Noções de Macroeconomia e Fundamentos Econômicos

O desempenho das empresas e dos ativos financeiros está intimamente ligado ao desempenho da economia. Como investidor de renda variável é preciso estar ciente de que as chances de retorno para tal aplicação serão determinadas por dois fatores básicos, o bom desempenho futuro da companhia em foco e o bom andamento do mercado acionário no período para o qual se espera o retorno. Alterações nos rumos da economia, interna ou externa, causam oscilações por vezes bruscas nos mercados de capitais e podem afetar a performance dos títulos de determinada empresa, ainda que seus negócios em nada estejam sendo afetados pelos fatos ocorridos. Torna-se então fundamental aprofundar o estudo das correlações entre as variáveis econômicas e o desempenho do mercado.

Um ambiente econômico mais instável, menos previsível, sujeito a intervenções e a uma estrutura regulatória incerta cria um ambiente mais avesso ao risco, que pode impactar as decisões gerenciais e, consequentemente, o desempenho das companhias. Portanto, o ambiente macroeconômico deve ser constantemente monitorado e analisado. A definição das premissas macroeconômicas permite o prosseguimento da análise setorial e dos fundamentos das empresas e fornece informações importantes para a adequada definição das taxas de crescimento da economia e das ameaças de riscos sistêmicos.

O cenário macroeconômico consiste na definição de determinadas premissas que permitam projetar o comportamento futuro das principais variáveis econômicas. A sua elaboração visa orientar o processo de planejamento, análise e decisão dos investimentos e fornecer ao investidor um quadro prospectivo das condições que afetam o mercado e os ativos, tornando o seu processo de decisão mais eficiente. A premissa básica desta metodologia de análise afirma que são os dados econômicos que fundamentam as perspectivas futuras do mercado em relação a uma determinada empresa. Estas informações podem ser processadas a partir de uma visão geral da economia até as informações específicas sobre a empresa (Top-Down) ou, caso já se tenha escolhido a empresa, pode-se iniciar a análise dos dados da empresa e em seguida partir para o contexto setorial e macroeconômico (Bottom-Up). Quanto melhor forem conhecidos estes aspectos e as possíveis implicações sobre a atividade da empresa, melhor ela poderá ser analisada e avaliada.

A macroeconomia concentra-se no estudo do comportamento agregado de uma economia, ou seja, das principais tendências da economia no que concerne principalmente à produção, à geração de renda, aos níveis de preços, ao emprego e ao desemprego, ao estoque de moeda, à taxa de juros, à balança de comercial, à taxa de câmbio, ao uso de recursos, ao comportamento dos preços e ao comércio exterior. Os principais objetivos da macroeconomia são: o crescimento da economia, o pleno emprego, a estabilidade de preços, o controle inflacionário e o superávit da balança comercial. Um conceito fundamental à macroeconomia é o sistema econômico, ou seja, uma complexa organização que envolve todos os recursos produtivos.

“Não entre em um mercado com ideias preconcebidas a respeito dele. Mude seus planos conforme o mercado muda”.

Alexander Elder

A economia de um país pode ser dividida em setores (primário, secundário e terciário) de acordo com os produtos produzidos, modos de produção e recursos utilizados. Estes setores econômicos podem mostrar o grau de desenvolvimento econômico de um país ou região.

Setor Primário – Está relacionado à produção através da exploração de recursos da natureza. Podemos citar como exemplos de atividades econômicas do setor primário: agricultura, mineração, pesca, pecuáriaextrativismo vegetal e caça. É o setor primário que fornece a matéria-prima para a indústria de transformação.

Este setor da economia é muito vulnerável, pois depende muito dos fenômenos da natureza como, por exemplo, do clima. A produção e exportação de matérias-primas não geram muita riqueza para os países com economias baseadas neste setor econômico, pois estes produtos não possuem valor agregado como ocorre, por exemplo, com os produtos industrializados.

Setor Secundário – É o setor da economia que transforma as matérias-primas (produzidas pelo setor primário) em produtos industrializados (roupas, máquinas, automóveis, alimentos industrializados, eletrônicos, casas, etc). Como há conhecimentos tecnológicos agregados aos produtos do setor secundário, o lucro obtido na comercialização é significativo. Países com bom grau de desenvolvimento possuem uma significativa base econômica concentrada no setor secundário. A exportação destes produtos também gera riquezas para as indústrias destes países.

Setor Terciário – É o setor econômico relacionado aos serviços. Os serviços são produtos não materiais em que pessoas ou empresas prestam a terceiros para satisfazer determinadas necessidades. Como atividades econômicas deste setor podemos citar: comércioeducação, saúde, telecomunicações, serviços de informática, seguros, transporte, serviços de limpeza, serviços de alimentação, turismo, serviços bancários e administrativos, transportes, etc. Este setor é marcante nos países de alto grau de desenvolvimento econômico. Quanto mais rica é uma região, maior é a presença de atividades do setor terciário. Com o processo de globalização, iniciado no século XX, o terciário foi o setor da economia que mais se desenvolveu no mundo.

Na análise fundamentalista, os impactos da economia para com a empresa são essenciais. Qualquer interpretação estará baseada nas projeções econômicas tanto para setor em que ela está inserida, como para o mercado como um todo. As perspectivas econômicas nacionais e, principalmente, as mundiais e de seus principais participantes devem ser consideradas. Para isso, o investidor deve acompanhar periodicamente os relatórios dos indicadores econômicos.

As quatro principais variáveis macroeconômicas que se relacionam de forma que uma afeta a outra são: o nível de preços (inflação), o nível de emprego, a taxa de câmbio e a taxa de juros. Essas variáveis são avaliadas segundo indicadores econômicos, medidas de desempenho utilizadas para avaliar o desenvolvimento de uma economia. Os indicadores mais utilizados são aqueles que medem: crescimento da produção; desvalorização da moeda e aumento de preços; taxas de conversão de moedas; taxas básicas de juros; desemprego; produção industrial; confiança dos empresários; vendas do varejo.

Relatórios públicos e privados ajudam os investidores a entenderem como o cenário econômico está se desenvolvendo. Às datas de divulgação destes dados dá-se o nome de agenda econômica. Esses indicadores são fundamentais tanto para propiciar uma melhor compreensão da situação presente e o delineamento das tendências de curto prazo da economia, quanto para subsidiar o processo de tomada de decisões estratégicas de agentes públicos e privados, além do papel que desempenham na interferência das curvas de oferta e demanda de determinado ativo.

O Bacem divulga semanalmente o relatório Focus, um resumo das previsões das principais instituições financeiras para os indicadores e resultados da economia do país. Embora sejam apenas estimativas periodicamente ajustadas de acordo com o comportamento do mercado e do contexto econômico, indicam a expectativa do mercado com relação a estes indicadores. Inevitavelmente, a expectativa de longo prazo de um determinado ativo deriva dos seus fundamentos. Nos Estados Unidos um relatório similar é o beige book. O Fed utiliza esse relatório para determinar a taxa de juros do país de acordo com a pressão inflacionária.

“Sempre questione suas suposições, no futuro tudo tende a mudar, inclusive os seus próprios argumentos e suposições”.

Capital e Valor

Principais Indicadores Econômicos

PIB (produto interno bruto) – O PIB de uma economia estima o valor dos bens e serviços produzidos num país no período de um ano. Mede o desempenho econômico de um país como um todo, representando o crescimento ou a retração econômica. Contudo, não pode ser considerado como um índice de desenvolvimento, uma vez que seu cálculo não inclui dados como distribuição de renda, expectativa de vida e nível educacional da população, entre outros aspectos socioeconômicos. Nos Estados Unidos esse indicador se chama GDP (gross domestic product).

Índices de Inflação (IPCA, IGP-M, INPC, IPC) – Inflação é o aumento consistente e indiscriminado de preços, conseqüentemente diminuindo o poder aquisitivo da moeda. Portanto a taxa de inflação mede o acréscimo percentual médio nos preços dos bens e serviços produzidos pela economia. Vários índices são utilizados para medir a inflação, pois na economia existem vários setores e agentes econômicos distintos. Nos Estados Unidos esse indicador se chama CPI (Consumer Price Index).

Podemos citar as seguintes causas da inflação:
– Emissão exagerada e descontrolada de dinheiro por parte do governo.
– Demanda por produtos (aumento no consumo) maior do que a capacidade de produção do país.
– Aumento nos custos de produção (máquinas, matéria-prima, mão-de-obra) dos produtos.

Historicamente, todas as crises surgiram de algum desequilíbrio no sistema, mas, invariavelmente, elas funcionam como um esfriamento depois de um aquecimento geral na economia associado a um elevado nível de endividamento. Nas grandes crises passadas, a euforia do setor privado criou momentos de crescimento elevado. Infelizmente, esses períodos foram seguidos por outros, de retrações profundas. As economias passam por movimentos irregulares no nível de emprego e renda, o quê se chama de ciclos de negócios. Estas ondas são bem parecidas com aquelas altas e baixas que notamos nos índices de preço das ações.

O endividamento exagerado é o principal empecilho para a recuperação de uma economia ou de uma empresa. Entretanto, a inflação foi sempre a solução para as crises capitalistas. Geralmente, quando a economia cresce muito rápido os preços sobem formando bolhas inflacionárias. Os negociadores observam de perto o desenvolvimento da inflação porque o método de escolha para combater a inflação é o aumento da taxa de juros, sendo que taxas de juros mais altas tendem a apoiar a moeda local e tornam o investimento em ações, fundos imobiliários e debêntures menos vantajosos.

O aumento da inflação tende a incentivar as importações, consequentemente diminuindo as exportações, criando déficit na balança comercial. Além de prejudicar e desestimular a poupança de longo prazo das pessoas. O aumento na procura pelos produtos pressiona os produtores a aumentarem a oferta, mas como já estão trabalhando em plena capacidade de produção, não conseguem aumentar a produção e respondem a essa procura aumentando os preços, gerando inflação. Nesse caso, o governo pode agir: pode restringir o crédito para empréstimos e financiamentos ou aumentar os impostos e diminuir a renda pessoal e reduzir os gastos públicos.

Os governos trabalham com dois instrumentos para manter o equilíbrio, a política fiscal e a monetária. Com a política fiscal o governo pode aumentar ou diminuir os impostos para alterar o consumo privado e as despesas públicas. Com a política monetária, ele pode incentivar o setor privado a investir mais e controlar a inflação. A política monetária afeta indiretamente o comportamento econômico do estado e diretamente o setor privado porque alterações nas taxas de juros e mudanças no crédito mudam o custo do dinheiro.

Infelizmente, quando os governos e os consumidores já estão muito endividados, essas políticas perdem força e tornam-se menos eficazes. Com uma dívida exagerada, os governos não podem gastar mais por causa da pressão política e das dificuldades para levantar recursos adicionais via impostos ou empréstimos. Os consumidores também temem o futuro e rejeitam o credito mesmo que este seja fácil. As empresas também não investem só porque os juros são baixos; elas tomam emprestado para novos negócios, e estes devem prometer retornos compatíveis com os juros e com os riscos. Os consumidores que já estão endividados também freiam o consumo e procuram poupar mais para se proteger dos dias piores. Levam-se anos até que a economia de uma país supere esses períodos de retração econômica e, embora algumas empresas sejam mais bem administradas do que outras, todas elas tendem a serem menos lucrativas durantes esses períodos.

"No mundo dos negócios, o espelho retrovisor é sempre mais claro do que o pára-brisa".

Warren Buffet

Risco País – É um índice denominado Emerging Markets Bond Index Plus (EMBI+) e mede o grau de “perigo” que um país representa para o investidor estrangeiro. É um conceito econômico-financeiro que diz respeito à possibilidade de que mudanças no ambiente de negócios de um determinado país impacte negativamente o valor dos ativos de indivíduos ou empresas estrangeiras naquele país, bem como os lucros, dividendos ou royalties que esperam obter dos investimentos que lá fizeram.

Por meio da análise das finanças de governos e empresas, as agências produzem classificações ou ratings, que indicam a segurança oferecida pelo governo e pelas empresas de cada país aos investidores estrangeiros que aplicam seu dinheiro em títulos da dívida daqueles governos e empresas. Essas agências se dedicam à análise do risco-país associado a investimentos em ativos financeiros, tais como títulos e ações.

Rating - Um rating é uma nota que as agências internacionais de classificação de risco de crédito atribuem a um emissor (país, empresa, banco) de acordo com sua capacidade de pagar uma dívida. Serve para que investidores saibam o grau de risco dos títulos de dívida que estão adquirindo. Assim, a visão do mercado financeiro sobre um determinado país pode ser expressa através da nota da sua dívida externa. Quando um país tem um bom desempenho, sua nota melhora. Mas quando aumenta o risco desse país não pagar as suas dívidas, sua nota piora.

Em geral, são três grandes níveis: grau de investimento (país seguro de investir), grau especulativo (risco de inadimplência) e default (quando o país declara moratória). As principais agências no mundo são a Standard & Poor’s (S&P), a Fitch e a Moody’s, que levam em conta indicadores como gastos do governo, dívida externa e política monetária.

Resumo Geral das Opiniões Refletidas pelos Ratings da Standard & Poor’s.
AAA’— Capacidade extremamente forte para honrar compromissos financeiros. Rating mais alto.
AA’— Capacidade muito forte para honrar compromissos financeiros.
A’— Forte capacidade para honrar compromissos financeiros, porém é de alguma forma suscetível a condições econômicas adversas e a mudanças circunstanciais.
BBB’— Capacidade adequada para honrar compromissos financeiros, porém mais sujeito a condições econômicas adversas.
BBB-‘— Considerado o nível mais baixo da categoria de grau de investimento pelos participantes do mercado.
BB+’— Considerado o nível mais alto da categoria de grau especulativo pelos participantes do mercado.
BB’— Menos vulnerável no curto prazo, porém enfrenta atualmente grande suscetibilidade a condições adversas de negócios, financeiras e econômicas.
B’— Mais vulnerável a condições adversas de negócios, financeiras e econômicas, porém atualmente apresenta capacidade para honrar compromissos financeiros.
CCC’— Atualmente vulnerável e dependente de condições favoráveis de negócios, financeiras e econômicas para honrar seus compromissos financeiros.
CC’— Atualmente fortemente vulnerável.
C’— Um pedido de falência foi registrado ou ação similar impetrada, porém os pagamentos das obrigações financeiras continuam sendo realizados.
D’— Inadimplente em seus compromissos financeiros.

Essas notas influenciam decisões de investimentos no mercado internacional e a tendência é que, ao receber uma boa classificação, o país atraia mais recursos estrangeiros. Além disso, cai o custo do governo e até mesmo das empresas privadas para captar recursos no exterior, custo do capital. Este por sua vez é usado para descontar a riqueza que será gerada por cada empresa. Quanto menor o custo do capital maior o valor da empresa. 

Contudo, observa-se, no entanto, que as notas atribuída aos países possuem uma grande correlação com o Índice de Percepção da Corrupção, além drisco regulatório. Isto significa dizer que países mais corruptos geralmente são aqueles que recebem as piores notas.

De uma maneira geral, o Brasil não é bem visto pelas agências de rating em razão de ter passado por diversas crises econômicas e ser o país mais endividado dentre os países de igual porte no mundo, especialmente em relação à perspectiva dos gastos públicos, quando as medidas do governo sinalizam para o seu aumento ao longo dos anos. Ter o governo como sócio acaba por aumentar o risco e as incertezas futuras, o que geralmente não traz bons resultados para os acionistas.

Além disso, as interferências governamentais nas gerências das empresas e a ampla participação do Estado em seus capitais sociais geram receios para os investidores estrangeiros, o que por sua vez acaba depreciando o valor de mercado e as avaliações destas empresas. 

Esse cenário acaba impactando negativamente a avaliação das empresas brasileiras, principalmente sobre o risco percebido nos negócios. Num modelo como o fluxo de caixa descontado isto significa uma maior taxa de desconto. Maior taxa de desconto, por sua vez, implica em menores valores de empresas.

"Quando alguém vê o vizinho ficando mais rico, começa a evolução natural da bolha. Bastam três coisas para a sua formação: os investidores, os imitadores e os idiotas".

Warren Buffett

Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) - É a taxa básica de juros da economia brasileira, índice pelo qual as taxas de juros cobradas pelos bancos no Brasil se balizam. O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (COPOM) fixa periodicamente a meta para a Taxa SELIC para fins de Política Monetária. Também chamada simplesmente de “taxa básica”, reflete o custo do dinheiro para empréstimos bancários, com base na remuneração dos títulos públicos.

A taxa de juros exerce um papel importantíssimo nos ciclos dos negócios e no mercado financeiro. Quando ocorre uma mudança na taxa, ou na expectativa a seu respeito, os efeitos tem um grande alcance no cenário econômico. Quando a taxa de juros sobe os consumidores gastam menos, o que diminui as vendas do varejo, levando a uma redução nos lucros dessas empresas e, consequentemente, um aumento do desemprego e desvalorização dessas ações no mercado.

A alta na taxa de juros atrai capital de curto prazo que gera superávit no saldo da balança comercial, reduzindo a inflação, em teoria. Contudo, qualquer ameaça especulativa pode fazer com que esse capital seja retirado do país, provocando novos déficits e, caso o país não tenha reservas terá que desvalorizar o seu câmbio, favorecendo as suas exportações e inibindo as importações.

No mercado de capitais, o aumento na taxa de juros gera uma fuga de capital para investimentos de títulos públicos e de renda fixa, os quais se tornam mais atraentes dado o aumento na sua rentabilidade. Assim, historicamente o aumento nos juros tende a ser ruim para o mercado de capitais, enquanto que a redução nos juros tende a ser positivo para o mercado, pois o investimento em renda fixa se torna menos atrativo, e parte desse capital tende a ser direcionado para a renda variável.

O termo crowding out identifica na literatura econômica o processo em que a dívida pública (mercado de títulos públicos) toma o espaço do mercado de debêntures (títulos privados) e de ações. O Governo, para colocar sua dívida no mercado, é obrigado a elevar os juros e os investidores passam a preferir esses papéis em detrimento do mercado de capitais.

Taxa DI – Os bancos operam entre si (tomando ou doando recursos monetários) no mercado interbancário, ou interfinanceiro, através de operações lastreadas em Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), permitindo que se estabeleça certo equilíbrio entre eles.

Taxa de Câmbio – É uma relação entre moedas de dois países que resulta no preço de uma delas medido em relação à outra. Exprime a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira. Além de expressar quantitativamente a condição de troca entre duas moedas, a taxa de câmbio expressa as relações de troca entre dois países. O câmbio é uma das variáveis macroeconômicas mais importantes, sobretudo para as relações comerciais e financeiras de um país com o conjunto dos demais países.

Com a desvalorização da moeda nacional a taxa de câmbio aumenta. O país gastará mais moeda nas importações, teoricamente desestimulando-as. Assim, verifica-se que com a desvalorização do câmbio as importações tendem a diminuir. Por outro lado, os outros países preferirão comprar produtos deste país, pois ficaram mais baratos em relação às suas moedas, o que teoricamente estimula as exportações, aumentando-as.

O oposto ocorre com a valorização da moeda nacional. As importações tendem a aumentar em razão do aumento de poder aquisitivo da moeda local. Consequentemente as exportações tendem a diminuir, pois os produtos nacionais se tornam mais caros frente à divisa estrangeira.

"O dinheiro não é tudo, mas sem ele você não terá nada!"

Capital e Valor

Balança comercial - É um termo econômico que representa as importações e exportações de bens entre os países. Quando as exportações são maiores que as importações registra-se um superávit na balança, e quando as importações são maiores que as exportações registra-se um déficit. Este é um dos indicadores econômicos mais importantes. Seu valor pode desencadear mudanças duradouras na política externa e monetária. Nos Estados Unidos esse indicador se chama International Trade.

Assim, dizemos que a balança comercial de um determinado país está favorável, quando este exporta (vende para outros países) mais do que importa (compra de outros países). Quando o total de exportações de bens e serviços for superior ao total de importações, registra-se um superávit no saldo da balança comercial. O que é um fator positivo na economia de um país, pois o resultado positivo da balança comercial gera um lucro que pode ser utilizado para investir no próprio sistema econômico do país.

Do contrário, dizemos que a balança comercial é negativa ou desfavorável. O déficit da balança comercial é um fator negativo na economia de um país, já que mostra que o mesmo está exportando (vendendo) menos bens e serviços do que está importando (comprando). O resultado negativo da balança comercial gera um prejuízo que deve ser coberto pelas reservas financeiras do país.

Produção Industrial – O indicador varia de zero a cem pontos, sendo que valores abaixo de 50 representam queda na produção em relação ao mês anterior. É quase impossível imaginar o desenvolvimento de um país sem uma indústria forte, ampla e diversificada. Dentre todos os setores produtivos, a indústria é o que exerce maior impacto no crescimento do produto agregado. Nos Estados Unidos esse indicador se chama ISM (Manufacturing Index).

A produção industrial brasileira se caracteriza hoje por ainda ser relativamente diversificada, porém imatura no sentido de estar se especializando em setores intensivos em recursos naturais e com pouco avanço em direção ao fortalecimento de cadeias produtivas com produtos de maior conteúdo tecnológico. Isto sugere que, se esta tendência não for revertida, a contribuição da indústria para o crescimento da economia deve, inevitavelmente, se reduzir no futuro próximo, reduzindo o potencial de crescimento da economia como um todo.

O crescimento da produção industrial é particularmente importante porque, em geral, sinaliza tendência positiva dos demais setores da economia (comércio e serviços). Já o crescimento das vendas do comércio nem sempre reflete em aumento das vendas da indústria, pois os comerciantes podem estar aproveitando para desovar antigos produtos. O aumento da sua produção é o ponto de partida para uma cadeia de eventos que, geralmente, tem impacto positivo sobre o crescimento da economia.

Índice de Preços ao Produtor IPP - Seu âmbito inicial são as indústrias de transformação. Tem como principal objetivo mensurar a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, bem como sua evolução ao longo do tempo, sinalizando as tendências inflacionárias de curto prazo no País. Constitui, assim, um indicador essencial para o acompanhamento macroeconômico e, por conseguinte, um valioso instrumento analítico para tomadores de decisão, públicos ou privados. Nos Estados Unidos esse indicador se chama PPI (Producer Price Index).

O IPP investiga, em 1 400 empresas, os preços recebidos pelo produtor, isentos de impostos, tarifas e fretes e definidos segundo as práticas comerciais mais usuais. Os produtos coletados são especificados em detalhe (aspectos físicos e de transação), garantindo, assim, que sejam comparados produtos homogêneos ao longo do tempo. Com isso, coletam-se cerca de 5 000 preços mensalmente.

Índice de Preços ao Produtor Amplo - Registra variações de preços de produtos agropecuários e industriais nas transações interempresariais, isto é, nos estágios de comercialização anteriores ao consumo final. O IPA tornou-se cada vez mais um índice de preços de venda de produtos em nível de produtor nos setores agropecuário e industrial.

Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil - Efetua a produção de custos e índices da construção civil, a partir do levantamento mensal de preços de materiais e salários pagos na construção civil, para o setor habitação. Tem como unidade de coleta os fornecedores de materiais de construção e empresas construtoras do setor.

INCC - O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) é o principal indicador de custo da construção civil no Brasil. O índice mede a evolução dos custos de construções habitacionais nas dezoito principais capitais de estados do país.

“Numa empresa em dificuldades, tão logo um problema é resolvido, outro vem à tona – nunca existe só uma barata na cozinha.”

Warren Buffet

Sondagens de confiança – As sondagens de tendência são levantamentos estatísticos que geram informações usadas no monitoramento da situação corrente e na antecipação de eventos futuros da economia. Por produzirem sinalizações de tendência econômica com muita rapidez, geralmente no próprio mês da coleta de dados, são amplamente utilizadas mundialmente como indicadores antecedentes de atividade econômica, ferramentas indispensáveis a empresários, governos e entidades de classe na análise de conjuntura e tomada de decisões.

As informações obtidas por meio das sondagens permitem análises empresariais e concorrenciais, contribuem para o aperfeiçoamento do planejamento de nível de produção, ao acompanhamento dos movimentos de absorção e liberação de mão-de-obra nos diferentes segmentos da economia, ao conhecimento dos planos de investimento do setor produtivo nacional ou de setores específicos, e à projeção da evolução de preços setoriais.

Índice de Confiança da Indústria - É um indicador antecedente utilizado para identificar mudança de tendência na produção industrial, ou seja, para auxiliar na previsão do produto industrial e, por conseguinte, do PIB. Empresários confiantes tendem a aumentar o investimento e a produção para atender o esperado crescimento na demanda. A Sondagem da Indústria oferece avaliações e expectativas deste setor para variáveis relevantes da atividade econômica como:

• nível de demanda interna e externa;
• nível de estoques;
• nível de utilização da capacidade instalada;
• expectativas em relação à produção, ao emprego e à situação dos negócios no futuro próximo;

Permite comparar as expectativas da empresa com a média do setor; avaliar a situação do segmento; fornece indicações sobre o momento atual e tendências de curto prazo do setor industrial brasileiro, constituindo-se em subsídio para a tomada de decisões empresariais, análises econômicas nos meios acadêmicos e de consultoria e formulação de políticas econômicas pelo Governo. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Purchasing Managers Index (PMI).

O PMI é um índice composto e baseado nos cinco maiores indicadores que incluem: novos pedidos, níveis de inventários, produção, entregas de suprimento, e desenvolvimento do Emprego. Cada indicador tem um peso diferente e os dados são ajustados por fatores sazonais. Um índice PMI acima de 50 indica que a indústria de transformação está expandindo enquanto que abaixo de 50 significa que está contraindo. O relatório PMI é um indicador extremamente importante para os mercados financeiros assim como também é o melhor indicador de como está a produção nas fábricas. O índice é popular por detectar pressão inflacionária bem como anda a atividade econômica industrial.

Philadelphia Fed Index (Business Outlook Survey) - A Pesquisa de Perspectiva de Negócios é uma pesquisa mensal de fábricas localizadas ao redor dos estados de Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware. As companhias pesquisadas indicam a direção das mudanças em todas as suas atividades de negócios e nas várias medidas de atividade em seus parques fabris.

É considerado um bom indicador de mudanças em tudo relacionado a emprego, preços gerais e condições dentro das indústrias de transformação. Aliás, este setor da indústria é considerado como o precursor das condições econômicas futuras e ele prepara o terreno em direção a uma recuperação econômica. Por exemplo, numa econômica fraca se a indústria de transformação começa a contratar há uma expectativa de que a economia começe a melhorar mais adiante.

"Trabalhar duro por algo em que não se acredita chama-se estresse. Trabalhar duro por algo em que se acredita chama-se propósito".

 

Gastos de Consumo / Confiança do Consumidor - É uma pesquisa mensal que procura captar o sentimento do consumidor em relação ao estado geral da economia e de suas finanças pessoais. Quando o consumidor está satisfeito e otimista em relação ao futuro tende a gastar mais; quando está insatisfeito e pessimista gasta menos. A confiança do consumidor, portanto, atua como fator redutor ou indutor do crescimento econômico. O monitoramento do sentimento do consumidor tem o objetivo de produzir sinalizações de suas decisões de gastos e poupança futuras, constituindo indicadores úteis na antecipação dos rumos da economia no curto prazo. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Consumer Confidence Index – CCI.

O consumo torna-se possível pela renda pessoal e pela renda sem restrições. A decisão do consumidor de gastar ou poupar é psicológico por natureza. A confiança do consumidor também é medida como um indicador da propensão dos consumidores que possuem uma renda sem restrições para mudar da poupança para os gastos. A Sondagem das Expectativas do Consumidor produz indicadores sobre o monitoramento do sentimento do consumidor, tais como:

• decisões de poupanças e gastos futuros;
• sinalizadores dos rumos de curto prazo da economia;
• avaliações e expectativas sobre a situação econômica local;
• situação financeira da família, mercado de trabalho e intenção de compras de bens duráveis;

O aumento das vendas do comércio é importante, não só porque pode permitir um aumento da produção de bens, mas também porque sinaliza que as pessoas estão com mais dinheiro no bolso para gastar. Em geral, quando isso acontece o setor de serviços também é beneficiado, o que impulsiona ainda mais o crescimento da economia.

A ideia por trás do índice de confiança do consumidor é que quando a economia garante mais empregos, salários mais altos e taxas de juros mais baixas, aumenta a confiança e poder de consumo. Sendo o oposto também verdadeiro durante períodos de contração econômica, quando a confiança diminui.

Índice de Confiança do Comércio - Tem como objetivo medir a percepção que os empresários do comércio têm sobre o nível atual e futuro de propensão a investir em curto e médio prazo. É um indicador antecedente de vendas do comércio, a partir do ponto de vista dos empresários comerciais, tornando-o uma ferramenta poderosa para o varejo, fabricantes, consultorias e instituições financeiras. O objetivo é detectar as tendências das ações empresárias do setor. A Sondagem do Comércio produz avaliações e expectativas deste setor para variáveis relevantes da atividade econômica, tais como:

• observações nos últimos três meses em relação: vendas e emprego;
• volume de demanda atual;
• volume de compras atual;
• crédito;
• fatores limitativos;
• expectativas em relação: vendas, emprego, compras, e tendência dos negócios no futuro próximo.

Índice de Confiança da Construção - Mede a percepção dos empresários do setor sobre sua situação atual e as expectativas para os próximos meses. A pesquisa gera, mensalmente, um conjunto de informações usadas no monitoramento e antecipação de tendências econômicas da construção civil. Um incremento na atividade futura do setor de construção civil produz um efeito multiplicador, impulsionando outros setores da economia. A Sondagem da Construção produz avaliações e expectativas deste setor para variáveis relevantes da atividade econômica, tais como:

• situação atual dos negócios;
• evolução recente da atividade;
• capacidade produtiva;
• crédito;
• fatores limitativos;
• expectativas em relação: demanda, emprego, e tendência dos negócios no futuro próximo.

“Trinta anos atrás, ninguém poderia ter previsto o imenso impacto da Guerra do Vietnã, de duas crises do petróleo, da renúncia de um presidente, da dissolução da União Soviética (…). Diferentes choques ocorrerão nos próximos 30 anos. Não tentaremos prevê-los, nem lucrar com eles.”

Warren Buffett

Dados da Construção Civil - O indicador de construção constitui em um grupo significativo incluído no cálculo do PIB dos Estados Unidos. Ainda, o mercado imobiliário tem sido o motor que avança a economia dos EUA para fora das recessões após a Segunda Guerra Mundial. Esses indicadores são classificados em três categorias principais: 1. Construções e alvarás de habitações, 2. Vendas de casas novas e existentes de uma só família, 3. Gastos com construção. Os indicadores de construção são cíclicos, muito sensíveis ao nível das taxas de juros (e, conseqüentemente, às taxas de hipoteca) e ao nível de renda disponível. No entanto, baixas taxas de juros por si só podem não ser capazes de gerar uma alta demanda por habitação.

Housing Starts – Este indicador econômico rastreia quantas novas moradias ou edifícios são construídos durante todo o mês. É considerado como um indicador líder, isso significa que ele detecta tendências futuras na economia. Um declínio no índice mostra que a economia está lenta, enquanto que uma alta no índice de atividade de novas moradias pode empurrar a economia fora de uma situação de economia fraca.

Levantamento Sistemático da Produção Agrícola IBGE – Obtém informações mensais sobre previsão e acompanhamento de safras agrícolas, com estimativas de produção, rendimento médio e áreas plantadas e colhidas, tendo como unidade de coleta os municípios. Compreende a estatística da Produção Agrícola mensal do país.

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Índices Especiais de Bens de Capital – O objetivo geral desse índice especial é, a partir de recortes específicos sobre a amostra de produtos da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física – PIM-PF, ampliar a capacidade de entendimento da evolução da atividade industrial no curto prazo. Neste caso, o objetivo é gerar índices mensais que informem sobre o movimento da produção de máquinas, equipamentos e peças, segundo o destino predominante desses bens. Com isso, busca-se identificar o comportamento do investimento segundo os setores demandantes.

Os produtos foram agrupados sob a seguinte tipologia: Bens de Capital Para Fins Industriais (Seriados e Não-Seriados); Bens de Capital Agrícolas; Peças Agrícolas; Bens de Capital para Construção; Bens de Capital para o Setor de Energia Elétrica; Bens de Capital para Equipamentos de Transporte; e Bens de Capital de Uso Misto.

Número de Pedidos à Indústria - Reflete as novas ordens de pedido às indústrias de bens duráveis, mostrando o uso da capacidade total do setor e o nível de aquecimento econômico. Os bens não duráveis incluem alimentos, vestuário, produtos industriais leves, e produtos desenvolvidos para a manutenção dos bens duráveis. Os Bens Duráveis consistem em produtos com vida útil maior do que três anos. Alguns exemplos são automóveis, eletro-eletrônicos, móveis, joalheiros e brinquedos. Eles são divididos em quatro categorias principais: metais primários, maquinário, maquinário elétrico, e transporte. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Durable Goods Orders.

Volume de Vendas do Varejo - Mede o volume das vendas das lojas de varejo que comercializam tanto bens duráveis como não duráveis. Esse indicador mostra a tendência de consumo da população, influenciando nas estimativas futuras para a força da demanda do consumidor e a confiança na economia. Nos Estados Unidos esse indicador se chama Retail Sales.

Indicadores Líderes - Os indicadores líderes são compostos por indicadores que antecipam mudanças futuras na economia, por serem mais sensíveis, reagem mais rápido às mudanças em relação aos demais indicadores. São compostos pelos seguintes indicadores econômicos:
• Semana de trabalho média de trabalhadores da manufatura.
• Média semanal de entradas no seguro desemprego.
• Novos pedidos por materiais e bens ao consumidor (ajustados para a inflação).
• Desempenho de fornecedor.
• Contratos e pedidos para fábricas e equipamentos (ajustados para a inflação).
• Emissão de alvarás para novas construções.
• Mudança nos pedidos não supridos de fabricantes, bens duráveis.
• Mudança nos preços de materiais sensíveis.

Indicadores de emprego – A taxa de emprego é um indicador econômico com importância em diversas áreas. Naturalmente, mede a solidez de uma economia e também é o indicador de uma economia desacelerada. Refere-se à mão de obra como fator de produção. Períodos de alto desempenho econômico obviamente reduzem o nível de desemprego e aumentam a confiança dos empresários. Essas variáveis, que representam a demanda do mercado de trabalho, são consideradas antecedentes ao nível da atividade econômica porque refletem as expectativas quanto à produção futura.

É um aspecto importante a se lembrar, especialmente em tempos de recessão econômica, quando a política econômica foca-se na saúde e recuperação do setor de empregos. Neste contexto, o emprego é o último indicador econômico a se recuperar. Quando a contração econômica causa cortes de emprego, leva-se muito tempo para gerar confiança psicológica na recuperação da economia no nível gerencial até que novos empregos sejam gerados.

Os relatórios de emprego são importantes para os mercados financeiros em geral, bem como para o mercado de câmbio em particular. No mercado de câmbio, os dados são realmente afetados em períodos de transação econômica — recuperação e contração. A razão para a importância dos indicadores em situações econômicas extremas se dá na imagem que projetam sobre a saúde da economia e no grau de maturação de um ciclo comercial. Um valor decrescente de desemprego sinaliza um ciclo de expansão econômica, enquanto que um valor crescente indica recessão.

Nos Estados Unidos, o Employment Situation Report é um indicador mensal que se refere ao desemprego e aos novos empregos criados. O relatório diz a taxa de desemprego e a mudança na taxa de desemprego. A segunda parte do relatório contém informações como a média semanal de horas trabalhadas e a média de recebimentos por hora trabalhada. Esta média é importante para determinar a tensão no mercado de trabalho, a qual é a maior determinante de inflação. E, assim como os índices de inflação, este indicador é acompanhado de perto pelo mercado juntamente com o initial claims.

“Eu seria um mendigo pedindo esmolas nas ruas com uma caneca na mão se os mercados fossem eficientes”.

Warren Buffett

A macroeconomia e a microeconomia estão intimamente ligadas, e como as mudanças na economia resultam das decisões de milhares de pessoas, é impossível entender os desdobramentos macroeconômicos sem considerar as decisões microeconômicas a eles associadas. O objetivo da análise econômica, além de fornecer subsídios para a análise dos ativos, é antecipar possíveis movimentos da economia do país antes que essa informação se torne um consenso para o mercado, ou seja, a análise deve possibilitar ao investidor se antecipar em relação ao restante do mercado, além de embasar a sua tomada de decisão. Quanto melhores forem as características individuais da companhia, melhor ela irá superar condições macroeconômicas adversas.

Estudos apresentados recentemente no The Wall Street Journal comprovam que em quase todos os 11 declínios econômicos dos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial, o Dow Jones atingiu seu ponto mais baixo da recessão e começou a subida seis meses antes do início da recuperação da economia. Geralmente, os investidores ficam ansiosos para comprar papéis antes da recuperação econômica porque quando eles sobem depois de uma recessão os ganhos são consideráveis, conforme fora percebido no período de 2009 a 2010, após a crise de 2008.

Os mercados de capitais são mais do que simplesmente uma medida da expectativa do investidor. Eles são uma medida de confiança. Existem evidências de que a movimentação no mercado de capitais possui desempenho antecedente em relação à atividade econômica. Numa época em que a maior parte dos males da economia reside na crise de confiança, em que tanto os consumidores quanto os empresários estão tão inseguros quanto ao futuro que cortam ao máximo as despesas, uma alta no mercado de capitais é um importante sinal de que a maré pode estar começando a virar, sendo um importante estímulo de confiança na economia.

O investidor pode buscar antecipar a tendência de crise monitorando os sinais identificados na conjuntura dos indicadores econômicos como oferta monetária (e crédito) com taxas de crescimento estagnadas ou em queda, curva de juros invertida, aceleração nos índices de preços ao consumidor, aumento generalizado dos custos, principalmente nas empresas mais afastadas do consumo final. Dessa maneira ele tentará direcionar os seus investimentos para setores que, em tese, serão menos afetados, ou mesmo, que se beneficiarão neste cenário.

Os mercados acionários, em tese, seguem os indicadores econômicos e as notícias das empresas que compõem os principais benchmarks; na teoria. Contudo, a prática mostra que as bolsas têm seus meios de contrariar a lógica, se movendo em sentido contrário ao dos fundamentos econômicos e corporativos. A maior parte das informações financeiras disponíveis dá ênfase nas opiniões e na tendência de curto prazo, na reação do mercado às notícias e à popularidade de determinada empresa. Investidores veteranos estão mais focados para o longo prazo, exatamente onde a análise fundamentalista tem maior valor. Investem embasados por resultados e fundamentos, com consciência e razão, ao invés de seguirem impulsos e o imediatismo. Investir no longo prazo é em muitos aspectos uma atitude mais madura e responsável.

"Se você quiser especular, faça com os olhos abertos, sabendo que provavelmente você irá perder dinheiro no final; lembre-se de limitar a quantidade de dinheiro em risco e separe-a completamente da sua estratégia de investimento de longo prazo".

Benjamim Graham

Corretoras, bancos e a mídia em geral dão muita ênfase no daytrade e na ilusão do enriquecimento rápido. Estimulam diversas estratégias de operação, algumas sem a menor coerência e que acabam tendo baixa rentabilidade. Estratégias mais conservadoras de buy and hold e reinvestimento de dividendos parecem desinteressantes diante desse enfoque. O investidor Warren Buffett sempre defendeu que mais importante do que fazer previsões econômicas, as quais muitas vezes sequer se realizam, é investir em ações de empresas que vem apresentando resultados positivos consecutivos ao longo dos anos, seja durante períodos de bonança econômica ou de crise.

Portanto, é preciso avaliar o mérito das informações e opiniões em relação aos fundamentos, confirmando-as ou não. Caso contrário, estará investindo a partir de idéias preconcebidas, seguindo a mentalidade da massa ou dicas que não possuem fundamento algum, e que no longo prazo geram mais perdas do que ganhos. Investidores que buscam retorno rápido operando no curto prazo ficam mais focados no jogo de compra e de venda do que na formação de uma carteira de investimento composta por ações de empresas que vêm apresentando bons fundamentos ao longo dos anos.

Muitos dos que estudam os fundamentos e indicadores econômicos acreditam de certa forma que o mercado possa ser previsível. As pessoas querem acreditar que através de um extenso estudo dos fundamentos poderão prever os valores futuros das ações de uma empresa com tal precisão que sempre ganharão dinheiro. Esse tipo de crença, apesar do correto desejo de minimizar o risco, retira a capacidade de julgamento. O grande propósito da análise fundamentalista não é lhe fornecer informações privilegiadas ou algo do tipo, mas lhe ajudar a direcionar seus esforços na direção certa, a desenvolver a sua perspicácia e confirmar as suas crenças e, dessa maneira, dar suporte para a sua tomada de decisão.

É importante frisar que os fundamentos, apesar de estarem sólidos, podem ser deixados de lado pelo mercado, que de uma hora para outra pode mudar a direção dos preços. Mesmo que uma empresa apresente uma excelente performance histórica e possua ótimos fundamentos, o mercado pode entrar numa tendência de baixa em razão de algum acontecimento, ou mesmo, porque os preços estão supervalorizados e é conveniente para os investidores institucionais realizarem o lucro. A análise fundamentalista feita na empresa pode estar correta e coerente à realidade, mas ainda assim o preço de suas ações pode cair. Esse é o risco do mercado e, conforme dito anteriormente, o sucesso está em controlar o risco e gerenciar o seu capital.

“O tempo é utilizado de maneira mais sábia quando se busca comprar ações de empresas cujos negócios geram lucro em qualquer conjuntura econômica do que fazendo trades no curto prazo em ações de empresas que se beneficiarão apenas caso as suas suposições econômicas se concretizarem”.

Warren Buffett

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