Análise Setorial e Tendências de Mercado

Um setor é caracterizado por agrupar empresas que possuem uma estrutura produtiva semelhante ou que oferecem bens e serviços similares. Quanto melhor for conhecido o ambiente de atuação da empresa, melhor ela poderá ser avaliada. Portanto, é imprescindível que o investidor realize um estudo macroeconômico, onde devem ser levados em conta os elementos conjunturais que servem como pano de fundo para a performance da empresa analisada, considerando que ela é parte de um contexto maior de atividades integradas e que interagem com cadeias produtivas, arranjos concorrenciais, dentre outros condicionamentos setoriais. O segundo passo é a avaliação do setor no qual a companhia se insere. Suas potencialidades, estatísticas de evolução dos últimos anos, comparações com outros países, condições de concorrência, barreiras protecionistas internas ou externas, facilidade de obtenção dos insumos de produção, formação de preços e tudo mais que possa interferir nas condições normais de atividade do setor, fornecendo informações e identificando tendências que possam impactar os resultados do seu negócio.

A análise setorial consiste em correlacionar o desempenho da indústria com o desempenho da economia, isto é, identificar a tendência macroeconômica e sua relação com o setor econômico. Avalia-se o tamanho e representatividade do setor, as barreiras de entrada e de saída, a concorrência e o nível de competição, o efeito da regulação do governo, os impactos tecnológicos e estruturais, o seu faturamento, a sua tendência de crescimento e os principais fatores que a influenciam, bem como o seu histórico e a sua variabilidade ao longo dos anos e, principalmente, a expectativa do mercado em relação ao seu futuro. E por fim, correlacionar o desempenho da empresa com o desempenho do setor. Este tipo de análise comparativa tem resultados bastante fidedignos, pois as empresas atuam num mesmo setor e, provavelmente, atendem ao mesmo público e estão submetidas da mesma forma às mesmas variáveis e influências internas e externas.

Assim, pode-se para determinar o posicionamento e o potencial de desenvolvimento de uma empresa em relação ao seu setor de atuação. Para isso, são analisados fatores conhecidos como forças competitivas, tais como o nível de concorrência, a ameaça de novos entrantes ou de produtos substitutos e o poder de barganha dos consumidores e fornecedores. Essas forças permitem identificar se existem mais oportunidades ou ameaças para a empresa, procurando quantificá-las sob a forma de premissas para a realização de projeções quanto à: preços praticados, estrutura de demanda, estrutura de oferta, estrutura mercadológica, concorrência, fornecimento, tecnologia empregada e qualidade da mão de obra.

Isso permite ao investidor conhecer o contexto econômico em que a empresa está atuando e, principalmente, as suas concorrentes, possibilitando-o avaliar as oportunidades e as fraquezas e identificar tendências que possam impactar nos negócios do setor, bem como os indicadores macroeconômicos que o influenciam diretamente. Fornece informações que permitirão identificar fatores de risco e oportunidades de investimentos, além da avaliação do desempenho dessas empresas, servindo de base para a análise microeconômica e para estimativa de projeções e de cenários futuros. A mensuração da estratégia competitiva da empresa e dos os principais direcionadores do seu setor também facilita avaliar se seus resultados atuais são sustentáveis.

“Grandes oportunidades de investimentos surgem quando empresas excelentes estão cercadas de circunstâncias incomuns que fazem com que suas ações sejam subvalorizadas.”

Warren Buffett

Suponha que as perspectivas de um determinado setor de atividade econômica sejam bastante promissoras, neste caso a análise comparativa entre as empresas deste setor poderia determinar a decisão sobre em qual das empresas investir. A análise setorial ajuda o investidor a entender melhor a dinâmica da economia e o impacto dos indicadores macroeconômicos, das commodities e das influências econômicas de outros países nas atividades das empresas, mostrando-se uma importante análise para auxiliar o processo de tomada de decisão. O ciclo econômico é formado por um padrão recorrente de recessões e de recuperações da economia, em que os diferentes setores são afetados de maneiras diferentes.

É importante identificar e saber separar o risco que afeta temporariamente o preço de uma ação, dos riscos inerentes ao gerenciamento e à operação do negócio. Os riscos que afetam os negócios podem ser permanentes. E neste caso, mesmo com prejuízos, a venda das ações pode ser a única alternativa. Assim, reconhecer a sensibilidade do setor é crucial para a realização da análise, uma vez que cada um pode reagir de maneiras diferentes, o que irá interferir na definição de uma previsão adequada para o setor analisado. Para se determinar isso, são analisados fatores como os impactos sobre o lucro nos diferentes ciclos econômicos, os impactos sobre as vendas, a alavancagem operacional e alavancagem financeira.

Cada setor da economia tem a sua própria dinâmica e responde de maneira diferente às variações no cenário macroeconômico e político. Assim, torna-se imprescindível que o investidor conheça as tendências para a oferta e para a demanda no segmento de atuação da empresa em que pretende investir, para os mercados consumidores de seus produtos e serviços e para os setores aos quais pertencem seus principais fornecedores e a tendência dos preços dos principais insumos que afetam a sua margem de lucro.

A análise setorial ajudar a compreender como as variações nos indicadores macroeconômicos irão influenciar um determinado setor da economia e, principalmente, uma determinada empresa. A desvalorização cambial, por exemplo, tende a ser favorável para os setores e as empresas cuja maior parte de suas receitas provenham das exportações. A forma como a macroeconomia afeta uma determinada empresa ou um setor tende a influenciar diretamente nas cotações, havendo grande correlação entre as variações nos indicadores econômicos que beneficiam o resultado da empresa e as variações no preço de suas ações.

“No momento em que todas as pessoas acreditarem em algo, a oportunidade já haverá passado”.

Michael C. Thomsett

Os setores econômicos apresentam diferentes características, dependendo dos objetivos das empresas que os integram e do estágio de desenvolvimento em que elas se encontram. É preciso estar atento para as variáveis setoriais, eventos que afetam especificamente o setor de atividades em que a empresa atua. Por exemplo, um aumento no preço internacional da celulose afeta positivamente as ações do setor (aumento de receitas e lucro potencial). Outras variáveis são possíveis inovações tecnológicas (por exemplo, um processo produtivo mais eficiente), mudanças nos preços de matérias primas, mudança no perfil dos concorrentes internacionais, mudanças na legislação que afetem a venda para outros países. Podemos classificar os setores econômicos em diversas categorias:

• Exportadoras - As empresas exportadoras se caracterizam por ter uma forte receita em moeda estrangeira. Por isso, investimento em ações de empresas exportadoras é particularmente interessante em cenários de desvalorização cambial ou de recessão no mercado interno. Por terem sua receita relacionada com a cotação de uma moeda estrangeira, essas ações são consideradas um hedge (proteção) contra a alta dessa moeda. Mas cuidado, pois as receitas de empresas exportadoras também dependem da demanda externa para os seus produtos, bem como dos preços de seus produtos no mercado internacional, não apenas da cotação da moeda estrangeira. Podemos citar como exemplo o setor de mineração, que se beneficia com a desvalorização cambial, em razão da maior parte da receita provir das exportações, e também com o aumento da demanda de países como a China.

PAUTA DE EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS – 2013

• Importadoras – Assim como as empresas exportadoras, as empresas importadoras apresentam grande exposição ao câmbio, porém, de maneira inversa. Essas empresas se beneficiam durante momentos de valorização cambial, pois se torna mais barato importar. A desvalorização cambial, por outro lado, desfavorece as importações e favorece as exportações. Neste caso, a indústria nacional ganha competitividade e a tendência é que as ações das empresas exportadoras se valorizem, desde que não tenham dívidas elevadas em divisa estrangeira.

PAUTA DE IMPORTAÇÕES BRASILEIRAS – 2013

"O sucesso é ter o que você deseja, e a felicidade é desejar o que você já tem".

Warren Buffet

• Bens de capital – São bens usados na produção de outros bens, especialmente bens de consumo, embora não sejam diretamente incorporados ao produto final. São as máquinas, equipamentos e instalações de uma indústria, veículos e material de transporte. Alguns autores consideram bem de capital como sinônimo de bem de produção. A indústria de bens de capital é dividida em 2 segmentos:
– Bens seriados – São produzidos em larga escala, de forma padronizada. Representam 80% do mercado de bens de capital. Sua produção é feita a partir de projetos padronizados, em lotes médios ou grandes. A fabricação desses equipamentos se dá no curto prazo. Vale destacar que este segmento é um dos primeiros a ser afetado por crises econômicas e também um dos últimos a reagir com a retomada da atividade da economia.
– Bens sob encomenda – A produção é realizada a partir de projetos específicos para determinadas unidades produtivas ou também a partir de projetos padronizados de produtos cuja fabricação é sob encomenda. Este segmento opera com carteira de pedidos de médio e longo prazo, o que lhe confere alguma margem de manobra para enfrentar mudanças no ritmo de crescimento da economia. Possuem características próprias, por isso dependem de tecnologia.
– Sazonalidade: A indústria de bens de capital apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e novembro, apresentando redução de dezembro até fevereiro.

Historicamente a competitividade da indústria brasileira baseou-se nos setores produtores de commodities, que operam com grandes escalas de produção, são intensivos em mão de obra e energia e recursos naturais com baixa transformação industrial. A análise do comportamento da indústria no período recente revela um aprofundamento da estrutura industrial e do padrão de especialização vigente desde a década de 1970. Em todos os complexos industriais mais sofisticados, com grau mais elevado de agregação de valor e maior dinamismo tecnológico, verificou-se um eventual retrocesso, caracterizando o período como uma etapa de especialização regressiva da indústria brasileira. o país se mantém, ao longo dos anos, deficitário em produtos com elevado grau tecnológico, o que corrobora o argumento da especialização de nossa indústria. A indústria de bens de capital se concentrou na produção de bens de menor conteúdo tecnológico, ao passo que os produtos mais sofisticados eram importados e, para tal, contavam com diversos estímulos fiscais e cambiais.

Os principais custos de produção do segmento de máquinas e equipamentos são matérias-primas (50% do total) e mão-de-obra (30%). Em sua maioria, os insumos de produção são produtos transformados do aço, alumínio e outros minerais metálicos, além de componentes eletrônicos, plásticos e borracha.

Os principais fornecedores encontram-se no mercado interno, entre eles: siderurgia e metalurgia, indústria de plásticos, energia elétrica e combustíveis. O principal fornecedor externo é do segmento de componentes eletrônicos e de informática (hardware e software), cuja intensidade de utilização pode ser tomada como indicador da evolução tecnológica do setor e da indústria em geral.

O Setor dependente do nível de investimentos da economia. Assim, quanto maior o patamar das taxas de juros reais, menor é a atração para a realização de novos investimentos. A desvalorização no câmbio afeta a competitividade dos bens de capital importados, acirrando a concorrência no mercado brasileiro e reduz as exportações dos fabricantes nacionais – parcela significativa da produção nacional é destinada ao mercado externo. O faturamento médio do setor nos últimos 5 anos encontra-se estável, assim como as exportações e as importações.

As barreiras à entrada de novas empresas no setor são elevadas, seja por custo, diferenciação de produto ou grau de desenvolvimento tecnológico. As principais deficiências identificadas no setor de bens de capital no País são a baixa escala produtiva, o pouco conteúdo tecnológico e a falta de certificação para colocação dos produtos nos mercados dos países desenvolvidos. Nos últimos anos houve um aumento da participação das importações de máquinas e equipamentos na formação bruta de capital fixo e na pauta de importações em um contexto de baixo crescimento. Tal fato revela, portanto, a substituição entre produção doméstica e bens importados.

"Não ache um culpado, ache uma solução".

Henry Ford

• Autopeças - A indústria fabrica uma grande diversidade de produtos utilizados pela cadeia automotiva (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), pela indústria de tratores e máquinas agrícolas e pela indústria de motocicletas. 90% da produção são destinados ao mercado interno, sendo 70% vendido para montadoras de veículos. Os custos de produção do setor variam conforme o tipo de produto fabricado, normalmente são compostos por 60% de matéria-prima, 22% de mão-de-obra e 10% de energia elétrica. Há componentes cujos preços são influenciados pelo câmbio como: alumínio, cobre, aço, plásticos, borracha, vidro, componentes eletrônicos e tintas. Apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e novembro, havendo redução de dezembro até fevereiro. Os setores fornecedores para a indústria de autopeças são: siderurgia, metalurgia, plásticos, alumínio, tintas, componentes eletrônicos, vidros e borracha.

Risco China – todas as grandes montadoras multinacionais já estão instaladas na China. Esse mesmo caminho está sendo trilhado pelas indústrias de autopeças. Com o elevado nível de competitividade chinesa, as matrizes das montadoras poderão passar a comprar autopeças das unidades fabris da China, levando o Brasil a perder mercado. Além disso, é um setor exportador, dependente do comportamento da taxa cambial. O faturamento do setor tem diminuído nos últimos 5 anos, bem como o índice de produção.

• Tratores e máquinas agrícolas – Cerca de 16% da produção são destinados ao mercado externo, sendo 20% destes destinados à ArgentinaAs importações de tratores representam 2% das vendas internas. O índice médio de nacionalização de peças é de 80%. O setor é dependente de juros e financiamentos. Também é dependente do nível de atividade na construção civil, embora em menor nível do que da agricultura.

Os fatores determinantes de demanda por parte do agrobusiness são as expectativas geradas pelo governo para a política agrícola, o volume de financiamentos liberados pelo BNDES, incentivos para a exportação e a cotação das commodities no mercado externo, que influem no nível de capitalização do produtor e, assim, na relação de troca trator/produto agrícola.

- Sazonalidade: Em torno de 64% das vendas se concentram entre os meses de março e setembro, período de maior capitalização dos produtores de grãos, de cana de açúcar, de laranja e de café. As vendas internas e a produção do setor têm aumentado. As exportações têm diminuído.

• Caminhões e Ônibus – 85% da produção de caminhões e 76% da produção de ônibus são destinados ao mercado interno. 46% das exportações são destinadas à argentina, 10% para o Peru e 13% para o Chile. 67% dos custos de produção são gastos com matérias-primas – aço, tinta, plástico, borracha, autopeças e 6% com mão-de-obra.

Setor exportador, dependente do comportamento do câmbio. Grande parte das matérias-primas são commodities com formação externa de preços como o aço e ligadas à cadeia petroquímica como borracha e plástico. O setor dependente de financiamento de longo prazo, da atividade industrial e da safra agrícola. As montadoras costumam conceder férias coletivas entre os meses de dez e jan em razão da baixa demanda e dos altos custos de produção. A demanda interna e as importações nos últimos 5 anos estão estáveis.

• Automóveis – 85% da produção de automóveis são destinados ao consumo interno, sendo 17% importados. As vendas de automóveis são maiores no segundo semestre, ocorrendo o pico em dezembro. Durante os meses de janeiro e fevereiro ocorre uma significativa queda na demanda. A Argentina responde por 55% das exportações de carros para o Brasil, seguida do México 24%. A Argentina também é destino de 76% das exportações de automóveis fabricados no Brasil. O setor é exportador, dependente do comportamento do câmbio, do financiamento de longo prazo, emprego, renda e confiança do consumidor. As vendas de automóveis novos tanto nacionais quanto importados vêm diminuindo no último ano, juntamente com a importação e a exportação. Contudo a produção ainda têm aumentado.

A indústria automotiva tem alta relevância para a economia brasileira, possuindo uma cadeia produtiva bastante densa a montante. Em 2012, respondeu por 21% do PIB industrial e por 5% do PIB. O faturamento líquido no segmento de veículos ultrapassou US$ 83,6 bilhões em 2012. No mesmo ano, as montadoras empregaram diretamente 129.907 pessoas e estima-se que os empregos diretos e indiretos em toda a cadeia do setor automotivo sejam de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas. A estrutura produtiva do país é composta por 21 fabricantes de veículos (associados à Anfavea), incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Há cerca de 500 autopeças e de 5 mil concessionárias.

A conjuntura internacional exerce impacto considerável no setor. Tanto no segmento de autopeças como no de veículos, a corrente de comércio é bastante expressiva, e o dinamismo da economia mundial, assim como o câmbio, interfere nas compras e vendas ao exterior.

• Aeroespacial - A indústria aeronáutica tem natureza e mercados globais, sua alta concentração decorre do processo de globalização ocorrido nas últimas décadas. O impacto da conjuntura internacional sobre o desempenho do setor é bastante significativo. Assim, os fabricantes Airbus (fábricas na Alemanha, Espanha, França e Inglaterra) e Boeing (Estados Unidos) dividem ao meio o mercado de aeronaves comerciais com mais de 150 assentos. Na faixa da Embraer (70 a 120 assentos), a Embraer tem de 50% a 60% do mercado e a canadense Bombardier, de 20% a 40% (dependendo do ano considerado). 

A capacidade do setor de mobilizar outras atividades (efeitos de encadeamento) é bastante limitada no caso do Brasil. Isso porque, como visto, trata-se de um setor com elevada dependência de investimentos em P&D e os fornecedores de bens de capital para o setor estão localizados, em sua maioria, no exterior. Assim, o nível de nacionalização ainda é relativamente reduzido e no caso brasileiro o obstáculo básico é a dificuldade de se atraírem investimentos de risco para prazos de retorno superiores a uma década. 

Os investimentos do setor têm dois condicionantes básicos: (i) as demandas do mercado (como em qualquer outro setor); e (ii) os elevados montantes envolvidos para a amortização gradual ao longo dos longos ciclos dos produtos – em geral, de 15 a 25 anos.

“Não existe esse negócio de investimento sólido independentemente do preço pago.”

Benjamin Graham

• Consumo - O setor comporta as empresas que se beneficiam diretamente com o aumento de renda, ou seja, o desempenho dessas ações está ligado ao ciclo salário, emprego e renda, principalmente da diminuição da inflação e redução dos juros. Assim, esses papéis tendem a exibir uma valorização toda vez que houver um reaquecimento da economia, que vai provocar uma retomada dos empregos e recuperação na renda do trabalhador. São setores como o comércio varejista, de alimentos, de vestuário, e bens de consumo etc.

Consumo Não Cíclico – As empresas que fazem parte deste setor são empresas voltadas a agropecuária, alimentos processados, bebidas, cosméticos e saúde. O setor de consumo não cíclico possui empresas que tem um faturamento mais homogêneo dentro do ano, diferentemente das empresas de consumo cíclico que possuem faturamentos diferenciados de acordo com a época do ano.

Consumo Cíclico – Determinadas empresas possuem desempenho caracterizado como cíclico, porque o preço dos seus produtos apresenta variações expressivas em função de forte aumento da demanda ou produção. Atualmente, por exemplo, o crescimento econômico da China tem gerado uma alta no preço das commodities. Esse movimento tem um reflexo direto na cotação das ações dessas empresas, que experimentam um período de altas consecutivas. A compra de ações dessas empresas no início do ciclo de alta do preço de seus produtos e a venda desses papéis no início do ciclo de baixa do preço é determinante na rentabilidade da operação. Mas pode ser difícil antecipar-se a estes ciclos. São empresas ramo de vestuários, tecidos, utilidades domésticas, lazer e hotéis e restaurantes.

O setor de varejo responde por 12,7% do PIB e é um dos setores que mais emprega, participando com 20% da mão-de-obra. Também é um dos primeiros a sentir os impactos causados por mudanças na conjuntura econômica. As vendas do setor são dependentes de variáveis como: nível de renda do consumidor, nível de emprego, juros, condições e prazos de financiamento ao consumidor. Geralmente, durante o 1º trimestre do ano, o nível de atividade no comércio é baixo, pois nesse período há concentração de pagamentos como IPTU e IPVA, o que comprime a renda da população. Nesse período, as lojas costumam fazer a reposição dos estoques.

Com a lançamento do Bolsa Família e a melhora de renda nas regiões Norte e Nordeste do país houve aumento das redes varejistas no consumo. – Sazonalidade: A maior demanda no comércio ocorre nas datas comemorativas, maio – dia das mães, junho – dia dos namorados, agosto – dia dos pais, outubro – dia das crianças, sendo mais expressiva em dezembro – natal e ano novo. Contudo o volume de vendas do varejo vem apresentando uma tendência de queda nos últimos 5 anos.

• Eletrodomésticos e eletroeletrônicos – Os custos com Matéria-prima correspondem a 47,3% e com mão-de-obra 17%. Setor altamente dependente da valorização cambial, mais de 70% das matérias-primas adquiridas pelas fabricantes de eletroeletrônicos são importadas. O preço do aço responde por 15% do preço final da média dos produtos. O Brasil importa quase 20% dos eletroeletrônicos consumidos no mercado interno, sendo que 68% são provenientes da china. Os produtos portáteis respondem por 38% das importações (notadamente panelas e ferramentas elétricas). O Brasil exporta 4% dos eletroeletrônicos produzidos no país. A cadeia desses produtos também é global, logo, variações no câmbio impactam fortemente os custos finais de todos os produtos.

Sazonalidade: Há maior concentração de vendas no 2º trimestre do ano (dia das mães e maior incidência de casamentos) e no 4º trimestre (natal e recebimento do 13º salário), por isso, a indústria antecipa a produção. A indústria apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e novembro, apresentando redução entre dezembro e fevereiro. O faturamento da indústria vem aumentando nos últimos 5 anos.

A indústria tem aumentos de custos em caso de desvalorização do câmbio ou então com a alta dos preços de produtos como o aço, alumínio e plástico. A demanda do setor é influenciada pelo nível de renda, emprego e condições de financiamento (disponibilidade de crédito e prazo para o pagamento).

• Produtos de Informática – Das vendas de computadores no país 50% são de notebooks, 25% tablets e 25% desktops. As principais matérias-primas das empresas produtoras de hardware são plástico, borracha, metal e, principalmente, componentes eletrônicos, cuja maior parte é importada da China 50% e do sudeste da Ásia 25%. A mão-de-obra qualificada é um custo relevante nos segmentos de software e serviços.

O setor tem grande dependência do câmbio, já que grande parte dos componentes utilizados no setor de informática é importada e/ou cotados em dólar, da renda da população, das condições de crédito (uso residencial) e do nível de atividade econômica (uso empresarial). Há Forte concorrência com o mercado informal, com a pirataria e o contrabando. Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de produção entre março e dezembro, apresentando redução entre janeiro e fevereiro. O faturamento dos fabricantes tem aumentado nos últimos 5 anos. As exportações do setor estão estáveis.

• Serviços de Tecnologia da Informação TI - Historicamente, no Brasil, o setor de software cresce a taxas superiores a dois dígitos (de 2011-2013, média de 12% ao ano). A indústria brasileira de desenvolvimento e serviços de software deve apresentar faturamento total de cerca de R$ 35 bilhões em 2014. Os principais fatores do crescimento são: aumento dos investimentos de TI de setores tradicionais da economia (como agricultura, transportes, saúde e educação); constante incentivo para terceirizar serviços e infraestruturas internas de TI; difusão de aplicativos móveis; e advento de novas tecnologias (como Internet das Coisas e Big Data).

O Brasil, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes)/IDC, ocupa a sétima posição no ranking internacional dos investimentos em TI (que inclui hardware, software e serviços). Esse mercado movimentou cerca de R$ 62 bilhões em 2013, representando cerca de 2,7% do PIB brasileiro e 3% do total global do setor. Finanças, serviços e telecom representaram praticamente 51% do mercado usuário, seguidos por indústria, governo e comércio. Contudo, é muito difícil prever o futuro da TI, em razão dos seus ciclos econômicos serem muito rápidos, valendo resaltar que o setor está influenciando cada vez mais todo os tipos de atividades, não só econômicas.

Há diversos gargalos que impedem um maior crescimento do setor de TI no Brasil, sendo talvez a falta de oferta de mão de obra qualificada o mais importante.
Um estudo da Brasscom indicava um hiato de 115 mil profissionais em 2012, e outro da Softex previa uma demanda de 280 mil profissionais superior à oferta disponível em 2020. Muita burocracia legal e carga fiscal elevada tornam o Brasil pouco competitivo como plataforma de exportação. Há um fraco ambiente de financiamento à inovação, o que pode ser explicado em parte pelas taxas básicas de juros elevadas no Brasil. E, por fim, há comparativamente um baixo grau de empreendedorismo; a cultura de abrir o seu próprio negócio ainda não é tão forte no Brasil como a de prosperar como funcionário dentro de uma grande empresa.

"As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as circunstâncias de que precisam e, quando não as encontram, as criam".

Bernard Shaw

• Indústria de alimentos – A indústria de alimentos se destaca por ser um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira. Além de atender à demanda doméstica por alimentos, o setor tem papel de destaque no comércio exterior do país: em 2013, o agronegócio exportou cerca de US$ 100 bilhões, gerando um superávit comercial de aproximadamente US$ 82 bilhões. Dado o aumento da demanda interna e externa, o setor deve investir na ampliação da capacidade produtiva e no fortalecimento de suas marcas, principal fator de diferenciação e agregação de valor nessa indústria. Atualmente, há uma tendência internacional de consolidação no setor, com as maiores empresas adquirindo as menores, no país de origem ou em outros.

Cerca de 75% da produção de alimentos industrializados no país são destinados ao mercado interno, sendo os segmentos atacadistas e supermercadistas os grandes clientes da indústria alimentícia, respondendo por 70% da demanda. O setor tem o seu desempenho vinculado ao do setor agropecuário e apresenta um volume maior de produção e de vendas ao longo do segundo semestre. O principal gargalo/obstáculo à ampliação dos investimentos do setor é a infraestrutura logística deficiente.

O setor é bastante afetado pela conjuntura internacional, pois não só seus insumos (produtos agropecuários) são influenciados pelas cotações internacionais,
mas também, para parte da indústria, as exportações representam parcela significativa de sua receita, como no caso de carnes, suco de laranja, açúcar e das esmagadoras de soja. A participação das importações no mercado interno é pequena e restrita a alguns segmentos.

O comportamento dos preços das commodities agrícolas determina grande parte dos custos de produção. Outros custos importantes são: mão-de-obra, embalagens, energia elétrica, transporte e logística e distribuição. As importações de alimentos são pouco expressivas representando 2% do consumo aparente do setor.  As exportações da indústria de alimentos representam cerca de 25% do faturamento do setor, com destaque para o segmento de carnes, responsável por 36% das exportações de alimentos.

O setor sofre dependência da renda da população, está sujeito às pressões de custos das commodities agrícolas (soja, milho, trigo, etc.), sofre impacto da taxa de câmbio nos custos de produção (insumos dolarizados) e nas receitas de exportações. A importação de alimentos vem aumentando nos últimos 5 anos. As exportações encontram-se estáveis. O faturamento do setor é crescente, sendo um mobilizador de outras atividades econômicas, tanto para frente como para trás.

• Indústria de bebidas – O Brasil é o terceiro maior produtor e consumidor de cervejas e refrigerantes do mundo, sendo esses dois produtos os principais itens da indústria brasileira de bebidas.As embalagens participam com 44% dos custos na produção de cervejas e refrigerantes e as matérias-primas com 29% (Malte 70% importado e Lúpulo importado). A indústria de refrigerantes importa o concentrado à base de cola. A produção nacional se destina predominantemente para o mercado interno. Por não ser um item de primeira necessidade, o consumo de bebidas é dependente da renda da população, sendo que elevações de preços ou queda na renda levam os consumidores à substituição de bebidas de marca por outras mais populares.

A produção da indústria brasileira de bebidas é destinada ao consumo interno, que apresenta baixíssima penetração de importações, assim como coeficientes de exportação irrelevantes. Dessa forma, a conjuntura internacional não tem reflexo direto na demanda do setor. Por outro lado, fatores como câmbio e cotações internacionais dos insumos commodities impactam diretamente nos custos de fabricação dos produtos.

O câmbio afeta parte dos custos do setor tais como: embalagens, combustíveis, malte para cerveja, xarope de cola para refrigerantes. Os preços de commodities como o açúcar também afetam os custos de produção. Sazonalidade: O consumo de cerveja e de refrigerantes é mais elevado no período de verão, nas festas natalinas e no Carnaval. Cerca de 40% das vendas de cerveja são realizadas entre dezembro e fevereiro.

Outro ponto sensível ao desempenho da indústria se refere à tributação da cerveja. O Brasil é o país que aplica as maiores alíquotas na América Latina, acima de países congêneres, como México, Argentina e Chile. Com a elevação real do nível de tributos federais prevista para os próximos anos, o Brasil se aproximará do grupo de países que tributam as bebidas alcoólicas de forma relativamente elevada, como Noruega, Finlândia, Suécia e Coreia do Sul. O elo da cadeia responsável pela distribuição e a comercialização também apresenta números consideráveis de geração de emprego.

• Tecidos, vestuário e calçados – O Brasil é o 5º maior produtor de têxtil e de confecções, mas a maior parte de sua produção é destinada ao mercado interno. O país exporta 8% da produção nacional do segmento têxtil, principalmente para a Argentina e os EUA. O nível de demanda desse segmento também é sensível ao nível de preços e nível de renda da população. Suas principais matérias-primas, ligadas à cadeia petroquímica, têm os preços dolarizados (borracha e plástico) e dependem das cotações do mercado internacional.

O setor sofre forte concorrência com a China em produtos de baixo valor agregado. 65% dos custos de produção do setor são compostos por matéria-prima e 30% por mão-de-obra. As importações brasileiras do segmento têxtil respondem por 26% do consumo interno, vindas notadamente da China 43%, Indonésia 8% e Índia 12%. No segmento de confeccionados, as importações respondem por apenas 6,4% do mercado interno, sendo originadas notadamente da China. As importações provenientes da China vêm aumentando. A produção e o consumo interno estão estáveis.

Os custos do setor de calçados ligados à cadeia petroquímica – plásticos e borracha sintética – são dolarizados. É um setor intensivo em mão-de-obra – principalmente na produção de calçados de couro. A maior concentração das vendas ocorre no 2º semestre do ano. 85% da produção de calçados no país são destinados ao consumo interno, perceber-se uma diminuição na exportação e um crescente aumento da demanda interna. No setor têxtil a maior concentração de vendas ocorre no período de março a novembro.

• Artigos farmacêuticos e cosméticos – Entre os principais custos de produção de medicamentos estão os farmacoquímicos (matéria-prima), embalagens, logística de distribuição, propaganda e mão-de-obra. As exportações de fármacos representam 61% da produção interna, com destino mais pulverizado (destaque para Estados Unidos e Argentina). O volume de vendas do setor tem crescido nos últimos 5 anos, apresentando uma tendência de alta, juntamente com o valor médio dos medicamentos.

Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e dezembro, apresentando redução em janeiro e fevereiro. O setor é altamente dependente da renda e do emprego e do risco cambial em função da forte dependência de importações de fármacos. A exportação de medicamentos se encontra estável.

Atualmente, a cadeia produtiva da indústria farmacêutica apresenta baixo grau de adensamento produtivo, importando entre 80% e 90% dos insumos, notadamente os de síntese química. Apesar do crescimento da participação das empresas de capital nacional no mercado brasileiro, na última década, a base industrial brasileira não tem sido capaz de atender plenamente à demanda doméstica por medicamentos, o que se expressa em saldos negativos crescentes na balança comercial, que atingiram US$ 8 bilhões em 2013.

"Várias das grandes fortunas do mundo foram feitas por pessoas que eram donas de um único e maravilhoso negócio. Quando você entende do negócio, você não precisa ser dono de muitos."

Warren Buffett

Materiais básicos - São empresas que trabalham normalmente com exploração de matérias-primas, normalmente estão ligadas a extração de minérios, vegetais ou a primeira manufatura dos mesmos. Englobam-se neste setor as empresas de mineração, siderurgia e metalurgia, químicos, madeira e papel e embalagens. São empresas normalmente focadas em produtos para outras empresas, normalmente são materiais com base em madeira, produtos químicos, ligas e metais.

• Petróleo e derivados – O setor é considerado estratégico para o crescimento econômico por ser a principal fonte de energia no mundo e no Brasil (39% da matriz energética). O petróleo responde por 33% do consumo global de energia, seguido do carvão 30% e do gás natural 24%. O setor de petróleo e derivados é o 2º maior exportador do Brasil, respondendo por 12,8% das exportações brasileiras.

O Brasil exporta cerca de 27% da produção de petróleo. Os principais compradores são EUA 28,5% (quase ¼ do consumo mundial), China 23% e Índia 17,3%. Cerca de 72% do óleo processado nas refinarias brasileiras é nacional (petróleo pesado). 21% dos derivados de petróleo consumidos no país são importados. A América do norte é o principal fornecedor de derivados, com destaque para os EUA.

O petróleo pesado, mais utilizado para o refino de óleo combustível e asfalto – petróleo brasileiro, tem uma defasagem de preço em relação ao preço do petróleo leve, de melhor qualidade, utilizado para o refino de nafta, GLP, óleo diesel, gasolina A e gasolina de aviação. Não há sazonalidade na produção de petróleo e na produção de derivados. A demanda é influenciada diretamente pelos níveis de estoques dos EUA e da China.

Os maiores custos para a extração de petróleo estão ligados tanto à contratação de prestadores de serviços como a pessoal empregado. No caso do refino, os maiores custos estão ligados á matéria-prima (preço do petróleo) e à contratação de prestadores de serviços. É um setor exposto ao risco geopolítico, principalmente no Oriente Médio, e à valorização cambial. Além de ser um setor intensivo em capital, no país há um “Controle” do Governo sobre os de preços de derivados através da Petrobras.

O Oriente Médio detém 48,5% das reservas provadas mundiais e 33% da produção mundial de petróleo. O atual sistema de exploração de petróleo no Brasil é o de concessão. Contudo, devido a fatores de infra-estrutura (antes da privatização), a Petrobras continua sendo a principal empresa na extração de petróleo no Brasil. No refino, a Petrobras também é líder absoluta, com 98% da capacidade de processamento nacional de petróleo. A produção brasileira de petróleo está estável nos últimos 5 anos, o consumo ainda aumenta. A produção e o consumo de derivados continuam aumentando. A exportação de petróleo e derivados tem diminuído e as importações se encontram estáveis.

Estimativas da Petrobras indicam uma reserva entre 40 e 70 bilhões de barris de petróleo na camada pré-sal, localizadas nas Bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Confirmada reservas de 40 bilhões de barris, o Brasil passaria a deter aproximadamente 3,5% das reservas mundiais (hoje possui 0,9%). Por isso, o Brasil passou a ser visto como uma das mais promissoras fontes de óleo cru nos próximos anos. Caso se mantenha estável a produção dos outros países, o Brasil poderá responder por 4,8% da produção mundial, alcançando a 6ª colocação no ranking de produção mundial –atualmente ocupa a 13ª colocação.

O principal motivo para a concentração no processamento de óleo é o fato das refinarias da Petrobras não praticarem necessariamente os preços de mercado, uma vez que a empresa tenta não repassar a volatilidade das cotações internacionais do petróleo para os preços de alguns derivados, como gasolina.

• Distribuição de combustíveis - As despesas financeiras representam a maior parcela dos custos das distribuidoras. Outros custos relevantes são: impostos, aluguel e royalties. Cerca de 17% dos derivados de petróleo consumidos no mercado interno são importados. Quase 50% das vendas de combustíveis são realizadas no Sudeste. O estado de São Paulo sozinho detém 27% das vendas internas de combustíveis. Aproximadamente 15% dos derivados de petróleo produzidos no Brasil são exportados, notadamente para a América Latina. Os EUA importam cerca de 60% do etanol produzido no Brasil.

Como os preços de petróleo são cotados em dólar no mercado internacional, os combustíveis derivados de petróleo têm seus preços atrelados tanto ao câmbio como à volatilidade desses preços. Porém, nem todos os preços de combustíveis seguem variação de mercado dada pelos custos e pelo grau de concorrência do setor. Assim, é observado algum tipo de “controle” de preços pela Petrobras.

Sazonalidade: As vendas de combustíveis e gás GLP são concentradas no segundo semestre do ano, quando a atividade econômica é mais intensa. A indústria apresenta um volume maior de produção e de vendas entre março e dezembro, apresentando redução em janeiro e fevereiro. As vendas de diesel, gasolina e GLP são crescentes, a de GNV estável e a de etanol vem caindo nos últimos 5 anos, estando atualmente estável. As exportações de açúcar também se encontram estáveis, juntamente com o consumo interno. A produção interna de açúcar e de etanol se encontra estável.

A produção de álcool é sazonal, com colheita e moagem da cana entre os meses de abril e novembro. Isso faz com que o consumo de álcool também esteja atrelado à sazonalidade dos preços do álcool anidro (usinas).

"Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como se lidará com o pior. Jamais faça um investimento por otimismo apenas".

Max Gunther

• Química e petroquímica – A matéria-prima predominante no setor é o Nafta 92%, sendo 33% importada, e o gás natural 8%. É um setor eletro-intensivo e intensivo em capital, que demanda elevados investimentos em tecnologia. É um setor cíclico em função do longo período de maturação dos investimentos realizados no setor, o crescimento da produção ocorre periodicamente e em grandes volumes, ao passo que a demanda não cresce na mesma proporção, levando o setor a desequilíbrios, alternando-se dessa forma, períodos de preços elevados no mercado internacional e fases de margens comprimidas. Este é um fator de elevado risco, pois no período de baixa do ciclo as empresas continuam arcando com elevados custos fixos inerentes da indústria petroquímica. As empresas do setor têm endividamento atrelado ao dólar.

As empresas químicas têm diversos clientes, dos quais o maior é a própria indústria química. A indústria tem fortes encadeamentos na economia, principalmente à frente. Entre seus principais clientes, estão empresas de virtualmente todos os setores da economia, como: as indústrias têxteis, eletrônica, elétrica, de transportes, automobilística, construção civil, aço, papel e o agronegócio, entre outras.

O Brasil importa 22% do seu faturamento e exporta 10%. O faturamento do setor vem aumentando nos últimos 5 anos, bem como a produção interna de produtos químicos. Contudo, a produção nacional de nafta vem diminuindo neste período, apesar do seu consumo estar aumentando. As importações de nafta vêm aumentando. O nafta representa 70% dos custos das centrais petroquímicas. O preço da nafta fornecida pela Petrobras está atrelado às cotações ara (amsterdã, roterdã e antuérpia) e à taxa de câmbio. A indústria petroquímica brasileira tem reduzida competitividade no mercado Internacional. Por outro lado, a indústria petroquímica tem elevada capacidade de repasse de preços, porque o produto petroquímico é essencial para diversos outros produtos industriais e a base de setores compradores é larga, ao passo que os fornecedores são apenas 4 centrais. A Braskem detém as quatro centrais petroquímicas no Brasil.

No Brasil, as vendas da indústria totalizaram US$ 162 bilhões em 2013, o que a torna o 6º maior mercado do mundo.Apesar de sua importância, a indústria química brasileira necessita aumentar sua competitividade a fim de enfrentar a concorrência acirrada com os produtos importados, que tem resultado em déficits crescentes na balança comercial do setor. 

• Minério de ferro - 87% produção nacional de minério de ferro é destinada à exportação. Dado que o minério de ferro é uma commodity internacional, os preços do minério praticados no mercado doméstico são balizados no mercado externo, descontadas as despesas portuárias. A Vale negocia o valor trimestralmente, tomando como referência para o reajuste o Iodex (Iron Ore Index), tendo a China como seu maior cliente, responsável pela demanda de 65% do minério de ferro extraído mundialmente.

Os principais insumos do setor são: Insumos – níquel, alumínio, minério e pelotas, serviços de manutenção e transportes, peças para manutenção de equipamentos, insumos como explosivos e calcário, pneus, correias transportadoras. Em razão do baixo valor agregado do minério de ferro, a eficiência da logística de escoamento da produção é fundamental para a competitividade da mineradora. Por essa razão o minério destinado à exportação é, em sua maioria, transportado por ferrovia. O setor tem dependência do comportamento do setor siderúrgico no Brasil e no mundo, bem como uma dependência do câmbio alto. Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de exportações entre julho e dezembro, apresentando redução em janeiro e junho. A produção mundial e nacional de minério de ferro vem crescendo nos últimos 5 anos, apesar da produção chinesa se encontrar estável. A tendência também é de alta para o preço do minério.

• Siderurgia – O aço brasileiro é competitivo no mercado internacional em razão da logística, pois as principais siderúrgicas estão localizadas próximas dos portos de embarque e próximas das minas de minério de ferro. Esse complexo é todo interligado por ferrovias especializadas em transporte de minério e aço. Há um reduzido custo da mão-de-obra em relação aos outros países produtores, sem contar que o minério de ferro brasileiro é altamente competitivo internacionalmente por ter alto teor de ferro e custo reduzido. As exportações normalmente são concentradas em produtos semi-acabados de aço, como as placas, que são laminadas nos países mais próximos dos grandes centros consumidores, como Europa, EUA e Ásia. 38% dos produtos siderúrgicos importados pelo Brasil vem da China. Os EUA importam 44% dos produtos siderúrgicos produzidos no Brasil.

Contudo, o mercado de aço é caracterizado, atualmente, por uma situação de sobreoferta e de margens reduzidas, tanto no Brasil quanto no mundo. Assim, vários investimentos siderúrgicos foram postergados ou definitivamente abandonados. É uma indústria altamente intensiva em capital, que necessita de investimentos em ativos destinados a projetos de longo prazo de maturação, precisando de grandes barreiras à entrada e à saída. Cabe destacar que a capacidade produtiva brasileira atual é praticamente o dobro do consumo aparente interno, o que não estimula novos investimentos em aumento de capacidade direcionados para o mercado interno.

Há uma tendência de melhora nas margens, nos próximos anos, mais pela diminuição dos custos de produção do que pelo aumento dos preços dos produtos siderúrgicos. Os custos de produção variam de acordo com a especialidade de cada empresa, o carvão mineral (100% importado) responde em média por 25%. Os contratos de compra de minério de ferro são de longo prazo (de 5 a 10 anos), são fixadas as quantidades dentro de bandas podendo ser ajustadas de acordo com a maior ou menor necessidade de fornecimento. Dado que o minério de ferro é uma commodity internacional, os preços do minério praticados no mercado doméstico são balizados no mercado externo, descontadas as despesas portuárias. A negociação de preços entre siderúrgicas e empresas consumidoras ocorre a cada trimestre. Não há sazonalidade na produção de siderúrgicos, pois os alto-fornos operam ininterruptamente.

O processo de transformação do alumínio é intensivo em energia elétrica e, por isso, as indústrias são consumidoras diretas das usinas produtoras de energia elétrica (muitas produzem energia). Os gastos com energia elétrica podem chegar a mais de 40% dos custos da indústria do alumínio. As importações de alumínio respondem por 25% do consumo aparente, sendo a Argentina, China e Venezuela os principais países de origem. O Brasil exporta 36% da produção de alumínio primário. A demanda por alumínio é crescente.

O setor é intensivo em capital e em recursos naturais, como o minério de ferro, com grande disponibilidade no país e de boa qualidade e o carvão mineral, que é escasso no país e tem baixa qualidade, razão pela qual a maior parte do carvão utilizado é importada. O segmento de aços longos é mais sensível à redução dos investimentos e à contenção do crédito, pois os produtos são destinados basicamente a setores sensíveis a estas variáveis como construção civil e bens de capital. Já o segmento de aços planos é mais sensível à variação da oferta de crédito e renda, pois está mais ligado à produção e vendas do complexo automotivo e linha branca.

Assim, o setor produtor de bens intermediários é bastante sensível ao desempenho da indústria geral, sendo diretamente afetado pelo nível de atividade econômica e ao nível de investimento. É um setor exportador – dependente do câmbio e do nível de atividade econômica mundial. O câmbio afeta alguns custos básicos de produção como o coque e o carvão mineral. Tanto a produção quanto as vendas internas do setor estão estáveis. As exportações vêm diminuindo e as importações estão estáveis.

"A diversificação é uma proteção contra a ignorância, faz pouquíssimo sentido para quem sabe o que está fazendo".

Warren Buffett

• Cimento e Materiais de Construção - Praticamente não há concorrência com produtos importados, pois 98% do cimento produzido no País se destina ao consumo interno. Cabe ressaltar ainda que 96% do cimento produzido são despachados por transporte rodoviário, havendo um elevado custo de transporte. O setor apresenta pouca sazonalidade, mas o primeiro trimestre é o mais fraco, em razão das chuvas de verão, e o segundo semestre é historicamente mais forte devido ao aumento do nível de atividade econômica.

A indústria de cimento é eletro-intensiva, pois mais da metade de seus custos são gastos com energia, sendo 80% desde com combustíveis e 20 com energia elétrica.  O setor dependente do nível de atividade da construção civil e de indicadores como renda e emprego que exercem grande influência nas vendas de cimento, uma vez que há grande participação do consumidor pessoa física. O consumo interno de cimento é crescente, juntamente com a produção.

• Papel e celulose - O Brasil é o maior produtor mundial de celulose de fibra curta, pois o clima brasileiro favorece o plantio de eucalipto. O Brasil é auto-suficiente na fabricação de papel, porém ainda é dependente da importação de papel imprensa. O Setor é voltado à exportação, fazendo com que o preço da celulose e o câmbio expliquem 80% da margem EBITDA do setor, sendo os maiores consumidores mundiais de papel EUA e China. 61% da produção de celulose 20% da produção de papel são destinados à exportação.

Por se tratar de um segmento que atua basicamente em commodities, a competição ocorre por custos, sendo a madeira o principal fator de competição. O Brasil é um país altamente eficiente na produção de celulose, e a razão do alto crescimento da produção nacional advém dessa alta competitividade, que por sua vez é oriunda de condições edafoclimáticas altamente favoráveis e um longo histórico de investimento em pesquisa e desenvolvimento florestal. Adicionalmente, o contínuo aumento da demanda por celulose solúvel no mundo traz oportunidades para os produtores brasileiros.

Apesar de as plantas produtivas serem voltadas para a fabricação de um único produto, a celulose, observa-se uma nova tendência no setor, que é a utilização de subprodutos e resíduos obtidos ao longo do processo produtivo, passando a tratar a planta como uma biorrefinaria voltada para a produção de bioprodutos e energia.Mais de 65% de toda a energia consumida pelo setor é auto gerada no processo de produção de celulose, por meio da queima do licor negro, produzindo vapor. Quase a metade do papel consumido no Brasil é reciclada. Os principais custos de produção de celulose são: madeira 44% e produtos químicos 23%. O setor de papel e celulose é bastante competitivo no Brasil, por possuir o menor custo de produção do mundo. A maior parte da madeira comprada pela indústria é de produção própria, em torno de 90%. O segmento de celulose é bastante concentrado, pois a escala de produção é elevada, sendo intensiva em capital.

Sazonalidade: A indústria apresenta um volume maior de produção e de exportações entre julho e dezembro, apresentando redução em janeiro e junho. As exportações de papel vêm diminuindo nos últimos 5 anos. Contudo, o consumo interno vem crescendo bastante, juntamente com a produção. Tanto o consumo interno quanto as exportações de celulose vem crescendo. Estima-se que entre 2007 e 2013, o segmento de celulose tenha contribuído para cerca de 17% do saldo da balança comercial brasileira e em 2013, o setor gerava 128 mil empregos diretos, sendo 79 mil na indústria e 51 mil em atividades florestais, e 640 mil empregos indiretos.

É um setor cíclico em função do longo período de maturação dos investimentos realizados no setor. O crescimento da produção ocorre periodicamente e em grandes volumes, ao passo que a demanda não cresce na mesma proporção, levando o setor a desequilíbrios. Dessa forma, alternam-se períodos de preços elevados no mercado internacional e fases de margens comprimidas, havendo um alto endividamento em moeda estrangeira das empresas do setor. Vale dizer que o setor de celulose é diretamente dependente da demanda por papéis, que costuma se relacionar de forma próxima com o PIB, à exceção dos papéis gráficos, que, em anos recentes, passaram a crescer menos do que o PIB em função da concorrência mais intensa com a mídia digital. Portanto, pode-se dizer que um bom desempenho econômico global costuma se refletir em boa demanda por celulose de mercado.

• Pneus e borracha – Cerca de 2/3 da borracha natural consumida no país é importada do sudoeste da Ásia. A borracha sintética (ou elastômeros) é produzida na 2ª geração petroquímica. O Brasil importa e exporta borracha sintética. As importações respondem por 40% do consumo doméstico e as exportações respondem por 40% da produção nacional. O consumo interno de pneus se encontra estável. As exportações de borracha natural têm aumentado.

Cerca de 56% dos custos de produção de pneus correspondem à matéria-prima (borracha natural e sintética), o restante é composto por Nylon, poliéster, produtos químicos – produzidos pela indústria química e petroquímica, os preços desses insumos são dolarizados, assim como o aço – fornecido pela siderurgia. A demanda por pneus é dependente de renda, juros e financiamentos, visto que os maiores demandantes são a cadeia automobilística e o mercado de reposição. É setor exportador – dependente do comportamento do câmbio e de matéria-prima importada (borracha natural), que tem custos dolarizados.

• Fertilizantes – 70% do consumo interno de fertilizantes é importado. A Petrobras e a Vale são algumas das principais empresas fornecedoras de matéria-prima para o setor. 76% do consumo de fertilizantes está concentrado em 4 culturas: soja, milho, cana e café. Em média, 70% das matérias-primas são importadas, e há produtos, como o enxofre e o potássio, que são 100% importados. Os principais custos são ligados à cadeia petroquímica e sofrem os efeitos dos preços do petróleo e da desvalorização cambial. O Setor é dependente da renda agrícola e do pacote agrícola do governo.

Sazonalidade: 60% das vendas de fertilizantes se concentram entre os meses de julho e novembro, que é o período de plantio de grãos na safra de verão. A importação de fertilizantes é crescente, assim como a demanda interna, contudo, a produção tem diminuído.

"Não será a economia que derrubará os investidores, serão os próprios investidores".

Warren Buffet

• Bancos - O setor bancário brasileiro tem apresentado uma rentabilidade substancialmente superior àquelas registradas em setores produtivos nos últimos anos. A rentabilidade obtida atualmente pelos bancos provém de duas grandes fontes: tarifas por serviços prestados e spreads decorrentes da atividade de intermediação. As margens do setor são diretamente influenciadas pelas pressões inflacionárias e da taxa de juros e pela demanda por crédito. O ambiente macroeconômico, portanto, tem papel fundamental na determinação da oferta e das condições do crédito bancário.

O menor crescimento do produto e da renda resulta em menor demanda por crédito, dado o nível mais baixo dos gastos dos agentes (firmas e famílias), além de aumentar a inadimplência por parte dos tomadores de crédito. Alternativamente, o maior crescimento do produto e de renda aumenta a demanda por crédito e diminui o nível de inadimplência, impactando positivamente sobre a avaliação de risco do crédito por parte dos bancos. 

Os principais bancos se assemelham em suas atuais estratégicas competitivas, que passam pela aquisição de outras instituições, contratação de correspondentes bancários e acordos operacionais com redes varejistas, visando ampliar o crédito para pessoas físicas. Os períodos de maior crescimento do crédito bancário, como 1994-1995 e 2004-2008, coincidem, de grosso modo, com períodos de maior crescimento econômico, uma vez que é de se esperar que as firmas busquem novas fontes de financiamento para expansão de suas atividades, assim como as famílias busquem expandir seus gastos com bens de consumo com crédito, durante as fases de crescimento da renda e do nível de atividade econômica.

Contudo, o Brasil apresenta baixa eficiência da intermediação financeira, a elevada concentração bancária no país leva alguns bancos a possuir parcelas significativas dos mercados de captação e de crédito, concedendo-lhes grande poder de fixação de preços para prestação de serviços financeiros, uma tendência mundial. Além disso, a elevada taxa básica de juros brasileira que, associada com as elevadas necessidades de financiamento do setor público, retiram grande parte do crédito dos setores produtivos.

• Construção Civil - Todos os setores da economia são ligados à construção civil, que responde por 6% do PIB.  As obras na construção pesada (grande porte) são geralmente realizadas por empreiteiras, as obras de infra-estrutura correspondem a 44% do valor da produção do setor, as obras industriais e comerciais 15%, os serviços especializados 17% e obras residenciais 22%, e 2% incorporação. As incorporadoras, donas do empreendimento, contratam uma consultoria de engenharia para realização do projeto, uma empreiteira para a execução da obra e uma imobiliária para venda das unidades.

O setor é bastante intensivo em mão-de-obra, principalmente de mão-de-obra não qualificada. A mão-de-obra participa com 52% dos custos da construção, sendo 40% restante despesas com o material. O setor emprega cerca de 8% da mão-de-obra no País, mas a geração de empregos vem caindo nos últimos 5 anos. As obras encomendadas/realizadas pelo setor público respondem por 44% da construção civil, enquanto o setor privado responde por 56% das obras. O déficit habitacional brasileiro soma 5,244 milhões de domicílios. A região Sudeste é que possui a maior necessidade de moradias (2 milhões), seguida pela Nordeste (1,7 milhões).

Sazonalidade: O primeiro trimestre do ano é mais ameno em razão das chuvas, por isso historicamente 60% dos lançamentos de imóveis são realizados no 2º semestre do ano. O período de férias (janeiro e julho) são os mais fracos para a venda de imóveis. O setor dependente de financiamento de longo prazo e de política habitacional do governo. É sensível a taxa de juros, renda e emprego. As despesas do Governo com obras de infra-estrutura vêm aumentando. Por outro lado, o crédito habitacional vem diminuindo nos últimos 5 anos. As vendas da indústria de materiais de construção estão estáveis.

• Elétrico - A hidroeletricidade ainda é a principal fonte na expansão do setor, com 23,3 GW em projetos em execução. Porém, começa a dar lugar às demais fontes renováveis e à energia termelétrica. Em segundo lugar, cabe destacar a energia eólica, que se tornou competitiva. Atualmente, existem 4,1 GW em operação comercial e mais de 10 GW em construção. Atualmente, o Brasil possui cerca de 40 GW em termelétricas, sendo 12,5 GW movidos a gás natural, que é a principal fonte fóssil de eletricidade do país.

O setor conta com uma indústria local de bens de capital que provê máquinas e equipamentos para seus três principais segmentos (geração, transmissão e distribuição). Contudo, nos últimos anos o setor observou a elevação da participação das importações na composição dos bens de capital adquiridos.

Os principais condicionantes para esses investimentos são: as políticas de revisão e reajuste tarifário, executadas pelo regulador (Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel), ou seja, os riscos regulatórios além do tributário, e as condições de financiamento aos investimentos e aos custos operacionais do segmento. Atualmente, o segmento de distribuição passa por uma necessidade de gastos expressivos, por conta do acionamento das termelétricas flexíveis para complementar a operação das hidrelétricas.

Os investimentos no setor elétrico contam com prazos de maturação longos e, em geral, pouco sensíveis a mudanças macroeconômicas de curto prazo. A perspectiva de  investimentos para o setor no horizonte de 2015-2018 é de R$ 192,2 bilhões. Essa estimativa tem por base os leilões de geração e transmissão de energia já realizados. O destaque é a geração de energia elétrica, cujos investimentos foram estimados em R$ 118,8 bilhões, entre os quais R$ 56,3 bilhões referentes a empreendimentos hidrelétricos, sendo mais da metade já contratada por leilões públicos. 

“Limite suas avaliações a empresas qualificadas para investimento, excluindo dessa categoria aquelas que não atenderem a critérios específicos de solidez financeira".

Benjamin Graham

• Agropecuária - O setor envolve as atividades humanas destinadas ao cultivo da terra (agricultura) e à criação de animais (pecuária). Abrange não só a produção de alimentos destinados ao consumo humano, mas também a alimentação de animais e a produção de matérias-primas industriais, como as voltadas à produção de energia, de celulose, têxtil e de borracha. A agropecuária destaca-se por ser um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira. Além de atender à demanda doméstica por alimentos e matérias-primas industriais, o setor é o grande responsável por equilibrar as contas externas do país: em 2013, o agronegócio exportou quase US$ 100 bilhões, gerando um superávit comercial de quase US$ 82 bilhões. Dadas as perspectivas de aumento das demandas interna e externa, o setor deve continuar investindo tanto em aumento da capacidade produtiva e de armazenagem quanto em ganho de produtividade.

A principal força das empresas agropecuárias brasileiras é o custo de produção mais baixo em relação aos concorrentes estrangeiros, em razão do clima favorável, da ampla disponibilidade de terras cultiváveis e da existência de instituições de pesquisa agropecuárias renomadas. A principal fraqueza é a infraestrutura logística deficiente, que impede, em muitos casos, o aumento da produção, por falta de capacidade de escoamento e armazenagem. Contudo, a importância do setor como mobilizador de outras atividades é muito grande, tanto para frente como para trás.

O principal gargalo/obstáculo à ampliação dos investimentos do setor é a infraestrutura logística deficiente. A falta de armazéns para estocar as crescentes safras agrícolas, bem como de rodovias, ferrovias e portos adequados ao escoamento dessas safras, encarece demasiadamente o custo dos fretes e inviabiliza economicamente a produção em determinadas regiões do país. O principal investimento do setor é a aquisição de terras, ao lado da abertura e do preparo de áreas para exploração econômica. Além da terra, os principais investimentos diretos são em infraestrutura nas propriedades (estradas internas, pontes, armazéns, galpões etc.) e maquinário. Dessa forma, a capacidade de produção está diretamente vinculada à área disponível de exploração.

O principal desafio ao maior adensamento da cadeia produtiva agropecuária está ligado à estrutura tributária brasileira. Enquanto o produto primário pode ser exportado praticamente sem impostos desde a Lei Kandir, os exportadores de industrializados não conseguem recuperar todos os impostos incluídos em seus produtos, gerando favorecimento à exportação dos produtos primários em detrimento dos industrializados. Esse fato, combinado com a “preferência” que os países desenvolvidos dão à industrialização de matérias-primas em seus territórios, reforça a posição do Brasil como exportador de produtos primários.

O setor é profundamente afetado pela conjuntura internacional, por envolver a produção de commodities que são comercializadas internacionalmente. Os preços praticados no mercado interno seguem, em maior ou menor grau, os internacionais, com algumas diferenças provocadas pelo custo do frete (no caso de produtos exportados) e de tarifas de importação (no caso de produtos como leite, trigo e arroz). Assim, o crescimento maior da economia mundial tende a afetar positivamente a agropecuária, aumentando não só a demanda pelas commodities, mas também seus preços.

• Produção de Carnes e Derivados - Apesar de ser um setor exportador diretamente afetado por mudanças nas legislações sanitárias e de importação dos países compradores, 75% da produção é destinada ao mercado interno. Apresenta um volume maior de vendas entre março e outubro, apresentando redução de novembro até fevereiro. O preço do Boi Gordo no mercado interno vem crescendo, os preços de exportação estão estáveis, mas as exportações têm aumentado nos últimos 5 anos, juntamente com a produção brasileira. As exportações de carne de frango e de suínos encontram-se estáveis nos últimos 5 anos, juntamente com a produção.

O Brasil tem o menor custo de produção de carne bovina do mundo. O sistema de criação de bovinos no Brasil é predominantemente a pecuária extensiva, ou seja, o boi criado solto no pasto, alimentado à base de capim. A pecuária bovina tem período de safra e entressafra. A safra bovina ocorre no 1º semestre do ano, no período de chuvas, quando há pastagens abundantes. Com maior oferta de boi para abate, os preços do boi gordo nesse período são menores. A entressafra bovina ocorre no 2º semestre, período da seca, quando o frio e as geadas secam as pastagens. O boi perde peso e há menor oferta de boi para abate e o preço do boi se eleva nesse período. Além disso, a demanda é maior nos últimos meses do ano, influenciando a alta de preços.

Dentre os principais riscos do setor estão: clima, a estiagem prolongada afeta as pastagens naturais reduzindo o alimento dos rebanhos. O risco de contaminação de doenças, como a febre aftosa. Dependente da desvalorização cambial. O fato de que quase 1/3 das exportações são concentradas num único mercado de destino, a Rússia.

• Leite e derivados – 98% da produção de leite no país se destina ao consumo interno. Os gastos com ração são responsáveis por 50% dos custos de produção de leite, sendo a mão-de-obra responsável por 25%. As importações giram em torno de 10% da produção interna. Os principais riscos para o setor são climáticos e a incidência de pragas e doenças.

A sazonalidade da produção de leite ocorre no período de chuva, ou seja, a produção é levemente maior no período de chuvas, que vai de outubro a fevereiro, e pouco menor no período de seca que se estende de abril a setembro. As exportações do setor estão estáveis. As importações vêm aumentando, juntamente com a produção interna e o consumo.

• Etanol e Açucar - O Brasil conta com quase 400 usinas de açúcar e etanol. O setor sucroenergético notabilizou-se recentemente por sua capacidade de produzir energia limpa em larga escala. Seu ativo mais estratégico é a própria cana-de-açúcar, planta com elevado potencial de geração de biomassa em ciclos curtos de produção. O etanol de cana-de-açúcar e a bioeletricidade gerada com base no bagaço de cana foram os grandes determinantes das decisões de investimento do setor na última década.

O crescimento da frota de veículos flex, que hoje já representam mais de 60% da frota total de veículos leves do Brasil e aproximadamente 90% das vendas totais desses veículos impulsiona a demanda potencial por etanol combustível. Em termos de empregos gerados, os números da cadeia sucroenergética são expressivos. Na safra 2013-2014 estima-se que a cadeia empregou diretamente 613 mil pessoas, ou 1,3% dos empregos formais do Brasil. Quando são contabilizados os empregos sazonais durante a safra, esse número chega a 988 mil pessoas. Somando ainda os empregos informais e indiretos, o número de trabalhadores empregados pela cadeia sucroenergética chega a 3,56 milhões. A massa salarial correspondente atingiu US$ 4,13 bilhões.

Nos últimos anos, as vendas de açúcar brasileiro para o mercado externo corresponderam a mais de 60% de nossas vendas totais. Por sua vez, o etanol é majoritariamente comercializado no mercado doméstico. Os preços do etanol tendem a seguir os preços da gasolina, refletindo o conteúdo energético em ambos os produtos. Portanto, o preço da gasolina determina o preço-teto para o etanol, ou seja, quando o preço do etanol é superior a 70% do preço da gasolina, não há incentivo à compra do produto pelos consumidores.

Nesse arranjo de mercado, quando os preços internacionais do açúcar caem, altera-se a remuneração relativa entre os dois produtos. À medida que os preços do etanol tornam-se mais remuneradores, as empresas do setor desviam gradativamente sua produção para o etanol, alterando o mix de produção da usina. Movimento contrário ocorre quando os preços do açúcar se elevam, tornando-se mais remuneradores que os preços do etanol.

A forte pressão altista sobre os custos de produção é a principal fragilidade do setor. Diversos fatores conjunturais podem explicar essa tendência, como a baixa renovação de canaviais e as adversidades climáticas verificadas nos últimos anos, bem como o endividamento ainda elevado em boa parte dos grupos econômicos do setor. Já os grupos capitalizados não investem em aumento de capacidade por não vislumbrarem suficientes retornos ajustados ao risco do negócio. Alguns grupos em dificuldades financeiras, por sua vez, estão até mesmo encerrando suas atividades produtivas, o que, no futuro, pode induzir a uma nova rodada de fusões e aquisições.

DIante de um contexto de instabilidade e incerteza, estão represados os investimentos em ampliação de capacidade produtiva do setor. Contudo, a cogeração de energia a partir da biomassa da cana ressurge no horizonte como importante fonte de receita. Com a estiagem verificada na safra atual e, consequentemente, com a redução da capacidade de geração das hidrelétricas pelo Brasil, a cogeração de biomassa voltou a ganhar força.

"A economia é uma virtude distributiva e consiste não em poupar mas em escolher".

Edmund Burke

• Shopping Center - O comércio responde por 13% do PIB, sendo o comércio varejista responsável por 42% do comércio geral. Os Shopping Centers representam 20% do comércio varejista nacional, empregando cerca de 900.000 pessoas. Os principais custos operacionais estão relacionados à mão-de-obra e custos de manutenção. As classes a e b respondem conjuntamente por 79% dos consumidores dos shoppings centers, juntando-se a classe c1, tem-se 93% dos consumidores da indústria. O grupo com 55 anos ou mais responde por 19% do volume de vendas.

Os resultados operacionais dos shopping centers dependem das vendas geradas pelas lojas. O comércio varejista é um dos primeiros a sentir os impactos causados por mudanças na conjuntura econômica. As vendas do setor são dependentes de variáveis como: nível de renda do consumidor, nível de emprego, juros, condições e prazos de financiamento ao consumidor. O faturamento do setor vem aumentando nos últimos 5 anos, bem como o número de lojas em shoppings. Há previsão de aumento no número de shoppings para os próximos anos, mas a previsão da taxa crescimento é menor.

• Educação – Há 58,2 milhões de alunos matriculados em escolas no País, 70% na rede pública e 30% na rede privada. No caso do ensino superior, 73% estão nas universidades privadas, cuja demanda do segmento é crescente. No geral, o setor apresenta elevada ociosidade na rede privada – 46% das vagas oferecidas estão ociosas. O movimento de queda de matrículas na educação básica continua, em função da recente redução da população mais jovem. Por outro lado, a educação profissional apresentou crescimento expressivo ao longo de toda a década, em função das políticas direcionadas pelo governo federal. Nos últimos 10 anos a taxa média anual de crescimento do ensino superior, considerando as matrículas foi de 10,1%.

Sazonalidade: A geração de empregos no setor ocorre predominantemente nos meses de fevereiro e agosto, sendo os períodos mais baixos dezembro a janeiro e junho a julho. A concorrência acirrada e barateamento das mensalidades comprometem a margem e dificulta o investimento em pesquisa, laboratórios, professores e instalações, comprometendo a qualidade do serviço.  O risco de inadimplência é um dos principais fatores de risco para o setor, dado que as mensalidades são a principal fonte de renda das instituições de ensino.

• Sistema de saúde privado – 25% da população brasileira têm cobertura de plano de saúde privado. A expansão do número de usuários acompanha a formalização do emprego. Os planos coletivos englobam 80% dos usuários e os individuais 20%. As operadoras de planos de saúde de pequeno porte representam 73,5% do setor, medido em número de usuários, as empresas de grande porte representam 6,7%.  Os aumentos de preços dos planos de saúde são controlados e autorizados pela ANS.

O setor dependente no nível de emprego e de renda. Há necessidade de constantes inovações tecnológicas. Há o risco de inadimplência dos usuários, além da concorrência acirrada entre os planos de saúde em razão da regulamentação da mobilidade com portabilidade de carência, ou seja, nos planos individuais ou familiares há a possibilidade de troca de operadora com o aproveitamento da carência. Além disso, o setor é dependente do câmbio, pois parte dos equipamentos e dos insumos são importados.

O aumento da expectativa de vida da população vem promovendo maior demanda por serviços de saúde. A precariedade do sistema de saúde público é um impulso à demanda por serviços de saúde privada, juntamente com a formalização do mercado de trabalho e elevação do emprego que promove expansão dos planos de saúde coletivos. O aumento de renda que favorece a expansão dos planos individuais. O número de usuários vem crescendo nos últimos 5 anos, bem como o percentual da população que tem cobertura.

O mercado interno crescente é o principal motivo para que as perspectivas de investimento no setor permaneçam positivas, com algum grau de autonomia em relação ao cenário macroeconômico.Mesmo sob a hipótese de um cenário externo e interno de estagnação, a demanda por produtos de saúde no Brasil tende a continuar crescendo acima da média da economia, impactando positivamente as expectativas sobre os investimentos no setor.

• Saneamento - O setor responde por um conjunto de serviços que compreende abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos urbanos. O consumo de energia costuma ser um dos componentes de maior custo para as companhias de água e esgoto.

O Brasil ainda se encontra distante da universalização dos serviços de saneamento e atrasado quando comparado com o cenário internacional. Dados levantados pelo Sistema Nacional de Informações do Saneamento (SNIS), em 2012, indicam que 82,7% da população brasileira possui acesso a redes de abastecimento de água e 48,3% possuem acesso a redes de coleta de esgoto. Por sua vez, somente 38,7% do esgoto gerado no Brasil recebe algum tipo de tratamento.

Os serviços de saneamento estão estruturados na forma de monopólio natural, distinguindo-se dos demais modelos concorrenciais pela exclusividade da prestação de serviço, que se caracteriza como condição de viabilidade econômica. Apesar de a disponibilidade de recursos pelo governo federal ter aumentado significativamente nos últimos sete anos, existe uma série de gargalos nos investimentos que atrasam o alcance da universalização dos serviços. grande parte dos investimentos destina-se a grandes projetos de infraestrutura com retorno financeiro de longo prazo, a participação do mercado financeiro privado como agente financiador ainda é pequena. Além disso, a definição da política tarifária praticada pelas empresas com forte influência política, principalmente nas companhias estaduais, desconsiderando muitas vezes o equilíbrio econômico-financeiro;

"A economia do tempo é menos vulgar e mais importante que a do dinheiro."

Marquês de Maricá

• Telefonia fixa e móvel – A telefonia móvel corresponde a 87% dos acessos no Brasil, sendo 83% pós-pago. o quarto maior mercado de serviços de telecomunicações do mundo e o quinto maior número de assinantes de celulares, além de ser o terceiro maior mercado de computadores e terceiro maior número de registros (sites) de internet. Por outro, é um país onde 80% dos telefones são pré-pagos, a receita por usuário caiu de R$ 25 em 2005 para R$ 20 em 2014, apenas 40% dos lares possuem internet e 43% da população utiliza a rede.

O faturamento do setor de telecomunicações atingiu R$ 201 bilhões em 2013, com uma força de trabalho composta por 488 mil empregados diretosO setor apresenta um alto nível de competição e requer capital intensivo – necessidade de elevados e constantes investimentos em tecnologia. É regulamentado pelo governo, que autoriza o reajuste de tarifa de telefonia fixa.

O setor depende do nível de renda da população e do ritmo de crescimento da atividade econômica, havendo o risco de inadimplência. O efeito do câmbio sobre o setor de telefonia é negativo no tocante à elevação dos custos, pois os equipamentos são cotados em dólar. Sazonalidade das vendas de linhas móveis é mais forte no Dia das Mães, Dia dos Pais e Natal. O número de acessos e a demanda para o setor vêm aumentando.

• Transporte aéreo de passageiros – O transporte aéreo responde por 10% do setor de transportes. Os meses que apresentam maior demanda são julho, outubro, dezembro e janeiro. Fevereiro é o mês que apresenta a menor demanda. Dos principais custos do setor o gasto com combustíveis responde por 40%. As importações de querosene para aviação representam 24% do consumo interno. A Tam possui 41% do market share, seguida pela GOL 35%, Azul 14% e Avianca 5%. A demanda do setor é crescente e o número de passageiros transportados vem crescendo, apesar da oferta de assentos se encontrar estável. O consumo e a produção de querosene para aviação se encontram estáveis. Contudo, o seu preço vem aumentando no mercado.

O setor dependente do nível de atividade econômica, do nível de emprego, da renda da população e das condições de financiamento. Além disso, o setor dependente da taxa de câmbio, pois as aeronaves são adquiridas por meio de leasing em dólar e as dívidas e custos são atrelados ao dólar. Os custos com combustíveis são atrelados também ao petróleo. É um setor com alto índice de tributação 35%.

• Transporte rodoviário de cargas – O transporte de cargas responde por 70% da Receita do setor e o de passageiros por 30%. Sazonalidade: A indústria apresenta uma maior demanda no segundo semestre entre julho e dezembro. As transportadoras mais ligadas ao transporte de produtos agrícolas têm maior nível de atividade durante o 1º semestre do ano, quando ocorre o período de colheita e comercialização da safra agrícola.

Para o período de 2015 a 2018, as perspectivas são de investimentos da ordem de R$ 177 bilhões nos setores de portos, ferrovias, rodovias e aeroportos, considerando os investimentos privados e públicos (federais). O setor de rodovias abarca 42% do montante previsto, justificado pelo fortalecimento das concessões federais. Outro setor de destaque é o ferroviário, com 27% da projeção de investimento no período, concentrando-se a partir de 2017. Assim, recentemente a infraestrutura logística tornou-se uma preocupação nacional, o que acarretou, por um lado, a retomada do planejamento no setor e, por outro, a inclusão dos projetos prioritários nos planos de investimento federal, a saber: Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), PAC 2 e PIL.

Os principais custos do setor são: óleo diesel e lubrificantes 33%, mão-de-obra 43%, manutenção, pedágios, IPVA e licenciamento, seguros e sistemas de segurança, peças de reposição e pneus. Os gastos com a manutenção do caminhão representam 50% da renda bruta do caminhoneiro autônomo. O setor dependente do nível de atividade econômica. As transportadoras ligadas à atividade agrícola dependem do volume da safra e as empresas de transporte de concreto dependem do nível de atividade da construção civil.

Em um ambiente de crescimento no mundo e no Brasil, a demanda por serviços de transporte e serviços logísticos integrados deverá se acelerar. Na hipótese de preço elevado do petróleo, o impacto sobre os custos logísticos no Brasil, sem o equacionamento da matriz modal de transportes, será ainda mais intenso, pela preponderância do custo de combustível. 

• Transporte ferroviário - O transporte ferroviário responde por 20,7% do transporte de cargas no Brasil e por 0,5% do transporte de passageiros. O transporte de passageiros é focado no transporte urbano. O modelo de locomotiva predominante no transporte de cargas brasileiro é a Diesel-elétrica. O modelo elétrico possui um alto custo fixo de manutenção e, por isso, se restringe aos sistemas de transporte metropolitano. 70% dos custos do setor são de mão-de-obra, 22% de combustíveis. A indústria fornecedora de bens de capital para o transporte ferroviário atua sob encomenda.

Não existe competição direta entre as empresas, pois cada linha possui um trajeto específico. Existe uma correlação entre o preço do frete cobrado pelo Transporte Ferroviário e o do Transporte Rodoviário. Isto porque eles são considerados substitutos perfeitos para alguns trajetos e, com isso, passam a ser concorrentes. O sistema ferroviário de transporte de cargas é predominantemente voltado para as commodities, mas é um cenário que está em mudança devido aos grandes avanços técnicos. O volume anualmente transportado se encontra estável, os investimentos tem aumentado nos últimos 5 anos.

O custo fixo da atividade é alto e torna-se ainda maior devido à baixa distância percorrida. Os trens brasileiros percorrem, em média, 500 km quando o ideal é acima de 1.000 km. O setor é influenciado pelo nível de exportações brasileiro, principalmente de commodities, e pelo ritmo de atividade do mercado internacional.

• Turismo e hotelaria – A importância do turismo está no efeito multiplicador exercido em outros setores econômicos. A geração de emprego e a entrada de turistas movimentam o comércio, a construção civil e as indústrias têxtil, de eletroeletrônicos e de alimentos, por exemplo. O período de maior demanda do setor ocorre entre setembro e fevereiro.

Os principais custos do setor hoteleiro são: 40% depreciação – elevado investimento em imobilizado/manutenção, 40% mão-de-obra; 20% – água, energia elétrica, mercadorias em geral (alimentos, produtos de limpeza) entre outros.

A potencialidade do turismo brasileiro é pouco aproveitada em razão dos seguintes aspectos: pouca divulgação no exterior, crises econômicas imagem turística externa negativa, problemas de infra-estrutura como gargalos aeroportuários, violência urbana, infra-estrutura inadequada – esses aspectos do turismo brasileiro vêm melhorando ao longo dos anos, mas ainda é insuficiente para aproveitar toda potencialidade brasileira. Contudo, a demanda para o setor é crescente.

“A maioria das pessoas se interessa pelas ações quando todos estão interessados. A hora de se interessar é quando ninguém mais está interessado. Não é possível comprar o que é popular e se dar bem”.

Warren Buffett

Ao realizar uma análise setorial o investidor deve avaliar se o segmento vem crescendo e, principalmente, se ainda há espaço para mais crescimento. Através dos indicadores macroeconômicos deve procurar compreender os impactos destes no setor, bem como a tendência do preço das commodities que o setor é dependente, seja como consumidor, seja como produtor, e como isso afeta as margens dessas empresas. Sabendo o desempenho geral do setor o investidor pode saber se determinada empresa vem apresentando desempenho “compatível” com os das demais empresas do setor, encontrando assim novas oportunidades e, teoricamente, prever e evitar riscos.

A melhor forma de se fazer isso é realizando uma análise comparativa. Os fundamentos apenas têm valor quando comparados aos fundamentos das demais empresas. Isso também é importante porque aumenta as opções de investimento. Através de uma análise fundamentalista das principais empresas de um determinado setor é possível definir os valores médios e padrões que os fundamentos desse setor apresentam. Assim, o investidor poderá, por exemplo, determinar se a evolução do lucro e a margem líquida de uma determinada empresa estão de acordo com os padrões para o setor. Saberá assim se a empresa está apresentando uma performance acima ou abaixo da média do setor, possibilitando ainda definir uma projeção das perspectivas para a empresa e para o setor.

Em suma, através da análise macroeconômica o investidor irá filtrar aqueles setores que acredita que vem apresentando baixa performance de resultados ou que acredita que serão impactados pela conjuntura econômica, definindo quais são os setores econômicos mais favoráveis para se investir. Para isso recomenda-se acompanhar a evolução das cotações do índice setorial na Bovespa, definindo sua tendência de longo e curto prazo, além de comparar a rentabilidade do índice setorial em relação ao Ibovespa, bem como a rentabilidade das ações do setor em relação a esses.

A partir daí, o investidor deve fazer um levantamento das empresas do setor, definindo as principais lideres do segmento, ao mesmo tempo em que filtra aquelas que vêm apresentando resultados ruins ou abaixo da média das demais empresas do segmento. Para poupar tempo, o investidor deve analisar apenas aquelas que geraram lucro nos últimos 3 anos, retirando aquelas que vêm apresentando prejuízos ou que possuem uma dívida maior que o valor patrimonial, pois em tese, são empresas que perderam o controle da dívida ou são muito alavancadas.

Assim, o investidor irá definir quais são as empresas que mais se destacam no setor utilizando os valores médios dos indicadores do setor, como P/L, Margem Líquida, ROE, DY, Dívida/Patrimônio Líquido, dentre outros, criando assim um ranking do setor. Ao retirarmos as “maçãs podres” do cesto, perceberemos que nem tudo é tão ruim assim, e teremos uma visão melhor do setor. Encontraremos empresas que consecutivamente vem apresentando trimestralmente lucro líquido positivo, margem líquida positiva, ROE positivo e dívida total sobre o patrimônio menor que um.

"As melhores ações para investimento estão em um ponto intermediário entre as muito ruins e as muito boas".

Benjamin Graham

O foco dessa estratégia é o investimento em valor e não a especulação. Contudo, é importante frisar que grandes empresas não conseguem crescer nas mesmas proporções que as empresas menores do setor. Elas não conseguem dobrar sua receita a cada 1 ou 2 anos, o que empresas menores podem conseguir fazer. E como o preço de uma ação e a sua variação estão diretamente ligados à expectativa que o mercado tem em relação ao seu desempenho da empresa, ações de empresas menores que apresentam bons resultados e tem melhor desempenho no setor podem se valorizar mais do que as ações das grandes empresas, já maduras e consolidadas no setor.

Quanto maior a expectativa do mercado em relação ao crescimento, à performance e à rentabilidade da empresa, maior será a valorização de suas ações caso ela consiga realizar bons resultados, e nem sempre essa empresa será a maior ou a líder do setor. Contudo, caso não consiga atingir bons resultados, ou mesmo, haja uma redução na sua performance, é de se esperar que suas ações sejam mais depreciadas em relação às ações das grandes empresas líderes do setor. Sempre tenha consciência da relação entre risco e rentabilidade ao definir em que setor irá investir, filtrando as empresas que vem apresentando baixo desempenho e selecionando as empresas lucrativas para a realização de uma análise mais aprofundada que levará à escolha da melhor opção de investimento.

Devemos perceber as características de cada setor, tendo cautela ao comparar empresas de setores diferentes, pois cada um tem suas próprias peculiaridades. Por exemplo, o setor de tecnologia de informação quase não possui dividas e as empresas de utilidade pública têm dívidas que equivalem a mais da metade dos seus patrimônios líquidos, ou ainda o Dividend Yield, que em alguns setores chega a ser menor que 2% e em outros chega a ser maior que a inflação do período.

Portanto, o mais importante é fazer um filtro que elimine as empresas que não se enquadram nos múltiplos mínimos exigidos para o setor. Essa carteira de empresas deve ser periodicamente reavaliada, pois nenhuma decisão em renda variável é definitiva. Fundamentos e tendências de preço mudam, assim como a sua análise deve mudar com o passar do tempo. As decisões tomadas hoje podem não ser mais apropriadas num diferente contexto no futuro.

Esse tipo de análise comparativa demonstra a força ou a fraqueza de determinada empresa em relação às demais do setor. Ajuda a identificar não apenas a empresa líder do setor, a qual não será necessariamente a maior empresa, mas as mudanças na tendência dos fundamentos e na performance da empresa com o passar dos anos. Não devemos assumir que o líder de mercado hoje sempre o será. Mudanças nos fundamentos da empresa são o que determinará sua decisão de comprar, manter, vender ou ficar de fora. Logo, o mais importante é descobrir as mudanças o mais cedo possível, para poder agir de acordo e tirar proveito das oportunidades.

“A mudança é a única constante do mercado”.

Capital e Valor

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