Análise Contábil de Bancos e Financeiras

O setor de bancos e financeiras apresenta um padrão contábil diferente dos demais setores e, tendo em vista que seus ativos são provenientes predominantemente de depósitos de seus clientes, o risco do crédito e o risco de liquidez afetam profundamente o setor. As fontes de recurso dos bancos são principalmente os depósitos dos clientes, os empréstimos recebidos e os recursos próprios (capital e reserva). As principais receitas provem dos serviços de intermediação financeira e demais produtos vendidos e, principalmente, do spread bancário, que é a diferença entre a taxa de juros cobrada nos empréstimos aos seus clientes e a taxa paga pelo banco aos seus depositantes e outros credores. Com relação aos custos das instituições financeiras, estes podem ser financeiros e administrativos.

As instituições financeiras captam recursos através de depósitos de clientes, empréstimos de outros bancos, de acionistas, e recursos próprios como capital e reservas, que são consideradas suas fontes (passivos). Após serem captados esses recursos são convertidos em ativos como empréstimos, títulos de valores mobiliários, disponibilidades, etc. Portanto, as maiores "dívidas" bancárias são os próprios depósitos dos clientes, os quais são utilizados pelo banco para investimentos produtivos. Ou seja, os bancos compram dinheiro através de depósitos e vendem dinheiro através de empréstimos.

Portanto, as captações de um banco são classificadas como depósitos e registradas como passivos e as aplicações são classificadas como operações e registradas nos ativos. Ou seja, no ativo estão relacionados os empréstimos concedidos. Quando concede um empréstimo, o banco passa a ter direito de ter o recurso em algum momento do futuro. No passivo estão relacionados os depósitos captados. Quando alguém faz um depósito, o banco assume o compromisso de devolver esse recurso em algum momento no futuro. Se o crescimento dos depósitos for baixo, o banco terá que encontrar uma outra fonte de recursos mais cara. Da mesma forma, se a taxa de crescimento de empréstimos for baixa, será mais difícil para o banco ganhar um spread considerável em cima do dinheiro que controla.

1.0 - Ativo Total - São registrados todos os valores positivos (bens e direitos) em poder da instituição financeira e subdivide-se em:
 
1.01 - Ativo Circulante - Agrupa os ativos de maior liquidez, os quais serão convertidos em dinheiro num prazo inferior a 1 ano. O ideal é que seja superior ao passivo circulante.
1.01.01 - Disponibilidades - Consistem nas contas mais líquidas dos bancos, sendo constituídas pelo Caixa (recursos que estão disponíveis para saques), pelas Reservas Livres (recolhimento compulsório em espécie feito junto ao Banco Central), pelas Disponibilidades em Moeda Estrangeira e pelas Aplicações em Ouro.
1.01.02 - Aplicações Interfinanceiras de Liquidez - São recursos aplicados com o intuito de cobrir deficiências de disponibilidades que possam vir a existir. Por meio dessas aplicações, os bancos geram receita utilizando seus ativos sem abrir mão de liquidez.  Assim sendo, tais operações podem ser consideradas como uma modalidade de empréstimos entre bancos e ocorrem no mercado aberto.

1.01.03 - Títulos e Valores Mobiliários - Refere-se aos diversos títulos em posse do banco. Inclui também os derivativos financeiros (contratos a termo, opções e swaps), além de registrar também as operações compromissadas. 
1.01.04 - Relações Interfinanceiras - São registradas as relações entre instituições financeiras diferentes (ex: sistema de compensação de cheques).
1.01.05 - Relações Interdependências - Registra as transferências de recursos que ocorrem internamente a uma mesma instituição bancária.
1.01.06 - Operações de Crédito - São registrados os Empréstimos e Financiamentos feitos pelo banco. Dentre as contas do Ativo Circulante e Realizável à Longo Prazo, essa é a conta que apresenta menor liquidez. O risco de inadimplência que essa conta envolve consiste na principal fonte de risco de crédito do banco. Desde que o total de depósitos seja substancialmente superior, o crescimento das operações de crédito pode ser visto como um bom sinal.

1.01.07 - Operações de Arrendamento Mercantil - São registradas as operações de leasing, frequentemente utilizadas pelas empresas para aquisição de bens para composição do ativo imobilizado, uma vez que estes bens, via de regra, demandam muitos recursos. É, na sua essência, uma operação de financiamento de bens.
1.01.08 - Outros Créditos - Registra a Carteira de Câmbio do banco, na qual são contabilizadas as compras de moeda estrangeira a liquidar, os instrumentos à prazo em moeda estrangeira negociados pela instituição, os empréstimos em moeda estrangeira. Assim sendo, percebe-se que as operações registradas em Outros Créditos são diferentes das registradas na conta Operações de Crédito, pois apresentam uma dinâmica diferente, vinculada ao câmbio.

1.02 - Ativo Realizável a Longo Prazo - Agrupa os ativos com menor liquidez, os quais serão convertidos em dinheiro num prazo superior a 1 ano.
1.02.01 - Aplicações Interfinanceiras de Liquidez - Idem descrição acima
1.02.02 - Títulos e Valores Mobiliários - Idem descrição acima
1.02.03 - Relações Interfinanceiras - Idem descrição acima
1.02.04 - Relações Interdependências - Idem descrição acima
1.02.05 - Operações de Crédito - Idem descrição acima
1.02.06 - Operações de Arrendamento Mercantil - Idem descrição acima
1.02.07 - Outros Créditos - Idem descrição acima


1.03 - Ativo Permanente - Agrega os bens da manutenção da empresa, bem como os bens de uso futuro e as despesas diferidas. Subdivide-se em:
1.03.01 - Investimentos - Classificam-se as participações societárias de caráter permanente em outras empresas e outros direitos.
1.03.02 - Imobilizado de Uso - Estão registrados os bens destinados às operações da companhia.
1.03.04 - Intangível - Registra os ativos intangíveis como marcas, patentes e direitos.

"Um dia, quando olharmos para trás, os anos de luta nos parecerão os mais bonitos."

Freud

2.0 - Passivo Total - São registrados todos os valores negativos (obrigações) da instituição financeira e subdivide-se em:

2.01 - Passivo Circulante - Agrupa as obrigações de maior liquidez, as quais serão exigidas num prazo inferior a 1 ano.

2.01.01 - Depósitos - Total da captação do banco sob a forma de depósitos de pessoas físicas e jurídicas. O seu crescimento pode ser visto como um bom sinal.
2.01.02 - Captações no Mercado Aberto - São os depósitos à prazo da instituição, os quais reúnem os valores de resgate das operações lastreadas com títulos do banco, dos governos e de outras instituições. Incluem as Letras Financeiras do Tesouro, Letras do Tesouro Nacional, Letras do Banco Central, CDB´s, títulos estaduais e municipais. 
2.01.03 - Recursos de Aceites e Emissão de Títulos - São as captações efetuadas pelos bancos mediante aceites de letras de câmbio. 
2.01.04 - Relações Interfinanceiras - Apresenta-se da mesma forma do ativo, apenas com saldo credor
2.01.05 - Relações Interdependências - Apresenta-se da mesma forma do ativo, apenas com saldo credor
2.01.06 - Obrigações por Empréstimos - Representa as dívidas do banco (captações) junto a instituições financeiras no país e no exterior. 
2.01.07 - Obrigações por Repasse do País - Composta pelas dívidas do banco junto a instituições financeiras no país.
2.01.08 - Obrigações por Repasse do Exterior - Composta pelas dívidas do banco junto a instituições financeiras no exterior.
2.01.09 - Outras Obrigações - São as dívidas a diversos credores, como dividas fiscais, previdenciárias, sociais e estatutárias, câmbio, cobrança e arrecadação de tributos.


2.02 - Passivo Exigível a Longo Prazo - Agrupa as obrigações de menor liquidez, as quais serão exigidas num prazo superior a 1 ano.
2.02.01 - Depósitos - Idem descrição acima
2.02.02 - Captações no Mercado Aberto - Idem descrição acima
2.02.03 - Recursos de Aceites e Emissão de Títulos - Idem descrição acima
2.02.04 - Relações Interfinanceiras - Idem descrição acima
2.02.05 - Relações Interdependências - Idem descrição acima
2.02.06 - Obrigações por Empréstimos - Idem descrição acima
2.02.07 - Obrigações por Repasse do País - Idem descrição acima
2.02.08 - Obrigações por Repasse do Exterior - Idem descrição acima
2.02.09 - Outras Obrigações - Idem descrição acima.

2.05 - Patrimônio Líquido - 
O patrimônio líquido dos acionistas representa a diferença entre o ativo total e o passivo total, indicando os recursos próprios do banco. Uma instituição financeira pode ser considerada solvente quando o valor de seus ativos superar o valor de seus passivos, formando um excedente definido por patrimônio líquido. Quanto maior for o Patrimônio Líquido de um banco mais condições a instituição possui para realizar operações financeiras, portanto, o ideal é o seu crescimento ao longo dos trimestres. Caso o patrimônio líquido da instituição se torne negativo, o Banco Central pode decretar a sua liquidação extrajudicial.

2.05.01 - Capital Social Realizado - Investimentos realizados pelos sócios e lucros não pagos e incorporados ao capital social
2.05.02 - Reservas de Capital - Valores recebidos por sócios ou terceiros que não se referem à prestação de serviços ou venda de produtos. Exemplo: ágio na emissão de capital. 
2.05.04 - Reservas de Lucro - Lucros gerados pela empresa e retidos por diversas razões. Se possuir uma taxa crescente e consistente é um dos indicadores de uma boa empresa. Os lucros retidos simplesmente medem a quantidade de capital que a companhia recebeu através de seus ativos. É com esta parcela que calcularmos o retorno da companhia.
2.05.06 - Lucros/Prejuízos Acumulados - Esta conta indica o acúmulo de lucros (ou prejuízos) de exercícios precedentes.

"O destino não é uma questão de sorte, é uma questão de escolha, não é algo a se esperar, é algo a se conquistar."

William Jennings Bryan

Assim como nas demais empresas, o patrimônio líquido é fundamental na avaliação da situação econômica das instituições financeiras, pois ainda que existam problemas de qualidade nos ativos ou a perda de depósitos, estes poderão ser suportados, até determinado limite, quando há um adequado nível de patrimônio líquido. Credibilidade ao mercado vem da liquidez da instituição, ou seja, da sua capacidade de pagamento e da segurança em suportar os riscos envolvidos e absorver as possíveis perdas. A diminuição ou o comprometimento do patrimônio líquido, independentemente da causa, demonstra problemas na situação econômica e consequente aumento de exposição ao risco. 

"Seja paciente e ignore modismos. Foque no valor e não entre em pânico."

Eddy Elfenbein

Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) dos bancos também obedece a um padrão contábil próprio. Os depósitos representam as maiores fontes de recursos dos bancos e as intermediações financeiras e as prestações de serviços representam as suas maiores receitas, obtidas predominantemente da concessão de créditos a partir dos recursos captados. Já as despesas são predominantemente decorrentes da intermediação financeira (juros) e operacionais. Os principais benchmarks das instituições financeiras são o nível da taxa de juros, o nível do spread, os custos dos depósitos e a qualidade e rentabilidade da sua carteira crédito.

3.01 - Receitas da Intermediação Financeira - Total das Receitas provenientes dos juros de créditos concedidos, do resultado da carteira de títulos e valores mobiliários, bem como o acréscimo do resultado das operações de câmbio, de seguros, de títulos e valores mobiliários e aplicações compulsórias. O crescimento das receitas das operações de crédito, de arrendamento mercantil, com títulos e valores mobiliários e de câmbio ao longo dos trimestres é um ótimo sinal, visto que a instituição está conseguindo não só aumentar as suas receitas mas também está conquistando uma maior participação no setor. Das Receitas da Intermediação Financeira são abatidas as 3.02 Despesas da Intermediação Financeira, chegando-se ao 3.03 Resultado Bruto Intermediação Financeira ou Lucro Bruto.

3.02 - Despesas da Intermediação Financeira - Total das despesas com juros pagos sobre as captações efetuadas, acrescido dos juros de provisões técnicas de seguro, provisões para crédito de liquidez duvidosa entre outros.

3.03 - Resultado Bruto Intermediação Financeira ou Lucro Bruto - Indica a lucratividade do faturamento dos serviços de intermediação financeira, sem ainda considerar as receitas/despesas administrativas, comerciais e operacionais, mostrando a viabilidade do negócio. Do Resultado Bruto Intermediação Financeira são subtraídas/adicionadas as 3.04 Despesas/Receitas Operacionais, chegando-se então ao 3.05 Lucro Operacional. 

3.04 - Despesas/Receitas Operacionais - Resultado apurado após a contabilização das Receitas de Prestação de Serviços e das Receitas Operacionais, abatidas as Despesas Tributárias referente aos serviços prestados e as Despesas Operacionais (gastos necessários à comercialização, vendas e administração). O crescimento das receitas operacionais e de prestação de serviços deve ser a meta de toda instituição financeira e o cenário ideal é que esse crescimento seja superior ao crescimento das despesas.

3.05 - Resultado Operacional - O Lucro Operacional mostra capacidade de geração de resultados proveniente das operações normais da empresa, ou seja, seu potencial de gerar riqueza em decorrência de suas características operacionais. Altos custos operacionais fixos e endividamento alto podem produzir bastante volatilidade nos lucros, pois uma queda nas vendas ou um aumento no custo de capital irão afetar diretamente os lucros. Do Lucro Operacional é contabilizado o 3.06 Resultado Não Operacional chegando-se ao 3.07 Resultado Antes da Tributação/Participações.

3.06 - Resultado Não Operacional - As receitas e as despesas não operacionais são as oriundas de atividades que não estão relacionadas com o dia a dia da Empresa, ou seja, com suas atividades operacionais. Podem ser decorrentes da venda de ativos imobilizados, tais como máquinas, equipamentos, imóveis (ganhos ou perdas de capital), de juros de empréstimos concedidos a controladas, de aluguel de ativos não operacionais, de prejuízos com títulos, etc.

3.07 - Resultado Antes Tributação/Participações - Do Resultado Antes dos Tributos sobre o Lucro é abatido o 3.08  Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro, o 3.09 IR Diferido e as 3.10 Participações/Contribuições Estatutárias, chegando-se ao Resultado Líquido do Período. As Participações/Contribuições Estatutárias representam parcelas dos lucros destinadas a empregados, diretores, debenturistas ou a portadores de partes beneficiárias.

3.13 -  Lucro/Prejuízo Consolidado do Período ou Lucro Líquido - Refere-se ao Resultado Líquido apontado na Demonstração de Resultado do Exercício. Havendo lucro, esse será incorporado ao patrimônio líquido e, havendo prejuízo, esse será debitado do patrimônio líquido.

"O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: o da inexperiência."

Nelson Rodrigues

A análise através de indicadores deve ser ajustada especificamente para o setor financeiro que, além disso, apresenta indicadores de liquidez, de endividamento e de rentabilidade próprios. Abaixo estão listados os indicadores próprios para as empresas do setor de bancos e financeiras, bem como os indicadores tradicionais cuja fórmula precisa ser ajustada para o setor.

Indicadores de Rentabilidade

As decisões empresariais tomadas tanto no mercado acionário como no mercado de crédito são altamente influenciadas pelos indicadores de rentabilidade. Os indicadores de rentabilidade expressam os efeitos da liquidez, do endividamento e da gestão de ativos sobre os resultados e receitas da instituição, sem, contudo, ignorar a inter-relação e a interdependência das variáveis analisadas. Diante disso, além dos indicadores LPA, P/L, P/VPA, ROE, ROA, Dividend Yield e Pay Out, também existem indicadores próprios para a análise do setor.

• Preço sobre Vendas - PSR - Este indicador compara o preço de mercado da ação do banco com as Receitas da Intermediação Financeira. Representa o quanto o mercado está disposto a pagar pela ação para cada R$ 1,00 que o banco recebe em receitas da intermediação financeira anuais (fórmula ajustada para instituições financeiras). Indica também quantos anos a instituição leva para gerar em receitas de intermediação o seu valor de mercado.

• Giro do Ativo - Este indicador mede o volume de Receitas da Intermediação Financeira em relação ao Ativo Total evidenciando o nível de eficiência com que são utilizados os recursos aplicados, ou seja, a produtividade dos investimentos totais (ativo total) (fórmula ajustada para instituições financeiras). Indica o quanto de Receitas da Intermediação Financeira cada R$ 1,00 de ativo gera e, portanto, quanto maior melhor, pois maior será o potencial de geração de Receitas da Intermediação Financeira anual a partir do total dos seus ativos.

É importante avaliar se a Empresa tem conseguido gerar o crescimento do Ativo Total e, principalmente, se esse crescimento tem contribuído para a geração de um Giro do Ativo alto e para a geração de uma Receita de Intermediação Financeira alta e crescente, indicando uma boa relação entre o crescimento dos Ativos e o crescimento das Receitas.

• Margem Financeira - Representa a margem de lucro bruto do Banco. Ou seja, demonstra percentualmente o quanto de cada R$ 100,00 de receita de intermediação financeira permaneceu na empresa na forma de lucro bruto após abater apenas as despesas de intermediação financeira, mostrando a performance financeira. Portanto, quanto maior melhor.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Financeira alta juntamente com o crescimento do Lucro Bruto, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento dos Lucros.

• Margem Operacional - Representa o percentual de lucro operacional gerado sobre as receitas de intermediação financeira. Assim, se o resultado for 15, por exemplo, isso significa que de R$ 100,00 recebidos R$ 15,00 são retidos na forma de lucro operacional. Portanto, quanto maior melhor. Cabe ressaltar que o EBITDA não deve ser utilizado para bancos, devendo-se utilizar o lucro operacional.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Operacional alta juntamente com o crescimento do Lucro Operacional, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento dos Lucros.

• Margem Líquida - Representa o percentual de lucro líquido gerado sobre as receitas de intermediação financeira. Assim, se o resultado for 15, por exemplo, isso significa que de R$ 100,00 recebidos R$ 15,00 são retidos na forma de lucro líquido. Logo, se compararmos duas empresas, aquela que apresentar maior margem líquida será a mais lucrativa.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar e manter uma Margem Líquida alta juntamente com o crescimento do Lucro Líquido, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento dos Lucros.

• Juros Passivos – Relação entre a despesa de intermediação financeira e o passivo total mantido pelo banco. Representa o custo das fontes de financiamento do banco, logo, quanto menor melhor.

É importante avaliar se a empresa tem conseguido manter baixos valores de Juros Passivos à media que os Passivos aumentam ao longo dos trimestres, indicando uma boa relação entre o crescimento dos Passivos e o crescimento das Despesas de Intermediação Financeira.

• Custos Operacionais - Indica o quanto custa para um banco gerar R$ 1,00 de lucro operacional, medindo sua eficiência operacional. Portanto, quanto menor melhor. Logo, um valor de 50% indica que o banco gasta R$ 0,50 para gerar R$ 1,00 de lucro operacional. Atualmente a variedade dos serviços prestados pelos bancos, além dos de intermediação financeira, tais como seguros, previdência, plano de saúde, dentre outros, vem se tornando cada vez mais uma grande fonte de receitas operacionais. Uma tendência de queda neste indicador ao longo dos trimestres indica melhoria na rentabilidade operacional e/ou redução dos custos operacionais do banco. Por outro lado, uma tendência de alta indica uma redução da rentabilidade operacional e/ou aumento dos custos operacionais.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar o crescimento do Lucro Operacional, numa proporção maior do que o crescimento das Despesas Operacionais, juntamente com baixos valores de Custos Operacionais, indicando uma boa relação entre o crescimento dos Lucros e o crescimento das Despesas.

• Índice de Eficiência - A eficiência bancária indica o quanto o banco gasta com despesas operacionais para cada real de receita de serviços e intermediação financeira. Representa a razão entre Despesas Operacionais e Receitas de Intermediação Financeira. Quanto menor seu percentual melhor o desempenho operacional da instituição. O ideal são valores abaixo de 50%.

É importante avaliar se a Empresa tem sido capaz de gerar o crescimento da Receita de Intermediação Financeira numa proporção maior do que o crescimento das Despesas Operacionais, juntamente com baixos valores no Índice de Eficiência, indicando uma boa relação entre o crescimento das Receitas e o crescimento das Despesas.

• Retorno das Operações de Crédito - Relação entre as receitas financeiras provenientes das operações de crédito e o valor dos empréstimos concedidos. Indica o percentual de retorno dos empréstimos concedidos pelo Banco. Quanto maior melhor. As operações de crédito realizadas pelos bancos podem ser empréstimos, títulos descontados (desconto de duplicatas) e financiamentos.

É importante avaliar se a empresa tem sido capaz de gerar e manter um alto Retorno das Operações de Crédito à medida que suas operações de crédito crescem, indicando uma boa relação entre o crescimento das Operações de Crédito e o crescimento das Receitas.

• Giro do PL – Relação entre as receitas de intermediação financeira e o patrimônio líquido. Indica quantas vezes o capital próprio se transformou em receitas para o banco nos últimos 12 meses, ou seja, o quanto de Receitas da Intermediação Financeira cada R$ 1,00 de patrimônio líquido gera e, portanto, quanto maior melhor.

É importante avaliar se a Empresa está conseguindo gerar o crescimento da Receita de Intermediação Financeira, bem como um Giro do PL alto ao longo dos trimestres.

• Spread Total – O spread gerado na atividade de intermediação financeira representa parte considerável do resultado de instituições financeiras. Representa a diferença entre a taxa de juros cobrada pelas instituições financeiras nos seus empréstimos e os seus custos financeiros de captação dos recursos, sendo um dos componentes da definição dos juros a serem cobrados pelos bancos. É a relação entre o retorno das operações de crédito e o custo de captação. Portanto, quanto maior melhor. Spreads altos estão associados a ativos de alta qualidade e maior eficiência bancária, indicando menores despesas e/ou maiores receitas. Por outro lado, baixos spreads estão relacionados a ineficiência e a um maior custo de captação.

Portanto, um alto spread indica uma boa relação entre os juros pagos sobre a captação e os juros recebidos sobre os empréstimos. É importante avaliar se a Empresa está conseguindo gerar um alto Retorno das Operações de Crédito e um baixo Custo de Captação, o que consequentemente irá gerar o aumento do Spread Total.

"Conheça bem o que você possui e saiba muito bem porque você possui isso."

Peter Lynch

Indicadores de Liquidez

O Risco de Liquidez refere-se à possibilidade de desequilíbrios entre ativos negociáveis e passíveis exigíveis, ou seja, descasamentos entre obrigações a pagar e direitos a receber que possam afetar a capacidade de pagamento da instituição. O risco de liquidez no setor financeiro normalmente origina-se na dificuldade de captação de recursos para financiar os ativos, conduzindo, normalmente, ao acréscimo dos custos de captação, mas podendo implicar, também, numa restrição do crescimento dos ativos e na dificuldade de liquidação de obrigações para com terceiros, induzida por descasamentos significativos entre os prazos de vencimento de ativos e passivos. A capacidade de pagamento dos valores depositados pelos clientes é um dos fatores mais importantes numa instituição financeira. Diante disso, além da Liquidez Corrente, também existem indicadores de liquidez próprios para a análise do setor.

• Índice Basiléia - Mede o grau de alavancagem financeira de uma instituição financeira, a qual deve mantê-lo índice acima do patamar de 11% exigido pelo Banco Central.  O Índice de determina a relação entre o capital próprio da instituição e o capital de terceiros (captações) que será exposto a risco por meio da carteira de crédito. Quanto menor for o valor, maior será a alavancagem do banco e, consequentemente, maior será o risco de insolvência. Por exemplo, se um banco possui Índice de Basiléia de 20%, significa que para cada R$ 100,00 emprestados o banco possui patrimônio de R$ 20,00.

• Ativo Circulante/ Depósitos - Indica a cobertura dos ativos circulantes do banco no curto prazo para os depósitos, indicando a capacidade de pagamento do banco no caso de resgates em massa. Portanto, quanto maior melhor. Valores acima de 100% são considerados bons.

• Encaixe Voluntário – Relação entre as disponibilidades e o depósito a vista. Indica a capacidade financeira imediata do banco em cobrir saques contra depósitos à vista. Portanto, quanto maior melhor. Valores mais elevados representam maior segurança financeira à instituição. As disponibilidades são os ativos com a maior liquidez e são constituídos pelos encaixes bancário e aplicações em ouro. 

• Empréstimos/Depósitos – Relação entre as operações de crédito e o total da captação do banco sob a forma de depósitos. Indica o quanto a instituição captou de empréstimos (depósitos) para cada R$ 1,00 que emprestou e, quanto maior for, maior será o saldo que o banco emprestou contra o que recebeu de captação. Valores muito altos, próximos de 70%, são considerados ruins, devido a grande exposição do banco ao risco de inadimplência, à alta concentração em ativos de baixa liquidez (empréstimos) e à baixa cobertura oferecida aos empréstimos pelos depósitos. Por outro lado, valores muito baixos indicam ineficiência no uso dos ativos, visto que o retorno das operações de empréstimos normalmente é superior ao retorno das operações de investimentos.

Para atender sua finalidade de lucro, os bancos tendem a efetuar mais empréstimos, o que reduz sua liquidez para atender aos pedidos de resgates de seus depositantes a vista. Dessa forma, maior volume de empréstimos traz retornos maiores e com isso maiores riscos à instituição, devendo o administrador definir um ponto de equilíbrio para suas reservas.

"Quando você investe, está comprando mais um dia em que não precisará trabalhar."

Aya Laraya

Indicadores de Endividamento

O endividamento elevado e a forte capacidade das instituições bancárias de administrar uma grande alavancagem é determinante na lucratividade e na rentabilidade do patrimônio líquido. A maior parte do passivo de um banco pertence aos seus clientes e são utilizados nas suas operações. Diante disso, não podem ser interpretados como dívidas para o cálculo dos indicadores de endividamento tradicionais, tais como grau de endividamento, participação do capital de terceiros, Composição do Endividamento, Dívida Líquida / EBITDA, dentre outros, os quais não oferecem indicações significativas para o setor financeiro. Assim, além do GAF - Grau de Alavancagem Financeira, também existem indicadores de endividamento próprios para a análise do setor.

• Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL) – O índice de imobilização do Patrimônio Líquido indica quanto do Patrimônio Líquido do Banco está aplicado no Ativo Imobilizado, ou seja, o quanto do Ativo Imobilizado é financiado pelo seu Patrimônio Líquido, evidenciando dessa forma uma maior ou menor dependência de recursos de terceiros para manutenção do negócio. Quanto menor o percentual melhor. Quanto mais reduzido for o Índice de Imobilização, maior agilidade terá o banco para usar seu patrimônio a fim de honrar seus compromissos. Por exemplo, se um banco possui Índice de Imobilização de 30%, significa que, a cada R$ 100,00 em seu patrimônio, R$ 30,00 estarão investidos em bens que não possuem uma liquidez imediata, ou seja, imobilizado em imóveis, veículos, materiais, etc. O índice máximo tolerado pelo Banco Central do Brasil é 50%.

• Alavancagem - Relação entre o ativo total e o patrimônio líquido. Indica a proporção em que o ativo do banco é maior do que o capital próprio da instituição. Valores muito altos revelam baixa participação do capital próprio e uma elevada dependência de recursos de terceiros (grande alavancagem). Uma grande utilização de capitais de terceiros para financiar os ativos está relacionada a maiores riscos operacionais e financeiros, uma vez que o capital de terceiros é mais sensível às variações de mercado que o capital próprio. Por tanto, quanto menor melhor.

• Participação dos Empréstimos – Relação entre as operações de crédito e o ativo total. Indica o percentual do ativo total de um banco que se encontra aplicado em empréstimos (operações de créditos). Valores altos indicam baixo nível de liquidez, ao passo que também podem mostrar um incremento dos resultados operacionais através da alavancagem, visto que quanto maior a participação de empréstimos maior a receita de juros para a Instituição. Por outro lado, valores muito baixos indicam ineficiência no uso dos ativos, visto que o retorno das operações de empréstimos normalmente é superior ao retorno das operações de investimentos.

• Custo de Captação – Relação entre as despesas de captação de dinheiro no mercado e o total dos depósitos a prazo mantidos pelo banco. Revela o custo financeiro do capital investido na instituição por poupadores (custo de captação). Quanto menor melhor. A comparação com o segmento permite conhecer quanto a instituição está pagando na obtenção de recursos por meio de depósitos em relação às demais. 

As instituições buscam reduzir seus custos operacionais e de captação e aumentar sua base de aplicações, o que consequentemente irá aumentar suas receitas. Dessa forma, os bancos tendem a controlar seus custos de captação e administrativos de forma a oferecer empréstimos aos agentes deficitários à taxa mais atrativas.

• PDD/Operações de Crédito - Representa o custo das despesas de PDD sobre o total de empréstimos concedidos indicando a qualidade da carteira de crédito do Banco. Quanto menor as despesas melhor é a qualidade da carteira. A Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) é uma reserva de valores, feita antes do início de cada exercício contábil, que servirá para cobrir uma eventual inadimplência dos clientes.

• Independência Financeira - Indica o percentual do ativo total que está sendo financiado pelos recursos próprios da instituição financeira (Patrimônio Líquido), indicando o nível de independência em relação ao capital de terceiros. Quanto maior melhor.

• Patrimônio Líquido/Depósitos - Indica o percentual dos depósitos captados pelo Banco que estão cobertos pelo seu patrimônio líquido, mostrando a segurança oferecida pela instituição aos recursos dos seus clientes. Logo, quanto maior melhor.

"A especulação é um grande esforço, na maioria das vezes mal sucedido, de transformar uma pequena quantia de dinheiro numa grande quantia. O investimento, ao contrário disso, na maioria das vezes é um esforço de prevenir que uma grande quantia de dinheiro seja transformada numa pequena quantia."

Fred Schwed Jr

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