Indicadores de Liquidez

A análise financeira ou análise de balanço, como é mais conhecida, é um dos principais instrumentos de análise do desempenho econômico-financeiro de uma empresa e da sua situação patrimonial. A análise de balanço permite tirar conclusões sobre os problemas de liquidez da empresa (incapacidade de satisfação dos seus compromissos financeiros), bem como sobre o seu endividamento (relação entre ativos e dívidas). Uma empresa muito endividada pode ter dificuldades para conseguir fundos suficientes para financiar os seus projetos, estar na iminência de se tornar insolvente, ou até mesmo falir. Por outro lado, um excesso de liquidez gera baixa rentabilidade e a falta de endividamento pode comprometer a rentabilidade pela falta de recursos para investimento. Esse é um dos paradigmas que a administração tem que enfrentar continuamente, conciliar bem o equilíbrio entre a Liquidez e a Rentabilidade.

A liquidez de uma empresa é analisada pela sua capacidade de saldar suas obrigações de curto e de longo prazo. Em termos mais simples, é a facilidade que a empresa tem de pagar suas contas em dia. No caso de ter uma liquidez baixa, a empresa deve ficar em alerta, pois futuramente poderá apresentar problemas com o fluxo de caixa e a insolvência iminente do negócio. Além disso, num cenário econômico onde o consumo está baixo, os juros estão altos e o crédito restrito, a empresa deve concentrar recursos em ativos financeiros de alta liquidez, aumentando assim o seu grau de liquidez imediata, de forma a se proteger contra eventuais imprevistos. Por outro lado, em um cenário de juros baixos e consumo aquecido, a empresa terá maior flexibilidade para investir seus recursos em duplicatas a receber, estoques e no ativo permanente, buscando assim incrementar a sua lucratividade.

Obviamente, é preferível investir em empresas líquidas a empresas não líquidas. E só se pode transformar o ativo em dinheiro rapidamente se for ativo circulante. Assim, prefira ativo circulante em vez de ativo não circulante. Contudo, não se pode concluir que uma empresa esteja em melhor situação do que outra apenas porque apresentou menores valores nos seus índices de liquidez. Deve-se considerar os aspectos dinâmicos, que afetam a liquidez, bem como as características do setor e do negócio da empresa. Todavia, uma empresa certamente não estará com uma situação financeira confortável se apresentar elevada participação de recursos de terceiros em relação ao capital próprio e ao ativo total, com predominância de dívidas a curto prazo nas exigibilidades totais, e com elevada imobilização dos seus recursos permanentes. 

Além dos índices de rentabilidade (Margem Bruta, Ebitda, Taxas de Retorno) costuma-se utilizar outros indicadores para mensurar a saúde financeira da empresa e avaliar a sua capacidade de saldar suas obrigações de curto e longo prazo. Os índices de liquidez mostram a base da situação financeira da empresa. São índices que confrontam os Ativos Circulantes com as Dividas, procurando medir quão sólida é a base financeira da empresa. Para uma empresa ter boas condições de pagar suas dívidas ela deve ter bons índices de liquidez, os quais permitem avaliar a relação entre os ativos (bens) e os passivos (dívidas).

“Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro.”

John Kenneth

• Grau de Solvência - Demonstra a capacidade da empresa em liquidar suas obrigações no caso de falência. Se o índice for maior do que 100, pode-se dizer que a empresa é solvente. Se o índice for menor do que 100, pode-se dizer que a empresa é insolvente.

Na estrutura econômico-financeira da empresa deve haver uma certa coerência entre a natureza dos investimentos e a origem dos recursos financeiros. A prudência e a lógica aconselham que os investimentos de longo prazo sejam financiados por capitais permanentes (capital + reservas + obrigações de médio e longo prazo). Nunca uma dívida de curto prazo deve financiar um bem imobilizado.

O Ativo Permanente deve preferencialmente ser financiado com Capital Próprio, mas é aceitável o seu financiamento, em parte, com recursos de terceiros exigíveis a longo prazo, desde que os Recursos gerados disponíveis (lucros) sejam suficientes para o pagamento das prestações dos financiamentos a longo prazo e desde que o endividamento não saia para fora dos padrões aceitos pelo mercado.

Os capitais permanentes não só devem financiar o ativo fixo, mas também uma parte do ativo circulante. A parte do ativo Circulante financiada com capitais permanentes constitui o chamado Capital de Giro. O excesso de capital permanente sobre o ativo fixo, que é o capital de giro, constitui uma margem de garantia ou de segurança financeira (solvência) que permite compensar os desajustes entre os fluxos financeiros de entrada e saída provocados pelo ciclo operacional.

• Liquidez Geral: Esse índice representa a capacidade que a empresa tem em pagar suas dívidas a longo prazo sem fazer uso do Ativo Permanente. Esse índice possibilitará ver toda a capacidade de pagamento da empresa a longo prazo, considerando tudo que ela pode converter em dinheiro (a Curto e Longo Prazo), relacionando-se com tudo que a empresa já assumiu de divida (a Curto e Longo Prazo). Assim, é um indicador mais abrangente, pois leva em consideração ativos e passivos de curto e de longo prazo. Indica quanto a empresa possui no ativo circulante e no ativo realizável a longo prazo (mais de 1 ano) para cada R$1,00 de dívida total. Quanto maior for a liquidez geral, melhor será para a empresa. 

A liquidez geral oferece a mesma indicação da liquidez corrente, mas engloba também os ativos e passivos a longo prazo. Se o resultado do índice for superior a 100 significa que ela possui bens e direitos suficientes para liquidar seus compromissos financeiros. Porém, se der menor do que 100 a empresa pode apresentar problemas financeiros no curto prazo. De maneira geral, valores abaixo de 50 são considerados péssimos sinais. Valores próximos ou pouco acima de 100 são considerados bons. E valores entre 150 e 250 são considerados excelentes.

É importante analisar este indicador juntamente com o índice de liquidez corrente. Nos casos em que as empresas contraem empréstimos de longo prazo, sua liquidez corrente será favorecida pela entrada desses recursos nos seus caixas, ao passo que o valor da dívida não será registrado no passivo circulante, e sim no exigível de longo prazo, o que criará uma posição enganosa na liquidez corrente dessas empresas, sendo necessário analisar a liquidez geral para corrigir isso.

Entretanto, resultados muito acima de 100 não indicam necessariamente uma melhor situação em relação a uma empresa que possui um resultado pouco acima de 100. A interpretação dependerá do perfil da indústria e do período econômico. Valores acima de 300, dependendo do setor da empresa, podem significar um excesso de liquidez, ou seja, ineficiência na gestão e alocação dos recursos, os quais poderiam se investidos em ativos que futuramente aumentariam o lucro.

Ao analisarmos a evolução da liquidez geral de uma empresa ao longo de vários trimestres podemos identificar se esse indicador está aumentando, o que indicaria que a capacidade de pagamento da empresa vem crescendo, ou se o indicador vem diminuindo, o que indicaria que a capacidade de pagamento da empresa vem diminuindo. É importante compreender que fazendo dívidas a longo prazo a empresa terá mais tempo para gerar a receita para liquidar suas dívidas, podendo ainda re-negociar as suas condições. Normalmente acaba sendo mais vantajoso contrair dívidas de longo prazo do que de curto prazo.

"Aquele que almeja a felicidade jamais a terá, pois quanto mais a busca, mais ela se distancia".

Capital e Valor

• Liquidez Corrente: Mede a capacidade de pagamento de dívidas de curto prazo (até 1 ano). Representa quanto a empresa tem no ativo circulante para cada real de passivo circulante. Assim, indica a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo, ou seja, quanto a empresa dipõe em recursos de curto prazo (disponibilidades, clientes, estoques, etc) para honrar suas dívidas circulantes (fornecedores, empréstimos e fianciamentos de curto prazo). Quanto maior for a liquidez corrente, maior será a margem de segurança financeira da empresa para equilibrar as entradas e saídas de caixa, podendo se aproveitar de melhores prazos e condições de financiamento de curto prazo.

O índice de liquidez corrente está diretamente associado ao ciclo operacional da empresa, ou seja, o tempo que a empresa leva para renovar seus estoques, somado o tempo de recebimento das vendas a prazo. Uma empresa do setor de varejo, por via de regra, deve ter um índice de liquidez corrente maior que uma empresa do setor de serviços, pois esta não possui estoques, e uma indústria deveria ter índices maiores que ambas em razão do seu ciclo operacional ser maior e grande parte do ativo circulante ser composto por estoques. 

Em geral, se estiver abaixo de 100, tem-se uma situação desfavorável, pois evidencia que a empresa vem recorrendo demais a capitais de terceiros para financiar a sua dívida. A empresa dependerá em maior extensão de lucros futuros, renovação das dívidas ou vendas de ativo permanente para se manter solvente, sendo obrigada a pagar juros maiores, um sinal ruim. Pois neste caso, o passivo circulante pode crescer ainda mais rápido do que o ativo circulante, conduzindo a graves problemas de solvência no futuro. Um baixo ILC representa o primeiro sinal de problemas financeiros.

Afirma-se que este quociente deverá ser maior que 100, a fim de manter adequada margem de segurança financeira. Se estiver acima de 100, a situação da empresa é favorável e revela a existência de capital de giro próprio. Significa que a empresa tem dinheiro em caixa para saldar suas dívidas. É claro que isso depende da capacidade de os recebíveis se converterem realmente em dinheiro antes da quitação das dívidas, e também do ramo da empresa. Uma companhia de transporte público não vende a prazo, não possuindo, portanto, recebíveis. Nesse caso, um índice ligeiramente menor que 100 pode não ser problemático.

Por outro lado, um altíssimo índice de liquidez corrente pode significar que a empresa tem uma grande quantidade de recursos alocados em ativos não produtivos (ineficiência), como estoques que não estão sendo vendidos e se tornando obsoletos.

A liquidez corrente é um dos índices mais utilizados na análise econômico-financeira, sendo considerado o melhor indicador para avaliar a situação líquida da empresa. Esse índice relaciona quanto de dinheiro disponível e conversível imediatamente tem a empresa em relação às dívidas de curto prazo, mostrando quanto a empresa poderá dispor em recursos a curto prazo (caixa, bancos, clientes, estoques, etc) para pagar suas dívidas circulantes (fornecedores, empréstimos e financiamentos a curto prazo, contas a pagar, etc).

Em setores de comércio varejista seria interessante uma liquidez menor que em setores com sazonalidade, por exemplo. No comércio, baixa liquidez pode significar maior nível de eficiência nas atividades operacionais. Já as empresas de maior porte podem operar com menor liquidez corrente que empresas de pequeno porte. Empresas que dominam a cadeia de suprimento também podem operar com menor liquidez.

Como a liquidez corrente faz parte de modelos de concessão de crédito de instituições financeiras, e alguns destes modelos consideram que liquidez maior representa menor risco, é possível que as empresas sejam incentivadas a melhorar seu desempenho de liquidez em razão disso.

Uma boa liquidez corrente significa maior independência da empresa em relação a credores e maior capacidade de enfrentar crises e dificuldades inesperadas. Vale ressaltar que ambos índices, mesmo mostrando uma situação favorável para a empresa, deverão ser comparados com os índices de outras empresas do mesmo setor, pois só assim pode-se tirar conclusões satisfatórias sobre os resultado dos mesmos. Cada tipo de negócio requer um valor de liquidez média específico, sendo assim, através da comparação intra-setorial é possível avaliar se o grau de liquidez de determinada empresa é satisfatório ou não.

"O dinheiro não tem a mínima importância, desde que se tenha muito".

Truman Capote

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