excepcionalmente alto, eventos não recorrentes, tais como ganhos/perdas judiciais, venda de ativos e de subsidiárias, assim como elevadas despesas com amortização e depreciação, por serem contabilizados no lucro líquido geram um grande impacto no seu valor. Logo, uma empresa pode apurar um lucro líquido/prejuízo líquido alto decorrente predominantemente de receitas/despesas não operacionais, gerando uma falsa indicação de que a empresa é lucrativa/deficitária. Portanto, o P/L nestas situações estará distorcido e gerará uma falsa indicação de sub ou de sobrevalorização.

Estratégias usando a relação entre o preço e o lucro por ação são muito comuns entre os investidores, sendo o P/L um dos múltiplos mais conhecidos e utilizados. É provavelmente o mais consistente indicador de ressalva quanto ao otimismo excessivo no mercado. Investidores Buy & Hold utilizam o P/L como um dos principais filtros para compra de ações e muito se discute se empresas com baixo P/L estão realmente subvalorizadas e apresentam boa perspectiva de retorno futuro. Nunca compre uma ação analisando somente o P/L. Esse é um dos maiores erros dos investidores, pois muitos acreditam que P/L baixo é sinônimo de compra. O ideal é aliar o P/L a outros múltiplos e pré-requisitos, pois a qualidade é mais importante que valores baratos em indicadores de preço.

O preço, apesar de importante, será o último indicador a ser analisado, seja através da análise técnica ou da análise fundamentalista dos indicadores de preço (P/L, PSR, P/VPA, etc), servindo como critério para definir se o momento é apropriado ou não para investir, ou seja, se a ação está sobre ou subavaliada. O primeiro passo é avaliar a qualidade das empresas, ou seja, analisar suas rentabilidades, liquidez, endividamentos e os riscos que oferecem, selecionando aquelas que possuam os melhores desempenho e os menores riscos. Como disse Buffett, de nada adianta comprar uma ação por um preço “barato” se a performance da empresa é péssima.

“O mercado é um pêndulo que sempre oscila entre um otimismo insustentável, que torna as ações muito caras, e um pessimismo injustificável, que as torna muito baratas. O Investidor Inteligente é um realista que vende para otimistas e compra de pessimistas”.
Benjamin Graham


• Preço sobre Fluxo de Caixa Operacional - P/FCO - Este indicador compara o preço da ação com o fluxo de caixa operacional por ação. Representa o quanto o mercado está disposto a pagar pela ação para cada R$ 1,00 que a empresa gera de caixa operacional anual. Assim, indica o quanto vale para o mercado a capacidade de geração de caixa operacional da empresa. Um P/FCO de 15 indica que o preço atual da ação corresponde a 15 vezes o caixa operacional gerado pela empresa por nos últimos 12 meses.


Numa empresa que tem gerado um histórico positivo de caixa operacional é possível projetar o valor futuro de suas ações usando como base o seu fluxo de caixa operacional. Desde que a geração de caixa operacional seja alta e suficiente para que a empresa faça os investimentos necessários e para que pague a parte das suas dívidas e financiamentos, valores deste indicador quando muito abaixo da média histórica poderiam indicar subvalorização. E, da mesma forma, valores desse indicador quando muito acima da média histórica poderiam indicar sobrevalorização, especialmente nos casos em que a geração de caixa operacional é baixa.

Como o FCO é o denominador da fórmula do P/FCO, uma empresa que apresenta uma baixa geração de caixa operacional consequentemente apresentaria valores altos de P/FCO em razão do FCO ser baixo. Nesta situação, obviamente, haveriam dois problemas, pois além de apresentar baixa rentabilidade operacional o preço de suas ações estaria sobreavaliado, indicando um maior risco para o investidor. Por outro lado, quando o FCO é alto e o indicador P/FCO está abaixo da sua média histórica é um indicativo de que a alta capacidade de geração de caixa operacional apresentada pela empresa não estaria refletida no preço de suas ações, indicando que estariam subvalorizadas.

Em razão da média histórica do P/FCO do índice S&P 500 ser 10, os investidores utilizam esse valor do P/FCO como uma referência para indicar que o preço de uma ação estaria num valor "justo". Portanto, valores muito acima de 10 indicariam sobrevalorização e valores abaixo de 10 indicariam subvalorização. Contudo, essa referência nada mais é do que uma aproximação, ou seja, apesar de representar a média do mercado, essa referência não se aplica para todas as empresas em razão das diferenças de fluxo de caixa, necessidades de investimentos, nível de endividamento e de alavancagem financeira, dentre outros fatores inerentes a cada setor econômico, bem como o estágio de maturação e a perspectiva de crescimento da própria empresa.

Por exemplo, empresas em estágios iniciais ou de tecnologia costumam apresentar valores médios de P/FCO muito acima da média de uma indústria, de uma empresa aérea ou de uma elétrica em razão destas últimas requererem expressiva quantidade de capital intensivo, o que em comparação faz com que seu potencial de crescimento proporcionalmente ao seu tamanho seja menor em relação às empresas de tecnologia e de serviços que normalmente requerem menos capital para funcionar. Portanto, a definição do que seria um P/FCO alto ou baixo deve ser feita dentro do contexto do negócio da empresa e do seu potencial de crescimento relativo ao seu tamanho e à sua necessidade de capital.

Diante disso, recomenda-se comparar o seu valor à sua média histórica, bem como à média do setor que a empresa atua. Assim, ambas as médias servirão como referenciais para interpretar se o P/FCO está alto ou se está baixo. Assim como ocorre com o crescimento do patrimônio líquido, o crescimento do fluxo de caixa operacional ao longo dos anos deve gerar a valorização do preço de mercado das ações da empresa. Portanto, um P/FCO baixo indicaria que o fluxo de caixa está alto em relação ao preço da ação, indicando uma possível oportunidade. Além disso, empresas que conseguem manter uma geração de caixa alta e constante costumam apresentar valores mais altos de P/FCO diante do maior potencial de crescimento e de liquidez financeira que essa geração de caixa pode proporcionar.

Um lucro/prejuízo financeiro fora do padrão, ou seja, excepcionalmente alto, eventos não recorrentes, tais como ganhos/perdas judiciais, venda de ativos e de subsidiárias, assim como elevadas despesas com amortização e depreciação, por serem contabilizados no lucro líquido geram um grande impacto no seu valor. Logo, uma empresa pode apurar um lucro líquido/prejuízo líquido alto decorrente predominantemente de receitas/despesas não operacionais, gerando uma falsa indicação de que a empresa é lucrativa/deficitária.

Portanto, o P/L nestas situações estará distorcido e gerará uma falsa indicação de sub ou de sobrevalorização. O P/FCO, por sua vez, é menos suscetível a distorções por não ser impactado pela depreciação e amortização, pelo resultado financeiro e pelo resultado das atividades descontinuadas, como no caso do P/L, e por não estar sujeito a estimativas subjetivas e precificações superestimadas de ativos, como no caso do P/VPA, oferece, portanto, uma indicação de valor mais realista pelo fato do fluxo de caixa ser menos suscetível a manipulações contábeis. Além disso, permite ainda avaliar o preço da ação de empresas que apresentaram fluxos de caixa operacional positivos mas prejuízos líquidos, situação em que P/L não poderia ser utilizado.

Entretanto, o P/FCO por não considerar o impacto do resultado financeiro, das necessidades de investimentos e do endividamento pode gerar falsos sinais de subvalorização em empresas extremamente endividadas e/ou que necessitam de recorrentes novos e volumosos investimentos, bem como em empresas que apresentam elevados prejuízos financeiros, não considerando assim a saúde financeira da empresa na sua indicação. Essa na verdade é a crítica a todos os indicadores de preço, o fato de não considerarem os aspectos qualitativos e os riscos oferecidos pela empresa na sua avaliação. Uma correta avaliação de valor deve levar em consideração além do preço também a capacidade de pagamento das dívidas, a rentabilidade proporcionada pelos investimentos e o impacto do resultado financeiro. Por isso, é recomendado avaliar os demais indicadores de preço de forma a evitar falsas indicações, bem como os indicadores de rentabilidade, de endividamento e de liquidez.

Obviamente, caso a empresa apresente um fluxo de caixa operacional negativo a avaliação pelo P/FCO perde o sentido e o resultado negativo servirá apenas como um alerta para o investidor, assim como ocorre com o P/L diante de um prejuízo líquido. Entretanto, estudos estatísticos têm mostrado que investir em momentos em que a empresa estiver apresentando um P/FCO baixo, ou muito abaixo da sua média histórica, gera retornos superiores à média do mercado. Analogamente, foi comprovado também que investir em momentos em que a empresa estiver apresentando um P/FCO muito alto, ou muito acima da sua média histórica, gera retornos bem inferiores à média do mercado. Essas relações também foram comprovadas para o P/L e para o P/VPA.


"Comece sempre no final, antes fazer um investimento. Os investidores profissionais sempre têm uma estratégia de saída antes de investir. Saber sua estratégia de saída é um importante indicador financeiro."

• Valor Patrimonial da Ação – O patrimônio líquido representa a riqueza dos acionistas na empresa. O conceito teórico é que uma empresa deveria valer no mínimo o valor do seu patrimônio líquido, que corresponde ao capital investido pelos acionistas mais os lucros não distribuídos. Esse seria o valor contábil, o qual se refere ao valor dos recursos próprios da empresa, ou seja, a diferença existente entre ativo total e passivo exigível, ou seja, o seu patrimônio líquido. O valor patrimonial da ação é calculado da seguinte forma: 


Indica quantos reais de patrimônio cada acionista possui para cada ação que lhe pertence, ou seja, o quanto uma ação vale diante do patrimônio da empresa. Esse indicador não leva em consideração na avaliação do preço da ação a capacidade de geração de lucro da empresa, principal razão que leva o mercado a cotá-la por um valor acima do patrimonial caso a expectativa de lucro seja positiva, ou, abaixo, caso a expectativa de lucro seja negativa. A tendência crescente deste índice significará que a empresa conseguiu aumentar seu patrimônio em benefício do investidor e é a tendência desejável. Assim, vemos que um aumento do Valor Patrimonial por Ação deve acarretar num aumento do valor intrínseco e do preço da ação, sendo o inverso também verdadeiro.

Teoricamente, quando uma ação é negociada acima de seu VPA entende-se que o mercado aceita pagar um “ágio” por ela, pois a expectativa de crescimento, de bons resultados e consequentes dividendos justificam esse sobrepreço. O contrário acontece quando a ação é negociada abaixo de seu VPA. Nesse caso, o entendimento é de que a ação deve ser negociada com um “deságio”, pois a expectativa do mercado é que a empresa tenha um desempenho ruim.

Assim, ações de empresas que crescem e que vêm apresentando bons resultados ao longo dos anos dificilmente ficam cotadas a valores abaixo dos seus VPA´s. Nestes casos os investidores devem comparar o histórico do preço de mercado ao histórico do VPA, de forma a identificar os momentos em que o preço de mercado estiver flutuando num patamar mais próximo do seu VPA, o que poderia indicar uma subvalorização dessa ação. De maneira oposta, os momentos em que o preço de mercado estiver flutuando num patamar muito acima do seu VPA poderiam indicar sobrevalorização dessa ação.

Outro importante indicador de bom desempenho da empresa é um longo histórico de recompra de ações próprias. Para tanto uma empresa precisa de capital disponível. Empresas com vantagem competitiva duradoura têm o poder econômico para implementar programas de recompra de ações ao longo prazo. Quando uma empresa compra as suas próprias ações o número de ações existentes no mercado diminui, provocando um aumento do percentual de participação na empresa de cada acionista, sem que haja necessidade do mesmo injetar mais capital, o que consequentemente também aumentará além do VPA e do LPA o dividend yield, ou seja, o retorno do acionista irá aumentar.

“Eu prefiro comprar um excelente negócio por um preço razoável do que comprar um negócio razoável por um excelente preço”.
Warren Buffett

• Preço/Valor Patrimonial (P/VPA) - Compara o valor de mercado da ação com seu valor contábil. Indica o quanto o mercado está disposto a pagar, atualmente, pelo valor patrimonial da ação. Em tese, quanto mais baixo este índice mais “barata” estaria a ação. Se uma ação possui um VPA de R$ 10,00 e está sendo negociada a R$ 15,00, o P/VPA dessa empresa será de 1,5, ou seja, o mercado está cobrando por essa ação uma vez e meia o seu VPA. De maneira análoga, se essa empresa estiver sendo negociada a R$ 5,00 seu P/VPA será de 0,5, ou seja, o mercado está cobrando por essa ação a metade do seu VPA.


Um índice P/VPA igual a 1 significa que a ação está sendo negociada pelo equivalente ao seu valor patrimonial. Se esse índice for superior a 1 indica que o mercado está aceitando pagar mais pela ação do que o seu valor patrimonial. Isso faz sentido quando as expectativas do mercado em relação ao crescimento do lucro da empresa são tão altas que o patrimônio líquido possivelmente crescerá a uma taxa relativamente elevada nos próximos anos compensando pagar esse “ágio”. Nesta situação, uma ação que esteja apresentando um P/VPA acima de 1, porém abaixo do seu valor médio histórico, desde que os demais fundamentos sejam atraentes, poderia ser considerada uma boa oportunidade.

Um índice P/VPA inferior a 1, por sua vez, indica que o mercado somente está disposto a pagar pela ação um preço inferior ao seu valor patrimonial. Um dos critérios propostos por Benjamin Graham para encontrar boas empresas a preços “baratos” era justamente procurar por ações de boas empresas que estivessem negociadas abaixo de 2/3 do seu valor patrimonial. Ou seja, a uma relação P/VPA inferior a 0,66.

Contudo, não se deve utilizar unicamente a relação P/VPA para decidir uma compra de uma ação. Normalmente a ação de uma empresa é negociada a preços muito inferiores ao seu patrimônio líquido apenas quando o mercado acredita que ela está passando por problemas em suas atividades operacionais, e na maioria das vezes está. Como disse Philip Fisher: “Uma porcaria barata ainda assim será uma porcaria!”

Assim, cabe observar que em razão do valor patrimonial ser o denominador na fórmula do P/VPA, um grande aumento no patrimônio líquido de um trimestre para o outro fará com que o P/VPA diminua, indicando que o preço da ação estaria "barato", principalmente durante períodos de baixa no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado desvalorizado, o que poderia resultar na valorização do preço de mercado da ação de forma que volte a se ajustar ao P/VPA médio. O contrário pode ser observado em razão de uma grande redução no patrimônio líquido, o que fará com que P/VPA aumente, indicando que o preço da ação estaria "caro", principalmente durante períodos de alta no mercado quando a empresa tem seu valor de mercado valorizado, o que poderia resultar na desvalorização do preço de mercado da ação de forma que volte a se ajustar ao P/VPA médio. Daí a importância em se utilizar a média histórica do P/VPA como parâmetro de comparação e avaliação.

Em razão da média histórica do P/VPA do índice S&P 500 ser 2.5, os investidores utilizam esse valor do P/VPA como uma referência para indicar que o preço de uma ação estaria num valor "justo", visto que raramente o P/VPA de ação de uma empresa que apresente bons fundamentos fica abaixo de 2.5. Portanto, valores muito acima de 2.5 indicariam sobrevalorização e valores abaixo de 2.5 indicariam subvalorização. Contudo, essa referência nada mais é do que uma aproximação, ou seja, apesar de representar a média do mercado, essa referência não se aplica para todas as empresas em razão das diferentes características de cada setor, tais como quantidade de ativos imobilizados, de ativos intangíveis, de endividamento, de patrimônio líquido, bem como os retornos sobre o patrimônio líquido, dentre outros.

Diante disso, recomenda-se comparar o valor do P/VPA à sua média histórica, bem como à média do setor que a empresa atua. Assim, ambas as médias servirão como referenciais para interpretar se o P/VPA está alto ou se está baixo. E, da mesma forma como acontece com o P/L, estudos estatísticos têm mostrado que é preferível comprar ações quando o seu P/VPA apresenta valores abaixo da sua média histórica. Logo, historicamente ações com P/VPA´s baixos tendem a proporcionar rendimentos maiores do que ações com P/VPA´s altos.

Além disso, há uma relação direta entre o ROE e o P/VPA, ou seja, quanto maior o ROE maior tende a ser o P/VPA e vice versa, de forma que empresas que geram elevados ROEs normalmente apresentam elevados valores de P/VPA. Portanto, os investidores devem buscar empresas que vêm apresentando altos ROE´s e P/VPA´s abaixo das suas médias históricas. Vale destacar que em situações em que a empresa apresentou prejuízo no período analisado, não podendo ser avaliada pelo índice P/L, ou pelo EV/EBITDA nos casos em que apresentar prejuízo operacional, o índice P/VPA permitirá avaliá-la.

“A dificuldade não está em identificar o que é um bom negócio hoje. A verdadeira dificuldade é encontrar o que será um bom negócio daqui a cinco ou dez anos.”
Jean-Marie Eveillard

Assim, o P/VPA fornece uma forma padronizada de enxergar a relação do preço de negociação da ação com seu respectivo VPA, funcionando como um valor de referência que facilita a análise comparativa. Ações negociadas a preços muito acima das médias históricas dos seus VPAs podem expor o investidor a maiores riscos, uma vez que a parte do “ágio” nos preços dessas ações é muito grande (expectativa) e a parte do patrimônio líquido é muito pequena. Um valor maior para o P/VPA embute uma expectativa de crescimento da empresa, mas por outro lado existe o risco desta expectativa não se cumprir.

Nesses casos, uma mudança de expectativa pode causar uma grande correção no preço do papel, traduzindo-se em uma grande perda ao investidor, assim como aconteceu no segmento de construção civil afetado pela crise global que teve início em 2008. As ações desse segmento chegaram a ser negociadas no ano de 2008 com um P/VPA de até 3.5, ou seja, seu preço de mercado estava mais de três vezes acima de seu VPA. Após o estouro da crise e a consequente queda nas expectativas para o setor essas mesmas ações despencaram entre 70 e 80%, atingindo um P/VPA de 0,4.

Cabe observar que apesar do uso do P/VPA ser muito útil durante esses períodos de crise, quando a irracionalidade dos investidores é tão exacerbada que não é raro ver empresas sendo negociadas abaixo do valor dos seus ativos circulantes líquidos, a sua lógica não atende a todos os setores econômicos. Em setores tais como o de serviços e de TI que apresentam grande volume de ativos intangíveis e menores patrimônios líquidos se comparado a indústrias e bancos o patrimônio líquido não reflete bem o valor da empresa, podendo parecer que tais empresas estariam sobreavaliadas, sendo mais indicado avaliar o histórico do P/L nestes casos. Por isso, o múltiplo P/VPA continua sendo utilizado apenas em setores onde os ativos possam ser calculados periodicamente a valor de mercado. É o caso dos bancos nos quais seus ativos (títulos públicos e privados), em regra, possuem um mercado líquido de compra e venda.

Além disso, as empresas que apresentam passivo a descoberto, ou seja, possuem mais dívidas do que ativos e, portanto, os seus patrimônios líquidos são negativos, não podem ser analisadas através do P/VPA, visto que o indicador será negativo, servindo apenas como um sinal de alerta. Isso também é válido nas situações em que a empresa apresentar pouquíssimo patrimônio líquido em relação às suas dívidas. Nestes casos o PSR possibilitará um melhor parâmetro de análise e comparação às demais empresas e à média do setor, assim como o EV/EBITDA, caso a empresa apresente lucro operacional, ou o P/L, caso a empresa apresente lucro líquido.

Concluindo, uma empresa cuja ação esteja sendo negociada com deságio em relação ao seu valor patrimonial não é necessariamente barata. Mas especificamente é de esperar que empresas com baixo retorno sobre o patrimônio líquido, risco elevado e baixo potencial de crescimento sejam negociadas a baixos múltiplos preço/valor patrimonial. Assim, se quisermos encontrar empresas subvalorizadas pelo mercado teremos de encontrar descasamentos. Ou seja, empresas que vêm apresentando bons resultados e estejam negociadas a baixos múltiplos preço/valor patrimonial em relação às suas médias históricas e que sejam capazes de manter um razoável retorno sobre o patrimônio líquido. 

“Quem tem dinheiro paga, mas nunca paga caro”.
Alvaro Corrado

Em razão dos cálculos do P/VPA, PSR, P/L e P/FCO utilizarem o número de ações da empresa no cálculo do valor utilizado como denominador em suas fórmulas, uma empresa cujo capital está diluído numa grande quantidade de ações, obviamente, apresentará valores desses indicadores abaixo da média das demais empresas, sendo o contrário também verdadeiro para uma empresa cujo capital está menos diluído, a qual apresentará valores desses indicadores acima da média das demais. Da mesma forma, em razão do cálculo do EV utilizar a dívida líquida, empresas que apresentam grande alavancagem financeira apresentarão um EV/EBITDA acima da média das demais empresas. Portanto, nestes casos os valores médios do S&P500 não poderão ser utilizados como referência para avaliar se o preço dessa ação estaria caro ou barato, sendo ideal utilizar os valores médios dos indicadores de preço dessa empresa como referência.

Além disso, existem diversos outros aspectos além do preço e dos indicadores de preço que avaliam a performance e o risco apresentado pela empresa, pelo setor e pelo mercado como um todo, desde aspectos e indicadores macroeconômicos e setoriais até os aspectos microeconômicos qualitativos e quantitativos, tais como os indicadores de rentabilidade, de liquidez e de endividamento, bem como as suas evoluções ao longo do tempo, a demanda por seus produtos e os seus preços, os valores dos seus insumos, sua concorrência, dentre outros.

Portanto, é preciso deixar claro que, conforme fora dito anteriormente, o preço apesar de importante deve ser o último indicador a ser analisado. De nada adianta o preço de mercado de determinada empresa estar subavaliado segundo determinado indicador ou segundo o gráfico de preços se a rentabilidade da empresa é baixa, sendo pior ainda caso a empresa venha apresentando um histórico de prejuízos.

E, ainda que a empresa seja lucrativa, caso o seu endividamento seja excessivo, é possível que os indicadores mostrem que o preço de suas ações esteja subvalorizado, gerando uma falsa indicação de oportunidade, visto que seu valor está baixo justamente em razão do elevado risco apresentado por ela e, consequentemente, da baixa expectativa do mercado em relação à sua performance e segurança financeira.

Por mais que sejamos cuidadosos e criteriosos nas nossas escolhas, o risco que nenhum investidor pode eliminar é o de errar. É minimizando as probabilidades de sofrer prejuízos irreversíveis, maximizando as chances de obter ganhos sustentáveis e, ao mesmo tempo, investido através do que Graham chamou de “margem de segurança”, ou seja, nunca pagar um preço elevado demais, independentemente de quanto um investimento possa ser atraente, que você poderá minimizar os riscos de errar.

"Se formos nós quem comanda nossa riqueza, somos de fato ricos e livres. Se for nossa riqueza quem nos comanda, seremos de fato pobres e aprisionados."
Edmund Burke

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Como Avaliar a Liquidez Financeira de uma Empresa?

A análise financeira ou análise de balanço, como é mais conhecida, é um dos principais instrumentos de análise do desempenho econômico-financeiro de uma empresa e da sua situação patrimonial. A análise dos balanços permite tirar conclusões sobre os problemas de liquidez da empresa (incapacidade de satisfação dos seus compromissos financeiros), bem como sobre o seu endividamento (relação entre ativos e dívidas). Compreender o que é divulgado no balanço é crucial para saber se a empresa será capaz ou não de gerar valor para seus acionistas. Afinal, o valor para o acionista acaba vindo dos ativos mais líquidos que a empresa possui, os que podem ser facilmente convertidos em dinheiro.

O valor de uma companhia é determinado por quanto, medido em termos de ativos líquidos, ela consegue acumular ao longo do tempo, ou seja, pelo crescimento do seu patrimônio líquido. Uma empresa muito endividada pode ter dificuldades para conseguir fundos suficientes para financiar os seus projetos e as suas atividades, estar na iminência de se tornar insolvente, ou até mesmo falir. Por outro lado, um excesso de liquidez gera baixa rentabilidade e a falta de endividamento pode comprometer a rentabilidade pela falta de recursos para investimento. Esse é um dos paradigmas que a administração tem que enfrentar continuamente, conciliar bem o equilíbrio entre a Liquidez e a Rentabilidade.

A liquidez de uma empresa é analisada pela sua capacidade de saldar suas obrigações de curto e de longo prazo. Em termos mais simples é a facilidade que a empresa tem de pagar suas contas em dia. No caso de ter uma liquidez baixa a empresa deve ficar em alerta, pois futuramente poderá apresentar problemas com o fluxo de caixa e a insolvência iminente do negócio.

Além disso, num cenário econômico onde o consumo está baixo, os juros estão altos e o crédito restrito, a empresa deve concentrar recursos em ativos financeiros de alta liquidez, aumentando assim o seu grau de liquidez imediata, de forma a se proteger contra eventuais imprevistos. Por outro lado, em um cenário de juros baixos e consumo aquecido a empresa terá maior flexibilidade para investir seus recursos em duplicatas a receber, estoques e em ativos imobilizados, buscando assim incrementar a sua lucratividade.

Obviamente, é preferível investir em empresas líquidas a empresas não líquidas. E só se pode transformar o ativo em dinheiro rapidamente se for ativo circulante. Assim, prefira ativo circulante em vez de ativo não circulante. Contudo, não se pode concluir que uma empresa esteja em melhor situação do que outra apenas porque apresentou melhores valores nos seus índices de liquidez.

A análise de liquidez é complementada pela análise de rentabilidade porque a forma pela qual os índices são calculados não consideram o potencial de lucro. Deve-se considerar os aspectos dinâmicos que afetam a liquidez, bem como as características do setor e do negócio da empresa. Todavia, uma empresa certamente não estará com uma situação financeira confortável se apresentar elevada participação de recursos de terceiros em relação ao capital próprio e ao ativo total, com predominância de dívidas a curto prazo nas exigibilidades totais e com elevada imobilização dos seus recursos permanentes. 

Além dos índices de rentabilidade (Margem Bruta, Ebitda, Taxas de Retorno) costuma-se utilizar outros indicadores para mensurar a saúde financeira da empresa e avaliar a sua capacidade de saldar suas obrigações de curto e longo prazo. Os índices de liquidez mostram a base da situação financeira da empresa. São índices que confrontam os Ativos com as Dívidas, procurando medir quão sólida é a base financeira da empresa. Para uma empresa ter boas condições de pagar suas dívidas ela deve ter bons índices de liquidez, os quais permitem avaliar a relação entre os ativos (bens) e os passivos (dívidas) no curto e no longo prazo.

“Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro.”
John Kenneth

• Liquidez Geral - Esse índice representa a capacidade que a empresa tem de pagar suas dívidas a longo prazo, possibilitando avaliar toda a capacidade de pagamento da empresa, considerando tudo que ela pode converter em dinheiro a curto e a longo prazo. Indica quanto a empresa possui no ativo circulante (menos de 1 ano) e no ativo não circulante (mais de 1 ano) para cada R$1,00 de dívida total. Quanto maior for a liquidez geral melhor será para a empresa. 


Se o índice for maior do que 100% pode-se dizer que a empresa é solvente, ou seja, possui mais ativos do que dívidas. Se o índice for menor do que 100% pode-se dizer que a empresa é insolvente, ou seja, possui mais dívidas do que ativos. Assim, um valor acima de 100% nos indica que a empresa tem capacidade para pagar todas as sua dívidas e se manter funcionando por pelo menos mais um ciclo operacional (1 ano). Recomenda-se analisar a evolução da liquidez geral da empresa ao longo dos anos de forma a identificar se a sua tendência é estável ou se está aumentando, o que pode ser visto como um bom sinal, ou se está diminuindo, o que pode ser visto como um mau sinal, pois indica a diminuição da sua liquidez financeira, o que em último caso pode evoluir para um quadro de insolvência.

A liquidez geral oferece a mesma indicação da liquidez corrente, mas engloba também os ativos e passivos a longo prazo. Se o resultado do índice for superior a 100% significa que ela possui bens e direitos líquidos suficientes para liquidar seus compromissos financeiros. Porém, se for menor do que 100% a empresa pode apresentar problemas financeiros no longo prazo. De maneira geral, valores abaixo de 50% são considerados péssimos sinais. Valores próximos ou pouco acima de 100% são considerados bons. E valores entre 150% e 250% são considerados excelentes.

É importante analisar este indicador juntamente com o índice de liquidez corrente. Nos casos em que a empresa contrai empréstimos de longo prazo sua liquidez corrente será favorecida pela entrada desses recursos no seu caixa, ao passo que o valor da dívida não será registrado no passivo circulante, e sim no passivo não circulante, o que criará uma posição enganosa na liquidez corrente dessa empresa, sendo necessário analisar a liquidez geral para corrigir isso. O índice de liquidez geral é, normalmente, menor do que o índice de liquidez corrente por causa das exigibilidades de Longo Prazo, as quais algumas vezes são maiores do que os ativos não circulantes, indicando neste caso uma alavancagem no longo prazo.

Entretanto, resultados muito acima de 100% não indicam necessariamente uma melhor situação em relação a uma empresa que possui um resultado pouco acima de 100%. A interpretação dependerá do perfil da indústria e do período econômico. A liquidez excedente, ou seja, o percentual que a empresa apresenta acima de 100%, serve como uma margem de garantia e de segurança para períodos ruins e para problemas inesperados. Contudo, valores acima de 300%, dependendo do setor da empresa, podem significar um excesso de liquidez, ou seja, ineficiência na gestão e alocação dos recursos, os quais poderiam se investidos em ativos que futuramente aumentariam o lucro.

Ao analisarmos a evolução da liquidez geral de uma empresa ao longo de vários trimestres podemos identificar se esse indicador está aumentando, o que indicaria que a capacidade de pagamento da empresa vem crescendo, ou se o indicador vem diminuindo, o que indicaria que a capacidade de pagamento da empresa vem diminuindo. É importante compreender que fazendo dívidas a longo prazo a empresa terá mais tempo para gerar a receita para liquidar suas dívidas, podendo ainda renegociar as suas condições. Normalmente acaba sendo mais vantajoso contrair dívidas de longo prazo do que de curto prazo.

É importante para os investidores, bem como para os credores, saber se a empresa tem capacidade financeira e geração de caixa suficiente para pagar os valores principais de seus empréstimos, bem como as suas parcelas e juros acumulados. Um índice de liquidez ruim (abaixo de 100%) pode sugerir que a empresa não será capaz de cumprir com as suas obrigações de longo prazo. 

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa consegue manter sua liquidez geral acima de 100% à medida que o Passivo aumenta ao longo dos trimestres indicando uma boa relação entre Passivos e Ativos e, acima de tudo, se esse aumento do endividamento vem contribuindo para o crescimento do Patrimônio Líquido.

"Aquele que almeja a felicidade jamais a terá, pois quanto mais a busca, mais ela se distancia".
Capital e Valor

• Liquidez Corrente - Este índice avalia a capacidade de pagamento das dívidas de curto prazo (até 1 ano) da empresa. Representa quanto a empresa tem no ativo circulante para cada real de passivo circulante. Assim, indica a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo, ou seja, quanto a empresa dispõe em recursos de curto prazo (disponibilidades, clientes, estoques, etc) para honrar suas dívidas circulantes (fornecedores, empréstimos e financiamentos de curto prazo). Quanto maior for a liquidez corrente maior será a margem de segurança financeira da empresa para equilibrar as entradas e saídas de caixa, podendo se aproveitar de melhores prazos e condições de financiamento de curto prazo.

O índice de liquidez corrente está diretamente associado ao ciclo operacional da empresa, ou seja, ao tempo que a empresa leva para renovar seus estoques, somado o tempo de recebimento das vendas a prazo. Uma empresa do setor de varejo, por via de regra, deve ter um índice de liquidez corrente maior que uma empresa do setor de serviços, pois esta não possui estoques, e uma indústria deveria ter índices maiores que ambas em razão do seu ciclo operacional ser maior e grande parte do ativo circulante ser composto por estoques. 

Em geral, se estiver abaixo de 100% tem-se uma situação desfavorável, pois evidencia que a empresa vem recorrendo demais a capitais de terceiros para financiar o seu ciclo operacional. Por não possuir o total necessário para quitar suas dívidas de curto prazo, a empresa dependerá em maior extensão de lucros futuros, renovação das dívidas ou vendas de ativos imobilizados, ou mesmo, empréstimos para se manter solvente, sendo obrigada a pagar juros maiores. Um sinal ruim, pois neste caso o passivo circulante pode crescer ainda mais rápido do que o ativo circulante conduzindo a graves problemas de solvência no futuro. Um baixo índice de liquidez corrente representa o primeiro sinal de problemas financeiros.

Afirma-se que este quociente deverá ser maior que 100% a fim de manter adequada margem de segurança financeira. Se estiver acima de 100% a situação da empresa é favorável e revela a existência de capital de giro próprio. Significa que a empresa tem dinheiro em caixa para saldar suas dívidas de curto prazo, servindo também como reserva emergencial para situações de crise e períodos de recessão. É claro que isso depende da capacidade de os recebíveis se converterem realmente em dinheiro antes da quitação das dívidas e também do ramo da empresa. Uma companhia de transporte público não vende a prazo, não possuindo, portanto, recebíveis. Nesse caso, um índice ligeiramente menor que 100% pode não ser problemático.

Por outro lado, um altíssimo índice de liquidez corrente pode significar que a empresa tem uma grande quantidade de recursos alocados em ativos não produtivos (ineficiência), como estoques que não estão sendo vendidos e se tornando obsoletos.

A liquidez corrente é um dos índices mais utilizados na análise econômico-financeira, sendo considerado o melhor indicador para avaliar a situação líquida da empresa. Esse índice relaciona quanto de dinheiro disponível e conversível imediatamente tem a empresa em relação às dívidas de curto prazo, mostrando quanto a empresa poderá dispor em recursos a curto prazo (caixa, bancos, clientes, estoques, etc) para pagar suas dívidas circulantes (fornecedores, empréstimos e financiamentos a curto prazo, contas a pagar, etc).

Em setores de comércio varejista seria interessante uma liquidez menor que em setores com sazonalidade, por exemplo. No comércio, baixa liquidez pode significar maior nível de eficiência nas atividades operacionais. Já as empresas de maior porte podem operar com menor liquidez corrente que empresas de pequeno porte. Empresas que dominam a cadeia de suprimento também podem operar com menor liquidez.

Como a liquidez corrente faz parte de modelos de concessão de crédito de instituições financeiras, e alguns destes modelos consideram que liquidez maior representa menor risco, é possível que as empresas sejam incentivadas a melhorar seu desempenho de liquidez em razão disso. Uma boa liquidez corrente significa maior independência da empresa em relação a credores e maior capacidade de enfrentar crises e dificuldades inesperadas. Vale ressaltar que ambos índices, mesmo mostrando uma situação favorável para a empresa, deverão ser comparados com os índices de outras empresas do mesmo setor, pois só assim pode-se tirar conclusões satisfatórias sobre os resultado dos mesmos. 

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa consegue manter bons níveis de liquidez corrente, apresentando um Ativo Circulante significativamente superior ao Passivo Circulante ao longo dos trimestres, indicando uma boa cobertura do Passivo Circulante pelo Ativo Circulante.

"Inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança".
Stephen Hawking

Na estrutura econômico-financeira da empresa deve haver uma certa coerência entre a natureza dos investimentos e a origem dos recursos financeiros. A prudência e a lógica aconselham que os investimentos de longo prazo sejam financiados por capitais permanentes (capital + reservas + obrigações de médio e longo prazo). Nunca uma dívida de curto prazo deve financiar um bem imobilizado. O Ativo Imobilizado deve preferencialmente ser financiado com Capital Próprio (Patrimônio Líquido), mas é aceitável o seu financiamento, em parte, com recursos de terceiros exigíveis a longo prazo (passivo não circulante), desde que os Recursos gerados disponíveis (lucros) sejam suficientes para o pagamento das prestações dos financiamentos a longo prazo e desde que o endividamento não saia para fora dos padrões aceitos pelo mercado.

Os capitais permanentes (Patrimônio Líquido e Passivo não Circulante) não só devem financiar o ativo imobilizado, mas também uma parte do ativo circulante. A parte do ativo Circulante financiada com capitais permanentes constitui o chamado Capital de Giro. O excesso de capital permanente sobre o ativo imobilizado, que é o capital de giro, constitui uma margem de garantia ou de segurança financeira (solvência) que permite compensar os desajustes entre os fluxos financeiros de entrada e saída provocados pelo ciclo operacional.

Portanto, manter bons níveis de liquidez é de extrema importância. A capacidade de pagamento da empresa deve ser suficiente para atender aos seus compromissos de curto prazo, tanto as despesas correntes, bem como pagamentos que estão por ser realizados, além de ser interessante manter a margem de segurança para os casos de situações repentinas. Além disso, é fundamental que a empresa consiga manter também bons níveis de liquidez no longo prazo, de forma que futuramente a sua capacidade de pagamento não venha a ficar prejudicada.

Cada tipo de negócio requer um valor de liquidez média específico, sendo assim, através da comparação intra-setorial é possível avaliar se o grau de liquidez de determinada empresa é satisfatório ou não. Assim, torna-se importante acompanhar e avaliar a evolução dos índices de liquidez da empresa em relação aos índices do setor, de forma a verificar se estão ou não acompanhando a tendência geral do setor e se vêm apresentando diferenças significativas, bem como se estão numa tendência de crescimento ou de redução.

"O dinheiro não tem a mínima importância, desde que se tenha muito".
Truman Capote

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Como Analisar o Endividamento de uma Empresa?

A análise dos financiamentos da empresa aponta a origem dos recursos, podendo esses serem provenientes dos lucros gerados pela sua atividade, dos seus sócios, no caso das empresas de capital aberto através da emissão de ações no mercado primário ou secundário e, por último, das dívidas assumidas com terceiros, financiamentos.

Assim, para cada investimento existe um financiamento. Toda aplicação em bens, direitos ou custos que beneficiarão exercícios seguintes é considerada Investimento. O Ativo representa o investimento total. Em qualquer investimento efetuado existe uma origem de recursos, mostrada pelo Passivo. Essa origem constitui o Financiamento. Todos os Índices extraídos do balanço procuram de certa forma medir a adequação entre investimentos e financiamentos.

A composição da estrutura de capital de uma empresa se deve às fontes de financiamentos utilizados. Os fundos aplicados vêm do patrimônio da empresa, o qual pertence aos acionistas (sócios), ou de terceiros (credores), e ambos esperam retorno sobre o valor fornecido. Quando eles são oriundos de seus proprietários são chamados de capitais próprios, representados pelo patrimônio líquido. Quando são oriundos de terceiros são tratados como dívida e se constituem do somatório de todas as obrigações que a empresa tem registrado no seu passivo.

A capacidade de investimento aumenta o potencial de retorno da empresa e a sua correspondente capacidade de endividamento, uma vez que ampliam o volume de ativos e a capacidade de geração de receitas. A composição dos recursos destinados a financiar a empresa deve ser planejada com objetivo de maximizar o valor do seu patrimônio líquido ao longo dos anos. De maneira geral, o uso elevado de capital de terceiros indica uma situação financeira precária, a depender do setor de atividade.

"Dinheiro às vezes custa caro...muito caro!"
Ralph Waldo Emersonb

Pode-se afirmar que o desenvolvimento sustentável de uma empresa seria aquele atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade da empresa de atender as suas próprias necessidades no futuro. Quando as metas de lucratividade de curto prazo levam a empresa ao crescimento não sustentável‚ o valor criado torna-se uma armadilha mortal que poderá comprometer os resultados futuros.

Portanto, a dívida por sua vez pode ser boa ou ruim. Quando a empresa tem uma dívida alta mas um lucro alto‚ normalmente isso significa que a dívida foi feita para melhorar a empresa, consequentemente é uma boa dívida. Dívida alta e lucro baixo significam que a empresa está com algum problema ou que os investimentos são para o longo prazo, neste caso‚ podemos dizer que no atual momento é uma dívida ruim.

Empresas financiam o seu crescimento com os ganhos de sua capitalização (venda de suas ações no mercado), com parte de seus lucros e com empréstimos. O retorno aos acionistas ocorre por meio dos proventos recebidos e pela valorização das ações da empresa. O retorno do capital de terceiros ocorre por meio do pagamento das dívidas, dos encargos, dos juros e dos financiamentos contraídos.

As duas opções geram para a empresa retornos e riscos que devem ser analisados de forma cautelosa. Se a empresa for muito dependente de empréstimos para financiar o seu negócio ou o seu crescimento isso pode corroer os seus lucros atuais e futuros, bem como o seu Patrimônio Líquido, em função do crescimento de seu endividamento causado pelo crescente gasto com juros e novos empréstimos. Consequentemente, o aumento de endividamento aumenta a possibilidade de falência de uma empresa.

Em suma, o Ativo (aplicação de recursos) é financiado por capitais de terceiros (Passivo Circulante + Passivo não Circulante) e por capitais próprios (Patrimônio Líquido). Portanto, capitais de terceiros e capitais próprios são fontes (origens) de recursos. O endividamento de empresas que recorrem a dívidas como um complemento dos capitais próprios para realizar aplicações produtivas no seu ativo (ampliação, expansão, modernização, etc.) é considerado sadio, mesmo sendo um tanto elevado, pois as aplicações produtivas deverão gerar recursos para saldar o compromisso assumido.

Por outro lado, o endividamento é ruim quando a empresa recorre a dívidas para pagar outras dívidas que estão vencendo. Por não gerar recursos suficientes para saldar os seus compromissos recorre a empréstimos sucessivos. Permanecendo neste círculo vicioso a empresa será uma séria candidata à insolvência e, consequentemente, à falência. Quanto maior for a utilização de recursos de terceiros maior será o nível de alavancagem financeira, ou seja, ocorrerá a ampliação conjunta dos níveis de risco e do retorno. Cabe lembrar que no processo de falência a propriedade dos ativos da empresa é legalmente transferida dos acionistas para os credores.

"Por maior que seja o talento ou o esforço‚ algumas coisas exigem tempo: não dá para produzir um bebê em um mês engravidando nove mulheres".
Warren Buffett

Quanto mais uma empresa investe maior é seu potencial de retorno. Para isso‚ ela precisa de caixa. O dinheiro poderá vir do seu patrimônio líquido ou de terceiros. Caso venha de terceiros o dinheiro será considerado uma dívida. Em geral, o uso elevado de capital de terceiros indica uma situação financeira nada saudável, principalmente em alguns setores da economia, como aviação por exemplo. Por outro lado, ao captarem uma dívida os acionistas podem manter o controle da empresa sem aumentar seus investimentos.

Se por um lado um maior endividamento pode se constituir em uma maior produção, venda e lucro, por outro pode significar um aumento do risco financeiro, representado pela pressão dos pagamentos das parcelas da dívida e de juros, que tendem a se tornarem cada vez maiores, principalmente em relação ao lucro líquido. Se as atividades comerciais declinarem em função de uma contração no nível econômico o lucro líquido também declinará, aumentando a probabilidade da empresa não ser capaz de efetuar os pagamentos com os lucros operacionais existentes.

Portanto, lembre-se de que a alavancagem financeira embora possa ser benéfica durante um período cíclico de expansão, é danosa durante uma fase cíclica de contração. Via de regra quanto maior a dívida maior o grau de alavancagem financeira da empresa e, consequentemente, maior o risco apresentado por ela.

De fato, lucros atrelados a endividamentos são muito mais arriscados do que lucros gerados através de patrimônio. Cada vez que o nível de dívida aumenta o risco do negócio também aumenta. Isso porque uma empresa com mais dívida primeiramente aumenta o seu custo financeiro, que é basicamente um custo fixo. Adicionalmente isso torna a empresa mais vulnerável em períodos de desempenho abaixo do esperado e, portanto, aumenta a chance da empresa chegar a falência ou liquidação.

No limite, se a empresa passar por muitas dificuldades e precisar ser liquidada, um valor maior precisará ir para os credores (que emprestaram dinheiro para a empresa) antes que qualquer capital possa começar a ser restituído aos acionistas. Uma empresa com alavancagem financeira baixa sempre será menos arriscada do que uma empresa com alavancagem financeira alta, mantidos constantes os outros fatores de análise. Normalmente, uma companhia que é financiada completamente por patrimônio líquido pode se recuperar de uma crise, mas uma companhia que é financiada por dívidas poderia não se sair tão bem assim na mesma situação.

Em finanças alavancagem é o termo geral para qualquer técnica aplicada para multiplicar a rentabilidade por meio de endividamento. O incremento proporcionado através da alavancagem também aumenta os riscos da operação e a exposição à insolvência. A Alavancagem Financeira nos dá uma medida do nível de endividamento usado pela empresa e, portanto, diferentemente dos Índices de rentabilidade, apesar de aumentar o ROE não é preferível que seja alta e crescente. Prefira empresas que utilizam capital próprio para gerar lucros, pois o custo deste é significativamente menor, além de ser uma forma de financiamento muito mais segura, podendo ser considerado uma vantagem em relação às empresas que utilizam capitais de terceiros em demasiado.

Ao mesmo tempo, não é necessário que o nível de dívida seja zero. Empresas de Setores que apresentam lucros EBITDAs mais estáveis ao longo dos anos, tais como Elétricas e Saneamento, podem se aproveitar de uma maior alavancagem em razão da constância de seus resultados, assim como instituições financeiras em razão do grande volume de dinheiro que captam e administram, em comparação às Empresas de Setores cujos resultados são menos previsíveis, tais como Varejo e TI.

Sendo assim, a alavancagem financeira é positiva quando capitais de longo prazo de terceiros produzem efeitos positivos sobre o patrimônio líquido. A melhor maneira de se analisar a alavancagem de uma companhia é verificar a tendência de suas dívidas em comparação com o ROE para saber se a companhia está conseguindo aumentar ou pelo menos manter o ROE ao aumentar o seu endividamento.

"A economia, que é uma virtude, é uma necessidade na pobreza, um ato de juízo na mediania, e na opulência um vício".
Bernard Fontenelle

A alavancagem financeira visa o crescimento saudável do ativo e do patrimônio líquido da empresa. Para isso é fundamental conseguir balancear os benefícios e os custos da alavancagem. Escolher a melhor maneira de financiar a estratégia de crescimento da empresa diante dos fatores macroeconômicos, setoriais e da situação da empresa, seja através de capital próprio ou de terceiros (empréstimos ou emissão de novas ações no mercado), é fundamental para o seu sucesso. Para isso‚ há de ser analisada a relação entre o custo de oportunidade do capital próprio ou de terceiros e a rentabilidade futura proporcionada pelo aumento do ativo, mensurando a qualidade da alavancagem e a sustentabilidade desta no longo prazo.

Os capitais de terceiros de longo prazo só são vantajosos para uma empresa quando o retorno sobre o patrimônio líquido for superior ao retorno sobre o ativo. De nada adiantaria a uma empresa captar recursos a longo prazo se estes fizessem com que o retorno sobre o patrimônio líquido recuasse à sua posição anterior à da captação. Alavancagem financeira é isso: a "alavanca" que esta captação produz (ou não) no retorno aos acionistas. São formas comuns de gerar alavancagem: tomar dinheiro emprestado, comprar ativos imobilizados, usar derivativos e emitir novas ações no mercado.

A alavancagem tem diferentes implicações para a empresa e para os investidores. O principal fator de retorno do acionista é a valorização do preço de mercado das suas ações. Se o retorno sobre o patrimônio líquido estiver alto, a princípio, o retorno dos acionistas também será maior numa empresa muito alavancada. Contudo, o inverso também é verdadeiro. Quando o ROE está baixo o retorno dos acionistas de uma empresa muito alavancada tenderão também a serem baixos. É interessante observar se o ROE não está sendo mantido alto ou crescente de maneira "artificial" por um aumento excessivo da alavancagem financeira. Se usada de maneira equilibrada e prudente a alavancagem financeira pode melhorar o ROE sem aumentar consideravelmente o risco do acionista.

Assim, os indicadores de alavancagem mostram o relacionamento entre as fontes de capital da empresa, representadas pelo patrimônio líquido, em relação ao capital de terceiros, representado pelo passivo circulante e o passivo não circulante. Portanto, demonstram como o controlador da empresa está mantendo a relação entre o capital próprio e o capital de terceiros e como está conseguindo transformar esses recursos em ativos e, principalmente, em um maior patrimônio líquido para os acionistas. Estes Índices estão relacionados à composição dos capitais (próprios e de terceiro) e medem os níveis de imobilização de recursos, que buscam identificar diversas relações na estrutura da dívida da empresa.

Os Índices de endividamento mensuram a qualidade e a quantidade da dívida de uma empresa, ou seja, nos informam se a empresa se utiliza mais de recursos de terceiros ou de recursos próprios e, se os recursos de terceiros têm seu vencimento em maior parte a curto ou a longo prazo, a fim de identificar também se os níveis de endividamento estão saudáveis ou se a empresa está enfrentando dificuldades financeiras, além de avaliar se a companhia está gerando caixa suficiente para pagar suas dívidas e garantir o crescimento sustentável de suas atividades. O endividamento exagerado é o principal empecilho para a recuperação de uma economia ou de uma empresa. Os Índices de estrutura de capital da empresa são:

"O aparecimento de uma dessas duas doenças supercontagiosas do mercado, o medo e a ganância, sempre ocorrerão no mundo dos investimentos. Embora não possamos precisar exatamente quando estas epidemias irão ocorrer, o investidor deve ter medo quando os outros são gananciosos e ser ganancioso quando os outros têm medo.".
Warren Buffett

Grau de Alavancagem Financeira GAF - Avalia o comportamento do endividamento da empresa em relação à rentabilidade do seu patrimônio líquido. A alavancagem financeira pode ser definida como a capacidade que os recursos de terceiros apresentam na empresa para expandir a rentabilidade do seu patrimônio líquido. O GAF mede quanto o capital de terceiros está contribuindo para gerar resultado para os acionistas, se está melhorando ou piorando a rentabilidade da empresa. Portanto, quanto maior for melhor, pois o baixo custo do capital de terceiros (credores) atuará como uma alavanca, impulsionando os retornos da empresa. Contudo, maior será o seu endividamento e, assim, maior será o seu risco financeiro no caso de algo dar errado. Geralmente, elevações na alavancagem da empresa resultam em aumentos de riscos e de retornos; reduções na alavancagem resultam em menores riscos e menores retornos.

A medida do grau de alavancagem financeira (GAF) de uma empresa é um importante indicador do grau de risco a que empresa está submetida. Se existe a presença de capital de terceiros de longo prazo na estrutura de capital, a empresa estará "alavancada", ou seja, corre risco financeiro. Quando o GAF for maior que 1 a alavancagem é favorável. Significa que o capital de terceiros está contribuindo para gerar retorno adicional sobre o patrimônio líquido da empresa, portanto, é uma alavancagem positiva (saudável). Quando for igual a 1 a alavancagem é nula.

Entretanto, quando o GAF for menor que 1 a alavancagem é desfavorável, pois o custo do capital de terceiros (empréstimos) é maior do que o retorno que está gerando, portanto, está consumindo o patrimônio líquido da empresa ao invés de incrementá-lo (alavancagem negativa). Dessa forma, podemos concluir que só é vantajoso para uma empresa os capitais de terceiros de longo prazo quando o retorno sobre o patrimônio líquido ROE for superior ao retorno sobre o ativo ROA e ao retorno sobre o capital investido ROIC. Assim, o GAF acaba por medir a eficiência da empresa na utilização do capital de terceiros a fim de elevar a rentabilidade do seu capital próprio, aumentando o patrimônio líquido dos seus acionistas.

Contudo, é importante verificar se a empresa ao gerar um ROE alto possui um patrimônio líquido significativo. Como o Patrimônio Líquido é o denominador do ROE, empresas que apresentam baixos patrimônios líquidos e recorrem a empréstimos para se alavancar podem vir a apresentar elevados ROE´s, gerando uma falsa indicação para os investidores.

Apesar do ROE neste exemplo ser alto, o ROA e o ROIC serão baixíssimos, bem como a cobertura dos ativos pelo patrimônio líquido, indicada por um baixo Índice Patrimônio/Ativo, o que implicará num maior risco financeiro tanto para os investidores como para os credores devido à grande alavancagem e ao baixo patrimônio. Assim, a empresa poderá apresentar no momento um GAF maior de 1 em razão do ROE ser alto devido ao baixo patrimônio líquido e em razão do ROA ser baixo em razão da alavancagem.

O problema ao se alavancar uma empresa como uma forma de aumentar o ROE é que depois de um certo ponto os custos da dívida diminuirão as margens e o giro de ativos. Embora existam diversos casos em que o endividamento é positivo, não é algo que a administração queira elevar a valores cada vez mais altos, como é o caso da lucratividade e do giro de ativos, pois lucros atrelados a endividamentos são muito mais arriscados do que lucros gerados através de patrimônio.

Normalmente uma empresa que é financiada completamente por patrimônio líquido pode se recuperar de uma queda, mas uma que é financiada por dívidas pode não se sair tão bem assim na mesma situação. Quanto mais alavancada (endividada) a empresa maior será o seu ROE e menor será o ROA. Contudo, à medida que a empresa contrai mais dívidas o capital próprio remanescente se torna mais arriscado, ficando cada mais comprometido em razão do alto endividamento, pois a alavancagem aumenta a probabilidade de insolvência.

Investidores pagam menos por firmas que geram lucros com alavancagem. Existem boas explicações para isso, o motivo principal é o fato do endividamento aumentar o risco de que a empresa seja afetada por uma queda cíclica. Esse risco é descontado no preço que os investidores estariam dispostos a pagar por lucros futuros. Como as dívidas aumentam as possibilidades de falência, os investidores são mais cautelosos sobre o preço que podem estar pagando pela ação.

O efeito colateral de se maximizar a alavancagem para aumentar o ROE é a desvalorização do preço de mercado das ações da empresa. Dessa forma, a melhor maneira de se analisar a alavancagem de uma empresa é observar a tendência de suas dívidas em comparação com o ROE para saber se a empresa está conseguindo manter o ROE aumentando seu endividamento, examinando assim a qualidade desse retorno.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar o crescimento do Patrimônio Líquido e de gerar um GAF acima de 1, indicando uma boa relação entre o retorno do PL e o Retorno do Ativo.

"Eu quero estar apto a olhar para trás e dizer, "Eu fiz tudo o que podia, e fui bem sucedido." Eu não quero olhar para trás e dizer que deveria ter feito isso ou aquilo."
Michael Phelps

Grau de Endividamento - Este Índice revela se uma empresa é muito ou pouco endividada, ou seja, se usa muito ou pouco capital de terceiros  onerosos e não onerosos . Expressa a proporção de recursos de terceiros financiando o Ativo e, complementarmente, a parcela do Ativo financiada pelos recursos próprios (Patrimônio Líquido). Quanto maior o quociente mais endividada está a empresa e maior será o risco dela não conseguir pagar os seus compromissos. Seu resultado não deve ser maior que 100%, sendo o ideal um valor entre 40% e 60%, com exceção aos bancos que apresentam valores maiores, visto que grande parte dos seus ativos pertencem a credores. Valores acima de 75% indicam alto endividamento e alto risco para os investidores. Um grau de endividamento de 30% significa que a empresa está financiando 30% dos seus ativos através do capital de terceiros (dívidas) e 70% através de recursos próprios (patrimônio líquido).

A princípio, quanto maior o endividamento maior o risco. Cada setor possui um Índice médio de endividamento, o qual deve ser comparado ao apresentado pela empresa analisada, além de interpretada as tendências de ambos. Logo, os credores preferem Índices de endividamento baixos, pois quanto menor forem maior será a proteção contra prejuízos e a garantia dos empréstimos em caso de falência da companhia.

Mas o fato da empresa ser muito endividada não significa necessariamente algo ruim. Tudo irá depender da composição da dívida. Pode ser que a atividade da empresa seja de curto prazo e exija a geração de grandes volumes de capital de giro no curto prazo para honrá-la e, portanto, além do seu grau de endividamento ser alto o seu risco financeiro também será alto. Da mesma forma, se a sua atividade for estável pode haver maior nível de endividamento porque há capacidade de prever o fluxo de geração de recursos futuros os quais honrarão essas dívidas. Se for instável haverá um maior risco de inadimplência e falência porque os resultados são menos previsíveis.

Um grau de endividamento de 100% indica que os ativos da empresa são suficientes apenas para cobrir as dívidas, portanto, esta não possui patrimônio líquido. Valores acima de 100% indicam uma situação de insolvência, quando as dívidas são superiores aos ativos e, portanto, a empresa não possui ativos suficientes para cobrir suas dívidas (passivo a descoberto). Assim, quanto menor for o endividamento menor o risco que a empresa estará oferecendo aos capitais de terceiros (credores).

Entretanto, deve-se considerar que determinadas empresas convivem muito bem com endividamento relativamente elevado, principalmente quando o endividamento tiver um perfil de longo prazo ou quando o Passivo de Curto Prazo não for oneroso, mas resultado de uma administração coerente do capital de giro. Assim, caso a despesa financeira seja menor que o retorno auferido pela utilização no negócio dos recursos captados via empréstimos, o endividamento, apesar de elevado, será considerado favorável para a empresa, pois aumentará o seu ROE e ao mesmo tempo apresentará um risco menor em razão disso.

Uma forma de avaliar a situação econômica é observar o Patrimônio Líquido da empresa e a sua variação. Evidentemente, o crescimento real do Patrimônio Líquido vem a fortalecer a situação econômica. O fortalecimento do Capital Próprio (PL) em relação ao Capital de Terceiros propicia à empresa uma posição mais sólida. O aumento do endividamento é apropriado somente quando o lucro e o ROE aumentam numa proporção maior que o próprio endividamento da empresa e a sua margem líquida é mantida.

Ou seja, desde que os lucros sejam suficientes para pagar as parcelas das dívidas e os juros e ainda incrementem o patrimônio líquido. O perigo ocorre quando os lucros e a margem de lucro começam a diminuir em razão do crescimento do endividamento. Esse contexto leva a degradação do patrimônio líquido da empresa com o passar do tempo, sendo claramente representado por um patrimônio líquido que diminui com o passar do tempo e um ROE decrescente, além da perda de liquidez financeira.

Por isso, deve-se acompanhar ao longo dos anos as variações na relação entre ativo total e passivo total. Se o endividamento está aumentando numa escala maior do que os lucros aumentam, a tendência será a redução do patrimônio líquido ao longo dos trimestres. Isso é péssimo tanto para o futuro da empresa como para a expectativa que o mercado tem sobre ela. É de se esperar uma expectativa negativa a respeito da performance e dos resultados futuros da empresa enquanto ela se mantiver nessa situação "deficitária".

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa consegue manter bons níveis no seu Grau de Endividamento à medida que o Passivo cresce ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre os Passivos e os Ativos.

"Não sou jovem o bastante para saber tudo".
Oscar Wilde

Composição do Endividamento - Indica o quanto a empresa está comprometida com dívidas de curto prazo em relação ao total das suas dívidas. Sua finalidade é identificar o perfil do endividamento, ou seja, que percentual das obrigações totais correspondem a dívidas de curto prazo. De forma geral, quanto menor for este Índice melhor. Valores elevados (acima de 50%) indicam um perfil da dívida mais arriscado. Quanto menor for o quociente menor será a concentração de dívidas de curto prazo. Uma composição do endividamento de 40% significa que 40% das dívidas da empresa são de curto prazo e vencerão num período inferior a um ano.

Se o grau de endividamento revelou qual é a participação dos capitais de terceiros no empreendimento é preciso identificar o percentual de longo prazo e o percentual de curto prazo que a empresa será obrigada a restituir. A composição do endividamento é uma medida da qualidade do Passivo da empresa, em termos de prazo, pois compara o montante de dívidas no Curto Prazo com o endividamento total. Admite-se que quanto mais curto o vencimento das parcelas maior será o risco oferecido pela empresa.

Assim, quanto menor o resultado melhor, pois as dívidas a curto prazo referem-se às que precisam ser pagas com recursos já disponíveis ou que venham a ser gerados a curto prazo. De outra forma, empresas com endividamento concentrado no longo prazo, principalmente decorrente de investimentos efetuados, oferecem uma situação mais tranquila no curto prazo e um menor risco financeiro, visto que além de possuírem prazos superiores a um ano para quitar essas obrigações os investimentos realizados em ativos financiados por esses empréstimos gerarão maiores lucros no futuro, caso o resultado dessa alavancagem seja positivo.

Faz-se necessário então prestar atenção ao endividamento de curto e de longo prazo, pois a empresa pode ter boa situação financeira hoje, mas estar comprometida no futuro por altos empréstimos de longo prazo. Uma coisa é ter dívidas de curto prazo que precisam ser pagas com os recursos possuídos hoje mais aqueles gerados a curto prazo (e nós sabemos as dificuldades em gerar recursos a curto prazo); outra coisa é ter dívidas a longo prazo, pois a empresa dispõe de tempo para gerar recursos para pagar essas dividas.

As dívidas a curto prazo (passivo circulante) são aquelas cujos vencimentos ocorrem dentro do exercício seguinte (menor que 1 ano). Já as dívidas a longo prazo (passivo não circulante) têm vencimentos após o término do exercício seguinte (maior que 1 ano), dando uma maior folga para a empresa. Por via de regra, o endividamento a curto prazo normalmente é utilizado para financiar o ativo circulante e o endividamento a longo prazo normalmente é utilizado para financiar o ativo imobilizado.

Na maioria das vezes é mais favorável uma maior participação de dívidas a longo prazo, propiciando à empresa tempo maior para gerar recursos que saldarão os compromissos, ou mesmo, renegociá-los. Expansão e modernização devem ser financiadas com recursos a longo prazo e não pelo passivo circulante, pois os lucros a serem gerados pela expansão e modernização virão a longo prazo. Além disso, é ideal que a empresa apresente um ativo circulante superior ao seu passivo circulante, de forma que ainda possa financiar parte do passivo não circulante.

Se a composição do endividamento apresentar uma significativa concentração no Passivo Circulante (curto prazo) a empresa poderá ter dificuldades num momento de reversão de mercado, o que não aconteceria se as dívidas estivessem concentradas no longo prazo. Na crise ela terá poucas alternativas: vender seus estoques na base de uma liquidação forçada a qualquer preço; assumir novas dívidas a curto prazo, que certamente terão juros altos, o que aumentará ainda mais as despesas financeiras de dívidas no curto prazo.

Sendo assim, é muito mais conveniente para a empresa que suas dívidas sejam de longo prazo, pois assim ela terá mais tempo para buscar ou gerar recursos para saldá-las, sem a necessidade de adquirir empréstimos em condições desfavoráveis ou liquidar seus estoques a qualquer preço. Porém, se os recursos no curto prazo forem mais baratos a interpretação de quanto menor melhor pode inverter-se.

Por outro lado, se uma empresa depende cada vez mais de empréstimos de longo prazo para mover seu negócio os lucros irão diminuir a cada ano em função do seu endividamento crescente, podendo chegar ao ponto da empresa não poder pagar dividendos em razão de ter que pagar juros e empréstimos anteriores, evoluindo até mesmo para uma situação em que a empresa passe a necessitar de empréstimos para financiar o seu ativo circulante. Todo esse processo pode ser observado por um patrimônio líquido, uma margem líquida‚ e um ROE decrescentes ao longo dos trimestres, bem como a piora dos Índices de liquidez.

Assim, a administração da empresa deve ter como meta o alongamento de suas dívidas, visando aliviar a pressão sobre o seu caixa para honrar compromissos a curto prazo, melhorando assim a sua liquidez corrente. Ressaltamos que o endividamento não deve ser visto como algo necessariamente ruim, desde que o retorno auferido pelo negócio seja superior ao custo financeiro dos empréstimos, o que pode ser observado por um ROE alto, crescente e superior ao ROA ao longo dos trimestres.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa consegue manter bons níveis na sua Composição do Endividamento à medida que o Passivo cresce ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre os Passivos Circulantes e os Passivos não Circulantes. Quando as contas do Ativo Circulante crescem num percentual acima do crescimento das contas do Passivo Circulante ao longo dos trimestres a empresa tem gerado mais caixa e melhorado a sua liquidez, gerando uma melhor situação financeira, a qual será mais favorável ainda caso o giro dos ativos e/ou a sua margem líquida aumentem. Uma situação contrária indicaria uma piora na sua situação financeira e, consequentemente, um aumento do risco.

"Para se tornar rico o primeiro passo é evitar a pobreza".
Capital e Valor

Participação de Capitais de Terceiros PCT - Este Índice mostra o quanto as obrigações da empresa (passivos) representam em comparação ao Patrimônio Líquido, retratando a dependência da empresa em relação aos recursos externos. Indica quanto a empresa tomou de capitais de terceiros em relação ao seu capital próprio. Quanto menor dependência melhor. Um PCT de 50% significa que a empresa possui obrigações com terceiros equivalentes a 50% do seu patrimônio líquido, ou seja, para cada R$100,00 de patrimônio líquido a empresa possui R$ 50,00 de obrigações (passivos onerosos e de funcionamento). Normalmente valores superiores a 150% indicam um perfil de dívida mais alavancado, o que não necessariamente será ruim desde que a alavancagem seja positiva (GAF superior a 1), ou seja, desde que o retorno sobre o PL (ROE) gerado por ela seja maior do que os custos das dívidas assumidas.

O resultado da conta acima indicará qual é o percentual de capital de terceiros frente o patrimônio líquido da empresa. Quanto maior for o seu valor maior será a participação de capitais de terceiros no financiamento das operações, o que pode indicar além de uma maior alavancagem e, consequentemente, um maior risco, baixa rentabilidade, baixa geração de patrimônio líquido e alto custo com juros e parcelas de financiamentos. Empresas que se financiam predominantemente através de patrimônio líquido ao invés de empréstimos e dívidas com terceiros (endividamento) apresentam um menor risco de insolvência e tendem a apresentar maiores ROE´s, pois o custo do capital próprio é menor do que o custo do capital de terceiros, os quais acarretam juros e parcelas que consumirão parte do lucro e, nos piores casos, gerarão prejuízo em razão dos custos das dívidas serem maiores do que o lucro.

O Índice de Participação de Capitais de Terceiros relaciona, portanto, as duas grandes fontes de recursos da empresa, ou seja, Capitais Próprios e Capitais de Terceiros. É um indicador de risco ou de dependência ao capital de terceiros por parte da empresa. A análise desse indicador por diversos exercícios mostra a política de obtenção de recursos da empresa. Ou seja, indica se a empresa vem financiando o seu Ativo predominantemente com recursos próprios ou com recursos de terceiros (alavancagem), e em que proporção. Já através da composição das dívidas saberemos se os recursos de terceiros têm seu vencimento em maior parte no Curto Prazo (passivo circulante) ou a Longo Prazo (passivo não circulante). Obviamente, o endividamento elevado composto em maior parte por dívidas de curto prazo se mostra um cenário muito arriscado e desafiador.

De maneira geral o aumento no PCT da empresa é benéfico quando este gera um aumento do ROE numa proporção maior e a liquidez corrente da empresa e a composição do seu endividamento são pouco afetados. Ou seja, o aumento do endividamento é saudável, pois está gerando um crescimento proporcionalmente maior do lucro e, consequentemente, do patrimônio líquido da empresa, sendo que as dívidas assumidas têm um perfil menos arriscado, pois vencem no longo prazo (superior a um ano).

Por outro lado, o aumento no PCT da empresa é ruim quando vem acompanhando de uma diminuição no ROE e na liquidez corrente da empresa juntamente com um aumento na composição do endividamento. Ou seja, o endividamento é ruim, pois está prejudicando o crescimento do patrimônio líquido da empresa, reduzindo a sua liquidez e aumentando a proporção das dívidas de curto prazo, o que são péssimos sinais para o futuro, mostrando claramente uma deterioração financeira e o aumento risco de insolvência.

Quanto maior for a relação entre capitais de terceiros e o patrimônio líquido maior será a participação de capital de terceiros na empresa e, consequentemente, maior será a dívida da empresa (alavancagem), menor será a sua liberdade de decisões financeiras e maior será a sua dependência ao capital de terceiros, o que torna a empresa vulnerável a qualquer intempérie e dificulta a obtenção de financiamentos. Por outro lado, quanto menor for a dependência de capital de terceiros melhor será a liquidez da empresa e, portanto, menor será o seu risco financeiro, o que proporcionará melhores condições na obtenção de financiamentos. Deve-se comparar o resultado à média do setor a fim de verificar se a empresa está muito alavancada.

Se a empresa apresentar um histórico desse Índice consistentemente e acentuadamente maior que 150% indicaria uma dependência exagerada de recursos de terceiros (alavancagem). A tendência crescente deste Índice se conjuga, em geral, com uma tendência declinante no Índice de liquidez geral. Este é um sintoma típico das empresas que vão à falência, apresentam alto Índice de recursos de terceiros durante um longo período, ROE declinante e uma geração de caixa insuficiente (alavancagem negativa), resultando na deterioração do patrimônio líquido em razão de prejuízos recorrentes e em último caso a insolvência e posteriormente a falência.

Contudo, do ponto de vista da obtenção de lucro pode ser vantajoso para a empresa trabalhar com capitais de terceiros se a remuneração paga a esses capitais for menor do que o lucro gerado com a sua aplicação nos negócios, o que consequentemente aumentará o ROE (alavancagem positiva). Sendo assim, é importante medir o quanto de capital de terceiros (passivos) existe em relação ao capital próprio (patrimônio líquido), que acima de 150% implica grande alavancagem, e o percentual de dívidas de curto prazo no total do endividamento, que se muito elevado (acima de 50%) pode comprometer o caixa da empresa. O crescimento do Capital Próprio (PL) em relação ao Capital de Terceiros melhora a situação econômica e a liquidez da empresa. Portanto, quanto menor for o grau de endividamento e o PCT maior será a capacidade financeira da empresa no longo prazo.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa consegue manter bons níveis na sua Participação de Capitais de Terceiros à medida que o Passivo cresce ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre Passivos e Patrimônio Líquido e, principalmente, se consegue gerar o crescimento do Patrimônio Líquido.

"Não importa o quão ruim a vida possa ser, há sempre alguma coisa que você pode fazer e ter sucesso. Enquanto há vida, há esperança".
Stephen Hawking

Patrimônio/Ativo - Este Índice indica qual percentual dos ativos está coberto pelo patrimônio líquido, mostrando indiretamente o nível de alavancagem da empresa. Portanto, quanto maior melhor. Valores baixos indicam que uma pequena parte dos ativos está atrelada ao capital próprio da empresa e uma grande parte está atrelada a capitais de terceiros (dívidas), implicando maiores riscos e despesas com empréstimos e financiamentos. Um Patrimônio sobre Ativo de 40% significa que a empresa está financiando 40% dos seus ativos através de recursos próprios (patrimônio líquido) e 60% através do capital de terceiros (dívidas).

Assim, níveis altos de exposição a capitais de terceiros (grande endividamento) podem deteriorar a saúde financeira e o patrimônio líquido, podendo até mesmo comprometer a sustentabilidade da empresa. Caso parte dos ativos se torne podre, ou seja, caso a empresa não consiga convertê-los em dinheiro em razão da inadimplência de clientes, ou caso a rentabilidade dos ativos ROA e o giro dos ativos diminuam, uma empresa que apresenta um Índice PL/Ativo baixo terá sérios problemas de liquidez e até mesmo de solvência, o que pode ser observado em baixos Índices de liquidez e um baixo grau de solvência, além de um baixo e declinante GAF.

Contudo, desde que o ROE gerado através da alavancagem seja alto e superior ao custo dos empréstimos e financiamentos será vantajoso para a empresa se financiar com capitais de terceiros, ainda que em quantidades elevadas, visto que a alavancagem é positiva e a empresa apresenta um GAF acima de 1.

É importante observar que empresas que apresentam baixos patrimônios líquidos e recorrem a empréstimos para se alavancarem podem vir a apresentar elevados ROE´s em razão dos seus patrimônios líquidos serem baixos, gerando uma falsa indicação para os investidores. Apesar do ROE neste exemplo ser alto, o ROA e o ROIC serão baixíssimos, bem como a cobertura dos ativos pelo patrimônio líquido, indicada por um baixo Índice Patrimônio/Ativo, o que implicará num maior risco financeiro tanto para os investidores como para os credores devido à grande alavancagem e ao baixo patrimônio.

Não existe um valor ideal para este indicador, pois cada setor possui seu próprio padrão de estrutura de capital, porém valores abaixo de 25% de maneira geral são considerados ruins, implicando um perfil de endividamento muito arriscado (exceto para bancos e financeiras, visto que grande parte dos seus ativos pertencem a credores). O crescimento deste indicador ao longo dos trimestres indica melhora de liquidez e, obviamente, crescimento de patrimônio líquido.

Valores elevados do Índice PL/Ativo indicam que a empresa apresenta uma estrutura de capital mais segura e conservadora e, possivelmente, de baixo risco, visto que a maior parte dos ativos apresentam baixa alavancagem, ou seja, são financiados por capital próprio e estão sob o controle da empresa e também em razão da sua baixa necessidade de empréstimos e financiamentos para a realização de suas atividades, o que ainda facilita a obtenção de crédito e em condições mais favoráveis.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa consegue manter bons níveis de Patrimônio/Ativo à medida que o Ativo e o Passivo crescem, indicando uma boa cobertura dos Ativos pelo Patrimônio Líquido.

"Se você não der valor ao seu tempo, ninguém vai dar. Pare de entregar seu tempo e talento. Dê valor àquilo que conhece e comece a cobrar por isso."
Kim Garst

Dívida Bruta - O conceito da dívida bruta de uma empresa é a soma apenas daqueles passivos que geram despesas financeiras, tanto de curto como de longo prazo (passivos onerosos). As dívidas com fornecedores, controladas, obrigações fiscais e demais passivos ligados ao ciclo operacional da empresa não são levados em consideração. Constitui-se da soma do total de empréstimos e financiamentos de curto e longo prazo, incluindo-se os títulos emitidos pela empresa (debêntures).

Dívida Bruta = Empréstimos e Financiamentos do Passivo Circulante + Empréstimos e Financiamentos do Passivo Não Circulante

É importante interpretar as características da dívida de uma empresa, a parcela onerosa e a não-onerosa. As dívidas onerosas são caracterizadas pelo ônus dos juros e encargos (empréstimos e financiamentos). As dívidas não-onerosas representam os Passivos do ciclo operacional (folha de pagamento, encargos tributários e trabalhistas, fornecedores). Quanto maior o volume de dívidas onerosas, menor será a liquidez da empresa e maior o risco, principalmente se a maior parte dos empréstimos tiver vencimento no curto prazo (menos de 1 ano).

Entretanto, uma empresa que apresenta uma dívida onerosa baixa, especialmente se for baixa em comparação às demais empresas do setor, pode não estar usando adequadamente a alavancagem que poderia aumentar sua lucratividade através de investimentos em expansão, estoques e produção que poderiam ser proporcionados através da obtenção de empréstimos ou da emissão de títulos de dívida e ações, desde que em condições vantajosas para a empresa.

Existem casos de empresas que fazem empréstimos para investir no seu crescimento, seja através da emissão de debêntures ou de novas ações no mercado ou assumindo financiamentos, e de empresas que buscam a reestruturação de seu passivo buscando alongar as suas dívidas através dessas mesmas estratégias. Essa situação é comum numa empresa que faz o uso intensivo de capital de terceiros e que poderá se tornar insolvente, ou que já está, caso haja uma queda acentuada no seu lucro operacional, o que dificultará o pagamento dos juros e a amortização do principal, além de desequilibrar a estrutura de capital da empresa enquanto suas margens são corroídas por perdas financeiras.

Quando uma empresa emite ações, obtém recursos estáveis cuja devolução não é compulsória. O lançamento de ações é uma operação de aumento do patrimônio líquido da empresa. O investidor que adquirir essas ações será beneficiado pelos pagamentos de dividendos e pela valorização do papel, caso ocorram. Já no caso da emissão de uma debênture a empresa está contraindo uma dívida de longo prazo sobre a qual incide juros através de um indexador.

Portanto, os acionistas buscam um bom retorno para seu capital investido e os titulares da dívida esperam o retorno do seu capital emprestado e dos juros acordados no prazo pactuado. Via de regra, quanto maior for a necessidade da empresa em captar recursos ou quanto maior for a dificuldade financeira e/ou operacional dessa empresa, maior será a rentabilidade da debênture, a qual estará atrelada, contudo, a maiores riscos associados, já que há indicativos de que a empresa está atravessando dificuldades que poderão impactar o pagamento das debêntures.

No caso das debêntures emitidas pela companhia é importante verificar se as mesmas são do tipo conversíveis em ações, como forma de garantia do título emitido pela empresa e a redução do seu risco para os credores. Ou seja, se esse tipo de debênture apresenta a possibilidade de converter o que antes era uma dívida em ações da empresa.

Numa situação em que a empresa não consiga efetuar os pagamentos dessas debêntures as mesmas podem ser convertidos em ações da empresa, o que resultará numa diluição da participação dos acionistas, visto que o patrimônio da empresa passa a ser dividido por um número maior de ações.

Em uma empresa que utiliza debêntures ou subscrições de novas ações para reestruturar o seu passivo, a diluição do capital será prejudicial ao acionista apesar de permitir a sobrevivência da empresa no curto prazo. E o prejuízo será maior ainda caso o preço de conversão fixado para cada ação seja inferior ao seu valor de mercado ou, pior ainda, caso seja inferior ao seu valor patrimonial, pois implicaria numa transferência de reservas acumuladas dos antigos acionistas para os novos, e, obviamente, quanto maior o volume da dívida convertida em ações maior será o impacto para os acionistas.

Ao contrário, no caso de uma empresa que utiliza debêntures ou a subscrição de novas ações para financiar seus projetos de investimentos, os quais gerarão resultados positivos e aumento do patrimônio líquido, a diluição do capital decorrente da conversão de debêntures em ações da empresa ou da emissão de novas ações poderá ser favorável ao acionista no longo prazo, visto que a alavancagem gerada pelos recursos captados possivelmente será positiva, ou seja, os investimentos realizados com os valores recebidos através da emissão de debêntures ou de novas ações poderão gerar o crescimento do lucro e do patrimônio líquido da empresa, contrabalanceando a diluição do capital num número maior de ações.

Em suma, o princípio básico de todo investimento é buscar o crescimento do patrimônio e as consequências do uso de subscrições de ações e emissão de debêntures para refinanciar dívidas, alavancagem negativa, é a diluição numa quantidade maior de ações do lucro por ação, do valor patrimonial por ação e dos proventos (dividendos e JCP) pagos por ação.

A situação ideal é que a empresa use o capital de terceiros para aumentar o retorno para seus acionistas, porém, buscando uma relação dívida/capital próprio limitada ao ponto em que uma queda elevada do fluxo de caixa operacional não torne a empresa insolvente. Logo, deve-se avaliar o quanto a dívida bruta representa no total do passivo. Uma grande proporção de dívida bruta no passivo da empresa indica grande alavancagem e, consequentemente, maiores riscos, além de maiores encargos de juros, o que prejudica a sua liquidez e pode comprometer a sua rentabilidade. De maneira geral valores de dívida bruta superiores a 40% do passivo total indicam alto risco.

Além disso, ao acompanhar a evolução da dívida bruta da empresa ao longo dos anos torna-se fundamental compará-la à evolução do lucro líquido e do patrimônio líquido de forma a avaliar se a alavancagem vem contribuindo para incrementá-los (alavancagem positiva).

"A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram".
Adam Smith

Dívida Bruta / EBITDA - Este indicador relaciona a capacidade da empresa de gerar lucros operacionais em relação aos seus passivos onerosos (Dívida Bruta). Pode ser usado como medida da capacidade da empresa em gerar lucros para pagar os seus empréstimos e financiamentos de curto e de longo prazo. Seu valor indica, teoricamente, quantos anos a empresa levaria para gerar lucro operacional suficiente para pagar todos os seus empréstimos. Portanto, quanto menor melhor, pois maior será o potencial da empresa de geração de lucro EBITDA a partir da sua dívida.


A redução desse indicador ao longo dos trimestres pode ser visto como um bom sinal, pois indica que a empresa está reduzindo a sua dívida e/ou obtendo lucros operacionais maiores, seja a através do aumento do volume de vendas ou da sua eficiência operacional, o que consequentemente aumenta o seu ROE. De forma inversa, um crescimento desse indicador ao longo dos trimestres implica que a empresa está se endividando numa razão maior do que o crescimento dos lucros operacionais, o que no longo prazo reduzirá o seu patrimônio líquido, os lucros e o ROE, aumentando o risco de que eventualmente os lucros não sejam suficientes para honrar os pagamentos das suas dívidas.

Diferentes setores apresentam diferentes estruturas de capital, necessidades de financiamentos e exposição à alavancagem, portanto, este indicador não deve ser usado para comparar empresas de setores diferentes. Logo, não é possível precisar um valor ideal em razão das características de cada setor. Valores abaixo de 5 de uma maneira geral são bons indicativos, valores acima de 5, quando recorrentes, normalmente indicam endividamento excessivo ou baixa lucratividade, ou ambos, implicando que a empresa futuramente possa necessitar a recorrer a novos empréstimos para cobrir as suas dívidas, correndo até mesmo o risco de se tornar insolvente. Recomenda-se comparar a evolução deste indicador em relação à sua média histórica e em relação ao das demais empresas do setor no intuito de avaliar se a performance atual da empresa é promissora ou não.

Além disso, empresas que apresentam valores muito elevados de Dívida Bruta/EBITDA têm mais dificuldade em obter crédito, cujo custo acaba sendo mais alto em razão do grande endividamento da empresa e sua baixa lucratividade. De modo contrário, empresas que apresentam valores muito baixos poderiam se beneficiar de uma maior alavancagem devido às facilidades e melhores condições para captarem empréstimos para expandirem os seus negócios e aumentarem os seus retornos.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa tem conseguido manter uma relação Dívida Bruta/EBITDA menor do que 5 à medida que os Passivos crescem ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o Lucro EBITDA e a Dívida Bruta.

"Eu acho que os objetivos nunca devem ser fáceis, eles devem forçar você a trabalhar, mesmo se eles forem desconfortáveis no momento."
Michael Phelps

Dívida Líquida - No conceito de dívida líquida são abatidas da dívida bruta as disponibilidades da empresa, ou seja, são descontados o caixa e equivalentes e suas aplicações financeiras, os ativos que podem ser liquidados em dinheiro muito rapidamente. Representa a quantidade de dinheiro que a empresa necessita gerar para pagar todo o seu passivo que gera despesa financeira.

Dívida Líquida = Empréstimos e Financiamentos do Passivo Circulante + Empréstimos e Financiamentos do Passivo Não Circulante - Caixa e Equivalentes de Caixa - Aplicações Financeiras do Ativo Circulante - Aplicações Financeiras do Ativo não Circulante

Quando a diferença entre a dívida líquida e a dívida bruta é grande isso indica que o caixa e as aplicações financeiras são significativos em comparação aos empréstimos (dívida bruta), uma situação ideal. Há inclusive casos em que o caixa e as disponibilidades da empresa superam a sua dívida bruta, situação em que o indicador dívida líquida ficará negativo, indicando uma situação financeira de baixo risco e confortável, estando o passivo oneroso sobre controle.

Uma empresa pode ter uma dívida grande desde que possua um fluxo de caixa forte, ou seja, desde que seu EBITDA seja alto e crescente ao longo dos anos. Nesta situação torna-se vantajoso assumir mais dívidas para financiar um projeto de expansão alavancando o seu crescimento, mas esses investimentos precisam gerar maiores receitas no futuro, caso contrário os juros e encargos irão corroer o lucro e prejudicar a liquidez da empresa e o crescimento do seu patrimônio líquido.

Assim, desde que o ROE seja alto, e esteja sendo mantido alto ao longo dos trimestres, e o grau de alavancagem financeira esteja sendo mantido acima de 1 essa alavancagem será positiva para a empresa, pois o endividamento estará gerando retornos maiores e, portanto, estará aumentando o seu EBITDA e o seu patrimônio líquido.

Por outro lado, uma empresa pode usar esses novos empréstimos para pagar ou refinanciar dívidas assumidas anteriormente, o que é um sinal ruim, pois essa alavancagem é negativa. Caso o grau de alavancagem financeira estiver abaixo de 1 e a empresa estiver apresentando um ROE baixo e em tendência de queda ao longo dos trimestres essa alavancagem será ruim para a empresa, pois o seu endividamento oneroso estará consumindo mais recursos do que gerando receitas e, portanto, estará depreciando o seu patrimônio líquido. Logo, uma situação em que a dívida líquida é crescente ao longo dos trimestres sendo o EBITDA e o ROE decrescentes é ruim, principalmente se o GAF estiver abaixo de 1.

"Não há nada de errado em correr riscos; desde que não se arrisque tudo".
George Soros

Dívida Líquida / Patrimônio Líquido - Este indicador mostra o quanto a dívida líquida representa em relação ao patrimônio líquido da empresa. Um valor de 40% indica que a empresa possui uma dívida líquida equivalente a 40% do seu patrimônio líquido, portanto, quanto menor melhor. Em média valores até 50% são considerados níveis de endividamento saudáveis e aceitáveis, contudo, cada setor possui um determinado perfil de endividamento médio. Valores acima de 100% indicam que a empresa não possui a totalidade dos recursos necessários para pagar todos os seus empréstimos e financiamentos, o que é um péssimo sinal, pois indica que as dívidas são superiores ao capital dos acionistas e que a empresa está financiando parte do seu ciclo operacional através dos recursos de terceiros, o que aumenta o risco e reduz a sua liquidez.

Empresas que aceitam trabalhar com uma elevada relação de endividamento sobre o patrimônio possuem uma estratégia agressiva de financiar o seu próprio crescimento. Geralmente, práticas de alavancagem agressivas são frequentemente associadas a altos níveis de risco. Contudo, o fato de uma empresa possuir uma dívida maior em relação à outra não significa necessariamente uma pior situação financeira.

Ao financiar as suas operações e/ou o crescimento destas com o capital de terceiros, ou seja, através do aumento do endividamento, a empresa acredita que no futuro os investimentos realizados poderão gerar receitas superiores aos custos deste, sendo suficientes para pagar os juros e as parcelas dessa dívida. Caso essa alavancagem seja positiva haverá aumento do EBITDA e do ROE, gerando consequentemente um aumento do patrimônio líquido. Contudo, caso essa alavancagem seja negativa os custos dessa dívida irão reduzir o EBITDA e o ROE, depreciando consequentemente o patrimônio líquido.

"Se os experts do mercado de ações fossem tão espertos, eles estariam comprando ações e não vendendo conselhos".
Norman R Augustine

Dívida Líquida / EBITDA - Este indicador mostra quantos anos a empresa levará para gerar lucros operacionais suficientes para pagar toda a sua dívida líquida proveniente de empréstimos e financiamentos. Mensura a capacidade de geração de lucro operacional da empresa em relação aos empréstimos que contraiu. Portanto, quanto menor melhor, pois maior será o potencial da empresa de geração de lucro EBITDA a partir de sua dívida líquida. Em média valores até 4 são considerados aceitáveis. Valores acima de 4 indicam que empresa se encontra em uma situação de geração de caixa operacional bastante desafiadora em relação aos seus compromissos financeiros, o que implica num risco maior.

Quanto menor for esse indicador maior será a capacidade da empresa em honrar seus compromissos junto a seus credores. Nos casos em que o seu valor fica abaixo de 1 o EBITDA anual gerado pela empresa supera a sua dívida líquida, indicando uma situação financeira de baixo risco e confortável, estando o passivo oneroso sobre controle. Por outro lado, valores acima de 4 indicam alavancagem excessiva e/ou dificuldade de geração de caixa, o que implica em riscos financeiros maiores devido a baixa capacidade de geração de lucro EBITDA em relação à dívida líquida que a empresa possui. A redução desse indicador ao longo dos trimestres pode ser visto como um bom sinal, pois indica que a empresa está reduzindo a sua dívida onerosa e/ou obtendo lucros operacionais maiores o que aumenta a sua capacidade de cobertura de dívida.

Diante disso, é importante avaliar se a Empresa tem conseguido manter uma relação Dívida Líquida/EBITDA menor do que 4 à medida que os Passivos crescem ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o Lucro EBITDA e a Dívida Líquida.

"O dinheiro não modifica o homem, apenas o desmascara".
Henry Ford

Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL) - O Índice de imobilização do Patrimônio Líquido indica quanto do Patrimônio Líquido da empresa está aplicado no Ativo Imobilizado, ou seja, o quanto do Ativo Imobilizado da empresa é financiado pelo seu Patrimônio Líquido, evidenciando dessa forma uma maior ou menor dependência de recursos de terceiros para manutenção do negócio. Quanto menor o percentual melhor. Para indústrias e outros setores que necessitam grandes investimentos em estoques, matérias primas e outros ativos, valores até 70% podem ser aceitáveis. Contudo, para setores como o de serviços, TI e varejo, o ideal são valores abaixo de 50%.

Assim, se uma empresa apresenta um IPL de 40% isso significa que a cada R$ 100,00 em seu patrimônio R$ 40,00 estarão investidos em bens que não possuem uma liquidez imediata, ou seja, imobilizado em imóveis, veículos, materiais, etc. Quanto menor for o Índice de Imobilização maior agilidade e capacidade a empresa terá para usar seu patrimônio a fim de honrar seus compromissos sem haver a necessidade de recorrer a empréstimos e, consequentemente, ser obrigada a pagar juros e parcelas, o que aumentaria a sua alavancagem financeira, ou seja, aumentaria ainda mais o seu endividamento.

O ideal é que as empresas imobilizem a menor parte possível de seus recursos próprios. Quanto mais a empresa investir no Ativo Imobilizado mais ela se torna dependente de capitais de terceiros para o seu capital de giro. Havendo a real necessidade de investimentos no ativo imobilizado, a empresa deverá buscar financiamentos a longo prazo, cujas taxas de juros tendem a serem menores em razão dos bens financiados servirem como garantia. Assim, o Ativo Imobilizado deve ser financiado pelo Patrimônio Líquido, pois são recursos próprios que também estão "permanentes" na empresa, ou por Financiamentos de Longo Prazo.

Convém observar que um elevado grau de imobilização do capital próprio pode comprometer a liquidez da empresa. O ideal em termos financeiros é a empresa dispor de Patrimônio Líquido suficiente para cobrir o Ativo Imobilizado e ainda sobrar uma parcela suficiente para financiar o Ativo Circulante (capital circulante próprio). Por suficiente entende-se que a empresa deve dispor da necessária liberdade de comprar e vender sem precisar recorrer o tempo todo a financiamentos de curto prazo. Quanto mais a empresa investir no Ativo Imobilizado menos recursos próprios sobrarão para o Ativo Circulante e, consequentemente, maior será a dependência de Capitais de Terceiros para o financiamento do Ativo Circulante. Todavia, o endividamento de longo prazo não deve superar o total do patrimônio líquido.

Portanto, quando o Patrimônio Líquido é menor do que o Ativo Imobilizado, as imobilizações absorvem integralmente o capital próprio, consumindo ainda o capital de terceiros, pois o capital de giro necessário para o ciclo operacional da empresa fica descoberto e dependente do capital de terceiros, os quais oneram a empresa. É uma situação que além de arriscada torna o ciclo operacional mais caro, reduz a liquidez da empresa e tende a diminuir o ROE e os lucros.

Quanto maior o grau de imobilização do patrimônio líquido maior é a alavancagem financeira da empresa. O melhor é que as empresas imobilizem a menor parte possível de seus recursos próprios. Assim, não dependerão tanto de capitais alheios para a movimentação de seus negócios. Deve-se ficar atento para os casos em que a empresa possuir financiamentos de longo prazo para novos investimentos como, por exemplo, expansão e modernização de seu parque. Nesses casos o Índice IPL poderá apresentar-se em níveis muito elevados, contudo, tais investimentos poderão render maiores retornos no futuro, podendo ser considerados positivos caso aumentem o ROE e proporcionem um GAF maior que 1. A política de obtenção das fontes de financiamentos revela a decisão administrativa correta dos empresários, desde que a maior partes desses investimentos sejam financiados por capitais de terceiros amortizáveis a longo prazo.

É importante avaliar se a Empresa consegue manter baixos níveis de IPL à medida que o Passivo cresce ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o Ativo Permanente e o Patrimônio Líquido.

"Assim como Buffett, eu tinha paixão pela riqueza. Mas não para andar de Ferrari; eu queria mesmo a independência."
George Soros

Imobilização dos Capitais Permanentes (ICP) - Indica o grau de imobilização dos recursos permanentes (de longo prazo) da empresa, isto é, o percentual desses recursos que está financiando o ativo imobilizado, evidenciando, dessa forma, uma maior ou menor dependência de recursos de terceiros para manutenção dos negócios. Se o resultado desse Índice for 65%, isso significa que 65% do capital de longo prazo está alocado no ativo imobilizado, estando o restante financiando o capital de giro (ativo circulante). Se o Índice apresentar um resultado superior a 100% indica que o Patrimônio liquido e o passivo não circulante não são suficientes para cobrir os investimentos em ativos imobilizados. Nessa situação conclui-se que o passivo circulante (dívidas de curto prazo) está financiando uma parte dos investimentos permanentes, o que revela um sinal de desequilíbrio financeiro e problemas de liquidez. O ideal são valores abaixo de 50%.

Os elementos do Ativo Imobilizado têm vida útil que pode ser de 2, 5, 10 ou 50 anos. Assim, não é necessário financiar todo o Imobilizado com Recursos Próprios. É perfeitamente possível utilizar recursos de Longo Prazo, desde que o prazo seja compatível com o de duração do Imobilizado, ou então que o prazo seja suficiente para a empresa gerar recursos capazes de resgatar as dívidas de Longo Prazo.

Logo, para uma empresa é prejudicial possuir investimentos em ativos permanentes superiores aos recursos disponíveis de longo prazo, ou seja, recursos de passivo não circulante e patrimônio líquido. Valores acima de 100% significam que a empresa está investindo em bens de capital, os quais são utilizados na produção de bens e têm retorno no longo prazo, com financiamentos que vencerão no curto prazo (dentro de 12 meses), um sinal de alavancagem financeira ruim e de alto risco que prejudica a liquidez e a rentabilidade.

É importante avaliar se a Empresa consegue aumentar seu Patrimônio Líquido e ao mesmo tempo manter bons níveis de ICP ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre Ativo Permanente e Passivos não Circulantes e PL.

"A alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita".
Mahatma Gandhi

Ao analisar o endividamento é primordial observar se a empresa está recorrendo a dívidas como um complemento sobre os capitais próprios para realizar aplicações produtivas no seu ativo (ampliação, expansão, modernização, etc.), o que pode ser considerado um endividamento sadio, ainda que elevado, pois as aplicações produtivas deverão gerar recursos para saldar os compromissos assumidos e aumentar o ROE, ou, se a empresa por não conseguir gerar recursos suficientes vem recorrendo a dívidas para pagar outras dívidas que estão vencendo e para financiar o seu capital de giro, situação deficitária em que o endividamento é prejudicial e deteriora o patrimônio líquido.

Investidores pagam menos por firmas que geram lucros com alavancagem. Existem boas explicações para isso, a mais plausível é que o endividamento aumenta o risco de que a companhia seja afetada por uma queda cíclica. Esse risco é descontado no preço que os investidores estariam dispostos a pagar por lucros futuros. Colocando isso de uma maneira mais clara, com o aumento das dívidas aumentam as possibilidades de falência, logo, os investidores são mais cautelosos sobre o preço que estão dispostos a pagar por esse papel.

Os principais indicadores de uma situação pré-falimentar, ou mesmo, de falência iminente de uma empresa são um elevado nível de endividamento, principalmente de curto prazo e oneroso, dificuldade de gerar caixa com as atividades operacionais, ou seja, lucro operacional e lucro líquido baixos e/ou em tendências decrescentes ao longo dos trimestres, expressiva perda de participação de mercado (tendência de queda na receita líquida e margem líquida), baixos ROE e ROA, patrimônio líquido declinante e envolvimento em grandes escândalos de fraudes, de corrupção e de desvios.

Buffett deixa claro a sua antipatia por dívida, sua aversão por endividamento excessivo. Ele considera que "sem a ajuda de alavancagem (grande dependência do capital de terceiros) boas decisões, tanto de investimento quanto no gerenciamento do negócio, resultarão em um desempenho perfeitamente satisfatório". Sua antipatia por dívida vem do altíssimo risco corrido por companhias altamente alavancadas em épocas de retração econômica.

Embora ele não sugira quais seriam os níveis de endividamento aceitáveis, a posição do Buffett se resume na afirmação de que uma boa empresa deveria ter a capacidade de produzir um bom retorno sem contrair uma grande dívida. Em contrapartida, companhias que dependem de endividamento significativo para obter um bom retorno deveriam ser tratadas com suspeição.

Conforme fora dito anteriormente, a maioria dos investidores acredita que o crescimento é sempre bom para uma empresa por mantê-la competitiva, expandir seus lucros e sua participação no mercado. Mas é preciso entender que o crescimento da empresa implica no crescimento de seu endividamento, o qual deve ser mantido sobre controle para que os lucros e o patrimônio líquido não sejam erodidos com o passar do tempo e seu futuro seja comprometido. Assim, o crescimento também deve acontecer de maneira controlada e sob constante planejamento. Um crescimento rápido traz vários problemas para a empresa além do endividamento.

"Cada fracasso ensina ao homem algo que ele precisava aprender".
Charles Dickens

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Análise Financeira de Bancos e Financeiras

O setor de bancos e financeiras apresenta um padrão contábil diferente dos demais setores e, tendo em vista que seus ativos são provenientes predominantemente de depósitos de seus clientes, o risco do crédito e o risco de liquidez afetam profundamente o setor. As fontes de recurso dos bancos são principalmente os depósitos dos clientes, os empréstimos recebidos e os recursos próprios (capital e reserva). As principais receitas provem dos serviços de intermediação financeira e demais produtos vendidos e, principalmente, do spread bancário, que é a diferença entre a taxa de juros cobrada nos empréstimos aos seus clientes e a taxa paga pelo banco aos seus depositantes e outros credores. Com relação aos custos das instituições financeiras, estes podem ser financeiros e administrativos.

As instituições financeiras captam recursos através de depósitos de clientes, empréstimos de outros bancos, de acionistas, e de recursos próprios como capital e reservas, que são considerados suas fontes de recursos (passivos). Após serem captados esses recursos são convertidos em (ativos) como empréstimos, títulos de valores mobiliários, disponibilidades, etc. Portanto, as maiores "dívidas" bancárias são os próprios depósitos dos clientes, os quais são utilizados pelo banco para investimentos produtivos. Ou seja, os bancos compram dinheiro através de depósitos e vendem dinheiro através de empréstimos.

Portanto, as captações de um banco são classificadas como depósitos e registradas como passivos e as aplicações são classificadas como operações e registradas nos ativos. Ou seja, no ativo estão relacionados os empréstimos concedidos. Quando concede um empréstimo, o banco passa a ter direito de ter o recurso em algum momento do futuro. No passivo estão relacionados os depósitos captados. Quando alguém faz um depósito, o banco assume o compromisso de devolver esse recurso em algum momento no futuro. Se o crescimento dos depósitos for baixo o banco terá que encontrar uma outra fonte de recursos mais cara. Da mesma forma, se a taxa de crescimento de empréstimos for baixa será mais difícil para o banco ganhar um spread considerável em cima do dinheiro que controla.

Diferente das demais empresas, o padrão contábil dos bancos não divide os Ativos e Passivos em circulante e não circulante. Ao invés disso, todos os Ativos são agrupados juntos e classificados em ordem decrescente de liquidez, ou seja,  de acordo com a facilidade ou o tempo em que podem ser convertidos em dinheiro, sendo os Passivos agrupados da mesma forma.

Além disso, os ativos e os passivos financeiros são avaliados ao valor justo (valor de mercado) para aqueles originados para gerar resultado no período do balanço e/ou que serão negociados nele,  ou, são avaliados ao custo amortizado para aqueles que serão negociados futuramente ou mantidos até o vencimento, o qual tem prazo superior ao período do balanço.

1.0 - Ativo Total - São registrados todos os valores positivos (bens e direitos) em poder da instituição financeira, bem como aqueles que lhe pertencem. Subdivide-se em ordem de liquidez em: 

1.01 - Caixa e Equivalentes de Caixa - Consistem nas contas mais líquidas dos bancos, sendo constituídas Caixa (recursos que estão disponíveis para saques), pelas Reservas Livres (recolhimento compulsório em espécie feito junto ao Banco Central), pelas Disponibilidades em Moeda Estrangeira, Aplicações em Ouro e pelas Aplicações Interfinanceiras de Liquidez, que são recursos aplicados com o intuito de cobrir deficiências de disponibilidades que possam vir a existir. 

Por meio dessas aplicações os bancos geram receita utilizando seus ativos sem abrir mão de liquidez.  Assim sendo, tais operações podem ser consideradas como uma modalidade de empréstimos entre bancos e ocorrem no mercado aberto.

1.02 Ativos Financeiros - Nesta conta são agrupados títulos públicos e privados e valores mobiliários pertencentes ou em posse do banco (carteira própria), bem como os depósitos compulsórios do banco no banco central, os depósitos interfinanceiros aplicados em outros bancos (compensação de cheques, pagamentos e recebimentos), as transferências de recursos que ocorrem internamente a uma mesma instituição bancária (relações interdependência) e as suas operações de crédito (empréstimos concedidos e provisões para perdas). 

Os Títulos e Valores Mobiliários incluem as ações, as debêntures e os derivativos financeiros (contratos a termo, opções e swaps), além de registrar também as operações compromissadas e os títulos privados de renda fixa. 

As Operações de Crédito registram os Empréstimos e Financiamentos feitos pelo banco, bem como as Provisões para Perdas Esperadas Associadas ao Risco de Crédito (PDD) realizadas junto ao banco central como forma de garantia, as Operações de Arrendamento e suas provisões para perdas e os demais créditos. 

Nas operações de arrendamento são registradas as operações de leasing, frequentemente utilizadas pelas empresas para aquisição de bens para composição do ativo imobilizado, uma vez que estes bens, via de regra, demandam muitos recursos, sendo na sua essência, uma operação de financiamento de bens.  Também são registradas as provisões para o risco de crédito em operações de arrendamento.

Dentre os Ativos Financeiros essa é a conta que apresenta menor liquidez. O risco de inadimplência que essa conta envolve consiste na principal fonte de risco de crédito do banco. Desde que o total de depósitos seja substancialmente superior, o crescimento das operações de crédito pode ser visto como um bom sinal.

Por último, os Demais Créditos que incluem a Carteira de Câmbio do banco, na qual são contabilizadas as compras de moeda estrangeira a liquidar, os instrumentos à prazo em moeda estrangeira negociados pela instituição, os empréstimos em moeda estrangeira. Assim sendo, percebe-se que as operações registradas em Outros Créditos são diferentes das registradas na conta Operações de Crédito, pois apresentam uma dinâmica diferente, vinculada ao câmbio.

1.03 - Tributos - Incluem os créditos tributários  decorrentes de prejuízo fiscal de imposto de renda.

1.04 - Outros Ativos - Demais bens e direitos.

1.05 - Investimentos - Incluem as participações societárias de caráter permanente em outras empresas e outros direitos, tais como Investimentos no Exterior e Aplicações no Imobilizado de Uso.

1.06 - Imobilizado - Estão registrados os bens destinados às operações da companhia, bem como os bens de uso futuro e as despesas com depreciação.

1.07 - Intangível - Registra os ativos intangíveis como marcas, patentes e direitos, as despesas com amortização e o patrimônio de marca (goodwill).


"Um dia, quando olharmos para trás, os anos de luta nos parecerão os mais bonitos."
Freud

2.0 - Passivo Total - São registrados todos os valores negativos (obrigações) da instituição financeira, ou seja, todos os recursos obtidos de terceiros e os próprios (Patrimônio Líquido) e subdivide-se em ordem de liquidez em:

- Depósitos - Registram os totais da captação do banco sob a forma de depósitos de pessoas físicas e jurídicas. O seu crescimento pode ser visto como um bom sinal.

- Captações no Mercado Aberto - Registram os depósitos a prazo da instituição, os quais reúnem os valores de resgate das operações lastreadas com títulos do banco, dos governos e de outras instituições. Incluem as Letras Financeiras do Tesouro, Letras do Tesouro Nacional, Letras do Banco Central, CDB´s, títulos estaduais e municipais, além da carteira própria, de terceiros e outras captações.

- Recursos Interfinanceiros - Registram depósitos interfinanceiros de outros bancos aplicados no banco (compensação de cheques, pagamentos e recebimentos), obrigações  vinculadas com o BC, recursos obtidos junto a outras instituições no país e no exterior.

- Recursos de Aceites e Emissão de títulos - Registram captações efetuadas pelos bancos mediante a emissão de letras de câmbio, debêntures, letras hipotecárias e imobiliárias, obrigações por títulos e valores no exterior e outros.

- Relações Interdependências - Registram as transferências de recursos que ocorrem internamente a uma mesma instituição bancária. 

- Instrumentos Financeiros Derivativos - Registram as despesas incorridas decorrentes de operações de swap, de termo, e demais operações no mercado futuro.

- Outras Obrigações - São as dívidas a diversos credores, como dívidas fiscais, previdenciárias, sociais e estatutárias, câmbio, cobrança e arrecadação de tributos.

2.07 - Patrimônio Líquido - O patrimônio líquido dos acionistas representa a diferença entre o ativo total e o passivo total, indicando os recursos próprios do banco. Uma instituição financeira pode ser considerada solvente quando o valor de seus ativos superar o valor de seus passivos, formando um excedente definido por patrimônio líquido. Quanto maior for o Patrimônio Líquido de um banco mais condições a instituição possui para realizar operações financeiras, portanto, o ideal é o seu crescimento ao longo dos trimestres. Caso o patrimônio líquido da instituição se torne negativo, o Banco Central pode decretar a sua liquidação extrajudicial.

2.07.01 - Capital Social Realizado - Registra o aumento/redução de capital e os investimentos realizados pelos sócios e lucros não pagos e incorporados ao capital social.

2.07.02 - Reservas de Capital - Valores recebidos por sócios ou terceiros que não se referem à prestação de serviços ou venda de produtos. Exemplo: ágio na emissão de capital. 

2.07.04 - Reservas de Lucro - Lucros gerados pela empresa e retidos por diversas razões. Se possuir uma taxa crescente e consistente é um dos indicadores de uma boa empresa. Os lucros retidos simplesmente medem a quantidade de capital que a companhia recebeu através de seus ativos. É com esta parcela que calcularmos o retorno da companhia.

2.07.08 - Lucros/Prejuízos Acumulados - Esta conta indica o acúmulo de lucros (ou prejuízos) de exercícios precedentes.

"O destino não é uma questão de sorte, é uma questão de escolha, não é algo a se esperar, é algo a se conquistar."
William Jennings Bryan


Assim como nas demais empresas, o patrimônio líquido é fundamental na avaliação da situação econômica das instituições financeiras, pois ainda que existam problemas de qualidade nos ativos ou a perda de depósitos, estes poderão ser suportados, até determinado limite, quando há um adequado nível de patrimônio líquido. Credibilidade ao mercado vem da liquidez da instituição, ou seja, da sua capacidade de pagamento e da segurança em suportar os riscos envolvidos e absorver as possíveis perdas. A diminuição ou o comprometimento do patrimônio líquido, independentemente da causa, demonstra problemas na situação econômica e consequente aumento de exposição ao risco. 

"Seja paciente e ignore modismos. Foque no valor e não entre em pânico."
Eddy Elfenbein

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) dos bancos também obedece a um padrão contábil próprio. Os depósitos representam as maiores fontes de recursos dos bancos e as intermediações financeiras e as prestações de serviços representam as suas maiores receitas, obtidas predominantemente da concessão de créditos a partir dos recursos captados. Já as despesas são predominantemente decorrentes da intermediação financeira (juros) e operacionais. Os principais benchmarks das instituições financeiras são o nível da taxa de juros, o nível do spread, os custos dos depósitos e a qualidade e rentabilidade da sua carteira crédito.

3.01 - Receitas da Intermediação Financeira - Total das Receitas provenientes dos juros de créditos concedidos, do resultado da carteira de títulos e valores mobiliários, bem como o acréscimo do resultado das operações de câmbio, de seguros, de títulos e valores mobiliários e aplicações compulsórias. O crescimento das receitas das operações de crédito, de arrendamento mercantil, com títulos e valores mobiliários e de câmbio ao longo dos trimestres é um ótimo sinal, visto que a instituição está conseguindo não só aumentar as suas receitas mas também está conquistando uma maior participação no setor. 

O cenário ideal seria o crescimento da Receita de Intermediação Financeira numa proporção superior ao crescimento das Despesas de Intermediação Financeira ao longo dos trimestres, apresentando tendência de alta, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento das Despesas. Das Receitas da Intermediação Financeira são abatidas as 3.02 Despesas da Intermediação Financeira, chegando-se ao 3.03 Resultado Bruto Intermediação Financeira ou Lucro Bruto.

3.02 - Despesas da Intermediação Financeira - Total das despesas com juros pagos sobre as captações efetuadas e sobre os depósitos, acrescido dos juros de provisões técnicas de seguro, provisões para crédito de liquidez duvidosa entre outros.

3.03 - Resultado Bruto Intermediação Financeira ou Lucro Bruto - Indica a lucratividade do faturamento dos serviços de intermediação financeira, sem ainda considerar as receitas/despesas administrativas, comerciais e operacionais, mostrando a viabilidade do negócio. O cenário ideal seria a geração e o crescimento do Lucro Bruto ao longo dos trimestres, apresentando tendência de alta, numa proporção maior do que o crescimento das Despesas Operacionais, indicando uma boa relação entre o crescimento dos Lucros e o crescimento das Despesas. E, caso a empresa consiga gerar Receitas Operacionais superiores às Despesas Operacionais melhor ainda. Do Resultado Bruto Intermediação Financeira são subtraídas/adicionadas as 3.04 Despesas/Receitas Operacionais, chegando-se então ao 3.05 Lucro Operacional. 

3.04 - Despesas/Receitas Operacionais - Resultado apurado após a contabilização das Receitas de Prestação de Serviços e das Receitas Operacionais, abatidas as Despesas Tributárias referente aos serviços prestados e as Despesas Operacionais (gastos necessários à comercialização, vendas e administração). O crescimento das receitas operacionais e de prestação de serviços deve ser a meta de toda instituição financeira e o cenário ideal é que esse crescimento seja superior ao crescimento das despesas.

3.05 - Resultado Operacional - O Lucro Operacional mostra capacidade de geração de resultados proveniente das operações normais da empresa, ou seja, seu potencial de gerar riqueza em decorrência de suas características operacionais. Altos custos operacionais fixos e endividamento alto podem produzir bastante volatilidade nos lucros, pois uma queda nas vendas ou um aumento no custo de capital irão afetar diretamente os lucros. Do Lucro Operacional é contabilizado o 3.06 Resultado Não Operacional chegando-se ao 3.07 Resultado Antes da Tributação/Participações.

3.06 - Resultado Não Operacional - As receitas e as despesas não operacionais são as oriundas de atividades que não estão relacionadas com o dia a dia da Empresa, ou seja, com suas atividades operacionais. Podem ser decorrentes da venda de ativos imobilizados, tais como máquinas, equipamentos, imóveis (ganhos ou perdas de capital), de juros de empréstimos concedidos a controladas, de aluguel de ativos não operacionais, de prejuízos com títulos, ganhos e perdas em ações judiciais, etc. O resultado não operacional é extraordinário, raro, não recorrente, e por consequência, não se espera que se repita no futuro. Portanto, é importante avaliar o impacto do resultado não operacional sobre o lucro/prejuízo líquido da empresa.

3.07 - Resultado Antes Tributação/Participações - Do Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro é abatido o 3.08  Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro, o 3.09 IR Diferido e as 3.10 Participações/Contribuições Estatutárias, chegando-se ao Resultado Líquido do Período. As Participações/Contribuições Estatutárias representam parcelas dos lucros destinadas a empregados, diretores, debenturistas ou a portadores de partes beneficiárias.

3.11 -  Lucro/Prejuízo Consolidado do Período ou Lucro Líquido - Refere-se ao Resultado Líquido apontado na Demonstração de Resultado do Exercício. Havendo lucro, esse será incorporado ao patrimônio líquido e, havendo prejuízo, esse será debitado do patrimônio líquido.


"O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência."
Nelson Rodrigues

A análise através de indicadores deve ser ajustada especificamente para o setor financeiro que, além disso, apresenta indicadores de liquidez, de endividamento e de rentabilidade próprios. Abaixo estão listados os indicadores próprios para as empresas do setor de bancos e financeiras, bem como os indicadores tradicionais cuja fórmula precisa ser ajustada para o setor.


Indicadores de Preço

No caso específico das instituições financeiras o indicador enterprise value não é utilizado em razão da expressiva alavancagem financeira apresentada por estas instituições, o que inviabiliza o seu cálculo. Já os demais indicadores de preço podem ser utilizados normalmente, sendo o PSR adaptado para o padrão contábil do setor bancário.

• Preço sobre Vendas - PSR - Este indicador compara o preço de mercado da ação do banco com as Receitas da Intermediação Financeira. Representa o quanto o mercado está disposto a pagar pela ação para cada R$ 1,00 que o banco recebe em receitas da intermediação financeira anuais (fórmula ajustada para instituições financeiras). Indica também quantos anos a instituição leva para gerar em receitas de intermediação o seu valor de mercado.


Valores desse indicador quando muito abaixo da média histórica, desde que os demais fundamentos sejam atraentes, poderiam indicar subvalorização pelo Mercado. Inversamente, valores muito acima da média histórica poderiam indicar sobrevalorização pelo Mercado.

Indicadores de Rentabilidade

As decisões empresariais tomadas tanto no mercado acionário como no mercado de crédito são altamente influenciadas pelos indicadores de rentabilidade. Os indicadores de rentabilidade expressam os efeitos da liquidez, do endividamento e da gestão de ativos sobre os resultados e receitas da instituição, sem, contudo, ignorar a inter-relação e a interdependência das variáveis analisadas. Diante disso, além dos indicadores LPA, ROE, ROA, Dividend Yield e Pay Out também existem indicadores próprios para a análise do setor.

• Giro do Ativo - Este indicador mede o volume de Receitas da Intermediação Financeira em relação ao Ativo Total evidenciando o nível de eficiência com que são utilizados os recursos aplicados, ou seja, a produtividade dos investimentos totais (ativo total) (fórmula ajustada para instituições financeiras). Indica o quanto de Receitas da Intermediação Financeira cada R$ 1,00 de ativo gera e, portanto, quanto maior melhor, pois maior será o potencial de geração de Receitas da Intermediação Financeira anual a partir do total dos seus ativos.

É importante avaliar se a Empresa tem conseguido gerar o crescimento do Ativo Total e, principalmente, se esse crescimento tem contribuído para a geração de um Giro do Ativo alto e para a geração de uma Receita de Intermediação Financeira alta e crescente, indicando uma boa relação entre o crescimento dos Ativos e o crescimento das Receitas.

• Margem Financeira - Representa a margem de lucro bruto do Banco. Ou seja, demonstra percentualmente o quanto de cada R$ 100,00 de receita de intermediação financeira permaneceu na empresa na forma de lucro bruto após abater apenas as despesas de intermediação financeira, mostrando a performance financeira. Portanto, quanto maior melhor.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Financeira alta juntamente com o crescimento do Lucro Bruto, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento dos Lucros.

• Margem Operacional - Representa o percentual de lucro operacional gerado sobre as receitas de intermediação financeira. Assim, se o resultado for 15, por exemplo, isso significa que de R$ 100,00 recebidos R$ 15,00 são retidos na forma de lucro operacional. Portanto, quanto maior melhor. Cabe ressaltar que o EBITDA não deve ser utilizado para bancos, devendo-se utilizar o lucro operacional.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Operacional alta juntamente com o crescimento do Lucro Operacional, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento dos Lucros.

• Margem Líquida - Representa o percentual de lucro líquido gerado sobre as receitas de intermediação financeira. Assim, se o resultado for 15, por exemplo, isso significa que de R$ 100,00 recebidos R$ 15,00 são retidos na forma de lucro líquido. Logo, se compararmos duas empresas, aquela que apresentar maior margem líquida será a mais lucrativa.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Líquida alta juntamente com o crescimento do Lucro Líquido, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento dos Lucros.

• Juros Passivos – Relação entre a despesa de intermediação financeira anual e o passivo total mantido pelo banco. Representa o custo anual das fontes de financiamento do banco, logo, quanto menor melhor.


É importante avaliar se a empresa tem conseguido manter baixos valores de Juros Passivos à medida que os Passivos aumentam ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o crescimento dos Passivos e o crescimento das Despesas de Intermediação Financeira.

• Índice de Eficiência - A eficiência bancária indica o quanto o banco gasta com despesas operacionais para cada real de Receita de Intermediação Financeira que recebe. Quanto menor seu percentual melhor o desempenho operacional da instituição. O ideal são valores abaixo de 50%.


Atualmente a variedade dos serviços prestados pelos bancos, além dos de intermediação financeira, tais como seguros, previdência, plano de saúde, dentre outros, vêm se tornando cada vez mais uma grande fonte de receitas operacionais. Uma tendência de queda neste indicador ao longo dos trimestres indica melhoria na rentabilidade operacional e/ou redução dos custos operacionais do banco. Por outro lado, uma tendência de alta indica uma redução da rentabilidade e/ou aumento dos custos operacionais.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar o crescimento da Receita de Intermediação Financeira numa proporção maior do que o crescimento das Despesas Operacionais, juntamente com baixos valores no Índice de Eficiência, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento das Despesas.

• Retorno das Operações de Crédito - Relação entre as receitas financeiras anuais provenientes das operações de crédito e o valor dos empréstimos concedidos. Indica o percentual de retorno dos empréstimos concedidos pelo Banco. Quanto maior melhor. As operações de crédito realizadas pelos bancos podem ser empréstimos, títulos descontados (desconto de duplicatas) e financiamentos.


Com relação aos retornos de uma instituição financeira, em razão do grande volume de dinheiro captado as instituições financeiras administram uma grande alavancagem em relação às empresas de outros setores. Diante disso, os valores do Giro do Ativo e do Retorno do Ativo (ROA) das instituições financeiras costumam ser mais baixos em comparação, porém, incidem sobre um volume muito maior de ativos, gerando assim, desde que positivos, resultados nominais expressivos. Assim, em razão da alavancagem, as instituições financeiras geram retornos sobre o patrimônio líquido (ROE) muito maiores do que seus retornos sobre ativos (ROA), bem como Giros do PL muito superiores aos Giros do Ativo.

É importante avaliar se a empresa tem sido capaz de gerar e manter um alto Retorno das Operações de Crédito à medida que suas operações de crédito crescem, indicando uma boa relação entre o volume das Operações de Crédito e as Receitas das Operações de Crédito.

• Giro do PL – Relação entre as receitas de intermediação financeira e o patrimônio líquido. Indica quantas vezes o capital próprio se transformou em receitas para o banco nos últimos 12 meses, ou seja, o quanto de Receitas da Intermediação Financeira cada R$ 1,00 de patrimônio líquido gera e, portanto, quanto maior melhor.

É importante avaliar se a Empresa está conseguindo gerar o crescimento da Receita de Intermediação Financeira, bem como um Giro do PL alto ao longo dos trimestres, indicando eficiência no uso e, consequentemente, na rentabilização do capital próprio.

• Spread Total – O spread gerado na atividade de intermediação financeira representa parte considerável do resultado de instituições financeiras. Representa a diferença entre a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras nos seus empréstimos e os seus custos financeiros de captação dos recursos, sendo um dos componentes da definição dos juros a serem cobrados pelos bancos. Basicamente é a diferença entre o retorno das operações de crédito e o custo de captação. Portanto, quanto maior melhor. Spreads altos estão associados a ativos de alta qualidade e maior eficiência bancária, indicando menores despesas e/ou maiores receitas. Por outro lado, baixos spreads estão relacionados a ineficiência e a um maior custo de captação.

Spread Total = Retorno das Operações de Crédito - Custos de Captação

Portanto, um spread alto indica uma boa relação entre os juros pagos sobre a captação e os juros recebidos sobre os empréstimos. É importante avaliar se a Empresa está conseguindo gerar um alto Retorno das Operações de Crédito e um baixo Custo de Captação, o que consequentemente irá gerar o aumento do Spread Total.

"Conheça bem o que você possui e saiba muito bem porque você possui isso."
Peter Lynch

Indicadores de Liquidez

A grave crise financeira de 2008 evidenciou que os requisitos regulatórios para bancos e demais instituições financeiras vigentes não eram suficientes. A falta de transparência, a fraca governança e as deficiências no controle da exposição de risco e de liquidez dos bancos permitiram um excesso de alavancagem dos agentes financeiros. Associado a isso o fato das tradicionais e renomadas agências de análise de crédito internacionais classificarem produtos altamente alavancados e títulos podres lastreados em hipotecas imobiliárias como risco de crédito extremamente baixo (AAA), os quais passaram a ser considerados como “junk bond” de um dia para o outro, aprofundou ainda mais a crise, obrigando o banco central americano (FED) a realizar inúmeras intervenções para socorrer grandes bancos e seguradoras.

Mesmo com todas as medidas de socorro, presenciou-se a liquidação do Lehman Brothers, um dos maiores bancos de investimento à época, com mais de 150 anos de história. Sua falência catalisou um colapso global da confiança e uma crise de crédito que resultou na maior depressão econômica desde a crise de 1929.

Em resposta à vulnerabilidade evidente da regulação do setor bancário, um novo conjunto de medidas foi divulgado ainda em 2008. O Acordo de Basileia III em sua essência exige novos padrões de gerenciamento de liquidez, limitando a capacidade dos bancos de se alavancarem. Apesar das instituições apresentarem na época níveis de reservas de capitais considerados sólidos, seus níveis de alavancagem excessivos acabaram por requerer um processo agudo de desalavancagem no momento mais severo da crise, contribuindo para a espiral negativa de preços dos ativos.

O Risco de Liquidez refere-se à possibilidade de desequilíbrios entre ativos negociáveis e passíveis exigíveis, ou seja, descasamentos entre obrigações a pagar e direitos a receber que possam afetar a capacidade de pagamento da instituição. O risco de liquidez no setor financeiro normalmente origina-se na dificuldade de captação de recursos para financiar os ativos, conduzindo, normalmente, ao acréscimo dos custos de captação, mas podendo implicar, também, numa restrição do crescimento dos ativos e na dificuldade de liquidação de obrigações para com terceiros, induzida por descasamentos significativos entre os prazos de vencimento de ativos e passivos, além de retiradas excessivas dos depositantes, seja por falta de confiança ou em razão de crises econômicas, o que reduz as disponibilidades e as margens para a concessão de empréstimos, prejudicando não só a liquidez como a rentabilidade da instituição. A capacidade de pagamento dos valores depositados pelos clientes é um dos fatores mais importantes numa instituição financeira. 

• Índice Basiléia - Mede o grau de alavancagem financeira de uma instituição financeira, a qual deve mantê-lo índice acima do patamar de 11% exigido pelo Banco Central. O Índice de determina a relação entre o capital próprio da instituição e o capital de terceiros (captações) que será exposto a risco por meio da carteira de crédito. Quanto menor for o valor, maior será a alavancagem do banco e, consequentemente, maior será o risco de insolvência. Por exemplo, se um banco possui Índice de Basiléia de 20%, significa que para cada R$ 100,00 emprestados o banco possui patrimônio de R$ 20,00. É importante avaliar se a instituição apresenta o capital mínimo para suportar os riscos dos empréstimos concedidos por ela, especialmente durante momentos de crise.

Por outro lado, valores de Basileia muito elevados sugerem baixa rentabilidade. Quando uma instituição financeira detém uma grande quantidade de capital próprio, muito superior a 11% do capital regulatório exigido, normalmente é sinal de que a instituição está exercendo atividades de menor risco que consequentemente geram baixas taxas de retorno.

• Liquidez Imediata – Relação entre caixa mais aplicações de liquidez e depósitos dos clientes. Indica a capacidade financeira imediata do banco em cobrir saques contra os depósitos de clientes. Portanto, quanto maior melhor. Valores mais elevados representam maior segurança financeira à instituição e aos clientes. O ideal são valores acima de 20%. As disponibilidades e as aplicações de liquidez são os ativos com a maior liquidez e são constituídos pelos encaixes bancário, aplicações em ouro e aplicações em CDI de curtíssimo prazo em outras instituições bancárias.


É importante avaliar se a empresa consegue aumentar as suas disponibilidades e aplicações interfinanceiras de liquidez à medida que os depósitos aumentam ao longo dos trimestres, de forma que consiga manter uma elevada Liquidez Imediata, indicando uma boa relação entre o volume de Depósitos e o volume das Disponibilidades e Aplicações Interfinanceiras de Liquidez.

• Empréstimos/Depósitos – Relação entre as operações de crédito e os depósitos. Indica o quanto a instituição emprestou para cada R$ 1,00 que captou em depósitos e, quanto maior for, maior será o saldo que o banco emprestou contra o que recebeu de captação e, portanto, maiores serão os riscos aos depósitos decorrentes da inadimplência dos devedores do banco. Valores muito altos, acima de 90%, são considerados ruins, devido à grande exposição do banco ao risco de inadimplência, à alta concentração em ativos de baixa liquidez (empréstimos) e à baixa cobertura oferecida aos empréstimos pelos depósitos. Por outro lado, valores muito baixos, abaixo de 50%, indicam ineficiência no uso dos ativos, visto que o retorno das operações de empréstimos normalmente é superior ao retorno das operações de investimentos.


Para atender sua finalidade de lucro os bancos tendem a efetuar mais empréstimos, o que reduz a liquidez para atender aos pedidos de resgates de seus depositantes. Dessa forma, maior volume de empréstimos traz retornos maiores e com isso maiores riscos à instituição, devendo o administrador definir um ponto de equilíbrio para suas reservas. Diante disso, é importante avaliar se a empresa consegue manter bons valores do Empréstimos/Depósitos à medida que o volume de empréstimos e o volume de depósitos aumentam ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre a concessão de empréstimos e o crescimento dos depósitos.

"Quando você investe, está comprando mais um dia em que não precisará trabalhar."
Aya Laraya

Indicadores de Endividamento

O endividamento elevado e a forte capacidade das instituições bancárias de administrar uma grande alavancagem é determinante na lucratividade e na rentabilidade do patrimônio líquido. Assim, um banco busca constantemente adquirir passivos (depósitos e custódias de ativos de seus clientes) a um custo baixo, de forma que disponha de maiores recursos e de maiores margens de garantia para conceder empréstimos e financiamentos (ativos) que lhe renderão maiores retornos, alavancando tanto as suas operações como os seus retornos, bem como os riscos, em especial de inadimplência, visto que é permitido que os bancos emprestem consideravelmente mais do que possuem em depósitos, em custódia e em patrimônio próprio.

O volume e a qualidade dos ativos administrados pelos bancos vão influenciar a situação econômico-financeira das instituições. O processo de insolvência pode surgir da incapacidade de os ativos gerarem receitas suficientes para cobrir as despesas, podendo ser consequência tanto do baixo volume operacional como da má qualidade dos ativos.  

Portanto, a maior parte do passivo de um banco pertence aos seus clientes e são utilizados nas suas operações (ativos) juntamente com o seu Patrimônio Líquido. Diante disso, não podem ser interpretados como dívidas para o cálculo dos indicadores de endividamento tradicionais, tais como Grau de Endividamento, Participação do Capital de Terceiros, Composição do Endividamento, Dívida Líquida/EBITDA, dentre outros, os quais não oferecem indicações significativas para o setor financeiro. Assim, existem indicadores de endividamento próprios para a análise do setor.

• Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL) – O índice de imobilização do Patrimônio Líquido indica quanto do Patrimônio Líquido do Banco está aplicado no Ativo Imobilizado, ou seja, o quanto do Ativo Imobilizado é financiado pelo seu Patrimônio Líquido de Referência, evidenciando dessa forma uma maior ou menor dependência de recursos de terceiros para manutenção do negócio. Quanto menor o percentual melhor. Quanto mais reduzido for o Índice de Imobilização, maior capacidade terá o banco para usar seu patrimônio a fim de honrar seus compromissos e como margem para a concessão de empréstimos. Por exemplo, se um banco possui Índice de Imobilização de 30%, significa que, a cada R$ 100,00 em seu patrimônio, R$ 30,00 estarão investidos em bens que não possuem uma liquidez imediata, ou seja, imobilizado em imóveis, veículos, materiais, etc. O índice máximo tolerado pelo Banco Central do Brasil é 50%.

É importante avaliar se a Empresa consegue manter baixos níveis de IPL à medida que os Ativos aumentam ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o Ativo Permanente e o Patrimônio Líquido, bem como o crescimento deste.

• Alavancagem - Relação entre o ativo total e o patrimônio líquido. Indica a proporção em que o ativo do banco está atrelado ao capital de terceiros (Passivos) em relação ao capital próprio do banco. Valores muito altos revelam baixa participação do capital próprio (Patrimônio Líquido) e uma elevada exposição a recursos de terceiros (grande alavancagem). Uma grande utilização de capitais de terceiros para financiar os ativos está relacionada a maiores riscos operacionais e financeiros, uma vez que o capital de terceiros é mais sensível às variações de mercado do que o capital próprio. Portanto, quanto menor melhor.


Valores altos de alavancagem, acima de 10 vezes o patrimônio próprio, apesar de indicarem maiores riscos devido à baixa cobertura dos ativos de terceiros pelo patrimônio líquido da instituição, desde que o retorno sobre o patrimônio líquido, o lucro líquido e o spread do banco sejam altos, essa alavancagem será benéfica, pois estará potencializando a rentabilidade do banco. Entretanto, diante de um cenário econômico ruim obviamente o banco estará exposto à um maior risco de insolvência. Diante disso, é importante avaliar se a empresa consegue manter bons valores da Alavancagem à medida que o Ativo Total cresce ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o os Ativos e o Patrimônio Líquido, bem como o crescimento deste.

• Independência Financeira - Indica o percentual do ativo total que está sendo financiado pelos recursos próprios da instituição financeira (Patrimônio Líquido), indicando o nível de independência em relação ao capital de terceiros. Como são registrados nos Ativos os empréstimos e financiamentos concedidos, torna-se importante saber o percentual de cobertura que o Patrimônio Líquido da instituição provém sobre os seus Ativos. Portanto, quanto maior melhor. Valores abaixo de 5% implicam num alto risco.

A avaliação do patrimônio líquido do banco frente a sua exposição em ativos financeiros, em especial os seus empréstimos, é de extrema relevância, visto que um maior nível de alavancagem é sinônimo de maiores retornos ao mesmo tempo em que a exposição a riscos é elevada e constante pelo fato dos bancos operarem através de reservas fracionadas e das instituições operam interligadas, portanto, a confiança e a segurança é crucial para o funcionamento de todo sistema.

Uma maior participação do capital próprio (PL) nos ativos do banco implica em menores custos com despesas administrativas e com juros passivos (custo anual das fontes de financiamento do banco). Assim, é fundamental que o banco mantenha uma quantidade de capital próprio suficiente para que proteja a entidade contra uma situação de insolvência diante da ocorrência de perdas não-esperadas em suas exposições em ativos. Diante disso, é importante avaliar se a empresa consegue manter bons valores de Independência Financeira à medida que os Ativos crescem ao longo dos trimestres, indicando uma boa cobertura dos Ativos pelo Patrimônio Líquido, bem como o crescimento deste.

• Razão de Alavancagem - Este índice é uma adaptação para o cálculo do índice Independência Financeira usada pelo Acordo Basileia III. Na sua fórmula utiliza-se o patrimônio líquido acrescido das reservas de lucro e de outras reservas dividido pela quantidade total de ativos ponderados pelo risco de crédito (Patrimônio de Referência). O índice tem como objetivo restringir a alavancagem excessiva dos bancos e, portanto, os potenciais efeitos negativos que um processo de desalavancagem poderia acarretar para o sistema financeiro. Seu objetivo é reforçar os requerimentos de capital tradicionais, que servem como margem de segurança, e estabelecer um limite para as operações de crédito das instituições financeiras, que serve para limitar a alavancagem. Quanto maior o valor do índice melhor, pois maior será a capitalização da instituição e, consequentemente, a sua liquidez. Valores altos indicam a existência de grandes quantidades de ativos líquidos no patrimônio da instituição, os quais poderão ser utilizados para absorver perdas e cobrir retiradas sem comprometer a sua solvência. O patamar mínimo exigido pelo Banco Central é 3%, nos EUA é de 6%.

• Participação dos Empréstimos – Relação entre as operações de crédito e o ativo total. Indica o percentual do ativo total de um banco que se encontra aplicado em empréstimos (operações de créditos). Valores excessivamente altos indicam baixo nível de liquidez. Ainda assim, tendo em vista que quanto maior a participação de empréstimos maior a receita de juros para a Instituição, é ideal que se faça o uso da alavancagem para incrementar os resultados operacionais, logo, valores altos, contudo não excessivos, são o ideal. Por outro lado, valores muito baixos indicam ineficiência no uso dos ativos, visto que o retorno das operações de empréstimos normalmente é superior ao retorno das operações de investimentos. Valores acima de 60% implicam num alto risco.


É importante avaliar se a empresa consegue manter bons valores de Participação dos Empréstimos à medida que o Ativo Total cresce ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o volume das Operações de Crédito e os Ativos.

• Custo de Captação – Relação entre as despesas anuais de captação de dinheiro no mercado e o total dos depósitos a prazo mantidos pelo banco. Revela o custo financeiro do capital investido na instituição por poupadores (custo de captação). Quanto menor melhor. A comparação com o segmento permite conhecer quanto a instituição está pagando na obtenção de recursos por meio de depósitos em relação às demais.


Para as empresas em geral, excluídos os bancos, os juros representam mais custos do que receitas e, assim, quando a taxa de juros aumenta, os custos financeiros líquidos aumentam, reduzindo os lucros e, consequentemente, os retornos acionários. No caso das instituições financeiras ocorre o oposto. Os juros são mais um fator de receitas do que de custos, haja vista que a principal atividade dos bancos é emprestar dinheiro. Assim, aumentos na taxa de juros aumentam as receitas líquidas, aumentando os lucros e, consequentemente, os retornos acionários.

As instituições buscam reduzir seus custos operacionais e de captação e aumentar sua base de aplicações, o que consequentemente irá aumentar suas receitas. Dessa forma, os bancos tendem a controlar seus custos de captação e administrativos de forma a oferecer empréstimos aos agentes deficitários a taxas mais atrativas. É importante avaliar se a empresa consegue manter baixos valores de Custo de Captação à medida que os Depósitos crescem ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre as Despesas de Captação e o volume dos Depósitos.

• PDD/Operações de Crédito - Representa o custo das despesas anuais com PDD sobre o total de empréstimos concedidos indicando a qualidade da carteira de crédito do Banco. Os empréstimos constituem os principais ativos nas carteiras da maioria dos bancos, gerando renda e, consequentemente, maior risco. Assim, para suportar o elevado risco, antes do início de cada exercício contábil as instituições fazem uma reserva de valores chamada Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), que servirá para cobrir uma eventual inadimplência dos clientes. Quanto menor as despesas com PDD melhor é a qualidade da carteira.


É importante avaliar se a empresa consegue manter baixos valores de PDD/Operações de Crédito à medida que as Operações de Crédito crescem ao longo dos trimestres, indicando boa qualidade da sua carteira de crédito e um baixo risco.

• Patrimônio Líquido/Depósitos - Indica o percentual dos depósitos captados pelo Banco que estão cobertos pelo seu patrimônio líquido, mostrando a segurança oferecida pela instituição aos recursos dos seus clientes. Logo, quanto maior melhor. Valores abaixo de 5% implicam num alto risco.


É importante avaliar se a empresa consegue manter bons valores de Patrimônio Líquido/Depósitos à medida que o Total dos Depósitos cresce ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o volume de Depósitos e o Patrimônio Líquido.

"A especulação é um grande esforço, na maioria das vezes mal sucedido, de transformar uma pequena quantia de dinheiro numa grande quantia. O investimento, ao contrário disso, na maioria das vezes é um esforço de prevenir que uma grande quantia de dinheiro seja transformada numa pequena quantia."
Fred Schwed Jr

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O Investimento em Valor - F-Score

A premissa do investimento em valor é que quando o faturamento da empresa cresce ao longo dos anos ela se torna mais valiosa. Maiores lucros possibilitam investimentos em mais ativos, os quais por sua vez aumentarão ainda mais a rentabilidade, os dividendos e o patrimônio líquido da empresa. À medida que o valor da empresa aumenta os investidores se dispõem a pagar cada vez mais por suas ações fazendo com que seu preço de mercado aumente. Essa é a lógica daqueles que investem em qualidade e valor. Buscam diminuir os seus riscos investindo em ações de empresas que apresentam crescimento consistente ao longo dos anos e desempenho superior ao de suas concorrentes. Basicamente, a preservação do capital e o seu crescimento no longo prazo.

O investimento em valor não é um conjunto de regras rígidas. É um conjunto de princípios que formam uma filosofia de investimento. O investidor Warren Buffett ensina que o investidor deve buscar empresas cujo negócio ele tenha uma boa compreensão, que venham apresentando um histórico de lucro e patrimônio líquido crescente, cuja tendência de longo prazo seja favorável e, principalmente, que apresentem baixo endividamento em relação às demais empresas do setor e estejam cotadas a preços atrativos. Assim, o investidor terá uma margem de segurança que, teoricamente, o protegerá contra perdas acentuadas e possibilitará maiores ganhos no futuro.

Em épocas de crise, sem dúvida alguma, pode-se comprar ações de boas empresas com um bom desconto em relação ao seu valor patrimonial, mas em épocas de grande euforia será mais difícil encontrar oportunidades a preços atrativos. Contudo, ressaltamos que preço "baixo" por si só não é indicação de oportunidade. 

"Investir sem pesquisa é como jogar poker e nunca olhar para as cartas".
Peter Lynch

Assim, a análise fundamentalista deve ser utilizada para julgar o desempenho das empresas e para fazer a triagem daquelas que se enquadram nos múltiplos mínimos exigidos pelo método do investidor e pela média do setor. Quando o investidor procura saber o valor de uma ação baseado nos fundamentos tomará decisões mais confiáveis a respeito de quais ações comprar e quais evitar. Dessa forma, busca-se minimizar o risco de se investir em ações de empresas deficitárias, que vêm apresentado resultados ruins ao longo dos anos, bem como em IPO´s e ações com preços de mercado inflacionados muito acima de seus valores patrimoniais.

Neste ponto, gostaríamos de fazer uma reflexão sobre o lançamento inicial de ação. Os IPOs geralmente são lançados quando a tendência de alta do mercado persiste e normalmente os preços pedidos e obtidos beiram a exorbitância. Ao contrário do que muitos acreditam, entrar em lançamentos iniciais de ações nem sempre é um bom negócio, tudo depende da demanda que ocorrerá pelo ativo nos primeiros dias de negociação e da pré-avaliação de suas ações feita antes do lançamento. Logo, é comum ocorrer grande variação no preço da ação logo no primeiro dia de negociação, tanto para cima como para baixo.

Primeiramente, deve-se escolher o setor, para então filtrar as melhores empresas que o compõem. Para isso, deve-se analisar individualmente o balanço de cada empresa, comparando as evoluções dos seus índices e resultados ao longo dos últimos 3 anos para definir as suas tendências futuras. Para que se produza uma avaliação de qualidade é fundamental que os índices sejam analisados conjuntamente. Através da comparação com padrões do setor ou com resultados anteriores da própria empresa pode-se inferir se há indicadores fora das proporções normais. As empresas que apresentarem os melhores resultados em comparação à média do setor, obviamente, serão escolhidas. O ideal é priorizar a escolha de empresas que apresentam a capacidade de aumentar os seus lucros e os seus patrimônios líquidos de maneira rápida e sustentada.

Na análise setorial deve-se retirar as empresas que possuem uma dívida maior que o valor patrimonial, pois em tese são empresas que perderam o controle da dívida ou são muito alavancadas, bem como as empresas que vêm apresentando recorrentes fluxos de caixa operacional negativos, deixando apenas as empresas lucrativas. A partir daí, deve-se encontrar as que melhor se destacam utilizando os valores médios dos indicadores, como P/L, Margem Líquida, ROE, DY, Dívida/Patrimônio Líquido, dentre outros. Assim, se obtém uma melhor visualização dos múltiplos médios para o setor e as suas características de acordo com o resultado das boas empresas que o compõe.

"O maior inimigo do saber não é a ignorância, mas a ilusão de saber."
Stephen Hawking

Também é interessante observar comparativamente ao longo dos anos o crescimento dos totais do Ativo, Circulante e não Circulante, o crescimento do Patrimônio Líquido comparado ao Passivo Total (longo e curto prazo), o crescimento do Ativo Circulante em comparação com o crescimento do Passivo Circulante, a taxa de crescimento do lucro líquido e do pagamento de dividendos, bem como o comportamento dos indicadores de rentabilidade, de liquidez e de endividamento. Buffett afirma que na avaliação do gerenciamento econômico de uma administração o mais importante é julgar o seu sucesso em conseguir uma alta taxa de retorno sobre o patrimônio líquido (sem alavancagem excessiva) e não a sua habilidade em produzir ganhos consistentes em lucro por ação.

Após selecionar as melhores opções dentre as empresas analisadas o investidor deve ponderar se o momento é apropriado para comprar essas ações e, principalmente, se seus preços de mercado estão atrativos em relação aos seus valores. Ações de empresas que apresentam ótimos fundamentos podem cair de preço, e caem, caso o mercado entre numa tendência de baixa. Os preços das ações de empresas deficitárias caem mesmo diante de um mercado em tendência de alta. A análise do gráfico de preços não avalia os resultados da empresa, tão pouco os fundamentos macroeconômicos. Investidores dão ênfase nos preços dos ativos acreditando que são o reflexo dos fundamentos da empresa. Mas o fato do Ibovespa estar em alta apenas indica que a maioria das ações que o compõe subiu de preço, o que não é garantia de rentabilidade futura num determinado ativo. Conforme fora dito, a relação entre preço e valor não é direta. O mercado estabelece o preço, mas o valor cabe ao investidor estabelecer após analisar os fundamentos da empresa.

O valor intrínseco para a escola fundamentalista é representado pela avaliação do patrimônio da empresa, seu desempenho e sua posição no seu respectivo setor de atuação, pela intensidade da concorrência e pela existência de produtos e serviços diferenciados, pelo grau de atualização tecnológica do empreendimento, pelo nível de intervenção estatal na área de atuação (controle de preços, proteção tributária, subsídios, etc), por seu programa de investimentos, por sua política de distribuição de lucros e pelo cálculo do valor presente dos lucros futuros estimados.

"Riqueza e credibilidade, coisas tão difíceis de se construir, porém tão fáceis de se perder, e quase impossíveis de se recuperar".
Capital e Valor

Piotroski F-Score - Joseph Piotroski desenvolveu um método para avaliar e selecionar empresas através de 9 critérios simples que avaliam o desempenho e a solidez financeira das empresas. Seu F-Score é muito utilizado para filtrar empresas ruins, bem como para a criação de rankings de performance dentro de determinado setor. Seu principal objetivo é proteger o investidor ao separar as empresas "ganhadoras" das "perdedoras", as quais apresentam maiores riscos para um investimento seguro em razão do seu baixo desempenho e/ou de sua situação financeira ruim. 

Seu método identifica as empresas que são lucrativas e que apresentam boas margens e solidez financeira (boa liquidez e baixo endividamento). As nove variáveis são divididas em 3 grupos, sendo atribuído 1 ponto para cada item que a empresa atingir, representando um score de 0 a 9 pontos. Valores entre 7 a 9 são considerados bons e entre 0 a 3 péssimos.
• Rentabilidade
- Apresentou lucro líquido positivo nos últimos 12 meses? Se sim, 1 ponto, se não 0.
- Apresentou
um Fluxo de Caixa Líquido das Atividades Operacionais positivo nos últimos 12 meses? Se sim, 1 ponto, se não 0.
- Apresentou ROA positivo e maior em relação ao do ano anterior? Se sim, 1 ponto, se não 0.
- Apresentou um Fluxo de Caixa Líquido das Atividades Operacionais maior do que o Lucro Líquido ao longo dos últimos 12 meses? Se sim, 1 ponto, se não 0.

• Alavancagem
- Houve
diminuição no grau de endividamento em relação ao ano anterior? Se sim, 1 ponto, se não 0.
- Houve diminuição da liquidez corrente em relação ao ano anterior? Se sim, 1 ponto, se não 0.
- Houve lançamento de ações no mercado secundário (diluição de dividendos) nos últimos 12 meses? Se sim, 0, se não 1 ponto.

• Eficiência Operacional
- Houve aumento na margem bruta em relação ao ano anterior? Se sim, 1 ponto, se não 0.
- Houve aumento no giro do ativo em relação ao ano anterior? Se sim, 1 ponto, se não 0.

“A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos.”
Sigmund Freud

As premissas de Piotroski com relação à rentabilidade são que:
- Uma empresa que apresente solidez financeira também deveria ser lucrativa, logo, deve gerar lucro líquido no ano e, portanto, o score nessa premissa seria 1.
- A geração de 
Fluxo de Caixa Líquido das Atividades Operacionais positiva no ano garante que o processo operacional da empresa é capaz de gerar receitas suficientes para pagar as despesas e ainda gerar lucros que podem ser reinvestidos na empresa ou distribuídos aos acionistas e, portanto, o score nessa premissa seria 1.
- Com relação à performance da empresa, espera-se que a rentabilidade e a eficiência dos seus ativos melhore com o passar do tempo, portanto, um ROA positivo e maior em relação ao ano anterior indica que a empresa está melhorando sua rentabilidade e, portanto, o score nessa premissa seria 1.
- É importante que esse aumento de performance seja decorrente da melhoria do processo operacional e das vendas da empresa e não em razão de lucro não recorrentes, como a venda de ativos ou ganhos judiciais por exemplo. Assim, o
Fluxo de Caixa Líquido das Atividades Operacionais anual deve ser maior do que o lucro líquido anual e, portanto, o score nessa premissa seria 1.

Com relação à liquidez as premissas são que:
- A redução dos Passivos (endividamento) e o aumento dos Ativos, além de aumentar o patrimônio líquido, reduz o risco financeiro de longo prazo apresentado pela empresa e, portanto, o score nessa premissa seria 1. Mas é preciso deixar claro que, conforme fora dito, o aumento do endividamento não é algo necessariamente ruim, desde que a empresa gere um ROA e um ROE positivo e alto e um GAF acima de 1.
- A melhoria na liquidez de curto prazo da empresa aumenta sua capacidade de pagamento e reduz seu risco financeiro de curto prazo e, portanto, o score nessa premissa seria 1.
- Ao realizar uma capitalização (lançar mais ações no mercado primário) a empresa estará diluindo o valor dos dividendos pagos com um número maior de acionistas, o que fará com que o LPA e o DY diminuam de valor. Sem contar que em alguns casos empresas que não possuem ou que não conseguem gerar recursos suficientes para pagar suas dívidas recorrem a lançamentos secundários de forma a melhorar o seu caixa e os seus índices de liquidez, o que tem um efeito ainda pior para os acionistas visto que além da diluição dos dividendos o valor arrecadado no lançamento secundário não será usado para investir nos ativos da empresa, o que poderia vir a gerar maiores lucros e maiores dividendos no futuro, mas sim para pagar dívidas e juros de empréstimos passados, um péssimo sinal. Consequentemente, a expectativa do mercado com relação ao retorno da empresa em ambos os casos diminuirá e, portanto, o score nessa premissa seria 0.

Com relação à eficiência operacional as premissas são que:
- A melhoria na margem bruta da empresa implica numa maior rentabilidade do faturamento bruto das vendas, o que consequentemente indica que a empresa está vendendo mais ou que seu processo se tornou mais eficiente (redução dos custos e insumos), ou ambos e, portanto, o score nessa premissa seria 1.
- A melhoria no giro dos ativos da empresa implica numa maior taxa de lucro e o seu crescimento ao longo dos anos é um excelente sinal de melhoria da performance, pois seus ativos estão gerando mais vendas e, portanto, o score nessa premissa seria 1.

"Falhar em preparar-se é preparar-se para falhar."
Benjamin Franklin

É importante ressaltar que o F-Score é um indicador de qualidade. Portanto, não indicará se determinada ação está "cara" ou "barata". Contudo, diversos estudos estatísticos tem comprovado a eficácia do F-Score não apenas de selecionar as empresas com melhor rentabilidade, eficiência e solidez financeira, mas cujas valorizações dos preços de mercado de suas ações sobreperformaram o desempenho geral do mercado, de forma que aquelas empresas que obtiveram e mantiveram ao longo do tempo altos scores também obtiveram valorizações de suas ações bem superiores à média do mercado e, aquelas que obtiveram e mantiveram ao longo do tempo scores muito baixos sofreram desvalorizações no mercado.

Uma pesquisa no mercado americano inclusive comprovou que empresas que apresentam scores entre 0 e 2 tem 5 vezes mais probabilidade de irem a falência ou de terem seus registros cancelados em razão de problemas financeiros ou porque os preços de suas ações foram desvalorizados para alguns centavos. Ou seja, de uma maneira geral pode-se afirmar que no longo prazo qualidade e rentabilidade são diretamente proporcionais. Quando você compra qualidade o tempo é seu amigo. Mas quando você compra uma porcaria, o tempo não ajudará em nada.

Apesar de ser comprovada a sua eficácia como indicador adequado para investidores em valor que procuram evitar e administrar os riscos, bem como selecionar empresas que apresentem boas performances e alta rentabilidade, a grande maioria daqueles poucos investidores que recorrem a algum tipo de análise ou estratégia para investir em ações usam principalmente a análise gráfica, avaliando apenas se preço de mercado está baixo ou não para poderem entrar. No entanto, como fora dito anteriormente, o investimento em empresas que apresentam um expressivo valor intrínseco, principalmente diante de uma boa performance nos indicadores de rentabilidade, de liquidez e de endividamento, se mostra muito mais sensato, seguro e, conforme os estudos estatísticos mostram, muito mais rentável no longo prazo.

Assim, a maior vantagem do F-score, bem como da análise fundamentalista em geral, é prevenir o investimento em empresas problemáticas ou hipervalorizadas. O risco é algo que dificilmente pode ser eliminado e por isso deve ser sempre administrado. Investidores inteligentes não querem risco, querem valor. E através das estratégias e conceitos expostos pelo Capital de Valor grande parte do risco do investimento em renda variável pode ser controlado e, em alguns casos, evitado.

"Investir em ações é algo simples, basta adquirir ações de empresas excelentes e bem administradas a preços abaixo de seus valores intrínsecos e mantê-las pelo resto da sua vida".
Warren Buffett

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